O campeão real

Maio 23, 2019 Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião
Hugo Pinto

O Benfica é campeão. E dizer isto não é dizer pouco, atendendo a que há cerca de quatro meses mudámos de treinador (em boa hora) e tudo indicava que o FCP se ia sagrar tranquilamente bicampeão. Só que não.

O Benfica recuperou de sete pontos de atraso face ao primeiro lugar e acabou com mais dois do que o primeiro dos últimos (nove, no total). E tudo isto teve um autor: Bruno Lage. Diz-se hoje que é o novo Mou. É inevitável a comparação, uma vez que ambos são de Setúbal, Bruno é jovem, como era Mourinho na altura da sua estreia, e deram nas vistas como treinador principal no Benfica.



Porém, e escrevi isto mesmo numa crónica algures no final de janeiro ou início de fevereiro, para mim, estamos perante um fenómeno tipo Guardiola. Por isso mesmo, ainda levei uma leve alfinetada, mas o tempo veio a dar-me razão. Bruno Lage, tal como Guardiola, sabe de treino até dizer chega, trabalha com os jogadores como ninguém e teve o inegável mérito de pegar num grupo em frangalhos e fazer dele uma equipa como deve ser, a jogar um futebol vistoso e com golos. Muitos golos. Como se quer.

Outros falaram em colinho. E eu nem digo que não houve (alegadamente) nenhum. No Feirense, no Rio Ave, fui dos primeiros a dizer ou admitir que aconteceram episódios…sui generis. Agora, a questão é que episódios desses aconteceram com todas as equipas, ou, pelo menos, com todos os candidatos ao título. E como o futebol é um tango dançado a dois, não nos resta mais do que admitir que ao mérito do Benfica se juntou o demérito do FCP. Senão, veja-se o seguinte: o Benfica ganhou em casa e fora a todos os seus rivais diretos, exceto uma ocasião em que empata, salvo erro, com o Sporting. E o jogo no Dragão foi a prova provada de que o Benfica é campeão por mérito próprio e com inteira justiça. Temos pena, para o ano há mais.

Uma nota final, corroborando de certa forma o que escrevo supra, vai para o discurso de vitória de Bruno Lage. De uma sobriedade forma do normal, Lage lembra que há que respeitar os adversários, valorizando o esforço de todos, reconhecendo com fair-play que, se nuns anos uns estão melhores, noutro ano são outros. E há que o admitir com seriedade, justamente para que, quando se vence, se seja reconhecido como justo vencedor. E isto, meus senhores, devia ser o futebol. Afinal, é só futebol. E continua, deixando um alerta deveras interessante: como seria a nossa sociedade, se tivéssemos para com quem nos governa, a mesma exigência que temos para com o futebol. Já agora, vale a pena refletir sobre isto.

Somos campeões. Dá-me o 38. De preferência, com Bruno Lage aos comandos.

Viva o Benfica! E pluribus unum.

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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