Poluições, Soluções: ou, Ação Individual, Bem Comum

Maio 1, 2021 Ambiente, Atualidade, Opinião
Susana Martins

No mês de maio, é convidada a escrever no nosso espaço, Susana Martins, Doutorada em Economia pela Universidade do Minho, Susana investiga e ensina desde 2019 na Universidade de Oxford e está inserida no projeto de investigação internacional Climate Econometrics que desenvolve estudos sobre o impacto da atividade humana no clima e vice-versa. 

No ano da Providência, vivia um rapaz que adorava ciência. Chamava-se Timóteo e vivia com os seus pais lá para os lados de Consciência. Mas havia um problema naquela cidade, demasiado combustível fóssil era usado para aquecimento e eletricidade.

O Timóteo brincava e o sol mesmo lá bem alto aquecia de tanto que brilhava. E o vento, esse bem que soprava, mas os seus olhos estavam muito abertos ao ver o que se passava. Do meio de uma colmeia e em espiral, acabara de surgir um portal. Uma abelha um pouco destrambelhada rebolara lá de dentro e estava muito atrapalhada. Vinha do futuro para resolver uma encruzilhada!


Eu sou a Doutora Carabelha e venho numa emergência: o mundo está prestes a destruir-se no ano da Iminência! Eu sou a cientista a cargo da polinização, mas devido aos gases com efeito de estufa e à desflorestação, as abelhas estão a morrer e as plantações a desaparecer por toda a nação. Por favor, Timóteo, precisamos que entres em ação!


Doutora Carabelha, não estou a perceber, como estão estas coisas terríveis a acontecer?

São as alterações climáticas, a mais urgente das problemáticas! O carvão e o petróleo em abundância e a criação de gado em massa permitem uma produção mais barata. Mas não a mais sensata! Por serem mais baratos são usados como desculpa, mas são eles que têm grande parte da culpa. Os seus gases poluentes sobem pelo ar, tão alto e dispersos que não mais vemos céu azul nem luar com tanto acumular! Como o calor fica entranhado nas suas teias sem ter como sair, a temperatura global e as águas do mar não param de subir. As crianças perderão o seu futuro com esta trágica trajetória, a menos que mudes o rumo da história!

Isso é terrível, Doutora Carabelha, mas será corrigível? Para um futuro sustentável construir, por favor, diz-me o que devo fazer? Onde devo ir?

Vai e faz chegar a multidões estas simples, mas eficazes soluções. As energias renováveis podem salvar o Planeta. O sol, o vento e água podem ajudar-nos a atingir essa meta. Para isso, cientistas como eu precisam de mais financiamento para pôr estas tecnologias verdes em andamento!

Ao adotares bons hábitos para ti e o ambiente ainda motivas outros a agir também de forma mais consciente. Recicla, reusa e reduz porque menos é mais, mantém-te informado e favorece o consumo de produtos locais. Usa a voz até que sejamos ouvidos sobre como salvar a Terra e todos os seres vivos!


E assim foi Timóteo apregoar pelas ruas de Consciência a correr e a saltar.

A Doutora Carabelha lembra-nos a importância de comunicar de forma pedagógica e com base na ciência as causas, consequências e soluções para mitigar os efeitos das alterações climáticas.

O aumento sem precedentes dos gases com efeito de estufa na atmosfera, os quais retêm o calor, está diretamente associado a atividades humanas. As emissões de carbono continuam a aumentar e o seu impacto no clima e (aumento da) temperatura da Terra é cada vez maior. As suas consequências ambientais à escala global como a fusão do gelo e subida das águas do mar, e a ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos têm custos muito elevados para a saúde humana, a sociedade e a economia. Em alguns casos, os efeitos das alterações climáticas são até considerados irreversíveis se não conseguirmos atingir o objetivo proposto pela comunidade internacional de limitar o aumento da temperatura global.

Promessas para atingir a neutralidade nas emissões do carbono, mesma proporção de carbono absorvido e emitido, abrangem cerca de 2/3 da economia global. Mas palavras não chegam para atingir a meta. É necessário definir e implementar uma estratégia de transição para energias renováveis e tecnologia com menor impacto ambiental. É igualmente importante perceber que não só as consequências das alterações climáticas são globais, mas também os nossos hábitos e ações individuais. Não somos só mais uma gota no oceano. Somos o oceano.

A fábula é uma adaptação do texto escrito pela equipa Barreda da qual fiz parte em conjunto com James Raymond para o Online Sciathon 2020 organizado por The Lindau Nobel Laureate Meetings.

Por: Susana Martins *

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

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