Rei morto. Rei posto.

Julho 9, 2020 Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião
Hugo Pinto

Esta semana, debruçar-me-ei sobre o fenómeno de balneário que leva os jogadores de um clube a mudarem o seu estado anímico e a sua forma de estar em campo, aquando da troca de treinador.



Para uma opinião mais abalizada, nada como abordar alguém que tenha estado por dentro do dito fenómeno. Mais propriamente, dentro do balneário. Eis, então, a opinião de Telmo Sousa, ex-jogador e atual preparador físico (ex-preparador físico do Gil Vicente Sub-19, integrante da equipa técnica de Nuno Santos). Segundo aquele, há, desde, logo um fenómeno de renovação anímica associado à ideia de que, se vem um treinador novo, vem também uma nova e melhor oportunidade. Começando pelos elementos que não têm jogado tanto, que se esforçam mais em busca do seu “lugar ao Sol”, e acabam por “morder os calcanhares” àqueles que davam o lugar como certo e, portanto, estariam mais acomodados. Mas esta será só a ponta do iceberg. Ainda segundo este profissional, há todo um conjunto de meandros paradesportivos que envolvem a vida dos jogadores, dos treinadores, empresários de futebol e, até, presidentes dos clubes. Todo um conjunto de políticas e estratégias de negócio (sim, que o futebol é, cada vez mais e infelizmente, um negócio) que envolvem agentes, jogadores e direções de TODOS os clubes, desde o mais pequenino aos maiores colossos europeus. E, como se já fossem poucos fatores, ainda há a “imagem” do jogador, que não quer ficar associado aos maus momentos de um clube, que deseja o sucesso e obter melhores condições contratuais em eventuais transferências. Até, imagine-se, (e aqui Bruno Lage também deu um toque) outros treinadores que vão ver jogos de colegas e exercem algum tipo de pressão externa sobre as direções e empresários.

Enfim, todos nós temos opiniões disto e daquilo, mas andamos muito longe de imaginar a “gincana” que será gerir todos estes fatores, tendo como juiz implacável os resultados que se vão obtendo. Quando os fatores enunciados supra se conjugam favoravelmente, tudo corre bem. Mas quando cada um puxa para seu lado, a catástrofe é iminente. Provavelmente, Bruno Lage foi um pouco vítima de alguns destes problemas. Não obstante lhe podermos reconhecer alguns erros técnicos ou táticos.

O “senhor que se segue” é Nelson Veríssimo. E a avaliar em função do que vimos expondo, será então natural que os resultados mais positivos comecem a aparecer. Mas até quando? Quanto tempo durará o estado de graça de treinador que “dá” 10-0 e que, sem que muito se altere, perde com um dos últimos classificados? Estaremos perante um fenómeno de treinadores de reciclagem, que é bom enquanto ganha, mas que depois fica sozinho quando as coisas correm menos bem. E se é assim, de quem será a culpa. Do treinador? Do presidente? Das “estruturas”? Vale a pena pensar nisto. Sobretudo, se dirigimos um clube de futebol profissional.

Viva o Benfica.

E pluribus unum

Por: Hugo Pinto.*

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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