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Ajuda em Ação

“Regresso às aulas em pandemia: desafios sociais e digitais” é tema de conversa online

Setembro 4, 2020 em Atualidade, Cultura, Educação, Mundo Por barcelosnahorabarcelosnahora

Evento organizado pela Ajuda em Ação tem Fernanda Freitas como moderadora

Por esta altura, a preparação do regresso às aulas é um ritual comum para pais e professores. Mas em tempos nada comuns como os que vivemos, com que novos desafios sociais e digitais podemos contar? Como ONG que tem a educação como um dos seus principais pilares de ação, a Ajuda em Ação acredita “que este é um debate essencial, sobretudo porque o voltar à escola em tempos de pandemia levanta várias questões que vão além do uso, ou não, de máscara e do distanciamento social. Além disso, não nos podemos esquecer que a COVID-19 acentuou o problema da exclusão digital de muitas crianças durante o confinamento”, refere em nota.



Para debater este tema fundamental a partir da sua experiência profissional, a ONG de origem espanhola convidou Lorena Boga – Ajuda em Ação Galiza -, David Botas – Assessor da Direção do Agrupamento de Escolas de Camarate -, Manuel Fernandes – Agência Nacional Erasmus – e Roger Meintjes – Fundador do FUNDAKIT – para uma conversa moderada pela jornalista e autora Fernanda Freitas.

A organização convida todos a juntarem-se a esta conversa online, que é a terceira sessão gratuita do Ciclo de Conversas Online Ajuda em Ação, já no dia 9 de setembro, às 17h30, via ZOOM para ouvir as reflexões dos convidados e, se quiserem, colocar questões através da opção Q&A. 

“Temos a certeza que esta é uma conversa online gratuita que não vai querer perder”, exalta a ONG. Para participar, pode clicar no link que se segue e registar-se: https://ajudaemacao.org/webinars/conversa-online-regresso-as-aulas-pandemia/. Depois, receberá um outro link para se juntar à conversa.  

Os convidados:

Lorena Boga, Ajuda em Ação Galiza

Trabalha na área de Ação Social e Educativa da Ajuda em Ação Galiza, onde coordena projetos de intervenção socioeducativa e de sensibilização social. É Educadora Social e Técnica Superior em Integração Social e Mestre em Políticas Sociais e Intervenção Sociocomunitária – especialização nas áreas de género, envelhecimento e transformações familiares – pela Universidade da Corunha. Juntamente com cinco colegas, criou a Associação Simbiose, que visa estabelecer relações de sinergias entre as pessoas e entidades da cidade da Corunha. Aí, desenvolve, atualmente, trabalhos relacionados com a organização de atividades vinculadas a entidades sociais locais ou com o fomento da participação local, especialmente da comunidade que conta com menos oportunidades. Desenvolveu diferentes projetos de investigação e voluntariado em Portugal e na Polónia, já no Equador, e com a ONG Ajuda em Ação, realizou uma experiência de voluntariado e de sensibilização para os direitos da infância.

David Botas, Assessor da Direção do Agrupamento de Escolas de Camarate

Concluiu a licenciatura em Professores do Ensino Básico (1º ciclo) pelo Instituto Politécnico da Guarda, em 2003, realizando posteriormente uma Especialização em Educação Especial – Domínio Cognitivo e Motor através do Instituto de Estudos Superiores de Fafe (2013). Ao longo do seu percurso profissional já trabalhou como animador, sendo professor do 1º ciclo desde 2004. Atualmente, é também Assessor da Direção do Agrupamento de Escolas de Camarate, uma entidade parceira da Ajuda em Ação.

Moderadora: Fernanda Freitas (Foto: DR)

Manuel Fernandes, Agência Nacional Erasmus

É licenciado em Sociologia e Planeamento pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e pós-graduado em Educação e Sociedade. Foi professor do ensino secundário e exerceu funções ao nível da Educação e Formação de Adultos, em especial em programas de combate à exclusão social. Além disso, foi Diretor de uma instituição de acolhimento de crianças e jovens em risco. Ao longo de todo o seu percurso profissional, focou-se no desenvolvimento e negociação de estratégias de empoderamento de públicos mais vulneráveis ou em risco de exclusão social. Atualmente, trabalha na Agência Nacional Erasmus, Educação e Formação, onde integra a equipa da ação-chave 2 – parcerias estratégicas no setor do ensino escolar.

Roger Meintjes – Fundador do FUNDAKIT

Tem uma licenciatura em Belas Artes pela Universidade da Cidade do Cabo, um mestrado em Computational Studio Arts pela Universidade de Londres e um doutoramento em Engenharia pela Universidade de Bremen. Na África do Sul, o seu percurso profissional ficou marcado pela integração numa cooperativa de fotógrafos que se insurgiu contra o apartheid e, no seguimento da democracia, pelo trabalho realizado no Museu Robben Island. É o fundador do projeto FUNDAKIT, uma organização sem fins lucrativos, que desenvolve kits de co-construção vocacionados para jovens que permitem desenvolver projetos multiutilizadores e estimulam a aquisição de novos conhecimentos e aptidões através do design – ao nível do digital, do pensamento crítico e criativo, da colaboração e da comunicação.

A Ajuda em Ação é uma Organização Não Governamental (ONG) internacional de origem espanhola com presença em Portugal. Foi fundada em 1981 e atua em áreas como a pobreza, a desigualdade, a vulnerabilidade, a exclusão social e as alterações climáticas, com o objetivo de potenciar a dignidade e solidariedade para a construção de um mundo mais justo. Atualmente, juntou à sua missão a luta contra a disseminação do coronavírus e a pobreza, um dos seus efeitos colaterais, sempre com um olhar atento sobre as grandes repercussões sociais e digitais que a pandemia instalou.

Imagens: DR.

Carlos Neto: “É importante decretar o estado de emergência do brincar ao ar livre”

Agosto 20, 2020 em Atualidade, Concelho, Educação, Mundo Por barcelosnahorabarcelosnahora

Afirmação do investigador proferida na sessão online “Brincar ao ar livre em tempos de COVID-19: o que mudou?”

O problema não é novo, mas a pandemia da COVID-19 confinou ainda mais as brincadeiras ao ar livre. Se brincar é algo tão fundamental para o desenvolvimento das crianças, quais as consequências de não o fazer? E como se pode contrariar isso, quer na rua, quer na escola? As reflexões são de Carlos Neto, Frederico Lopes, Jo Claeys e Sara Martins, os quatro convidados da segunda sessão das Conversas Online organizadas pela ONG “Ajuda em Ação”.



As ruas devem ser espaços para as crianças brincarem

Seja por falta de tempo dos pais, pelo atual modelo de ensino nas escolas ou pela sociedade em si, parece que o brincar ao ar livre ficou esquecido. O problema não é de agora, mas ganhou uma nova intensidade com o confinamento imposto pela COVID-19, algo que Mário Rui, diretor de programas da “Ajuda em Ação” em Portugal, revelou como uma grande preocupação da ONG no discurso de abertura da conversa moderada pela jornalista Isabel Moiçó. Preocupação da qual o investigador Carlos Neto também partilha ao afirmar, logo na sua primeira intervenção, que “é importante decretar o estado de emergência do brincar ao ar livre” e ao reconhecer o brincar como essencial para os “seres humanos se estruturarem de um ponto de vista motor, social, cognitivo e emocional”. Além de que o não brincar tem implicações na saúde: “75% a 80% das crianças que acompanho tiveram um grande agravamento da obesidade pré-existente”, avançou, em seguida, a pediatra Sara Martins.

Apesar da dura realidade, existem profissões como a de Frederico Lopes que têm como missão recuperar o brincar ao ar livre. Como brinconauta na Associação 123 Macaquinho do Xinês e membro do consórcio Brincapé, Frederico Lopes afirmou que uma das formas de o fazer, sobretudo num contexto urbano, é através do conceito de “cidades mais amigas das crianças”, isto é, cidades que incluem as crianças e adotam políticas para que estas possam brincar mais, e de forma segura, nas ruas. Portugal “ainda está longe de ter cidades amigas das crianças, mas está próximo de começar a ter vizinhanças amigas das crianças”, disse, dando o exemplo de medidas que foram tomadas em cidades como Lisboa, como o aumento do espaço público e a redução da circulação automóvel, e que embora não tenham sido motivadas pelo brincar, ajudaram-no. “Enquanto adultos é preciso desformatar a ideia de que as crianças só brincam no espaço de jogo, de recreio ou no parque infantil”, reforçou.

Uma ideia com a qual o formador e educador não formal, Jo Claeys, se identificou, ao partilhar a sua experiência de quem vive e trabalha numa zona rural. Mesmo morando na vila da Marmeleira, onde há maior liberdade para as crianças brincarem ao ar livre, inconscientemente dá por si a dizer ao filho “atenção ao carro!” quando deveria era dizer à pessoa que conduz “atenção à criança!”.

Estará na altura de repensar o atual modelo de ensino das escolas?

O público da segunda sessão das Conversas Online da “Ajuda em Ação” já comentava com interesse as reflexões dos quatro convidados, mas foi no momento em que a moderadora Isabel Moiçó introduziu o tópico do regresso às aulas em tempos de COVID-19 que a participação aumentou consideravelmente. Especialmente quando o investigador e professor da Faculdade de Motricidade Humana, Carlos Neto, referiu que esta é a altura certa para se repensar o atual modelo de ensino das escolas, sobretudo da creche ao 2º ciclo, para que “as crianças deixem de ser pequenos prisioneiros dentro da sala de aula, para poderem ser pequenos pesquisadores ao ar livre”. O novo modelo de que Carlos Neto falou durante a sua reflexão implica que a escola vá além da sala de aula, recorrendo mais ao espaço exterior, até porque isso potencia a atividade e a aprendizagem. Um espaço exterior que tem, obrigatoriamente, de mudar para se tornar “um espaço interessante”.

A pediatra Sara Martins concordou com a abordagem de se levar as crianças mais para o espaço exterior neste regresso às aulas e destacou a importância de se voltar à escola. A convidada defendeu que “não é, de todo, exequível impedir as crianças de terem contacto”, alertando que seguir por esse caminho “teria demasiadas consequências a nível psicológico e do desenvolvimento” e que o uso de máscara em crianças pequenas pode ter efeitos emocionais indesejados. E continuar a confinar as crianças também não é a melhor solução, porque durante este período “apresentaram mais quadros de ansiedade”, lembrou Frederico Lopes. Para já, é mais sensato tomar precauções como “não mandar as crianças para escola quando estão doentes” e ter a perceção de que “as crianças representam 1% dos casos mundiais e a grande maioria são assintomáticas ou são muito pouco sintomáticas”, ressalvou Sara Martins.

“O risco é essencial ao brincar”, diz a pediatra Sara Martins

Ao longo da conversa ficou bastante claro que todos os convidados concordavam num mesmo ponto: as crianças brincam cada vez menos e, sobretudo, brincam cada vez menos ao ar livre. Isto também está a acontecer porque, como disse Jo Claeys na sua última intervenção, “como adultos, muitas vezes, temos medo de deixar as crianças brincarem, com receio que se magoem. E acabamos por cortar as asas às crianças”.

Talvez porque ainda se confunde a ideia de perigo com a de risco. “Perigo é diferente de risco. O risco é essencial ao brincar e à aprendizagem porque dá às crianças a capacidade de adaptação que elas vão aproveitar ao longo da vida toda”, fez questão de desmistificar a pediatra Sara Martins. “Uma criança saudável é aquela que tem os joelhos esfolados. Uma criança saudável é aquela que se confronta com o risco. Só quem se confronta com o risco é que tem segurança”, lembrou, ainda, Carlos Neto.

O encerramento da conversa ficou marcado pelo apelo do diretor de programas da “Ajuda em Ação” em Portugal, Mário Rui, à audiência de cerca de 90 pessoas: “não podemos ficar só por uma conversa e um juntar de ideias, terá de passar também a uma prática”.

Pode assistir à segunda sessão das Conversas Online “Brincar ao ar livre em tempos de COVID-19: o que mudou?” através deste link: https://www.youtube.com/watch?v=KiHN47PJ8dw&feature=youtu.be. Em setembro realiza-se a terceira sessão do ciclo de Conversas Online que vai trazer para o debate o tema fundamental dos desafios sociais e digitais deste regresso às aulas em plena pandemia.

A “Ajuda em Ação” é uma Organização Não Governamental (ONG) internacional de origem espanhola com presença em Portugal. Foi fundada em 1981 e atua em áreas como a pobreza, a desigualdade, a vulnerabilidade, a exclusão social e as alterações climáticas, com o objetivo de potenciar a dignidade e solidariedade para a construção de um mundo mais justo. Atualmente, juntou à sua missão a luta contra a disseminação do coronavírus, que também afetou gravemente um dos direitos fundamentais das crianças, o direito a brincar ao confinar, sobretudo, as brincadeiras ao ar livre.

Fotos: DR.

A dignidade na resposta de emergência: o olhar de quem está no terreno

Julho 20, 2020 em Atualidade, Cultura, Economia, Mundo Por barcelosnahorabarcelosnahora

Numa altura em que o mundo enfrenta diversas situações de emergência, de que modo é que a ajuda prestada pode ser digna para quem a recebe e para quem a presta? Foi sobre este tema que se debruçaram os quatro convidados da primeira conversa online organizada pela Ajuda em Ação sobre “A dignidade na resposta de emergência”.



Empatia e dignidade: os dois ingredientes que não podem faltar numa resposta de emergência

A empatia está, ou deve estar, presente em qualquer ato de ajuda. Foi com esta premissa que António Alvim, psicanalista e psicoterapeuta, iniciou a reflexão acerca da dignidade na resposta de emergência, uma conversa que contou com a moderação da jornalista Ana Cristina Pereira. Para o psicanalista, “numa emergência, quando ajudamos alguém, é muito natural que sintamos o nosso próprio desamparo espelhado no outro. Aí, conseguimos empatizar com o outro, sentir a sua dor e ajudar com dignidade”. Colocar-se no lugar do outro, ouvir e perceber as suas necessidades é um processo essencial para que a resposta de emergência seja eficaz e respeite a dignidade de quem é ajudado, sobretudo num momento em que este já está fragilizado.

Pedro Krupenski, presidente da mesa da Assembleia Geral da Plataforma Portuguesa das ONGD, apresentou alguns exemplos que demonstram como, por vezes, nestas situações, as pessoas têm dificuldade em pôr-se no lugar do outro e, por isso, a ajuda que prestam acaba por não se adequar às verdadeiras necessidades e ao contexto das pessoas ajudadas. Em situações de emergência humanitária, “a nossa tarefa é perceber quais são as opiniões das pessoas, a nossa responsabilidade é escutar e amplificar a sua voz”, reitera Sophia Büller, coordenadora de Ajuda Humanitária na Ajuda em Ação Moçambique. António Alvim notou ainda que “se vamos ajudar a partir do prisma da nossa necessidade, da nossa angústia, e não acolhendo a angústia do outro, é claro que o outro vai chocar connosco e é uma questão de tempo até que comece a rejeitar a nossa ajuda”.

De acordo com a experiência dos participantes no debate, todos estes processos de auscultação das necessidades e de criação de empatia permitem garantir a dignidade da ajuda prestada. Mário Rui, diretor de programas da Ajuda em Ação Portugal, revelou como para a ONG foi importante desenvolver uma resposta de emergência em Camarate perante a COVID-19 que fosse, ao mesmo tempo, dignificante para a pessoa que está a ser ajudada e para a própria organização. O diretor de programas da ONG referiu ainda que pretendiam que esta “fosse uma ajuda que acreditasse nas pessoas, que acreditasse na responsabilidade que as pessoas têm nelas para tomar as melhores decisões”.

Cartões ou vouchers: as ferramentas das ONG para promover a dignidade em contexto de emergência

No caso de Camarate – tal como noutros projetos e países onde a ONG atua, nomeadamente em Espanha e América Latina -, a solução encontrada pela Ajuda em Ação Portugal para ir ao encontro das necessidades das famílias apoiadas e preservar a sua dignidade foram os cartões de apoio alimentar. Estes cartões foram distribuídos por 71 famílias – num total de 264 beneficiários – ligadas ao Agrupamento de Escolas de Camarate, parceiro da ONG, ao longo de três fases de entregas e permitiram que estas satisfizessem as suas necessidades mais básicas comprando os produtos que precisavam num supermercado local. Segundo Mário Rui, através desta iniciativa, a Ajuda em Ação procurou promover o conceito de dignidade enquanto forma de autonomia, para que os beneficiários pudessem tomar as melhores decisões para si e para a sua família.

Como referiram os intervenientes desta primeira conversa online organizada pela Ajuda em Ação, esta é uma solução cada vez mais adotada pelas organizações internacionais em contextos de emergência, porque garante a dignidade das pessoas que pedem ajuda, tornando-as protagonistas do seu próprio desenvolvimento. Ainda assim, como alerta Sophia Büller, nem sempre é possível implementar este tipo de ferramentas. A coordenadora de Ajuda Humanitária da Ajuda em Ação Moçambique assinala que a distribuição de cartões ou vouchers “não é aplicável a todos os contextos de emergência, pois significa que tem de existir um mercado. Se estivermos perante um tsunami ou um ciclone que interrompe o normal funcionamento dos mercados, pode não funcionar”.

Quando possível de aplicar, Sophia Büller acredita que esta poderá ser mesmo uma boa forma de dignificar a ajuda prestada. “Se estamos a falar de dar a voz às pessoas que perderam a sua e dar uma dignidade que está muito ligada à tomada de decisões sobre a sua vida, acho que esta é uma das ferramentas mais eficazes”, começa por explicar, acrescentando que, “em 98% dos casos, as pessoas estão a utilizar o dinheiro realmente para as necessidades básicas e até para poupar”. Mário Rui confirma esta ideia, pela sua experiência em Camarate: “às vezes achamos que estas pessoas não fazem as opções corretas, mas a verdade é que elas as fazem de acordo com as suas necessidades”.

Como manter a dignidade no pós-emergência?

No final do debate, os intervenientes deixaram ainda a sua opinião sobre a dignidade no pós-emergência. O psicanalista António Alvim destacou que a dignidade também assenta numa maior atenção à saúde mental: as “ONG também dão saúde mental, exatamente porque este tipo de ajuda, feita assim com respeito, com empatia, é uma ajuda que narcisa, que confirma o narcisismo do outro”. Mário Rui, por outro lado, alerta para a importância das comunidades se organizarem para que, em emergências futuras, sejam capazes de garantir as respostas que precisam de acordo com as suas necessidades e com a dignidade que estas exigem.

Pedro Krupenski e Sophia Büller reforçaram a necessidade de as tomadas de decisão serem baseadas nas pessoas e não em números para que não se cometam os mesmos erros do passado. Sophia Büller explica que “é muito fácil falar de números”, mas que é fundamental olharmos para as pessoas que estes números representam e perceber quem elas são e o que querem ou precisam. “Tomemos decisões baseadas nas pessoas, no indivíduo, naquilo que somos e que ambicionamos ser e não naquilo que temos e ambicionamos ter”, apelou no final Pedro Krupenski.

A Conversa Online dedicada à “Dignidade na Resposta de Emergência” pode ser vista na íntegra em: https://www.youtube.com/watch?v=pqkUIN76PgQ&frags=pl,wn. Esta foi a primeira sessão de um ciclo de conversas online promovido pela ONG internacional Ajuda em Ação que terão lugar mensalmente em julho, agosto e setembro. A próxima conversa online deverá debruçar-se sobre a importância do brincar na rua e como a COVID-19 veio afetar esta dinâmica e trazer novas implicações para o desenvolvimento das crianças.

Ajuda em Ação

A Ajuda em Ação é uma Organização Não Governamental (ONG) internacional de origem espanhola com presença em Portugal. Foi fundada em 1981 e atua em áreas como a pobreza, a desigualdade, a vulnerabilidade, a exclusão social, as alterações climáticas e a emergência humanitária. Como não poderia deixar de ser, mais recentemente, juntou à sua missão a luta contra a disseminação do novo coronavírus bem como um dos seus grandes efeitos colaterais, a pobreza. Qualquer que seja o âmbito da intervenção da ONG, a dignidade daqueles que apoia surge sempre como pilar central no trabalho desenvolvido.

Fonte e fotos: AeA.

Conversas online: A dignidade na resposta de emergência

Julho 3, 2020 em Atualidade, Cultura, Mundo Por barcelosnahorabarcelosnahora

Iniciativa da ONG Ajuda em Ação

No próximo dia 08 julho, pelas 17h30, via Zoom, realiza-se a iniciativa “Conversas online: A dignidade na resposta de emergência”, organizada pela ONG Ajuda em Ação.



“Em contexto de resposta de emergência, o que significa o conceito de dignidade?”, questiona a organização. Para refletir sobre este tema fundamental a partir da sua experiência profissional, convidaram Sophia Buller (Ajuda em Ação Moçambique), Pedro Krupenski (Plataforma Portuguesa das ONGD), António Alvim (Psicanalista) e Mário Rui (Ajuda em Ação Portugal) para uma conversa moderada pela jornalista Ana Cristina Pereira (Público).

“Como ONG de apoio ao desenvolvimento, acreditamos que este é um debate essencial para dar voz às necessidades das comunidades que apoiamos. A nível nacional, a pandemia apanhou-nos a todos desprevenidos e pessoas que nunca antes tinham pedido qualquer tipo de ajuda ou apoio foram, agora, obrigadas a fazê-lo, ao verem-se impossibilitadas de trabalhar devido ao confinamento ou numa situação de desemprego. Internacionalmente, embora a COVID-19 também domine a atualidade, muitos países continuam a ser afetados por outras emergências humanitárias, como, por exemplo, os furacões em Moçambique. Em qualquer um destes casos, as primeiras ajudas chegam às comunidades através de uma resposta de emergência organizada pelas ONG”, refere a organização.

Para participar, via Zoom, basta inscrever-se em: http://ajudaemacao.org/webinar-dignidade-resposta-emergencia/ e receberá, depois, um link para se juntar ao evento.

Quanto aos convidados, Sophia Buller (Ajuda em Ação Moçambique) é Coordenadora de Ajuda Humanitária na Ajuda em Ação Moçambique. O seu trabalho passa por coordenar todas as atividades humanitárias que vão desde a resposta ao Ciclone Kenneth, à deslocação de pessoas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado e, agora, à COVID-19.

Mário Rui (Ajuda em Ação Portugal) é o diretor de programas da Ajuda em Ação Portugal. Nascido em 1973, iniciou a sua carreira profissional aos 17 anos de idade quando foi monitor num centro residencial de pessoas com paralisia cerebral. Desde esta data que esteve sempre envolvido em projetos sociais e ONG.

Pedro Krupenski (Plataforma Portuguesa das ONGD) trabalhou vários anos nas áreas da saúde e educação, em diferentes organizações e distintos países como Moçambique e Timor Leste. Atualmente, é presidente da mesa da AG da Plataforma Portuguesa das ONGD.

António Alvim (Psicanalista) é membro Fundador, Psicanalista Aderente e Formador da Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica. Além do trabalho como psicanalista, esteve num campo de deslocados no sul de Moçambique em 1992 e foi supervisor numa ONG durante 4 anos.

A Ajuda em Ação é uma Organização Não Governamental (ONG) internacional de origem espanhola com presença em Portugal. Foi fundada em 1981 e atua em áreas como a pobreza, a desigualdade, a vulnerabilidade, a exclusão social, as alterações climáticas e a emergência humanitária. Como não poderia deixar de ser, mais recentemente, juntou à sua missão a luta contra a disseminação do novo coronavírus bem como um dos seus grandes efeitos colaterais, a pobreza. “Qualquer que seja o âmbito da intervenção da ONG, a dignidade daqueles que apoia surge sempre como pilar central no trabalho desenvolvido”, refere.

Imagem: DR.

América Latina: como a economia informal está a potenciar a rápida propagação da COVID-19

Junho 18, 2020 em Atualidade, Economia, Mundo, Política Por barcelosnahorabarcelosnahora

A América Latina é, segundo a OMS, o “novo epicentro” da pandemia. Aqui, a propagação do vírus da COVID-19 tem como responsável a economia informal que impede os trabalhadores que vivem dos ganhos diários de paralisarem a sua atividade. A ONG “Ajuda em Ação” iniciou um plano de emergência que inclui 11 países da região para dar resposta à situação.



Devido à COVID-19, há quem não tenha “como viver” na América Latina

Desde que a pandemia se tornou uma realidade na América Latina que a tensão predomina, sobretudo para os cerca de 158 milhões de trabalhadores informais. A falta de rendimentos e a pobreza assombram as famílias e as populações, numa região onde as preocupações e o medo vão muito além das implicações da COVID-19 na saúde. “Trabalho de forma independente, a vender os meus petiscos, aquilo que tiver preparado para o dia. Mas agora, com tudo o que está a acontecer, não posso trabalhar e não temos como viver”, conta a peruana Judith Medina. Casos como os de Judith chegam, recorrentemente, às equipas no terreno da “Ajuda em Ação”, ONG que trabalha contra a pobreza e a desigualdade social na América Latina, há já 35 anos. 

William Campbell, diretor da “Ajuda em Ação” no Peru, explica que, para já, o seu principal objetivo é entregar “cartões de apoio alimentar a 500 famílias para que possam alimentar-se durante a quarentena” e que, adicionalmente, serão entregues “kits de desinfeção da água e de alimentação a 250 organizações locais e kits de higiene familiares”. Acrescenta, ainda, que a prioridade da ONG passa também por “dar resposta a casos de violência familiar, assegurar o apoio socioemocional para as vítimas, assim como ajudar 1.500 famílias a melhorar os seus hábitos de higiene e a recuperar os seus meios de subsistência com a entrega de apoios para retomarem os seus negócios”.

Da Colômbia chega outro testemunho semelhante. Rogelio Montes, trabalhador informal da construção civil, é um dos milhares de colombianos que hoje não tem o que comer devido ao confinamento. Em sua casa, Rogelio era o único que trabalhava e, desde que a crise sanitária chegou ao país, já não o pode fazer. Agora vive do “biscate”, daquilo que surja no dia a dia. Com a voz tímida e embargada, desabafa que a vida, durante a quarentena, não tem sido fácil, que o jantar tem sido as sobras do almoço e que já não consegue garantir a alimentação básica aos seus filhos. As histórias que chegam às equipas da ONG no terreno tornam evidente que, na América Latina, as pessoas veem-se numa situação impossível entre ficar em casa para combater a COVID-19 ou sair para trabalhar para não morrerem de fome.

Rogelio e Judith são, segundo o economista e investigador peruano Hugo Ñopo, os rostos menos visíveis da preocupante situação económica que se vive na América Latina. Estamos a falar do “condutor que sai para trabalhar todas as manhãs e que no final do dia pode levar algum dinheiro para casa, dinheiro esse que agora não existe. Ou das pessoas que saem para vender. Há muitos trabalhadores independentes, pequenos empreendedores que dependem do dia a dia e que, de repente, se veem sem qualquer rendimento”.

A formação destes pequenos empreendedores em plena pandemia faz, por esta razão, parte do plano de emergência que a “Ajuda em Ação” pôs em prática na região e que inclui 11 países, entre os quais Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e México. Mas não só. A ONG pretende apoiar um total de 500 mil pessoas na luta contra o novo coronavírus através da distribuição de equipamento médico, como testes à COVID e medicamentos, e de kits de higiene com luvas, máscaras e folhetos informativos sobre práticas de higiene. Garantir o acesso a água potável, reabilitar centros de saúde ou unidades de vigilância epidemiológica e formar profissionais de saúde também estão entre as ações previstas.

“É muito difícil obrigar o trabalhador informal a paralisar a sua atividade económica”, alerta especialista

A 31 de maio, a América Latina ultrapassou uma marca assustadora na luta contra a COVID-19, ao ter alcançado um milhão de infetados e 50 mil mortes. Não é, por isso, de surpreender que, nesse mesmo mês, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tenha referido que a região se tornou num dos novos epicentros da pandemia. E há vários países que apresentam números verdadeiramente preocupantes. É o caso do Peru e do México. O primeiro regista 237.156 casos de COVID-19 e 7.056 mortes, o segundo conta com um número inferior de casos positivos – 154.863 -, mas muito mais mortes: ascendem às 18 mil.

A predominância de uma economia informal pode ajudar a explicar a rápida propagação do vírus. Vinícius Pinheiro, diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para a América Latina e Caribe, salienta que “é muito difícil obrigar o trabalhador informal a paralisar a sua atividade económica”. E essa realidade está à vista. Os mercados e feiras estão cheios de vendedores que não podem parar de trabalhar para garantirem o seu rendimento e, por sua vez, de aglomerados de pessoas que ali adquirem o que vão comer naquele dia – muitos nem frigorífico têm em casa para conservar os alimentos por mais tempo.

Nas feiras de rua de Lima, 80% das pessoas estão contaminadas “porque quem precisa de vender para sobreviver fura o isolamento, é o dilema entre o vírus e a fome”, salienta o diretor da OIT para a América Latina e Caribe, dando como exemplo o Peru, um dos países da América Latina que mais rapidamente reagiu à ameaça da COVID-19, impondo de imediato o confinamento social, e que agora vê os seus números aumentarem de forma vertiginosa.

COVID-19, pobreza e uma tempestade tropical: o caso de El Salvador

Nos países latino-americanos que, para já, não apresentam números de COVID-19 tão expressivos, a situação atual não deixa de ser também delicada. O Equador, por exemplo, tem sido um dos mais castigados pela pandemia, com relatos de corpos espalhados pelas ruas à espera que as autoridades os vão recolher. Contudo, os números oficiais acabam por não corresponder à realidade retratada. Também na Nicarágua, nas Honduras, na Guatemala, em El Salvador ou na Bolívia, o vírus tem vindo a propagar-se pela população e a fazer inúmeras vítimas, quer pelo contágio da COVID-19, quer pelo aumento considerável das pessoas em situação de pobreza e pobreza extrema. Sinal disso são as bandeiras brancas e vermelhas nas janelas das casas que assinalam que ali a comida e os medicamentos já escasseiam.

Em El Salvador a situação atual agravou-se no passado dia 31 de maio com a passagem da tempestade tropical Amanda, que já provocou 27 mortes e desalojou 11 mil pessoas. A “Ajuda em Ação” interveio imediatamente, estendendo a sua resposta de ajuda humanitária. Como explica Michael Sambrano, diretor da ONG no país, esta “dupla emergência está a agravar as desigualdades sociais, económicas e sanitárias que já existiam em El Salvador. Na ‘Ajuda em Ação’ estamos a monitorizar a evolução dos danos causados e estamos a apoiar as famílias mais afetadas. Também vamos continuar a fazê-lo durante a reconstrução para que recuperem as suas vidas”. Para já, a ação da ONG centra-se em garantir o acesso a água potável a 32 famílias, na entrega de material de higiene e desinfeção em seis abrigos e na distribuição de material de prevenção e higiene entre 1.500 refugiados espalhados por vários abrigos no país, a fim de travar ao máximo a disseminação da pandemia.

COVID-19 pode fazer mais de 214 milhões de vítimas da pobreza na América Latina

Os números da pandemia na América Latina estão a deixar em alerta ONG, organizações internacionais e as populações, que sentem na pele as suas consequências diretas e indiretas. E os números estimados da pobreza na região são alarmantes. O mais recente relatório da Comissão Económica para a América Latina e Caribe (CEPAL), revela que a crise económica gerada pela pandemia deverá levar mais 28,7 milhões de latino-americanos à pobreza e mais 15,9 milhões à pobreza extrema. Assim, no final de 2020, para além das vítimas da COVID-19, a América Latina deverá contabilizar um total de 214,7 milhões de vítimas da pobreza e 83,4 milhões vítimas de pobreza extrema. México, Nicarágua e Equador deverão ser os países onde se registarão os maiores aumentos da pobreza extrema, avança o mesmo relatório.

A “Ajuda em Ação” é uma Organização Não Governamental (ONG) internacional de origem espanhola com presença em Portugal. Foi fundada em 1981 e atua em áreas como a pobreza, a desigualdade, a vulnerabilidade, a exclusão social e as alterações climáticas, com o objetivo de potenciar a dignidade e solidariedade para a construção de um mundo mais justo. Atualmente, juntou à sua missão a luta contra a disseminação do coronavírus.

Fonte e fotos: AJUDA EM AÇÃO.

Conseguirá a Colômbia travar o coronavírus no meio de uma crise de refugiados?

Maio 25, 2020 em Atualidade, Cultura, Mundo Por barcelosnahorabarcelosnahora

O novo coronavírus chegou à América Latina e o cenário é preocupante. Na Colômbia, um país já marcado pela pobreza e pela crise de refugiados venezuelanos, temem-se agora as graves consequências que a propagação da pandemia possa vir a ter na população local, onde o número de infetados com coronavírus já ultrapassa os 21 mil.



A Colômbia registou o seu primeiro caso de infeção pelo novo coronavírus no dia 6 de março, depois do qual, o Governo colombiano decidiu fechar todas as fronteiras – medida que estará em vigor até ao final de maio – e, a 17 de março, decretou o estado de emergência e o confinamento social da população, bem como o encerramento de todas as escolas do país. Apesar da rápida resposta das autoridades, atualmente, a Colômbia conta já com 21.175 casos de COVID-19 e 727 mortes. O Governo da Colômbia estima, ainda, que quase 4 milhões de cidadãos possam vir a ficar infetados com o novo coronavírus.

A esta crise sanitária junta-se uma outra que a Colômbia enfrenta desde 2017: a crise dos refugiados venezuelanos. Devido aos conflitos políticos que a Venezuela tem vivido nos últimos tempos, milhões de pessoas viram-se obrigadas a fugir da fome e da pobreza para se abrigarem em campos de refugiados nas regiões fronteiriças da Colômbia, como no Norte de Santander onde o número de contágios por coronavírus é ainda relativamente baixo (119 no total), mas estima-se que possa vir a aumentar rapidamente. Estas migrações começaram em 2015, ano em que a Colômbia registou a entrada de 48.714 venezuelanos, mas a crise de refugiados ganhou uma verdadeira expressão dois anos depois com a entrada de 600 mil migrantes no país. No final de 2019, a Colômbia abrigava já 1,4 milhões de refugiados venezuelanos.

Populações vulneráveis são as que mais sofrem com a COVID-19

É quarta-feira de manhã e Sharol Amaya España, uma jovem de 15 anos, lava a loiça com a água suja que guardou numa bacia porque no sítio onde vive não existem aquedutos ou esgotos. Esta é a realidade de várias famílias identificadas pela “Ajuda em Ação” no Norte de Santander. Num momento em que a água pode salvar muitas vidas, lavar as mãos como forma de evitar o contágio pelo coronavírus é um luxo a que muitas pessoas não têm acesso. Desde que a ONG começou a trabalhar na Colômbia, há 12 anos, o acesso sustentável a água potável tem sido um dos pilares centrais da sua ação, sobretudo em zonas rurais onde não existem, sequer, locais adequados para atender pacientes ou com serviços básicos para evitar o contágio. E onde se encontram milhares de famílias com a de Sharol.

Nesta região, milhares de refugiados venezuelanos vivem em acampamentos sobrelotados, abrigos improvisados ou centros de acolhimento onde não têm acesso adequado a serviços de saúde, água potável ou saneamento e onde a escassez de alimentos começa a sentir-se de uma forma bastante pesada. A situação é semelhante um pouco por toda a Colômbia. Uma parte muito significativa da população vive em bairros com poucas condições de higiene e em casas sobrelotadas, com uma dezena ou mais de familiares, o que propicia uma rápida disseminação do vírus.

Com condições de vida precárias e um sistema de saúde incapaz de dar resposta à pandemia, a população mais pobre e vulnerável da Colômbia deverá ser mesmo a mais afetada pela COVID-19. A Comissão Económica para a América Latina e o Caribe da ONU (CEPAL) anunciou, recentemente, que o número de pessoas a viver em pobreza extrema na América Latina deverá sofrer um elevado crescimento devido ao surto do novo coronavírus: estima-se que, após a pandemia, o número dispare para os 90 milhões, ou seja, mais 22 milhões do que na atualidade.

Encerramento de escolas na Colômbia evidencia desigualdades sociais e ameaça a nutrição infantil de milhões de crianças

Para tentar travar a rápida propagação do vírus, o Governo colombiano decretou o encerramento provisório de todas as escolas do país. Contudo, a medida acabou por também revelar profundas desigualdades sociais entre as crianças colombianas, com milhões a ficarem impedidas de assistir às aulas virtuais por falta de equipamentos, de acesso à Internet ou até mesmo de professores que tenham condições para as dar. Esta situação não é partilhada por todos e num país como a Colômbia, e especialmente em tempos de pandemia, as desigualdades sociais no seio da população mais vulnerável são gritantes e a educação é um dos direitos que fica esquecido entre a pobreza e quando é imperativo sobreviver.

Além disso, o encerramento de escolas trouxe ao de cima outro problema: a desnutrição infantil. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), os programas de alimentação nas escolas para alunos com carências económicas beneficiam 85 milhões de crianças em toda a América Latina e Caribe, sendo que para 10 milhões delas as refeições escolares são a sua principal fonte de nutrição diária. Com o encerramento das escolas, teme-se que a fome entre as crianças e as famílias mais vulneráveis de toda a América Latina venha a aumentar consideravelmente.

ONG combatem pandemia com kits de higiene e de prevenção

Na Colômbia, são várias as organizações que têm procurado ajudar o Governo a mitigar os efeitos da COVID-19 junto da população mais vulnerável. No Norte de Santander, por exemplo, a “Ajuda em Ação”, em parceria com a UNICEF, tem estado a distribuir kits de higiene, kits de prevenção contra o coronavírus e cabazes de alimentos às famílias mais necessitadas.

Já foram entregues a mais de 80 famílias venezuelanas que estão refugiadas no município de Villa del Rosario, 450 kits de prevenção ao coronavírus com luvas, máscaras e folhetos informativos e de sensibilização sobre higiene, saneamento e amamentação. Em La Fortaleza, Cúcuta, serão disponibilizados 250 cabazes de alimentos e 400 kits de higiene a 250 famílias, de forma a apoiar cerca de 1.250 pessoas em situação vulnerável. Por sua vez, em El Salado, a “Ajuda em Ação” está a concentrar-se no apoio às crianças mais vulneráveis através da distribuição de alimentos às famílias mais necessitadas.

A “Ajuda em Ação” é uma Organização Não Governamental (ONG) internacional, de origem espanhola, com presença em Portugal. Foi fundada em 1981 e atua em áreas como a pobreza, a desigualdade, a vulnerabilidade, a exclusão social e as alterações climáticas, com o objetivo de potenciar a dignidade e solidariedade para a construção de um mundo mais justo. Atualmente, juntou à sua missão a luta contra a disseminação do coronavírus.

Fotos: DR.

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