Tag archive

Avaliação da Educação

Globalização versus Avaliação da Educação

Julho 23, 2017 em Atualidade, Concelho, Educação, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Dr.ª Maria José Amaral Neco

Parte II

No último artigo concluímos que a Educação/Formação tem sofrido enormes mudanças ao nível da qualificação e das competências dos cidadãos, num quadro altamente competitivo e exigente das sociedades globais, no qual o indivíduo tem de ser capaz de gerir a sua própria carteira de competências.

Como se percebe, dos aspetos apontados, estamos perante uma ambiguidade ou ambivalência, isto porque, se por um lado, se pretende afirmar uma educação/formação atualizada e de qualidade, por outro lado, corre-se o risco de se estar a contribuir para a segregação e exclusão social, porque nem todos os sujeitos têm a facilidade de acesso à informação e conhecimento, com o mesmo nível de igualdade.

Uma outra questão na qual se deve refletir, é o modo como se pode avaliar a educação/formação de uma nação, partindo de um sistema de avaliação único, aplicado a vários países, com características próprias, não se tendo em conta as diferenças culturais existentes. Esta realidade, remete-nos para a forma como as agências avaliadoras internacionais lidam com a formação, como se se tratasse de um produto com validade. Neste campo de ação, importa salientar como é qua a formação se projeta do âmbito exclusivo das nações, para a sua progressiva absorção pelos tratados regionais, evoluindo da concertação de uma educação europeia, para uma governação supranacional em crescente afirmação.

Este novo paradigma tem “alimentado” o financiamento da Formação de cada país, sendo esse o fator que tem condicionado o papel dos governos nas políticas educativas/formativas nacionais, uma vez que as políticas são pensadas em termos globais, sem ter em consideração as especificidades de cada nação. De forma a contornar esta tendência será importante que essas políticas comuns sejam modeladas para os contextos específicos. O que não deve ser feito é aplicar as “receitas” das instituições supranacionais, ignorando as diferenças culturais.

Assistimos também, a diferentes dicotomias no campo da formação, dependendo da perspetiva supranacional ou nacional: a regulação / desregulação; culturismo / multiculturalismo; global / local; teoria / prática.




A racionalidade subjacente às políticas educacionais/formativas difundidas pelo neoliberalismo e decorrentes da globalização, traduzem-se numa racionalidade empresarial. Os valores que esta apregoa centram-se na eficiência, como caminho para a competitividade, para a produtividade e para o lucro, como forma de recompensa e de fins a serem auferidos.

Importa questionar que desafios se colocam a Portugal, enquanto país da comunidade europeia, dado os défices / atrasos de educação? Como corrigir este défice tendo em conta os compromissos da estratégia EU 2020?

Por: Dr.ª Maria José Amaral Neco*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

Ir Para Cima