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Brexit

“Brexit” em debate na Escola Básica e Secundária de Viatodos

Outubro 17, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Educação, Mundo Por barcelosnahorabarcelosnahora

No passado dia 16 de outubro, os Embaixadores Juniores da Escola Embaixadora do Parlamento Europeu de Viatodos organizaram, e participaram, na ação informativa sobre o “Brexit”.



Sendo este um tema que os preocupa, pelas possíveis consequências que daí podem advir, convidaram José Ricardo Sousa, licenciado em Estudos Europeus pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, mestre em Direito da União Europeia pela Escola de Direito da Universidade do Minho, e, atualmente, técnico no Centro de Informação Europe Direct Minho (CIED Minho).

Todos os momentos da palestra foram registados, em vídeo e em fotografia, pelos alunos do Curso Técnico de Multimédia.

Fotos: DR.

Maastricht está de parabéns. E nós?

Fevereiro 26, 2017 em Atualidade, Mundo, Opinião, Política Por barcelosnahorabarcelosnahora

raquelsfernandes
Raquel dos Santos Fernandes

Entre as margens do rio Mosa, cravada entre a Alemanha e a Bélgica, Maastricht, uma das mais antigas cidades holandesas, foi palco da assinatura do Tratado que adotou o seu nome, a 7 de fevereiro de 1992. Na semana* em que se comemora os seus 25 anos, a União Europeia vive agora na realidade do eurocentrismo, dos fluxos migratórios e das divisões internas na sinuosidade do bloco europeu.

Comunidades Europeias, Política Externa e de Segurança Comum (PESC) e Cooperação nos domínios da Justiça e dos Assuntos Internos conduziram a União a uma nova etapa na integração europeia, agora com uma clara dimensão política, com o objetivo de reforçar a legitimidade democrática e a eficácia das instituições, desenvolvendo a vertente social da Comunidade e instaurando uma União Económica e Monetária. Ora, o apoio ao projeto europeu – criação de um mercado único e a confiança dos europeus de que juntos somos mais fortes – entra em declínio com a crise da zona euro. Apesar do fundamento de que a integração seria benéfica para todas as nações participantes, os europeus começaram a duvidar dessa suposição, alicerçados com a vitória de Trump do outro lado do Atlântico, que visivelmente se revelou num impulso às forças populistas que convelem os principais políticos da Europa e, acima de tudo, o projeto europeu. O facto do novo Presidente dos Estados Unidos da América ser um apoiante assumido do Brexit só reforça o argumento eurocético de que a União Europeia seguiu uma direção errada.

A corporalização de um certo desprezo pela democracia nacional e supranacional – e seria importante que os apoiantes do Brexit, que agora culpam Merkel e Hollande, refletissem sobre aquela que foi a postura de Tony Blair na Europa – não estará isenta de culpas na deriva ultranacionalista da Polónia e da Hungria. E depois a humilhação económica e social da Grécia, a incapacidade de implementar cotas de refugiados equitativas, o papel hegemónico de um Estado-Membro sobre os demais Estados, o fracasso em distinguir e unificar a Europa e a falta de vontade em restabelecer um modelo social europeu. A ideia de Estado-nação também desafia a ambição do projeto europeu, daí a importância de construir um ambiente político pós-nacional e não agressivo. A concessão de poderes especiais a alguns Estados-Membros, a promoção de uma integração não harmoniosa em detrimento de “fatores alternativos”, a aprovação de uma maioria de parlamentos nacionais para bloquear a legislação da União Europeia significam, essencialmente, legitimar os nacionalismos locais e o crescimento, cada vez mais, de uma retórica eurocética.

Se as ambições pós-nacionalistas não são uma opção para a realpolitik dos nossos tempos e se continuamos a querer promover a democracia e os direitos humanos, a paz, a prosperidade, a solidariedade e a harmonia, não esqueçamos que, aos olhos do projeto europeu, que também é nosso, as várias culturas e línguas que nos unem continuam a ser uma mais-valia para o velho Continente, in varietate concordia.

*ndr: este artigo foi entregue na semana de 07 de fevereiro de 2017

Por: Raquel dos Santos Fernandes.

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