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Educação

O Insucesso Escolar (Parte I)

Abril 29, 2018 em Atualidade, Concelho, Cultura, Educação, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Dr.ª Maria José Amaral Neco

O insucesso escolar é um fenómeno educativo que preocupa, cada vez mais, a nossa sociedade.

Desde os alunos, aos familiares e aos educadores, apesar das várias reformas educacionais implementadas pelos sucessivos governos, no combate ao insucesso escolar, a verdade é que em Portugal assiste-se a uma elevada taxa de insucesso, que afeta o percurso do indivíduo ao longo de toda a sua vida.



Durante vários anos, esta problemática esteve relacionada com a situação económica das famílias, nas quais as mais abastadas tinham um acesso facilitado ao sistema educativo, criando assim, um enorme estigma na desigualdade do acesso à educação.

Hoje, embora este fator não seja uma condicionante ao acesso à educação, a verdade é que ele ainda persiste e, de certa forma, é um dos maiores veículos para a exclusão social.

Muitos são os fatores que estão na causa do insucesso escolar, oriundos das mais diversas esferas da sociedade, sendo elas de origem social, cultural e política.

Dentro dessas causas identificam-se, por exemplo, a cultura organizacional das escolas, nomeadamente na implementação das práticas pedagógicas, por vezes, pouco apelativas para determinados alunos; currículos desadequados aos interesses dos alunos, muito extensos e estáticos; a interação e o relacionamento nas salas de aulas entre o aluno e professor; os problemas familiares associados, muitas vezes, à indisponibilidade das famílias para acompanhar os seus filhos nas suas aprendizagens.

Será que um dos fatores que pode estar na base do insucesso escolar está relacionado com a classe social dos pais?

Será que existe uma receita única para combater o baixo rendimento escolar?

Por: Dr.ª. Maria José Amaral Neco*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Educação “Love on Top” ou o paradigma educacional do séc. XXI

Janeiro 20, 2018 em Atualidade, Concelho, Educação, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Conhece a escola que o seu filho frequenta? … Não. Não pergunto se sabe onde ela fica ou qual o aspeto físico dela. O que eu pergunto é se sabe como ela funciona, quem lá trabalha, o que compete a cada um e se tudo isso funciona bem enquanto modo de operacionalização curricular.



E, sobretudo, sabe porquê?

Digo eu muitas vezes que ter sido aluno e frequentado a escola não faz de si professor. Não, nem por sombras. Sabe porquê? Porque por ter estado doente e ter frequentado o hospital ou centro de saúde, também não fez de si médico.

Mas é pai, mãe e/ou encarregado de educação. E como tal, o responsável máximo pela educação do(s) seu(s) rebento(s).

Acontece que hoje em dia toda a gente opina sobre tudo sem ter conhecimento de quase nada. Veja quantos grupos de Facebook se ingerem neste tema, sem que lá estejam verdadeiros especialistas em educação. Depois baralha-se tudo e confunde-se educação com formação. A escola deve dar ambas. Mas os pais e encarregados de educação devem assegurar-se que a primeira não está em falta. E está. De que maneira!

Assim, frequentemente, os pais e encarregados de educação do sec. XXI (salvas as devidas e justas exceções) entram pela escola adentro, de mão na cinta, a aferir de competência e dos “deveres” de tudo e todos, sem que primeiro tenham essa conversa, com a maior franqueza, em frente ao espelho. Quantas vezes já ouvimos “o meu filho/filha não mente!”. Sim, mente, como todas as crianças quando fazem disparates e tentam “safar-se”. “A culpa não é do meu filho/filha. É dos colegas”. Esta é um clássico! Não é por acaso que existe o ditado que diz que “a culpa morreu solteira”. É muito frequente ver os pais e encarregados de educação da época da informação digital, irromperem escola dentro, com ameaças veladas, a esgrimirem os direitos dos filhos. E muito bem! Desde que na outra mão levem também uma folha com os deveres dos mesmos.

E infelizmente, hoje, é muito este o estado da Educação que temos. Professores esmagados por um sistema em que o aprender é relativo, de um lado, e encarregados de educação minados pela desinformação social, do outro. E o que é importante, continua a passar pelo meio dos pingos da chuva.

Deveriam os pais então ir à escola fazer o que?

Bem, para começar, averiguar das condições em que todos trabalham. Professores e alunos. Condições de logística, condições políticas e de administração e gestão escolar, critérios curriculares, etc. Depois, perceber o porquê de os seus filhos e educandos estarem cada vez menos bem formados e sobretudo porque é que a escola se está a tornar cada vez mais inócua na formação das crianças e jovens. O paradigma de “escola para todos” foi transformado no novíssimo “todos para a escola”. E o que lá se faz, interessa cada vez menos.

Se isto já é muito mau, pior é a forma como o Ministério da Educação atua. Nunca, nunca, em quase vinte anos de docência, percebi que alguém do Mistério saísse do seu confortável gabinete e entrasse, sem aviso, numa sala de aula. Ficaria aturdido com tal discrepância que existe entre as leis do “eduquês” e a sala de aula real. Muitos dos problemas com que nos deparamos hoje, nas escolas, são fáceis de resolver de uma forma prática e não acarretam nenhum custo. No entanto, quais avestruzes, ignoram o “teatro de operações” e pululam de teoria educacional em teoria educacional, a ver se acertam com alguma, ou, pior ainda, em prol do culto pessoal, na concretização das suas teses de mestrado ou de doutoramento.

O “parto” mais recente é o da flexibilização curricular. Que eu entendo ser pertinente. Mas uma vez mais, pelo profundo desconhecimento do mundo real, é uma mudança que, apesar de recém-nascida, já tem morte anunciada. E, dramaticamente, pelas mesmas razões de sempre. Os principais agentes destas mudanças, os professores e os alunos, não foram (nunca foram e nunca são) ouvidos. Importa é jactar a mais recente moda do “eduquês”. O resultado, logo se vê. Até porque os filhos dos senhores ministros não andam em escolas públicas. Frequentam colégios respeitadíssimos de escolas internacionais, muito conservadores e zelosos dos currículos tradicionais. O resto é paisagem. “Bora lá” experimentar!…



Termino, a este propósito, com uma reflexão muito pertinente de uma colega professora, Alexandra Simões Silva, docente numa escola de Cascais, a respeito desta mesma “novíssima” flexibilização curricular:

«Só para interessados. E para saber o que os espera.

Vamos falar sobre a flexibilização. Esse “monstro” modernista, que entra pelas nossas escolas adentro, sem apelo nem agravo, sem estudos prévios, sem informações detalhadas dadas a pais, alunos ou professores. Achamos que somos a Finlândia da educação, mesmo depois da falência educativa da dita, e implementamos novas metodologias, como adolescentes aventureiros no consumo de drogas desconhecidas. Vamos ver no que dá. O que temos não funciona. É evidente, concordaremos todos nessa matéria. Então, experimentemos.

A teoria está repleta de clichés adoráveis: os alunos que buscam a sua própria aprendizagem, o “overmentioned” “aprender a aprender”, a descoberta dos alunos ávidos de conhecimento, a orientação do professor, mero espectador cuidadoso, ao serviço da curiosidade alheia. Há, de facto, escolas primárias e escolas até do segundo ciclo, nas quais esta realidade poderá ser implementada. Fará, até, como diria uma amiga minha, versada em escolas que já levaram a cabo a flexibilização, todo o sentido: alunos preparados para um futuro de imprevistos, situações inesperadas, ambientes hostis. Os Centenos e Guterres do novo mundo, o quinto império pessoano por cumprir.

Todavia, a teoria em muito destoa da prática real. As escolas públicas portuguesas não são ambientes plenos de alunos curiosos, predispostos para a descoberta individual, ciosos do seu processo de aprendizagem. Aliás, estamos nos antípodas deste paradigma. A apatia, os alunos hiperativos, os alunos com necessidades educativas especiais, os alunos que ingressaram no ensino secundário porque as escolas os cobiçam de forma a manter a sua autonomia, independentemente do encaminhamento errado. Misturamos alunos de origens várias, interesses semelhantes na sua apatia e letargia, desinteresse sobre e qualquer realidade exterior ao seu universo de amigos virtuais ou bloggers patéticos. Aconchegadinhos, às três dezenas, em salas frias, mal equipadas, sem livros, computadores, ou especialistas que permitam ao professor garantir o devido acompanhamento para uma investigação que quer ser autónoma por parte de alunos que há muito não o são.

Acresce a isto, os muitos alunos cujo futuro será hipotecado porque se imagina o sucesso imediato do novo currículo. Fórmulas químicas, células, equações matemáticas ao nível do secundário adquiridas de forma autónoma, com erros continuados até à obtenção da excelência. O aluno estruturado, com as aprendizagens essenciais que farão dele um autodidata, completamente independente da teoria monótona da aula expositiva do professor entediante.

Nunca fui e nunca serei contra a mudança. Sou a maior apologista da mesma. Os professores não são, na sua maioria, contra a mudança, quando esta se prova benéfica para os alunos. Pelo contrário, os professores reconhecem a complexidade do que têm entre mãos – do Tomás, que não pára quieto, cujas consultas de pedopsiquiatria continuam pendentes, do Diogo, que é incapaz de escrever o sumário antes de tirar todas as canetas do estojo, bem como a comida da mochila, e a roupa de educação física, ou dos alunos prestes a atingir a maioridade que, apesar de estarem presentes numa aula de teoria sobre conteúdos que irão exercer profissionalmente e de que gostam, optam por realizar uma competição de flatulência dentro da própria aula. E isto apenas no dia de hoje.

Numa tentativa de deixar que os alunos fizessem a sua própria pesquisa, com recurso ao novo deus da internet, um deles, que viveu em Londres durante um ano, afirmou que a cidade se localizava no norte de Inglaterra; outra, que Barcelona era a capital de Espanha. Admitamos: para chegar à perfeição, serão necessários muitos erros. O que me preocupa, como à maioria dos professores, prende-se com a ignorância de quem emana esta flexibilização como se de os Dez Mandamentos se tratasse, negligenciando as famílias desestruturadas, os alunos especiais, as escolas marginais e o panorama real desta nova geração cuja curiosidade nula invalida qualquer flexibilização idealizada nos contornos perfeitos de um ministério e diretores obedientes afastados da sala de aula há várias décadas.

(…)»

Por: Hugo Pinto* (Professor)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Novo Paradigma Educacional – Novas Tecnologias (Parte II)

Setembro 24, 2017 em Atualidade, Concelho, Educação, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Dr.ª Maria José Amaral Neco

O ensino à distância, e-learning e b-learning, são práticas cada vez mais presentes nas modalidades de educação escolar, tornando-se numa alternativa válida ao ensino tradicional/presencial, através do diploma enunciado na Lei de Bases do Sistema Educativo Português.



Sabemos que, atualmente, o sistema educativo português utiliza um conjunto diversificado de meios de comunicação, que potenciam uma viragem gradual e progressiva na forma de ensinar e aprender. Mas será que o nosso sistema de educação, conforme se apresenta hoje, está devidamente preparado para desenvolver e implementar estas metodologias nos diferentes níveis de ensino? Será que o e-learning é utilizado de forma a estimular a autoaprendizagem? Será que permite atingir os mesmos resultados que o ensino presencial? Estas são questões que alguns educadores e educandos levantam no momento da avaliação do desempenho do aluno.

É certo que o e-learning é uma modalidade essencial no contexto educativo face às necessidades emergentes da atual sociedade, uma sociedade do conhecimento, da informação e da aprendizagem. Todavia, são muitas as dúvidas e lacunas que se verificam nesta modalidade de ensino.

Questiona-se, por exemplo, se faz sentido a aplicação deste paradigma mais construtivista, nos diferentes níveis de ensino, sendo esta modalidade uma prática que exige maturidade, autodisciplina, uma maior gestão do tempo, uma maior motivação e um maior desempenho comparado com o sistema educativo presencial. Neste contexto, parece-nos que o público privilegiado serão os adultos.

Esta evolução do paradigma educativo tradicional, centrada na sala de aula, para um paradigma onde a construção do saber se produz sem limitações de horário e de espaço físico, é de facto uma prática educativa e de aprendizagem ideal para o adulto, que por motivos profissionais ou geográficos não tem a possibilidade de frequentar o ensino presencial. Trata-se de um domínio da educação em que as novas tecnologias são essenciais na mediatização da transmissão de conteúdos e da relação pedagógica, de forma a ultrapassar as barreiras do espaço e do tempo, entre o professor e o aluno. Esta modalidade de ensino terá um maior impacto no âmbito da formação profissional como meio facilitador do ensino/aprendizagem ao longo da vida.

Reconhece-se que a aprendizagem on-line representa uma mudança paradigmática, não apenas para os alunos, mas também para os professores e restantes técnicos educativos.

No entanto, esta modalidade educativa não rompe com o paradigma tradicional, pelo contrário, assiste-se a uma articulação e complementaridade entre ambos, onde as diferentes realidades e necessidades de qualquer projeto político-educativo devem ser ajustadas.

Por: Dr.ª Maria José Amaral Neco*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

Novo Paradigma Educacional – Novas Tecnologias (Parte I)

Agosto 20, 2017 em Atualidade, Concelho, Educação, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Dr.ª Maria José Amaral Neco

Atualmente, as organizações educativas confrontam-se com uma diversidade de alunos que transportam consigo vivências e necessidades diferentes. É por isso exigido às instituições educativas uma redefinição constante do seu papel e das suas estratégias de intervenção. Os desafios dos novos tempos assim o exigem.



Todos sabemos que as escolas não são, hoje em dia, os únicos contextos de transmissão do conhecimento. Assiste-se a uma inadequação de saberes que os estabelecimentos de ensino transmitem aqueles que a frequentam, já que estes saberes estão em competição com fortíssimos meios de comunicação social, muito aliciantes, e que tornam pouco interessante o sistema educativo existente.

Quando Dewey, em 1990, ao pensar no papel que a escola deveria desempenhar, se referia a ela como protagonista de uma “jornada de esperança”, no que concerne ao processo de esbatimento das desigualdades que imperavam na sociedade, idealizava certamente uma escola diferente, quer no seu conteúdo quer na sua forma, e que acabaria por traduzir performances bastantes distintas daquelas a que hoje assistimos. Perspetiva-se que o Ensino à Distância/E-Learning possa ser um caminho empreendedor que nos levaria à igualdade entre os cidadãos.

E-learning, Ensino à Distância…”Mas afinal o que é isso?”

A utilização do e-learning surge como uma nova forma de aprender mais individualizada, adaptada às necessidades, restrições e responsabilidades de cada formando num dado momento, tornando-os capazes de responder eficazmente aos desafios que terão de enfrentar.

Este novo paradigma, associado às tecnologias da informação e comunicação, proporciona aos indivíduos um nível de flexibilidade considerável de escolha das temáticas, dos momentos e dos métodos de aprendizagem, principalmente através da Internet. Esta é uma visão particularmente relevante para os formandos que tentam conciliar a sua vida profissional e social com a sua progressão e qualificação.

A inclusão das tecnologias em informação e comunicação no processo educacional não garante em si a qualidade, no entanto uma educação de qualidade e contextualizada nos dias de hoje, passa necessariamente pelo uso das tecnologias. É necessário continuar a apostar na qualidade dos cursos em qualquer nível de escolarização, quer sejam num contexto mais tradicional ou num contexto mais inovador.

Por: Dr.ª Maria José Amaral Neco*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

Globalização versus Avaliação da Educação

Julho 23, 2017 em Atualidade, Concelho, Educação, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Dr.ª Maria José Amaral Neco

Parte II

No último artigo concluímos que a Educação/Formação tem sofrido enormes mudanças ao nível da qualificação e das competências dos cidadãos, num quadro altamente competitivo e exigente das sociedades globais, no qual o indivíduo tem de ser capaz de gerir a sua própria carteira de competências.

Como se percebe, dos aspetos apontados, estamos perante uma ambiguidade ou ambivalência, isto porque, se por um lado, se pretende afirmar uma educação/formação atualizada e de qualidade, por outro lado, corre-se o risco de se estar a contribuir para a segregação e exclusão social, porque nem todos os sujeitos têm a facilidade de acesso à informação e conhecimento, com o mesmo nível de igualdade.

Uma outra questão na qual se deve refletir, é o modo como se pode avaliar a educação/formação de uma nação, partindo de um sistema de avaliação único, aplicado a vários países, com características próprias, não se tendo em conta as diferenças culturais existentes. Esta realidade, remete-nos para a forma como as agências avaliadoras internacionais lidam com a formação, como se se tratasse de um produto com validade. Neste campo de ação, importa salientar como é qua a formação se projeta do âmbito exclusivo das nações, para a sua progressiva absorção pelos tratados regionais, evoluindo da concertação de uma educação europeia, para uma governação supranacional em crescente afirmação.

Este novo paradigma tem “alimentado” o financiamento da Formação de cada país, sendo esse o fator que tem condicionado o papel dos governos nas políticas educativas/formativas nacionais, uma vez que as políticas são pensadas em termos globais, sem ter em consideração as especificidades de cada nação. De forma a contornar esta tendência será importante que essas políticas comuns sejam modeladas para os contextos específicos. O que não deve ser feito é aplicar as “receitas” das instituições supranacionais, ignorando as diferenças culturais.

Assistimos também, a diferentes dicotomias no campo da formação, dependendo da perspetiva supranacional ou nacional: a regulação / desregulação; culturismo / multiculturalismo; global / local; teoria / prática.




A racionalidade subjacente às políticas educacionais/formativas difundidas pelo neoliberalismo e decorrentes da globalização, traduzem-se numa racionalidade empresarial. Os valores que esta apregoa centram-se na eficiência, como caminho para a competitividade, para a produtividade e para o lucro, como forma de recompensa e de fins a serem auferidos.

Importa questionar que desafios se colocam a Portugal, enquanto país da comunidade europeia, dado os défices / atrasos de educação? Como corrigir este défice tendo em conta os compromissos da estratégia EU 2020?

Por: Dr.ª Maria José Amaral Neco*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

A Globalização na Educação

Junho 18, 2017 em Atualidade, Concelho, Educação, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Dr.ª Maria José Amaral Neco
Dr.ª Maria José Amaral Neco

Parte I

Quando nos referimos à Globalização, automaticamente associamos este conceito às inovações técnicas nas áreas das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Como é do conhecimento geral, estas facilitam as relações culturais, sociais e até económicas, a todos os níveis, facto este, que se deve à facilidade de acesso à informação e à velocidade de difusão e disseminação do conhecimento. Conseguimos afirmar que a globalização interfere em todos os setores da sociedade e, consequentemente, na vida das pessoas. Cada vez mais, este conceito emerge no nosso quotidiano, transmitindo a ideia da homogeneização e uniformização.

No entanto, no que respeita à influência que a globalização exerce no contexto da Educação/Formação, não devemos atribuir-lhe o mesmo significado e finalidade. É importante termos em conta uma questão fundamental, o objeto de estudo e os contextos em que estão inseridos, isto porque, é antagónico falarmos de padrões/referências únicas, quando sabemos que eles não são aplicáveis em todos os contextos.




Com a Europeização, assistimos a um fenómeno, em que, cada vez mais, os processos e práticas de Educação/Formação são, igualmente, integrados em agendas globalmente estruturadas por instâncias supranacionais. Que por sua vez, são definidas num quadro comum das políticas da União Europeia, submetidas a imposições exteriores, em que a formação está sujeita a parâmetros de qualificação, oriundos do QEQ – quadro de referência comum que permite estabelecer uma correspondência de sistemas de qualificação de vários países. Este, funciona como um dispositivo de fácil compreensão, de modo a tornar as qualificações mais claras e compreensíveis entre os diferentes países. Todavia, saliente-se como um fator importante que este tipo de dipositivo favorece a dimensão competitiva, gerencialista, economicista em prol da dimensão mais humanística e democrática.

É neste quadro que se insere a problemática atual da certificação das competências, em que o desdobramento do processo de avaliação e validação das mesmas e sua certificação, passa a ser uma exigência internacional. A inclusão social passa, agora, pela carteira de competências, em que cada sujeito tem que gerir o seu próprio percurso.

 

Por: Dr.ª Maria José Amaral Neco*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

A União Europeia e as políticas educativas

Maio 14, 2017 em Atualidade, Concelho, Educação, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Maria-José-Amaral
Dr.ª Maria José Amaral Neco

Nos dias de hoje, não se fala de outra coisa senão da “sociedade do conhecimento”. No entanto, apesar do desenvolvimento ao nível educacional verificado ao longo dos anos, na realidade, continuamos a assistir a elevados níveis de abandono escolar. Um abandono precoce, que se caracteriza, por conseguinte, nas baixas qualificações da maioria da população ativa portuguesa. Facto este, que tem vindo a preocupar, cada vez mais, as instâncias governamentais nacionais e europeias.

Este panorama que acompanha a Educação de Adultos (EA) tem evoluído ao longo dos anos, ao ritmo dos discursos e das vontades políticas, assentes em programas descontinuados na agenda das políticas públicas globais. A falta de consistência nos programas de intervenção na EA traduz-se num atraso face aos países mais desenvolvidos, quer ao nível médio das qualificações da população adulta e jovem, quer pela discrepância entre as qualificações produzidas e as solicitadas pelo mercado de trabalho.

À semelhança de programas anteriores como o Quadro de Referência Estratégico Nacional “QREN”, no qual um dos objetivos principais foi a qualificação da população portuguesa, em especial ao nível dos ensinos básico e secundário, surge a programação e a implementação do Portugal 2020, tendo como grandes temáticas, a competitividade e internacionalização, inclusão social e emprego, capital humano, sustentabilidade e eficiência no uso dos recursos. A identificação das áreas temáticas são congruentes com os objetivos e metas da “Estratégia Europa 2020” e com o Programa Nacional de Reformas.




Relativamente aos investimentos em infraestruturas da educação, o Portugal 2020 define as intervenções, os investimentos e as prioridades de financiamento necessárias para promover no nosso país o “crescimento inteligente”, sustentável inclusivo e o cumprimento das metas da Europa, investindo na educação, na investigação e na inovação, orientado para a adaptabilidade, a empregabilidade e a competitividade no mercado global.

Apesar de todos os esforços constatados no investimento na área da Educação em geral e, em particular na Educação de Adultos, continua-se a presenciar acentuadas assimetrias regionais, obrigando a intervenções diferenciadas às realidades heterogéneas identificadas, apoiadas num plano de atuação coeso e sistemático.

Para a concretização destes objetivos, a Estratégia 2020 criou um sistema consistente e eficaz de governação económica, de forma a coordenar as medidas políticas entre a União Europeia e os governos nacionais, de acordo com a página web da Comissão Europeia (http://ec.europa.eu/index.pt.h).

Por: Dr.ª. Maria José Amaral Neco*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

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