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Hugo Pinto - page 10

Ripa na rapaqueca*

Outubro 21, 2017 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Ainda no rescaldo do jogo para a Liga dos Campeões e já com um olho na próxima jornada, segue-se o habitual comentário desta semana.



Começando pelo mais recente jogo, há a referir a azarada exibição do nosso Benfica, na quarta-feira passada, frente aos rapazes de Manchester. Apesar da derrota, fica na retina uma exibição melhor do que a que pudemos assistir nos últimos quatro ou cinco jogos em que se notaram as rotinas defensivas mais consistentes sobretudo pela forma mais à vontade como Douglas ocupou o corredor direito, notoriamente mais completo do que André Almeida, bem como um melhor entendimento no setor central, em que assistimos a um Luisão igual a si mesmo que, como um bom vinho do Porto, ganha qualidade à medida que envelhece, não obstante a menor frescura física dos seus trinta e seis anos; simultaneamente, Rúben Dias, num crescendo de à vontade nos terrenos em que pisa, denunciado por uma boa exibição, esforçada e de muito trabalho, a fazer lembrar Jardel quando tinha o mesmo tempo de manto sagrado. À esquerda, Grimaldo, de quem sou confesso admirador, a contribuir positivamente, sem nunca comprometer a prossecução das tarefas que lhe foram destinadas. Um meio campo pouco inspirado, com Fejsa e Filipe Augusto bastante defensivos e Pizzi bastante desinspirado. Salvio continua irreconhecível, Diogo Gonçalves a procurar o seu espaço e Raúl, que apesar de esforçado, esteve sempre muito desamparado. Se a defesa pareceu funcionar bem, com o meio campo a fazer os mínimos, já o ataque nunca pareceu incomodar a defesa do MAN UTD até ao momento da entrada de Jonas. Sem dúvida o Benfica tem outro jogo quando joga com dois avançados, comprovando a tese de que a melhor defesa é o ataque. Por fim, mas não por último, importa falar de Svilar. À parte o lance azarado, com alguma aselhice à mistura, muito por causa da sua juventude, fica uma exibição muito prometedora que encheu o coração dos adeptos que, como eu, tiveram oportunidade de o ver ao vivo, a prometer fazer esquecer (ou, pelo menos, fazer diminuir as saudades) o mágico Ederson. Aqui e além, pormenores e intervenções de fazer encher o olho. Que não se estrague…

Posto isto, ficamos com água na boca à espera do próximo jogo em que o Benfica visita a Vila das Aves para ver se, de uma vez por todas, encontra um fio de jogo agradável, com um onze base mais ou menos definido e, por conseguinte, os golos e as vitórias. Será interessante, também, analisar a reação de Mile Svilar perante a adversidade do último jogo, deixando antever se tem o estofo de um grande guarda-redes.

Por falar em estofo de jovens promessas deixo aqui dois nomes. Um é Nuno Santos, júnior do Benfica, com uma exibição “à Messi” que nos deixa com vontade de ver mais do mesmo, em que seja para saber se temos craque ou apenas um brinca na areia do momento. O outro, de quem tive já oportunidade de salientar num círculo mais restrito de amigos, Famana Quizera, guineense com naturalidade portuguesa, que alinha ainda pelos juvenis mas pelo qual mal posso esperar por ver na equipa principal. Este, sim, poderá ser o próximo Eusébio (conhecendo eu os riscos que corro por tantos “Eusébios” que já vi anunciar). Mas veja por si, num jogo de juvenis que a BTV transmita e tire as suas conclusões. Por mim, temos craque. Fixe este nome: Famana Quizera…e lembre-se que viu este nome pela primeira vez n’O Barão Vermelho, no Barcelos na Hora.

Quantos aos nossos galos, esperemos que continuem com o esporão bem afiado e que aproveitem o balanço da goleada infligida ao Vitória B e continuem nesta senda frente ao Arouca, em partida a contar para a 10ª jornada da segunda liga. Aproveito para ir lembrando que na próxima semana, em jogo a contar para a 11ª jornada, o Gil recebe o Benfica B, dando aos adeptos barcelenses a oportunidade de fazer uma festa bonita, toda ela pintada de encarnado, levando toda a família ao nosso reduto para um programa diferente.

Dá-me o 37. Viva o Benfica.

*homenagem a um dos maiores comentadores desportivos que o mundo do futebol conheceu: Jorge Perestrelo. Porque afinal, “é disto que o meu povo gosta”!

Por: Hugo Pinto*.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

Krisis…e pluribus unum

Outubro 5, 2017 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Num clube que tem como lema e pluribus unum, expressão do latim que significa algo como “o primeiro entre outros”, vive agora uma situação cuja designação aprendemos do grego: Krysis (κρίσις). Crise. Pelo menos, crise de resultados. Todos concordaremos. Crise, também diretiva, dirão outros. Facto é que as coisas não vão bem para os lados da Luz.



Depois de uma assembleia geral de sócios que não correu da melhor forma, com ânimos exaltados e “cadeiras voadoras”, bem como insultos e demais agressões à mistura, um resultado na Madeira a confirmar o que já sabíamos. Os resultados financeiros melhoram pelo oitavo ano consecutivo, mas no plano desportivo as coisas têm vindo a piorar.

Desde a saída do Jorge Jesus, o futebol do SLB perdeu brilho. Perdeu, nas palavras do ex-treinador do Benfica, “nota artística”. Com o Rui Vitória assistimos a um sucedâneo de “tiki-taka”, sem brilho, morno e sem grande emoção. É certo que ganhou dois campeonatos nos dois primeiros anos do clube. Mas, como já li escrito por um outro alguém, falta saber até que ponto o SLB (e Rui Vitória) beneficiou do legado do trabalho do Jorge Jesus. Sendo que, é verdade, este deve ser um dos mais fracos “onzes” do Benfica, dos últimos oito anos, a par da época 2010/2011, quando as saídas de Di María e Ramires não foram devidamente compensadas. Resultado? Campeonato perdido…Oxalá lá para finais de abril ou meados de maio, eu esteja a “engolir” estas palavras e esteja a escrever frases de júbilo e regozijo.

Mas para já, enquanto adepto benfiquista, aponto o dedo, sobretudo, à péssima preparação do plantel para esta época e a um treinador que é bom, mas não é fabuloso, tal qual o Benfica merece e necessita.

Sendo que Krisis também era usado como sinónimo de mudança, desenvolvimento ou “crescimento”, pelos Gregos da antiguidade, espero que também o Benfica se reorganize, evolua e cresça. Espero que deixemos os nomes comuns do grego, para voltarmos às expressões do Latim. Deixo aqui uma para o LFV e para o RV:

fortuna juvat audaces”; Virgílio, Eneida, X, 284

Termino com uma breve referência ao regresso às vitórias por parte do nosso Gil, frente ao Vitória B, com uma exibição bem conseguida. Que seja para continuar…

Por: Hugo Pinto* (Professor)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

Altos e baixos

Setembro 28, 2017 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Quando o Benfica parecia finalmente encarreirar, depois de uma agradável exibição no fim de semana, eis que surge o descalabro a que se assistiu ontem, no jogo da Liga dos Campeões.



Sol de pouca dura, fomos brindados no fim de semana com uma exibição mais consistente, a trazer de volta o Benfica dos últimos anos.  Com os jogadores visivelmente mais empenhados, pudemos assistir a um jogo muito mais dinâmico, com futebol bem jogado e, cereja no topo do bolo, golos. Parecia estar de volta o bom e velho Benfica dos últimos anos.

Mas bastou esperar quatro dias. Por momentos tive um déjà vu de uma situação vivida há uns anos, num Estádio BALAÍDOS de má memória. Onde jogadores que não tinham lugar no Benfica, num recital de futebol sóbrio e pragmático, impingiram uma humilhante derrota a um Benfica desinspirado e onde a culpa não era casada com ninguém. Ontem, pareceu muito que estávamos a reviver o pesadelo. Uma equipa mediana, mas com uma frente de ataque perigosíssima, de boa técnica e muito veloz, vulgarizou um Benfica acanhado, envergonhado e sem capacidade de reação. Este é o tipo de equipa que devíamos derrotar em casa…e fora.

Como não adianta estar todas as semanas a “bater no ceguinho”, por aqui me fico. Meio enfastiado, a tomar bastante Kompensan, e a rezar para que lá para os lados da 2ª Circular, como quem vai para Benfica, haja um iluminado que entenda que o maior problema do Benfica esta época, não era o Diretor do Centro de Estágio. Acordem! O Benfica merece e os benfiquistas precisam!

Viva o Benfica!

Por: Hugo Pinto* (Professor)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

Hic nuntiatum est mortis

Setembro 21, 2017 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Eis a morte anunciada. Depois de dois empates para a Liga e uma derrota na Liga dos Campeões, eis que chega agora o sabor da derrota também nas competições caseiras.



Um Bruno “Roberto-Bossio” Varela azarado, em sintonia com um Benfica de má memória, de um passado não tão longínquo quanto gostaria, além dos maus resultados brinda-nos com exibições a condizer. Futebol mal jogado, não raramente aborrecido e pouco acutilante.

Parecendo que sou um detrator do Benfica, na verdade é com pesar que escrevo estas linhas. Ainda vivem na minha memória aqueles inacreditáveis 8-1 ao Vitória de Setúbal, na ida época de 2009-2010. Hoje, assistimos a um futebol muito diferente. É certo que queremos sempre uma vitória. Mas também é verdade que aguardamos a semana inteira pelo jogo do nosso glorioso e o mínimo que se espera é que sejamos brindados com 90 minutos de bom futebol. Nunca, jamais, com um enfadonho sofrimento como aquele a que vimos assistindo nos últimos jogos.

Escrevi na crónica da semana passada, tal como o meu antecessor o havia feito na precedente, que este Benfica tem na defesa o seu “calcanhar de Aquiles”. Mas agora acresce que começa a notar-se um problema de confiança generalizado na equipa. Continuo a não entender, por exemplo, porque o Lisandro continua por afirmar-se. Parece-me que com mais minutos teríamos um bom central. Sem dúvida que LFV terá de reforçar a defesa no mercado de inverno. Mas o Rui Vitória vai ter mesmo de se superar e “tirar um coelho da cartola”, sob o risco de ir de bicampeão a 5º classificado. É que esta época, além do confronto direto entre os três grandes, parece prever-se o surgimento de dois ou três outsiders que vão dar muito trabalho.

Na mesma onda de maus resultados anda o nosso Gil. Um jogo fraquinho com uma arbitragem “pouco amiga”, levaram a uma dolorosa derrota caseira frente ao Santa Clara. Ainda assim, fica a ideia de que os nossos rapazes podiam ter feito um pouco mais…

Melhores notícias nos chegam dos sub-19, com uma vitória clara frente ao Paços de Ferreira S-19. Com o primeiro golo de Rui Jorge e Flávio, a bisar, fazendo o segundo e o terceiro, fechando o resultado final em três tentos sem resposta. Agora, de pontaria afinada, ficamos todos a torcer para que as nossas promessas mantenham o bom rumo.

Por: Hugo Pinto* (Professor)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

[ndr: o artigo foi entregue à redação antes do jogo do SL Benfica para a Taça CTT (vulgo: Taça da Liga)]

Uma chama a apagar-se

Setembro 15, 2017 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Hugo Pinto

Olá, Barcelenses! Olá, Benfiquistas!

Esta será a minha primeira crónica, que nasce de um desafio que me foi lançado por amigos ligados à produção e edição deste jornal. É uma experiência nova e, como tal, rogo a vossa paciência para esta fase de adaptação a estas jornadas.



Sou barcelense por adoção e minhoto por paixão. Benfiquista de 4ª geração, mas sempre procurando assumir uma postura não facciosa e procurando ter sobre o “desporto-rei” um olhar pristino, alheio a “novelas” e a “túneis”. Mas sempre benfiquista! Mas vamos à “bola”.

A exibição do nosso Glorioso na última jornada da Liga, não tendo sido aborrecida, também não foi de um entusiasmo incontido. O Portimonense apresentou-se uma equipa muito bem organizada e muito aguerrida. Um adversário complicado, que promete dar muito trabalho aos seus adversários. Ainda assim, esperava-se mais do campeão em título, ainda para mais a jogar em casa.

Na Liga dos Campeões, mais do mesmo. Certo que o CSKA nunca seria um adversário fácil, pelo seu coletivo e pelos valores individuais, mas nunca poderia o SLB apresentar tão fraco futebol. Tão inconsistente.

Quer para o campeonato, quer na Liga dos Campeões, a jogar em casa, este Benfica versão 2017/2018 mostra muito pouco futebol. E agora não há desculpas. Já se via na pré-época que o futebol jogado era paupérrimo. E o fado continua. Sempre acreditei que, ao contrário do que se diz por “aí”, o campeão vê-se na pré-época. Os “grandes” perdem pontos sobretudo nas primeiras jornadas. Depois, salvo anos em que a organização desportiva dos clubes seja péssima, o fio de jogo mantém-se constante e só por um deslize os adversários perdem pontos.

A principal fragilidade do Benfica 17/18 continua a ser a defesa. Perdeu muito com as saídas do Nélson Semedo e do Lindelöf e, sobretudo, do guardião Ederson. É possível que ainda estejam em fase de ajustamento. Mas também é verdade que não são exatamente jogadores desconhecidos entre si. Exibição laboriosa do André Almeida, com alguma sorte no golo que marcou, mas que não lhe retira mérito. Só marca quem chuta. E um veterano Luisão que, mesmo em fase descendente da (já avançada) carreira, continua a ser o patrão da defesa. Entende-se a necessidade de clubes nacionais venderem jogadores para manterem o equilíbrio financeiro. Mas decepar desta forma um setor crucial da equipa, como é a defesa, pode ter custos desportivos desaprazíveis. Repare-se que o FCP teve mudanças maiores na sua estrutura e apresenta, à data, um futebol mais consistente. Talvez o Luís Filipe Vieira tenha que começar a pensar, seriamente, em reforçar a defesa. Já em janeiro. E a ver vamos se não peca por tardio. É sabido, na gíria futebolística, que os avançados ganham os jogos mas são os defesas que ganham os campeonatos.

Nunca tendo sido um grande adepto do estilo “pezinhos de lã” do Rui Vitória, tenho de lhe reconhecer o mérito de ter conquistado dois títulos em dois anos. Merece, certamente, o benefício da dúvida. Mas fica, muitas vezes, a sensação de que fazia falta um pouco mais de desfastio.

Uma nota final para o desempenho do nosso Gil, que venceu o Sporting B na última jornada. Oxalá esta época seja “a tal” e a sorte bafeje os rapazes de Barcelos.  Ainda uma palavra de incentivo para os sub-19. Bom futebol e bem jogado! Falta afinar a pontaria. Sem pressão. Força e Coragem!

Viva o Glorioso! Dá-me o Penta!

Por: Hugo Pinto* (Professor)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

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