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Intensify World

Ser mulher e ser cigana

Janeiro 25, 2023 em Atualidade, Concelho, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Ana Patrícia Barroso

Ana Patrícia Barroso, natural de Barcelos, mestre em Serviço Social pela Universidade Católica Portuguesa, desde 2015. Desenvolveu a sua dissertação de mestrado com o tema “ A autonomização feminina no grupo étnico cigano português”. Anos mais tarde, a sua dissertação foi considerada a melhor tese de investigação do não em que foi publicada, o que originou o seu livro “Sina da Mulher Cigana”. Desde então que se dedica profissionalmente à intervenção social junto das comunidades ciganas, assegurando a sua integração na sociedade maioritária. 

Durante séculos, a mulher padeceu de uma invisibilidade social. Não tinha uma voz ativa até ao momento em que o ensino obrigatório começou a preparar igualmente homens e mulheres para a cidadania. A partir do século XIX, a par da reivindicação pelo direito à instrução, as mulheres lutaram pelo direito ao trabalho remunerado e, no século XX, a sociedade passou a ver a mulher como um ser cultural e não apenas como um ser da natureza. Nessa mesma época, a mulher conquistou progressivamente o direito ao voto, a igualdade em termos legislativos, a entrada em grande escala no mercado de trabalho, o acesso a vários níveis de ensino (incluindo o nível superior), a libertação do corpo, o direito à saúde sexual e reprodutiva e a ascensão a cargos públicos e políticos (incluindo o de presidente da república), embora ainda subsistam hoje focos de discriminação.

Porém, as situações das mulheres ciganas são diferentes das da mulher pertencente à sociedade maioritária. Desde crianças, a educação é diferenciada entre rapazes e raparigas. A educação da rapariga é feita em subordinação ao homem. Em menina obedecem ao pai, depois também aos irmãos e, com o casamento, a submissão da mulher cigana ao homem continua com a deslocação da mulher para a família do marido. Em todas as suas atividades, as raparigas são vigiadas. Por exemplo, quando vêm televisão não podem assistir a qualquer tipo de programa, sendo sempre acompanhadas por um familiar. As regras são mais ou menos rígidas, consoante a família. As meninas aprendem desde cedo a tomar conta da casa e dos irmãos mais novos. São educadas desde pequenas no sentido de cumprir um dever permanente para com a família e os seus, devendo esquecer-se de si próprias. Na cultura cigana é valorizada positivamente a mulher perspicaz, astuta e capaz de tomar conta da sua família. As suas projeções de vidas são ditadas pelos papéis que a comunidade cigana lhes vai atribuindo. Contudo, este apoio prestado nas lides domésticas serve também para educar as raparigas para as suas futuras funções de dona de casa, contraídas com o matrimónio. Os ciganos contraem matrimónio precocemente, quando comparados com os jovens da sociedade maioritária. Uma vez que este grupo étnico tem algumas resistências no relacionamento com os não ciganos, os casamentos são, salvo raras exceções, de origem endogâmica. O casamento pressupõe que as mulheres sigam a condição dos maridos: se são ciganas e se casam com um não cigano, têm de adotar os modos de vida dos não ciganos, se não são ciganas e casam com um cigano, têm de adotar os valores e as práticas dos ciganos. Esta exclusão (casamento com um homem não cigano) do mundo cigano pode ser sentida com alívio, dada as elevadas exigências feitas sobre as mulheres. Tal não impede que, na geração seguinte, haja uma reentrada no mundo cigano, através do casamento.

A partir dos 13/14 anos, as jovens adolescentes, são consideradas aptas ao casamento, tendo por isso que abandonar a escola precocemente. Como referem as Audições Parlamentares da Assembleia da República de 2008, é preceito tradicional da etnia cigana as meninas abandonares a escola a partir dos 10 anos, sem cumprirem o que está decretado por lei no que se refere à escolaridade obrigatória. Os membros da etnia acreditam que, de acordo com a tradição, não precisam de mais escolarização para desemprenhar os papéis de esposa, mãe, educadora dos filhos, em função dos princípios étnicos, que por esta mesma tradição lhes estão destinados. Geralmente, os casamentos são combinados entre os pais, sendo os noivos quase sempre parentes.

Existem questões que colocam a mulher cigana num estado de superioridade em relação ao homem, embora de forma oculta. Sendo uma dessas questões a relação da mulher com o corpo e a maternidade. Assim que se contrai um matrimónio, existe uma pressão por parte da comunidade na procriação do casal, sendo ‘exigido’ um número de duas a três crianças por família. Realmente, a mulher parece estar refém da comunidade, funcionando como sustentáculo da identidade étnica, na sua condição de procriadora, continuadora da etnia e das suas tradições. Daqui resulta a submissão através de uma vigilância por parte de toda a comunidade que parece tutelar o seu corpo, a sua vontade, os seus atributos femininos, a sua fertilidade. Um outro poder exercido sobre os homens está relacionado com o embelezamento do corpo. Desde cedo, as raparigas ciganas ganham hábitos de produção do corpo, como por exemplo, o uso de maquilhagem. Porém, a partir do momento, em que contraem matrimónio, estas práticas devem ser excluídas do seu dia-a-dia. Quando optam por dietas ou uso de tratamentos de beleza, fazem-no doravante sem o conhecimento do marido, exercendo assim um poder na dimensão oculta.

No que respeita à situação de viuvez, a mulher é mais uma vez colocada em desvantagem comparativamente ao homem. O homem viúvo pode sempre contrair um novo matrimónio, já a mulher, apenas quando a viúva é jovem e sem filhos, é-lhe permitida uma nova relação. Urge referir que este poder é exercido de forma invisível perante o olhar masculino, concedendo a este uma ilusão de total dominação sobre o género oposto.

No que diz respeito à esfera pública, a sua autonomia ainda não é muito notória, mas as coisas estão a mudar progressivamente. Quando é necessário intervir para resolver problemas com instituições extracomunitárias (segurança social, finanças, escola, etc.), continuam a ser as mulheres ciganas responsáveis pela sua resolução.

Em jeito de síntese, a discussão da questão do género feminino torna-se fundamental para perceber a dinâmica da vida cigana e das relações interétnicas. As mulheres ciganas debatem-se com problemas de género, subjugadas por uma tradição cultural cigana machista, por se atribuir uma valorização maior ao papel social do homem que se repercute no papel de submissão imposto às mulheres ciganas. Este papel de subordinação é uma constante ao longo do ciclo de vida da mulher cigana. Os elementos do sexo masculino têm mais liberdade de circulação e de interação com elementos da sociedade maioritária, o ‘Outro’, nomeadamente, com mulheres não ciganas. A desigualdade de género surge desde o nascimento, sendo por isso mais valorizado o nascimento de um rapaz por se entender ser motivo de menos preocupações

O escutismo e o envolvimento dos jovens

Novembro 15, 2022 em Atualidade, Concelho, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora

Ivo Faria, natural de Santo Tirso, Mestre em Ciências Empresariais e Managing Partner da Escota CG.

Sempre teve a paixão pelo escutismo foi lobito, explorador, pioneiro, caminheiro e dirigente. Hoje, é o novo chefe nacional do Corpo Nacional de Escutas (CNE) e é o convidado a escrever no espaço da Intensify World no mês de novembro.

O Corpo Nacional de Escutas (CNE), fundado em 1923, tem mais de 65 mil associados, espalhados por todo o país, com mais de 1.000 grupos locais. É a maior associação de juventude de Portugal e conta com mais de 14 mil voluntários.

O CNE destina-se à formação integral de jovens, com base no método criado por Baden- Powell e no voluntariado dos seus membros. Procura desenvolver, nas crianças e nos jovens, o sentido de cidadania ativa, baseado na sua participação no desenvolvimento das suas comunidades locais, construindo neles o sentido de co-construção de um mundo melhor, a partir da sua ação local.

O CNE realiza esta missão através de um método que assenta auto-educação progressiva, baseado na educação não-formal, através da qual as crianças e os jovens são chamados a tomar o papel principal do seu próprio desenvolvimento.

Este crescimento é garantido através do empoderamento dos jovens, que são chamados a tomar parte nas decisões que afetam o dia-a-dia das suas equipas e grupos locais, regionais e nacional, definindo assim a vida da associação.

O CNE promove milhares de atividades locais todos os anos, garantindo que essas atividades, em prol do desenvolvimento das comunidades locais, sejam o palco basilar do desenvolvimento das crianças e dos jovens, do seu sentido pleno de pertença e de responsabilidade pelo desenvolvimento da comunidade.

Este trabalho é feito pelas próprias crianças e jovens, organizados em pequenos grupos. Elegendo os seus líderes, aprendem desde cedo a trabalhar numa mini-sociedade, em modelo democrático, onde a responsabilidade pelo bem-estar do grupo é partilhada entre todos. Todas as tarefas de uma atividade (animação, orçamentação, jogos, alimentação, saúde, e muitas outras) são distribuídas entre todos, fazendo com que cada um se sinta responsável pelo sucesso do todo.

Este modo de trabalho, recorrente ao longo do ano – ao longo do percurso escutista – é a base do desenvolvimento de competências técnicas, saberes e atitudes, tão necessários ao desenvolvimento integral da criança e do jovem.

Este trabalho é feito num ambiente de relação com as outras equipas (dentro e fora da comunidade escutista local, que nós designamos por Agrupamento) e com a comunidade não escutista em que o Agrupamento se insere.

Dito de outra forma, é o sentido de pertença a uma comunidade, que impele os escuteiros a desenvolver ações, projetos de melhoria e de apoio que, mais do que contribuir para o crescimento da comunidade (mundo real), ajudam o escuteiro, no seu quotidiano, a desenvolver e adquirir competências que fazem dele um cidadão do hoje, cada vez mais empenhado num mundo melhor, à escala do círculo de influência que cada equipa, cada grupo, cada Agrupamento, podem afetar positivamente.

Este modelo é fortemente potenciado pela capacidade de os jovens se sentirem – e de estarem, de facto – empoderados com o seu próprio desenvolvimento, com o desenvolvimento das suas equipas, dos seus grupos locais, das suas comunidades exteriores ao escutismo, e também da vida da Associação em que se inserem, quer ao nível regional, quer ao nível das decisões que afetam o todo do CNE. O empoderamento dos jovens, no CNE, é mais do que um meio. É um fim, uma missão. Porque acreditamos que é através dele e é nele, ao mesmo tempo, que o jovem se desenvolve e desenvolve o meio que o rodeiam.

Montessori – Uma metodologia única

Outubro 1, 2022 em Atualidade, Concelho, Educação Por barcelosnahorabarcelosnahora

Ana Almeida licenciada em Educação de Infância e com experiência em vários contextos escolares e Marta Lopes  licenciada em sociologia que dedica o seu trabalho à prevenção e combate do fenómeno da Violência Doméstica são as convidadas do mês de novembro a escrever no Espaço Intensify World.

Porque é que a metodologia Montessori é única

A metodologia Montessori não se circunscreve às crianças nem ao domínio da Educação. É muito mais! É uma pedagogia de base científica que abraça todas as esferas da vida de quem a pratica. Montessori vive-se na escola, em casa e também necessariamente na comunidade, uma vez que o impacto da formação cognitiva e social da criança, enquanto “…a fonte e a chave para os enigmas da humanidade” (in Educação e Paz) tem repercussões nas suas escolhas, nas suas ações e interações e, consequentemente, nas pessoas com quem ela se cruza e nos ambientes que a rodeiam.

Ao promover o desenvolvimento de competências inatas das crianças de forma livre, com: um adulto preparado que facilita e encoraja sem interferir nos interesses e tempos de aprendizagem de cada criança; num ambiente preparado ajustado às necessidadesespecíficas para cada faixa etária, bonito, minimalista, organizado, promotor de autonomia e centrado na cooperação; com recurso a materiais Montessori diferenciadores com objetivos muito específicos de aprendizagem que permitem a autocorreção; a metodologia Montessori consegue colocar a criança no centro e com isso dar-lhe, de forma consistente, a perceção de respeito pessoal absoluto e, consequentemente, a vontade de se esforçar, trabalhar e aprender mais!

Porque lhe é permitido trabalhar enquanto brinca, porque lhe é permitido o movimento, porque lhe é dada voz, porque é convidada a aprender através da sua própria experiência… a criança tende a desenvolver o pensamento critico, a autonomia, a noção de responsabilidade, a noção de direitos e deveres, seus e dos outros, de forma tão natural quanto entusiasta!

Como nasceu a Associação Montessori de Barcelos

A Associação Montessori de Barcelos nasceu de uma paixão antiga, ainda na faculdade, da sua presidente – Ana Almeida. Licenciada em Educação de Infância e com experiência em vários contextos escolares, com diferentes idades, decidiu aumentar e direcionar a sua formação profissional para a metodologia Montessori. Rapidamente se apaixonou pela única metodologia de base científica… aque leva a que o adulto, antes de observar a criança, faça um trabalho interno intenso e interminável. É necessário que seja feito um caminho profundo no autoconhecimento para que, dessa forma, o adulto possa ver a essência da criança, livre de julgamentos ou preconceitos; para que se chegue ao “patamar” simbólico e necessário de adulto preparado (de acordo com Maria Montessori).

Neste caminho, de (trans)formação profissional e pessoal, nasceu a Associação Montessori de Barcelos – AMB não só para dar a conhecer a toda a comunidade uma outra forma de ver a infância, mas também para dar resposta a todos os pais, mães e encarregados/as de educação que procuram um caminho respeitador para as suas crianças na educação, e também para que se sintam envolvidos no seu crescimento e desenvolvimento integral.  

Os seguintes passos da AMB, foram partilhados pela Marta Lopes – Socióloga – que dedica o seu trabalho à prevenção e combate do fenómeno da Violência Doméstica, cujas dinâmicas impactam necessariamente as crianças que crescem nestes contextos, mas acima de tudo – Mãe – que procura o melhor para a sua filha e acredita que a forma cultural de educar está desajustada face à realidade.

Ambas comungam da mesma premissa: de que a mudança por um mundo melhor pode e deve começar em cada um de nós (adultos); pode e deve começar naquilo que lhes transmitimos (aos/às nossos/as filhos/as) em consciência plena a cada dia da sua vida. E do mesmo desejo (e também responsabilidade): manter o legado de Maria Montessori.

A educação para a paz pauta a mesma visão sobre uma sociedade futura. Ambas acreditam que uma primeira infância vivida sobre valores como o respeito, empatia, liberdade, independência, lealdade, solidariedade e tolerância, será determinante para a formação de futuros adultos equilibrados, e por isso, preenchidos de amor, amor próprio e amor pelo outro e; conduzem a AMB sobre esse pressuposto.

O caminho da AMB faz-se caminhando…. tem-se focado no despertar consciências para uma nova visão da Criança, através da divulgação de conteúdo nas redes sociais de utilidade pública conducente com a metodologia defendida, através da dinamização de ateliês sensoriais de caracter mensal para crianças dos 0 aos 6 anos e, mais recentemente através de workshops direcionados aos/às adultos/as. O grande sonho, a curto prazo, é o de fundar uma escola Montessori no concelho de Barcelos, no qual as “mãos” de todas as pessoas e empresas que se identifiquem com esta filosofia de vida darão uma enorme ajuda.  

Associação Montessori de Barcelos

“As mãos são o instrumento da inteligência humana.” Maria Montessori

Para mais informações: associacaomontessoridebarcelos@gmail.com

Economia circular na visão do consumidor

Setembro 3, 2022 em Ambiente, Atualidade, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Sónia Alves

Sónia Alves é a convidada a escrever o artigo do mês de setembro no espaço da Intensify World. Mestre em Engenharia Química pela Universidade de Aveiro e com formações em diversas áreas do desenvolvimento do produto, produção de papel e qualidade. Atualmente a desempenhar funções como investigadora júnior na área das tecnologias do papel no Laboratório Colaborativo Almascience.

O mundo sempre evoluiu ao longo do tempo e o ser humano desenvolvia e escolhia os produtos consoante as necessidades que se manifestava. O ser humano tem vindo a investigar e a produzir novos produtos, mas, infelizmente, muitos dos produtos estão a ser usados inadequadamente e/ou descartados incorretamente.

Assim, o mundo já não é o mesmo que conhecemos desde que nascemos até hoje. Devido às nossas escolhas, a Terra não está a conseguir gerar novos recursos e observamos constantemente as alterações que existem ao nosso redor, seja a escassez de água ou os incêndios. Existem várias estratégias para mitigar a falta dos recursos, sendo uma delas a economia circular.

A economia circular é o tema mais ouvido nos últimos tempos, mas afinal o que é? A economia circular é a uma estratégia de modo a reduzir, reutilizar, recuperar e reciclar de materiais e energia. Deste modo, consiste em dar uma “segunda vida” aos produtos, prolongando o seu tempo de vida e reduzindo a produção de materiais com os recursos que a Terra nos fornece. A nossa escolha, enquanto consumidores, pode auxiliar às empresas que o cliente/utilizador a devem alterar o produto que produzem ou comercializam.

Nós, como consumidores e clientes, podemos optar por um produto que é possível reciclar ao invés de um produto que é descartável (ou seja, que apenas é possível usar uma única vez).

No supermercado, o mesmo produto pode vir com embalagens diversificadas, seja em papel, vidro, metal ou plástico. Nós podemos, por exemplo, optar por um produto com uma embalagem alimentar de metal que seja possível de reciclar, ao invés de usar um produto à base de papel para a área alimentar, por exemplo.

Na nossa casa, podemos escolher por reutilizar várias vezes o mesmo produto antes de o descartar. Um exemplo disso, que muitas vezes utilizávamos é o saco do pão. Podemos colocar este saco seja para transportar o pão, seja para o armazenar ou, simplesmente, para guardar o pão. Também podemos optar por comprar um frasco de vidro de feijão e, após usar o feijão, podemos usar o frasco de vidro para adicionar as especiarias, ou então, alterá-lo ao nosso gosto para decoração.

Até mesmo no local de trabalho, podemos fazer a diferença em termos da economia circular. Podemos escolher em escolher uma garrafa reutilizável de água que pode ser utilizada várias vezes, ao invés de usar um copo de água, que de seguida é descartado e, de certa forma, por vezes, não é colocado no ecoponto indicado.

Assim, até nós, consumidores, podemos contribuir para a economia circular seja no supermercado, nas nossas casas e/ou até mesmo nas nossas empresas. Tudo depende das nossas escolhas e do nosso poder de compra. Afinal de contas, nós podemos mesmo influenciar o mundo com pequenas coisas e, que muitas vezes, não dávamos a devida importância.

O futuro dos nossos filhos, dos nossos netos, da próxima geração depende das escolhas atuais e não queremos que alguém sofra pelas escolhas más que fizemos no passado. Uma má escolha pode não afetar no momento, mas com o tempo, tudo pode significar a sobrevivência da Terra e dos seus recursos.

Em busca de um sonho

Agosto 7, 2022 em Atualidade, Concelho, Tecnologia Por barcelosnahorabarcelosnahora
Lino Araújo

Lino Araújo, natural de Balasar – Póvoa de Varzim, empresário de 32 anos e cinco vezes campeão nacional em Motonáutica, é o convidado a escrever no espaço da Intensify World no mês de agosto.

Tem a ambição e o sonho de se tornar campeão do Mundo na categoria de Runabout e luta por isso diariamente.

Desde jovem iniciei o meu percurso nos desportos motorizados, tendo começado pelo Quadcross e Motocross, e desde então percebi que tinha o espírito de competição entranhado em mim. Alguns anos mais tarde experimentei andar numa mota de água por lazer e comecei a fazer alguns treinos com amigos apenas por diversão. Após alguns meses de treinos por puro lazer, surgiu a possibilidade de participar na primeira prova da modalidade em 2016. De imediato nessa primeira prova senti que me identificava com a modalidade, que o meu passado no Motocross me conferia algum traquejo e que me sentia verdadeiramente feliz ao comando da mota na água. Desde então tenho estado em constante crescimento, já passei pelo Endurance mas foi no Runabout que encontrei o desafio que me completa.

Tenho vindo a ser Campeão Nacional da modalidade nos últimos anos, tenho dado cartas no Campeonato da Europa e no ano passado fui medalha de bronze no Campeonato do Mundo.

Apesar das conquistas que me deixam orgulhoso, o meu grande objetivo é tornar-me campeão Mundial da Modalidade e é para isso que trabalho diariamente e só vou desistir quando lá chegar.

A motonáutica contribuiu bastante para o meu desenvolvimento a nível pessoal, com o aprimoramento de alguns valores que o desporto exige que sejam redobrados, mas também com uma melhoria significativa em termos físicos. Desde que me tornei atleta de alta competição abandonei alguns hábitos que se tornavam nocivos para o meu corpo, melhorei a minha alimentação e treino diariamente para aguentar as exigências de uma prova da melhor forma possível. Cada prova do Campeonato do Mundo é constituída por duas mangas de cerca de 30 minutos cada, e a exigência física é enorme.

Estando entre os melhores do mundo, entre atletas com apoios milionários, todos os detalhes contam. É decisivo ter uma mota potente e fiável, mas também é essencial tentar ser o mais regular possível desde a primeira à última volta da competição e aí a preparação física e mental são decisivas. No Campeonato do Mundo competem atletas de cerca de 20 países diferentes e as disparidades orçamentais são notórias assim que se entra no paddock. Existem equipas que são patrocinadas a 100%, pilotos que apenas vivem da competição, equipas constituídas por dezenas de elementos e existem os pilotos que fazem esforços enormes em todos os sentidos para lá estar, e é neste grupo que me insiro.

Acredito que a Motonáutica é um desporto em crescente expansão em Portugal, e que tem vindo a despertar um crescente interesse pelo público em geral. No passado dia 17 de julho de 2022 venci a etapa de Portugal do Campeonato da Europa, com uma vitória nas três mangas da competição e contei com o apoio de centenas de pessoas que se deslocaram de propósito para assistir à competição, pelo que, creio que é prova de que o público tem interesse em acompanhar a modalidade com mais afinco. Da minha parte dou o meu melhor para divulgar a modalidade através das redes sociais, mas gostaria que nos fosse dada uma maior visibilidade em termos de media em Portugal. O facto de não ser um desporto muito divulgado na comunicação social limita-nos bastante no que diz respeito à obtenção de patrocínios. Aproveito a oportunidade para agradecer a todos os meus patrocinadores por confiarem no meu trabalho e me ajudarem a chegar cada vez mais longe.

Da minha parte fica a promessa, vou continuar a trabalhar muito e a lutar e um dia estarei no número 1 do pódio do Campeonato do Mundo a honrar com orgulho o nosso país!

A posição dos jovens sobre a política na atualidade

Julho 4, 2022 em Atualidade, Concelho, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora

Miguel Fernandes é mestre em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pela Faculdade de Engenheira da Universidade do Porto e enquanto jovem tem já um percurso ligado à política. Frequentou a Especialização em Ciência Política na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e é o convidado do mês de julho no espaço da Intensify World.

Miguel Fernandes


A política define o presente e o futuro de qualquer população. Podemos pensar em política nas suas diferentes dimensões, mas todas têm em comum o facto de impactarem com o nosso dia a dia. Por esta altura, já deve imaginar que o próximo passo será dizer que a política permite melhorar as nossas condições. E é isso mesmo!
A política pode definir, de forma preponderante, o desenvolvimento ou retrocesso de um país. Não vale a pena ilusões, ou maquilhar a realidade: um país que pede ajuda financeira externa perde, à partida, o comboio do desenvolvimento. Cabe aos políticos, nestes casos, terem o arrojo e a capacidade de implementar reformas estruturantes (aquelas que muitos falam, mas depois tardam a acontecer) para voltarem a por um país no caminho do desenvolvimento. O nosso problema, tantas e tantas vezes, é que temos políticos que anunciam projetos e depois, não passam de anúncios de projetos. A minha geração, por exemplo, está mais do que calejada sobre o novo aeroporto de Lisboa que, passados tantos anos, tantos milhões em projetos, de novo já não tem nada, nem mesmo a necessidade da resolução do problema.


Se pensarmos na administração pública, a política é, mais uma vez, uma das faces do sistema. Se tivermos políticos que invistam na administração pública, podemos ter serviços mais eficientes e eficazes, onde as populações são mais bem servidas. Mais uma vez, a política impacta no nosso dia a dia. Uma administração pública forte, autónoma, onde os diretores têm algum poder de decisão, permite respostas mais rápidas e eficazes aos cidadãos, ficando todos a ganhar.


Passando para uma esfera totalmente diferente, a política local, e em especial, a política ao nível da freguesia, é um serviço público prestado pelos nossos autarcas que são, não raras vezes, injustamente criticados. Digo-o porque além de ser um facto, não estamos preparados para reconhecer o trabalho das pessoas no tempo presente, parece que só somos capazes de dar valor, à posteriori, quando existe um sentimento de saudade, ou distância, face ao trabalho executado. Um presidente de junta, atualmente, não é visto da mesma forma que era quando surgiu a democracia. Parece que existiu uma certa descredibilização da figura de presidente de junta. Mais uma vez, o presidente de junta, e a sua equipa, são os responsáveis por, por exemplo, manter uma freguesia com caminhos limpos e arranjados, passeios para as pessoas, espaços públicos asseados e identificar, e depois executar, obras que permitam dinamizar a freguesia. Por vezes, o incentivo de uma junta de freguesia é o suficiente para as associações locais se desenvolverem mais, tornando, consequentemente, a freguesia mais dinâmica.


Apenas deixei algumas ideias que podem levar a uma reflexão profunda, que o tema merece. A política é muito mais do que quem ganhou o debate, quem ganhou as eleições, ou quem executou “aquela” obra. A política engloba os eleitos, os cidadãos e define o nosso futuro. Se é verdade que existem mais exemplos na política, desafio-vos a pensarem no vosso círculo de pessoas conhecidas, seja no contexto de trabalho, seja no contexto de infância, ou outro: em todos eles temos bons e maus exemplos, pessoas mais ou menos empenhadas (…) e na política é igual. Não deixemos, nem contribuamos, para a descredibilização da política. Mudemos o paradigma e contribuamos com ideias e propostas!

Que se cumpra o desígnio da transição digital!

Junho 4, 2022 em Atualidade, Opinião, Tecnologia Por barcelosnahorabarcelosnahora
Paulo Silva

Paulo Silva é licenciado em Ciências da Computação pela Universidade do Minho (UM) e convidado a escrever o artigo do mês de Junho no espaço da Intensify World.

Com mais de 10 anos de experiência profissional na área de desenvolvimento de software, atualmente dedica-se integralmente a questões de segurança, nomeadamente segurança aplicacional. É partner na Rittma, emprestando as suas competências em áreas como cibersegurança, transição digital e tecnologias open-source.

Numa altura em que tanto se fala de transição digital por conta dum plano de recuperação e resiliência, talvez tenhamos por fim a oportunidade de corrigir algumas lacunas que persistem desde o tempo em que vivíamos; mas offline.

Muitos de nós transitaram para o digital sem qualquer tipo de instrução, sempre na óptica do utilizador. As interfaces, tanto as físicas (hardware) como as gráficas (software), são pensadas e desenhadas exatamente com esse propósito: de forma a que os utilizadores saibam como interagir com as mesmas utilizando a experiência adquirida nos mais diversos contextos, nomeadamente no mundo real (2ª heurística de Jakob Nielsen).

Um dia, os computadores que estavam nas nossas casas e nos quais dávamos os primeiros passos ficaram interligados numa rede global. As interfaces continuaram as mesmas e nós fomos por aí adiante, navegando: atividade que não nos era estranha e na qual até nos destacámos no passado, mas neste contexto ainda hoje sem consciência dos perigos que enfrentamos.

Somos hoje dos países da Europa com maior número de serviços públicos digitalizados, isto é, com os quais os cidadãos podem interagir através da Internet. Os exemplos são sobejamente conhecidos: desde a entrega anual da declaração de rendimentos (IRS), Segurança Social Direta, marcação de consulta no Serviço Nacional de Saúde (SNS), registo de transferência de propriedade automóvel, etc.

Dentro das organizações a digitalização também já vai avançada. Há muito que o correio eletrónico (e-mail) superou o postal. Começámos com suites de produtividade (Office) instaladas nos computadores e agora o que mais há é delas na nuvem (Google Docs, Office 365). E por falar em nuvem: “é seguro usar a nuvem?”.

Quando em 1989 Sir Tim Berners-Lee apresentou a sua proposta para criação da World Wide Web, estaria longe de pensar que a haveríamos de usar como plataforma de comércio eletrónico, para a entrega anual do IRS ou homebanking. A sua proposta não satisfazia os pressupostos de segurança necessários para este tipo de operações e ao longo dos anos temos vindo a acomodá-los à medida da necessidade, em camadas, sem alterações substanciais à proposta inicial.

No passado e numa réstia de presente, as armas de fogo foram usadas para otimizar a atividade da caça (por alimento) e hoje, infelizmente, perseguem Homens para impor visões do mundo não consensuais. Também a Internet e a World Wide Web podem ser usadas tanto para o bem como para o mal. Tem faltado, na minha opinião, consciencializar os utilizadores que ainda há muito a fazer no que à (ciber-)segurança diz respeito e que por isso o melhor é utilizar, desconfiando.

A questão da cibersegurança não é, no essencial, uma questão tecnológica. Segundo Carlos Cabreiro, responsável pela UNC3T, citado pelo jornal i em 19 de Janeiro de 2022: “89% da cibercriminalidade parte da fragilidade humana”. Embora desconheça como se chegou a este número, abusar da “fragilidade humana”, ou “da condição Humana” como julgo mais correto dizer-se, é o cerne da engenharia social, quer física, em exercícios de intrusão nas instalações de uma empresa, ou digital em ataques de phishing (email), smishing (SMS) ou vishing (chamadas de voz).

Parece ser claro onde devemos atuar: consciencializar e capacitar os indivíduos, não só para os riscos, mas também para os comportamentos seguros que devem adotar. Esta é a primeira e principal barreira de defesa individual e das organizações.

Foi com esta missão que já por mais do que uma vez visitei Barcelos. Numa primeira ocasião para partilhar experiência e conhecimento técnico com jovens estudantes do Instituto Politécnico de Barcelos (IPB) e mais recentemente numa iniciativa da Rittma em parceria com o Município e Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, dirigida ao setor social do concelho.

Para cumprir o desígnio da transição digital é premente falar em (ciber-)segurança, especialmente atendendo aos acontecimentos recentes, amplamente divulgados e comentados, mas não esclarecidos de forma a que se pudesse aprender com o erro. Somos ainda um povo tímido no que toca a aprender com os erros/falhas.

Pese embora exista algum encanto nos aspetos técnicos e no recurso a jargão, a maioria dos utilizadores do computador e da Internet, têm um perfil não-técnico, motivo pelo qual acredito mais no sucesso duma estratégia que mostre aos indivíduos, no seu dia-a-dia, onde e quando tomam decisões com impacto para a sua segurança individual e da organização que representam. Só assim almejo que se cumpra o desígnio: da transição digital, de Portugal.

Por: Paulo Silva

Uma Aprendiz do Fado

Maio 2, 2022 em Atualidade, Concelho Por barcelosnahorabarcelosnahora
Luciana Silva

Luciana Silva, natural de Baltar-Paredes, futura licenciada em Marketing e Comunicação Empresarial pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo, de lenço ao peito e com o Fado na alma, é a convidada a escrever o artigo do mês de maio no espaço da Intensify World.


Uma jovem de vinte anos, que traz em si, uma nota desalinhada e um coração desatento. Sente o Fado e é com o Fado que quer caminhar. Já participou em vários concursos, nos quais foi premiada várias vezes com o primeiro lugar.


Sobre o Fado:


O Fado, não é só Fado. O Fado é tudo! Comecei com apenas nove anos, uma canção ali, outra acolá. No início cantar era um sonho, porque talvez as pessoas gostavam de me ouvir, era feliz, porque me permitia participar em concursos. Admito que, hoje, não é a mesma coisa. Hoje, o sentimento é outro!
Porquê que as pessoas consideram o Fado um estilo antiquado? Pelo contrário, o Fado é uma tendência e um grande marco do patrimônio cultural. Hoje, sei que canto cultura, e nada mais que isso. A verdade é que quando canto é como se eu vivesse realmente naquele poema.

Já participei em concursos como “Viana canta Fado”, “Rota do Fado”, “Festival da canção”, e eventos de foro cultural em homenagem a grandes senhores do Fado português, inclusive quando tinha 15 anos fui ao Porto Canal.
No que respeita a todo o meu percurso artístico, estive sempre rodeada por pessoas que me apoiaram incondicionalmente. Um obrigado não chega!
O mundo da música proporcionou-me conhecer pessoas distintas, de vários países, de várias culturas e ambições. Já levei três vezes a minha voz a França, levei comigo também, uma mala cheia de nervosismo, felicidade e uma vontade imensa de pisar o palco, cantar, sorrir, sentir e fazer sentir.
Hoje, sou fruto daquilo que semeei, sou fruto daquilo que me é inato e não só, sou fruto de todas as conversas, de todas as chamadas, de todas as tristezas, brincadeiras e de todos os sonhos que me fazem viajar no pensamento.
Vejo no Fado, uma forma de contar a minha história. Espero cantar um dia, a história que hoje guardo. O Fado é o meu destino em 4 letras.


Por: Luciana Silva

Humanização animal: necessidade ou perigo?

Abril 6, 2022 em Atualidade, Concelho, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Rita Pereira

A convidada do mês de Abril é Rita Pereira, natural de Barcelos e médica veterinária formada pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto. Tem especial interesse na área do comportamento animal, área na qual concluiu em 2020 o Curso Avançado Pós-Universitário dirigido pelo Centro para o Conhecimento Animal, em parceria com o Instituto Português de Psicologia e outras Ciências. Criou a Beehaviour, presente nas redes sociais, pela sua vontade de partilhar conhecimento e chegar a mais famílias, através de uma comunicação simples e de proximidade, porque acredita que o conhecimento pode, literalmente, salvar vidas. A trabalhar na área da saúde animal desde os 24 anos, a Rita lança uma questão polémica: será a humanização animal uma necessidade ou um perigo?

Segundo os dados do último estudo da Track.2Pets, mais de metade dos lares portugueses possuiu, pelo menos, um animal de estimação. O mesmo estudo também concluiu que eles são, cada vez mais, considerados elementos das nossas famílias, mas esta noção é diferente da humanização. A criação de vínculos emocionais fortes com os animais de companhia pode resultar sim numa maior consciencialização sobre tratar mais e melhor os nossos animais, garantindo-lhes conforto, bem-estar e cuidados de saúde. Então a humanização animal é benéfica e isto é um não assunto? Pelo contrário…


Quem nunca ouviu (ou disse) a frase “gosto mais do meu cão do que de muitas pessoas”? A presença de um animal de estimação nas nossas vidas é muitas vezes a lufada de ar fresco na correria do dia-a-dia e os benefícios desta convivência já estão mais do que descritos. Torna-se assim fácil (e quase automático) atribuirmos características humanas a um ser não humano, ou por outras palavras, a humanização (ou antropomorfização).  A humanização animal é o ato de atribuir características humanas a animais e agir como se estivéssemos a lidar com um humano. A ciência já comprovou que cães e gatos, por exemplo, são seres sencientes, completamente capazes de sentir e expressar emoções, mas cães não são humanos, gatos não são humanos. A questão resume-se a este ponto.

Se por um lado a humanização animal pode promover a empatia e catapultar, por exemplo, a luta pelos direitos animais, por outro lado poderá pôr em risco o seu bem-estar, ao não identificar nem satisfazer as necessidades animais deles. Um cão, se tiver opção, poderá percorrer vários quilómetros por dia, a explorar, em busca de alimentos, a farejar, escavar, procurar parceiro/a, contactar com outros animais, etc. Os comportamentos naturais de um gato vão incluir longas horas de caça (muitas delas falhadas), marcação territorial, arranhar, comportamentos de grooming e allogrooming (lambedura de si próprio e a outros gatos, respectivamente), procurar parceiro/a, entre outros. Estas necessidades são difíceis de assegurar e podem entrar em conflito com a humanização.


Nas minhas consultas, vejo inúmeros sinais de humanização. “Dra, ele é como um filho para mim!” ou perguntarem carinhosamente “quem é o amor da mamã?”. Estas afirmações são obviamente demonstrações de carinho e de forma direta não irão trazer consequências para o animal. O problema está na ausência de equilíbrio e aqui sim, poderão existir consequências reais na saúde física e emocional dos nossos animais.

Estou sim a falar de todos os dias vestir-lhe um pijama para dormir, dar-lhe banhos quase diariamente impedindo que tenha o seu odor natural (que contém feromonas muito importantes para a sua comunicação), alimentá-lo com guloseimas feitas para humanos, passeá-lo apenas no colo ou dentro de um carrinho, não permitir que interaja com animais da mesma espécie durante os passeios, … Por mais carinhoso e bem intencionado que possa ser, é importante compreender que um cão, gato ou outro animal de estimação não é um humano em ponto pequeno e tem necessidades espécie-específicas que devem ser respeitadas.

Reações cutâneas, infeções respiratórias, otites, transtornos gastrointestinais, intoxicações alimentares, intoxicações por medicamentos para humanos, obesidade, problemas de locomoção e sociabilização, desenvolvimento de quadros de ansiedade e problemas relacionados com a separação são apenas o início da lista infindável de possíveis consequências da humanização animal. Existem várias formas de demonstrar amor que não colidem com as necessidades dos animais, nem desrespeitam a sua natureza. Cada caso é um caso e os extremismos, em regra geral, não são boa ideia.
Convido-vos a refletirem comigo com um exemplo real: numa consulta a um paciente que estava ao colo, pedi à tutora para colocar o seu cão no chão. Ela ficou muito preocupada e disse-me “Não… Ele não pode ir para o chão porque fica sujo!”. Sei que é uma pergunta provocatória, mas um cão que vive no colo poderá expressar o seu comportamento natural? Um cão que não anda no chão, não fareja, não explora novos ambientes, sai de casa apenas no colo ou dentro de uma mala e que não interage com outros cachorros, será feliz?

O Artesanato e os Jovens

Março 7, 2022 em Atualidade, Concelho, Cultura Por barcelosnahorabarcelosnahora
Daniel Alonso

Daniel Alonso natural de Galegos Santa Maria, é o convidado a escrever o artigo do mês de março no espaço da Intensify World. Aos 35 anos decide fazer da adversidade da pandemia uma oportunidade deixando o ramo da hotelaria para dar seguimento a uma tradição familiar, a olaria.

Quando foi desafiado para escrever o artigo de opinião sobre o artesanato e os jovens prontamente respondeu positivamente ao desafio.

“Darem-me a oportunidade de expressar a minha opinião sobre este assunto, enche o meu coração de orgulho!

É também uma grande responsabilidade falar deste tema, mas somos nós os jovens que temos que assumir a nossa parte para dar a continuidade as nossas culturas e tradições.

Para falar de artesanato não nos podemos esquecer que muitos dos artesãos que conhecemos hoje em dia, na sua grande maioria foram ou são pessoas que não decidiram ser artesãos!

São pessoas que aprenderam uma profissão e que na sua altura seria a sua forma de subsistir e viver.

Com isto quero dizer que, com o passar do tempo foram pessoas que tiveram de se reinventar várias vezes, e de certa forma adaptar o que aprenderam para continuar a subsistir da arte que aprenderam. Pretendo que se entenda que não foram todos os trabalhadores das várias áreas do artesanato que se tornaram artesãos, mas sim aqueles que acreditaram e se souberam adaptar.

Esse longo percurso vincou e traçou a nossa cultura e muito daquilo que vemos representado no artesanato do nosso pais!

Isto leva me para o ponto para qual me convidaram para escrever!

Dizer que o presente e o futuro do artesanato dependem dos jovens está correto, no entanto não podemos esquecer que há um papel fundamental desempenhado pelas entidades competentes! Mas também não é da responsabilidade dessas entidades! Essas funcionam como pontes que ligam os artesãos da antiga com a nova geração, mas nunca poderão fazer o trabalho que tem que ser feito pelos novos artesãos. Esse trabalho a que me refiro são a criação, inovação, a reinvenção e a constante procura de novos mercados.

De importância semelhante ao que me referi nas alíneas anteriores, somos nós jovens que precisamos de olhar cada vez com mais respeito para artesanato e comprar o que é nosso. Assim, assumindo as redes sociais como um espelho da forma ideológica percentual da nossa sociedade, e em uma época em que vemos os utilizadores quererem ser mais autênticos e genuínos, pessoas que vão a lugares únicos e que têm gostos singulares dotados de opiniões tão próprias, proponho que vejamos no artesanato a oportunidade fabulosa de ter algo tão único, tão nosso. Do artesanato proveem produtos únicos que muitas das vezes, são tão ímpares como os gostos modernos, ou então… são personalizáveis e não se vendem em nenhuma “banal” multinacional. Reforço a ideia dizendo que se o produto for bem escolhido tenho a maior das certezas que será de qualidade superior á maior parte dos produtos que se encontram nas lojas da “moda”! Findo este tópico, dizendo que comprar artesanato não é engordar um ou vários multimilionários, mas sim dar um pouco mais de conforto a uma família tão normal como a nossa.

Compete a nós, novos potenciais artesãos, que partimos de forma diferente dos nossos ancestrais sabendo a realidade do artesanato dos nossos tempos, temos que nos adaptar da mesma forma aos tempos que presenciamos e temos que aprimorar a nossa perícia para agradar ao vasto leque de gostos do nosso público.

Será determinante acompanhar todos os tipos de mercado e assumir uma estratégia de publicidade para nos dar a conhecer ao mundo. Temos de acreditar no nosso produto e através da nossa originalidade, assumir uma presença no artesanato verdadeira e genuína. E quando vendemos artesanato, que cada venda não seja apenas uma venda mas sim um bocadinho de nós, da nossa marca, que vai com o cliente para sua casa!

Isto sem esquecer que muito do futuro do artesanato, passa com certeza pela honra e ética profissional, pois temos de criar as nossas vendas, e acarinhar os nossos companheiros de profissão pois sem eles não fazemos feiras e sem feiras não enchemos recintos, esta é também uma temática muito importante, não se pode olhar para outro artesão mesmo sendo da mesma área como concorrência, temos que conseguir perceber que quanto mais oferta, maior será a abrangência de publico. Ainda não senti na pele nenhum tipo de arrogância pelos companheiros, mas desengane-se quem achar que isso não acontece porque na minha opinião esse sentimento é tao antigo quanto a profissão, mas é tao errado como a idade que tem.

Em jeito de conclusão olho para o futuro do artesanato com bons olhos, acredito que este trabalho que tem vindo a ser feito para a preservação e divulgação do artesanato terá um bom impacto no eco do futuro e convido todas as gerações não só as mais jovens a virem viver o artesanato em qualquer exposição de norte a sul do país, brindem ao que é verdadeiramente nosso!

Uma opinião será sempre uma opinião nunca uma verdade assumida! Neste texto tentei expor alguns temas importantes para o futuro do artesanato português sem nunca pensar só em benefício próprio, mas sim como um todo. Amanhã se não fizesse parte do artesanato português a opinião seria a mesma.”

Por: Daniel Alonso

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