Tag archive

Intensify World

Que se cumpra o desígnio da transição digital!

Junho 4, 2022 em Atualidade, Opinião, Tecnologia Por barcelosnahorabarcelosnahora
Paulo Silva

Paulo Silva é licenciado em Ciências da Computação pela Universidade do Minho (UM) e convidado a escrever o artigo do mês de Junho no espaço da Intensify World.

Com mais de 10 anos de experiência profissional na área de desenvolvimento de software, atualmente dedica-se integralmente a questões de segurança, nomeadamente segurança aplicacional. É partner na Rittma, emprestando as suas competências em áreas como cibersegurança, transição digital e tecnologias open-source.

Numa altura em que tanto se fala de transição digital por conta dum plano de recuperação e resiliência, talvez tenhamos por fim a oportunidade de corrigir algumas lacunas que persistem desde o tempo em que vivíamos; mas offline.

Muitos de nós transitaram para o digital sem qualquer tipo de instrução, sempre na óptica do utilizador. As interfaces, tanto as físicas (hardware) como as gráficas (software), são pensadas e desenhadas exatamente com esse propósito: de forma a que os utilizadores saibam como interagir com as mesmas utilizando a experiência adquirida nos mais diversos contextos, nomeadamente no mundo real (2ª heurística de Jakob Nielsen).

Um dia, os computadores que estavam nas nossas casas e nos quais dávamos os primeiros passos ficaram interligados numa rede global. As interfaces continuaram as mesmas e nós fomos por aí adiante, navegando: atividade que não nos era estranha e na qual até nos destacámos no passado, mas neste contexto ainda hoje sem consciência dos perigos que enfrentamos.

Somos hoje dos países da Europa com maior número de serviços públicos digitalizados, isto é, com os quais os cidadãos podem interagir através da Internet. Os exemplos são sobejamente conhecidos: desde a entrega anual da declaração de rendimentos (IRS), Segurança Social Direta, marcação de consulta no Serviço Nacional de Saúde (SNS), registo de transferência de propriedade automóvel, etc.

Dentro das organizações a digitalização também já vai avançada. Há muito que o correio eletrónico (e-mail) superou o postal. Começámos com suites de produtividade (Office) instaladas nos computadores e agora o que mais há é delas na nuvem (Google Docs, Office 365). E por falar em nuvem: “é seguro usar a nuvem?”.

Quando em 1989 Sir Tim Berners-Lee apresentou a sua proposta para criação da World Wide Web, estaria longe de pensar que a haveríamos de usar como plataforma de comércio eletrónico, para a entrega anual do IRS ou homebanking. A sua proposta não satisfazia os pressupostos de segurança necessários para este tipo de operações e ao longo dos anos temos vindo a acomodá-los à medida da necessidade, em camadas, sem alterações substanciais à proposta inicial.

No passado e numa réstia de presente, as armas de fogo foram usadas para otimizar a atividade da caça (por alimento) e hoje, infelizmente, perseguem Homens para impor visões do mundo não consensuais. Também a Internet e a World Wide Web podem ser usadas tanto para o bem como para o mal. Tem faltado, na minha opinião, consciencializar os utilizadores que ainda há muito a fazer no que à (ciber-)segurança diz respeito e que por isso o melhor é utilizar, desconfiando.

A questão da cibersegurança não é, no essencial, uma questão tecnológica. Segundo Carlos Cabreiro, responsável pela UNC3T, citado pelo jornal i em 19 de Janeiro de 2022: “89% da cibercriminalidade parte da fragilidade humana”. Embora desconheça como se chegou a este número, abusar da “fragilidade humana”, ou “da condição Humana” como julgo mais correto dizer-se, é o cerne da engenharia social, quer física, em exercícios de intrusão nas instalações de uma empresa, ou digital em ataques de phishing (email), smishing (SMS) ou vishing (chamadas de voz).

Parece ser claro onde devemos atuar: consciencializar e capacitar os indivíduos, não só para os riscos, mas também para os comportamentos seguros que devem adotar. Esta é a primeira e principal barreira de defesa individual e das organizações.

Foi com esta missão que já por mais do que uma vez visitei Barcelos. Numa primeira ocasião para partilhar experiência e conhecimento técnico com jovens estudantes do Instituto Politécnico de Barcelos (IPB) e mais recentemente numa iniciativa da Rittma em parceria com o Município e Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, dirigida ao setor social do concelho.

Para cumprir o desígnio da transição digital é premente falar em (ciber-)segurança, especialmente atendendo aos acontecimentos recentes, amplamente divulgados e comentados, mas não esclarecidos de forma a que se pudesse aprender com o erro. Somos ainda um povo tímido no que toca a aprender com os erros/falhas.

Pese embora exista algum encanto nos aspetos técnicos e no recurso a jargão, a maioria dos utilizadores do computador e da Internet, têm um perfil não-técnico, motivo pelo qual acredito mais no sucesso duma estratégia que mostre aos indivíduos, no seu dia-a-dia, onde e quando tomam decisões com impacto para a sua segurança individual e da organização que representam. Só assim almejo que se cumpra o desígnio: da transição digital, de Portugal.

Por: Paulo Silva

Uma Aprendiz do Fado

Maio 2, 2022 em Atualidade, Concelho Por barcelosnahorabarcelosnahora
Luciana Silva

Luciana Silva, natural de Baltar-Paredes, futura licenciada em Marketing e Comunicação Empresarial pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo, de lenço ao peito e com o Fado na alma, é a convidada a escrever o artigo do mês de maio no espaço da Intensify World.


Uma jovem de vinte anos, que traz em si, uma nota desalinhada e um coração desatento. Sente o Fado e é com o Fado que quer caminhar. Já participou em vários concursos, nos quais foi premiada várias vezes com o primeiro lugar.


Sobre o Fado:


O Fado, não é só Fado. O Fado é tudo! Comecei com apenas nove anos, uma canção ali, outra acolá. No início cantar era um sonho, porque talvez as pessoas gostavam de me ouvir, era feliz, porque me permitia participar em concursos. Admito que, hoje, não é a mesma coisa. Hoje, o sentimento é outro!
Porquê que as pessoas consideram o Fado um estilo antiquado? Pelo contrário, o Fado é uma tendência e um grande marco do patrimônio cultural. Hoje, sei que canto cultura, e nada mais que isso. A verdade é que quando canto é como se eu vivesse realmente naquele poema.

Já participei em concursos como “Viana canta Fado”, “Rota do Fado”, “Festival da canção”, e eventos de foro cultural em homenagem a grandes senhores do Fado português, inclusive quando tinha 15 anos fui ao Porto Canal.
No que respeita a todo o meu percurso artístico, estive sempre rodeada por pessoas que me apoiaram incondicionalmente. Um obrigado não chega!
O mundo da música proporcionou-me conhecer pessoas distintas, de vários países, de várias culturas e ambições. Já levei três vezes a minha voz a França, levei comigo também, uma mala cheia de nervosismo, felicidade e uma vontade imensa de pisar o palco, cantar, sorrir, sentir e fazer sentir.
Hoje, sou fruto daquilo que semeei, sou fruto daquilo que me é inato e não só, sou fruto de todas as conversas, de todas as chamadas, de todas as tristezas, brincadeiras e de todos os sonhos que me fazem viajar no pensamento.
Vejo no Fado, uma forma de contar a minha história. Espero cantar um dia, a história que hoje guardo. O Fado é o meu destino em 4 letras.


Por: Luciana Silva

Humanização animal: necessidade ou perigo?

Abril 6, 2022 em Atualidade, Concelho, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Rita Pereira

A convidada do mês de Abril é Rita Pereira, natural de Barcelos e médica veterinária formada pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto. Tem especial interesse na área do comportamento animal, área na qual concluiu em 2020 o Curso Avançado Pós-Universitário dirigido pelo Centro para o Conhecimento Animal, em parceria com o Instituto Português de Psicologia e outras Ciências. Criou a Beehaviour, presente nas redes sociais, pela sua vontade de partilhar conhecimento e chegar a mais famílias, através de uma comunicação simples e de proximidade, porque acredita que o conhecimento pode, literalmente, salvar vidas. A trabalhar na área da saúde animal desde os 24 anos, a Rita lança uma questão polémica: será a humanização animal uma necessidade ou um perigo?

Segundo os dados do último estudo da Track.2Pets, mais de metade dos lares portugueses possuiu, pelo menos, um animal de estimação. O mesmo estudo também concluiu que eles são, cada vez mais, considerados elementos das nossas famílias, mas esta noção é diferente da humanização. A criação de vínculos emocionais fortes com os animais de companhia pode resultar sim numa maior consciencialização sobre tratar mais e melhor os nossos animais, garantindo-lhes conforto, bem-estar e cuidados de saúde. Então a humanização animal é benéfica e isto é um não assunto? Pelo contrário…


Quem nunca ouviu (ou disse) a frase “gosto mais do meu cão do que de muitas pessoas”? A presença de um animal de estimação nas nossas vidas é muitas vezes a lufada de ar fresco na correria do dia-a-dia e os benefícios desta convivência já estão mais do que descritos. Torna-se assim fácil (e quase automático) atribuirmos características humanas a um ser não humano, ou por outras palavras, a humanização (ou antropomorfização).  A humanização animal é o ato de atribuir características humanas a animais e agir como se estivéssemos a lidar com um humano. A ciência já comprovou que cães e gatos, por exemplo, são seres sencientes, completamente capazes de sentir e expressar emoções, mas cães não são humanos, gatos não são humanos. A questão resume-se a este ponto.

Se por um lado a humanização animal pode promover a empatia e catapultar, por exemplo, a luta pelos direitos animais, por outro lado poderá pôr em risco o seu bem-estar, ao não identificar nem satisfazer as necessidades animais deles. Um cão, se tiver opção, poderá percorrer vários quilómetros por dia, a explorar, em busca de alimentos, a farejar, escavar, procurar parceiro/a, contactar com outros animais, etc. Os comportamentos naturais de um gato vão incluir longas horas de caça (muitas delas falhadas), marcação territorial, arranhar, comportamentos de grooming e allogrooming (lambedura de si próprio e a outros gatos, respectivamente), procurar parceiro/a, entre outros. Estas necessidades são difíceis de assegurar e podem entrar em conflito com a humanização.


Nas minhas consultas, vejo inúmeros sinais de humanização. “Dra, ele é como um filho para mim!” ou perguntarem carinhosamente “quem é o amor da mamã?”. Estas afirmações são obviamente demonstrações de carinho e de forma direta não irão trazer consequências para o animal. O problema está na ausência de equilíbrio e aqui sim, poderão existir consequências reais na saúde física e emocional dos nossos animais.

Estou sim a falar de todos os dias vestir-lhe um pijama para dormir, dar-lhe banhos quase diariamente impedindo que tenha o seu odor natural (que contém feromonas muito importantes para a sua comunicação), alimentá-lo com guloseimas feitas para humanos, passeá-lo apenas no colo ou dentro de um carrinho, não permitir que interaja com animais da mesma espécie durante os passeios, … Por mais carinhoso e bem intencionado que possa ser, é importante compreender que um cão, gato ou outro animal de estimação não é um humano em ponto pequeno e tem necessidades espécie-específicas que devem ser respeitadas.

Reações cutâneas, infeções respiratórias, otites, transtornos gastrointestinais, intoxicações alimentares, intoxicações por medicamentos para humanos, obesidade, problemas de locomoção e sociabilização, desenvolvimento de quadros de ansiedade e problemas relacionados com a separação são apenas o início da lista infindável de possíveis consequências da humanização animal. Existem várias formas de demonstrar amor que não colidem com as necessidades dos animais, nem desrespeitam a sua natureza. Cada caso é um caso e os extremismos, em regra geral, não são boa ideia.
Convido-vos a refletirem comigo com um exemplo real: numa consulta a um paciente que estava ao colo, pedi à tutora para colocar o seu cão no chão. Ela ficou muito preocupada e disse-me “Não… Ele não pode ir para o chão porque fica sujo!”. Sei que é uma pergunta provocatória, mas um cão que vive no colo poderá expressar o seu comportamento natural? Um cão que não anda no chão, não fareja, não explora novos ambientes, sai de casa apenas no colo ou dentro de uma mala e que não interage com outros cachorros, será feliz?

O Artesanato e os Jovens

Março 7, 2022 em Atualidade, Concelho, Cultura Por barcelosnahorabarcelosnahora
Daniel Alonso

Daniel Alonso natural de Galegos Santa Maria, é o convidado a escrever o artigo do mês de março no espaço da Intensify World. Aos 35 anos decide fazer da adversidade da pandemia uma oportunidade deixando o ramo da hotelaria para dar seguimento a uma tradição familiar, a olaria.

Quando foi desafiado para escrever o artigo de opinião sobre o artesanato e os jovens prontamente respondeu positivamente ao desafio.

“Darem-me a oportunidade de expressar a minha opinião sobre este assunto, enche o meu coração de orgulho!

É também uma grande responsabilidade falar deste tema, mas somos nós os jovens que temos que assumir a nossa parte para dar a continuidade as nossas culturas e tradições.

Para falar de artesanato não nos podemos esquecer que muitos dos artesãos que conhecemos hoje em dia, na sua grande maioria foram ou são pessoas que não decidiram ser artesãos!

São pessoas que aprenderam uma profissão e que na sua altura seria a sua forma de subsistir e viver.

Com isto quero dizer que, com o passar do tempo foram pessoas que tiveram de se reinventar várias vezes, e de certa forma adaptar o que aprenderam para continuar a subsistir da arte que aprenderam. Pretendo que se entenda que não foram todos os trabalhadores das várias áreas do artesanato que se tornaram artesãos, mas sim aqueles que acreditaram e se souberam adaptar.

Esse longo percurso vincou e traçou a nossa cultura e muito daquilo que vemos representado no artesanato do nosso pais!

Isto leva me para o ponto para qual me convidaram para escrever!

Dizer que o presente e o futuro do artesanato dependem dos jovens está correto, no entanto não podemos esquecer que há um papel fundamental desempenhado pelas entidades competentes! Mas também não é da responsabilidade dessas entidades! Essas funcionam como pontes que ligam os artesãos da antiga com a nova geração, mas nunca poderão fazer o trabalho que tem que ser feito pelos novos artesãos. Esse trabalho a que me refiro são a criação, inovação, a reinvenção e a constante procura de novos mercados.

De importância semelhante ao que me referi nas alíneas anteriores, somos nós jovens que precisamos de olhar cada vez com mais respeito para artesanato e comprar o que é nosso. Assim, assumindo as redes sociais como um espelho da forma ideológica percentual da nossa sociedade, e em uma época em que vemos os utilizadores quererem ser mais autênticos e genuínos, pessoas que vão a lugares únicos e que têm gostos singulares dotados de opiniões tão próprias, proponho que vejamos no artesanato a oportunidade fabulosa de ter algo tão único, tão nosso. Do artesanato proveem produtos únicos que muitas das vezes, são tão ímpares como os gostos modernos, ou então… são personalizáveis e não se vendem em nenhuma “banal” multinacional. Reforço a ideia dizendo que se o produto for bem escolhido tenho a maior das certezas que será de qualidade superior á maior parte dos produtos que se encontram nas lojas da “moda”! Findo este tópico, dizendo que comprar artesanato não é engordar um ou vários multimilionários, mas sim dar um pouco mais de conforto a uma família tão normal como a nossa.

Compete a nós, novos potenciais artesãos, que partimos de forma diferente dos nossos ancestrais sabendo a realidade do artesanato dos nossos tempos, temos que nos adaptar da mesma forma aos tempos que presenciamos e temos que aprimorar a nossa perícia para agradar ao vasto leque de gostos do nosso público.

Será determinante acompanhar todos os tipos de mercado e assumir uma estratégia de publicidade para nos dar a conhecer ao mundo. Temos de acreditar no nosso produto e através da nossa originalidade, assumir uma presença no artesanato verdadeira e genuína. E quando vendemos artesanato, que cada venda não seja apenas uma venda mas sim um bocadinho de nós, da nossa marca, que vai com o cliente para sua casa!

Isto sem esquecer que muito do futuro do artesanato, passa com certeza pela honra e ética profissional, pois temos de criar as nossas vendas, e acarinhar os nossos companheiros de profissão pois sem eles não fazemos feiras e sem feiras não enchemos recintos, esta é também uma temática muito importante, não se pode olhar para outro artesão mesmo sendo da mesma área como concorrência, temos que conseguir perceber que quanto mais oferta, maior será a abrangência de publico. Ainda não senti na pele nenhum tipo de arrogância pelos companheiros, mas desengane-se quem achar que isso não acontece porque na minha opinião esse sentimento é tao antigo quanto a profissão, mas é tao errado como a idade que tem.

Em jeito de conclusão olho para o futuro do artesanato com bons olhos, acredito que este trabalho que tem vindo a ser feito para a preservação e divulgação do artesanato terá um bom impacto no eco do futuro e convido todas as gerações não só as mais jovens a virem viver o artesanato em qualquer exposição de norte a sul do país, brindem ao que é verdadeiramente nosso!

Uma opinião será sempre uma opinião nunca uma verdade assumida! Neste texto tentei expor alguns temas importantes para o futuro do artesanato português sem nunca pensar só em benefício próprio, mas sim como um todo. Amanhã se não fizesse parte do artesanato português a opinião seria a mesma.”

Por: Daniel Alonso

Dinamismo social entre estudantes

Fevereiro 2, 2022 em Atualidade, Concelho, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
João Fernandes & Diogo Araújo

João Fernandes e Diogo Araújo são alunos do curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) e convidados a escrever o artigo do mês de fevereiro no espaço da Intensify World. Iniciaram e deram seguimento a um projeto que venceu recentemente o prémio “Valor Santander/IPCA”.

João Fernandes

João Fernandes, 23 anos, aluno do curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA). Durante os meus anos académicos, sempre tive a ambição de desenvolver competências e aptidões não só a nível pessoal e profissional, mas também embutir essa vontade nos meus colegas.

No meu primeiro ano de faculdade, reparei quase imediatamente, que entre os alunos do meu curso havia falta de vontade de fazer algo para além das unidades curriculares. Visto isto, optei por ter uma atitude motivadora de forma a tentar criar nos meus colegas, a ambição de fazerem mais atividades enriquecedoras e que no futuro fosse uma mais-valia na sua carreira profissional e pessoal.

No final do meu primeiro ano de faculdade, ganhei uma perspetiva diferente em relação ao percurso académico e comecei a notar em certos pormenores que pareciam ser recorrentes todos os anos. Grande parte dos alunos não demonstra interesse em participar nas atividades extracurriculares de forma a adquirir espírito de trabalho em equipa e a sua componente social era muito baixa. Com isto, comecei a incentivar o trabalho em equipa, estimular o estudo em conjunto, assim como a criação de workshops para melhorar o aproveitamento em unidades curriculares. No entanto, o facto de eu criar esta iniciativas não foi suficiente pois havia na mesma uma taxa de participação baixa em atividades não organizadas pelo curso. Por essa razão idealizei atividades em que eles com pouco conhecimento adquirido, poderiam causar impacto social gigante na comunidade, alcançando assim uma capacidade critica de situações do foro escolar e melhorando o seu valor intrínseco.

Tendo participado em edições anteriores da oficina do brinquedo, eu percebi que esta era a atividade perfeita para motivar os alunos. Devido à pandemia, esta atividade tinha sido posta de parte por tempo indefinido.

A oficina do Brinquedo realiza-se à alguns anos, tendo como finalidade a adaptação de Brinquedos para crianças com incapacidade motora e/ou cognitiva. Contudo, eu e o Diogo, apercebemo-nos que este tinha potencial para ir além da finalidade acima referida, devendo abarcar iniciativas com maior impacto social ,para isso, envolver pessoas e associações externas ao IPCA.

Neste sentido, com o apoio da comunidade do IPCA, a Oficina do Brinquedo não vai apenas restringir-se à adaptação de brinquedos, mas vai envolver:

  • Campanha para angariação de brinquedos antigos e novos;​
  • Adaptação de brinquedos para crianças com deficiência motora e/ou cognitiva;​
  • Reparação de Brinquedos antigos/novos para doação;​
  • Elaboração de controladores de videojogos para pessoas com deficiência motora e/ou cognitiva;​
  • Elaboração de controladores de computador para pessoas com incapacidade;​
  • Aquisição de competências técnicas de modo que os adolescentes possam experienciar a Engenharia Eletrotécnica e o ensino superior;​
  • Desenvolver as competências técnicas, redes de contacto e aumentar a participação dos alunos de engenharia em eventos;​
  • Possibilidade de os alunos começarem a desenvolver projetos para ganhar experiência;​
  • Incentivar e demonstrar aos adolescentes da ASAS da possibilidade do ensino superior;
  • Ensinar os jovens da ASAS sobre os básicos das componentes técnicas da eletrónica possibilitando que estes possam arranjar emprego na área facilmente;
  • Dar a possibilidade aos jovens da ASAS fazerem a manutenção e consertar os brinquedos dos colegas mais novos, aumentando assim a sustentabilidade da instituição e o aperfeiçoamento das suas competências eletrónicas;
  • Elaboração e divulgação de um vídeo tutorial sobre adaptações de brinquedos/controladores de videojogos para que qualquer pessoa com pouco ou nenhum conhecimento eletrónico consiga aprender e elaborar controladores adaptados para os seus familiares e/ou amigos.

O alargamento da Oficina do Brinquedo à dimensão do ensino da eletrónica e da reparação aos jovens da ASAS visa responder a uma necessidade que detetamos: capacitar os jovens com dificuldades socioeconómicas, que são um pouco esquecidos pela sociedade devido a já não serem crianças, e mostrando-lhes também que a sociedade se importa com eles e que lhes fornece as ferramentas necessárias para que qualquer pessoa ,independentemente do seu trajeto de vida, possa ter sucesso académico e boa integração profissional..

É neste contexto que decidimos ensinar os jovens das ASAS a fazer reparações eletrónicas, podendo-lhes abrir a porta a um emprego na área (sabemos bem que esta é uma área carenciada) fornecendo assim a independência e estabilidade económica que muitos anseiam ter, bem como a possibilidade de conhecerem o ensino superior e que existem mecanismos de apoio (bolsas) caso ingressem no ensino superior e que o conhecimento é uma arma muito poderosa que lhes possibilitará chegar mais longe.

Para alem disto, permitimos que na ASAS, estes jovens possam fazer a manutenção ou reparações eletrónicas o que lhes permite ganhar autoestima, respeito por eles próprios bem como ajudarmos a instituição a ser mais sustentável.

Relativamente a APAC e a ASAS, estas instituições mostraram-se extremamente apoiantes dos nossos projetos, demonstrando a APAC interesse nos controladores de consola que esta a ser elaborado por mim e também propôs outros projetos que os alunos poderiam fazer de modo que estes pudessem ganhar currículo e ajudando assim a comunidade.

Sendo muito importantes os objetivos acima referidos, julgo que o principal objetivo da Oficina do Brinquedo é permitir aos alunos do curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores desenvolver competências adquiridas colocando-as ao serviço do outro, satisfazendo as suas necessidades e também aprofundar competências que serão importantes para o futuro, designadamente, para ingressar no mercado de trabalho.

O que pretendo com este projeto é demonstrar que os alunos de EEC e do IPCA querem ajudar as pessoas com soluções eletrotécnicas, e que estas possam permitir que todos, independentemente das suas características e necessidades, possam delas beneficiar. Com o valor de 1700 euros ganho no Prémio valor Santander/IPCA pretendo financiar a adaptação de comandos para jovens da APAC bem como financiar outros projetos.

No entanto admito que nada disto seria possível sem ajuda dos meus colegas, mas especialmente de um, o Diogo Araújo, o qual vai continuar com esta iniciativa para o ano e continuar a incentivar e cativar alunos para participarem.

A educação e o conhecimento transformam realidades e faz de pessoas, cidadãos.

Diogo Araújo

Sou o Diogo Araújo, tenho 22 anos e frequento o curso em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA). O João ao visionar as minhas capacidades de comunicação e aptidões, pediu para dar continuidade ao seu projeto, onde contribui significativamente no mesmo.

Desta forma, cativei os alunos do curso a participarem nas atividades extracurriculares, fazendo com que adquirissem um espírito de trabalho e um aumento na sua componente social. Com isto, realizei workshops de forma a melhorar o aproveitamento das unidades curriculares, assim como a criação de salas de estudo coletivas, permitindo assim uma melhor aprendizagem aos alunos.

Com a realização da Oficina do Brinquedo, com a ajuda do João, sendo esta embarcada num impacto extrínseco, envolvendo associações externas ao IPCA, permitiu aos alunos do curso em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, desenvolverem capacidades, de comunicação e entreajuda ao relacionarem-se diretamente com os jovens da ASAS.

Com isto pretendo dar continuidade ao nosso projeto, dando uma maior dimensão e alcançando uma maior panóplia de pessoas.

O meu projeto de final de curso, por sua vez, contribuirá num projeto dedicado única e exclusivamente para as instituições da ASAS e da APAC, que permitirá, a inclusão de um jogo por realidade aumentada, de forma a ajudar os jovens das instituições. Desta forma, pretendemos a criação de um elo de ligação entre a instituição académica e as instituições externas.

Por: João Fernandes & Diogo Araújo

Um Novo Desafio

Janeiro 1, 2022 em Atualidade, Concelho, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Susana Barbosa

A convidada a escrever o artigo do mês de Janeiro no espaço da Intensify World é Susana Barbosa, natural de Macieira de Rates, com 21 anos é licenciada em Gestão pela Universidade do Minho. Atualmente, frequenta o Mestrado de Finanças e Fiscalidade na Faculdade de Economia do Porto e assumiu recentemente o cargo de Secretária no Executivo da Junta de Freguesia de Macieira de Rates.

As eleições autárquicas de 2021 foram as primeiras autárquicas em que votei, dado que, nas anteriores, ainda não tinha atingido a idade legal para exercer o meu direito de voto.

Aquando da constituição das listas para as eleições, fui convidada para integrar a lista do nosso Presidente, José Padrão. Fiquei muito feliz pelo convite, mesmo ainda sem imaginar o que viria pela frente. Aceitei de imediato e participei em vários momentos da campanha eleitoral, realizados na Freguesia.

Terminada a campanha eleitoral e passado o dia de voto, com uma vitória inquestionável para a lista que fazia parte, surge o convite para fazer parte do Executivo da Junta de Freguesia, para o mandato de 2021-2025.

Confesso que no momento em que falaram comigo, fiquei perplexa. Senti um misto de emoções e quando me perguntaram o que tinha a dizer, mesmo sem estar ainda 100% consciente da proposta, aceitei de imediato, sem hesitar.  No entanto, sabia que seria uma responsabilidade e um desafio como nunca antes vivi! Senti, com esta proposta, um enorme voto de confiança.

Estava ciente de que nunca estamos preparados para estes cargos, mas com humildade e vontade de aprender seria mais fácil a adaptação. Tal como me disseram, nestes cargos não existe idade ideal nem status social, mas existe a nossa entrega e desempenho para com o cargo.

Têm sido sobretudo meses de muita aprendizagem e de perceção do quão complexo pode ser o trabalho por detrás de uma Junta de Freguesia. De facto, poucas são as pessoas que têm perceção da complexidade deste trabalho. Existem inúmeras burocracias associadas, por isso, nem tudo é linear ao ponto de hoje surgir uma ideia e amanhã colocá-la em prática.

Neste sentido, tenho dado o meu melhor, com total empenho, cumprimento do cargo e com um espírito de missão.

Há que salientar que o meu lugar neste Executivo surgiu em consequência da lei da paridade, que obriga a que a lista proposta tenha, no caso particular do Executivo, pelo menos uma mulher. Assim sendo, para eu entrar alguém teve de sair. Alguém a quem eu gostaria de deixar um reconhecimento, pela sua coragem de ter saído de um projeto que era seu há oito anos e que poderia ser durante mais quatro. Alguém que teve a humildade de perceber que poderia ser o membro do Executivo com menor disponibilidade, por motivos profissionais. Por isso, Obrigada Dinis, por tudo o que fez pela Freguesia, por tudo o que ainda continua a fazer e por ser a excelente pessoa que é!

Não obstante, não poderia deixar de agradecer aos meus colegas de Executivo que têm sido incríveis comigo, na forma como me têm integrado e ajudado a perceber melhor toda a dinâmica envolvida num Executivo. Mas numa Junta não nos podemos esquecer das pessoas que são contratadas para nos ajudar. A nível interno, temos o caso da nossa administrativa, que também me tem ajudado imenso a compreender melhor o modo de funcionamento de uma Junta de Freguesia.

Além disso, há ainda que destacar aqueles que colaboram com a Junta de Freguesia no exterior e que revelam ser peças fundamentais para o seu bom desenvolvimento e para a sua preservação.

Quanto ao meu futuro, só o tempo dirá o que me reserva. Sou apenas uma jovem com 21 anos, estudante, com muitas ambições, mas que ainda procura o seu rumo a nível profissional.

Seja qual for o Futuro, que seja ainda mais incrível!

A Magia do Natal

Dezembro 5, 2021 em Atualidade, Concelho Por barcelosnahorabarcelosnahora
Joana D’arc

Este mês de dezembro a convidada para escrever no espaço da Intensify World é Joana D’arc, natural de Barcelos e artista de profissão. Um percurso marcado pela luta e persistência. Ganhou muita visibilidade na animação de casamentos e batizados no seu tempo de jovem. Hoje em dia já com 2 álbuns lançados e o terceiro a caminho é presença assídua em espetáculos e televisão onde leva as tradições de Portugal mundo fora.

Resolvi dedicar-me a escrita, podia ter escolhido o tricô ou o crochet, porque causam as mesmas dores lombares e cervicais, mas achei por bem, que seria mais fácil rasurar um papel.  Como que, uma folha de uma árvore que tropeça no ramo e cai ao chão e coloca cor no paralelo, decidi passar para palavras o que é a Magia. Dar voz ao coração.

E tenho saudades do Natal. Saudades dos abraços, saudades dos desejos, saudades e ansiedade em não desapontar quem amo!

Saudades de uma mesa-redonda cheia, das corridas pela casa das crianças, saudades do cheiro das fatias douradas, do estalar do champanhe, saudades das cantorias em coro, sim aquela prima que canta sempre em agudo e estoira os ouvidos, também tenho e saudades das batotas no jogo da “bisca”.

Pois bem, quero o meu Natal! Quero o conforto dos que me são próximos, quero conseguir que sorriam, porque cada sorriso roubado, cada carinho, cada mimo que proporciono é um presente que se desembrulha. Os anos permitiram que fosse brindada com estes inúmeros presentes, mas nunca chega o retribuir. Nunca é suficiente.

Por isso, no meu Natal, vou acolher e abraçar com o coração todos os que têm a sua estrela do pinheiro um pouco na penumbra, escurecida! A minha mão está cá, segura a tua! Que assim seja em todos os natais! Desejo que a felicidade não dependa do tempo, nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro. Que ela possa vir com toda a simplicidade, de dentro para fora, de cada um para todos. Que as pessoas saibam falar, calar e acima de tudo ouvir. Que tenham amor ou então sintam falta de não o ter. Que tenham ideias e medo de perdê-lo. Que amem o próximo e respeitem a sua dor. Para que tenhamos certeza de que ser feliz sem motivo, é a mais autêntica forma de felicidade.

E isto devo a vocês! E muito! Por todas as oportunidades que me proporcionaram, aos locais que permitiram o meu crescimento e se faz favor, limpem as chaminés isto das quarentenas de certeza que entregou ao pai natal uns 5/6 kgs! Tocou a todos.

Entreter Pessoas Online e Offline

Novembro 1, 2021 em Atualidade, Concelho, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Nelson Ferreira

Nelson Ferreira, mais conhecido por Zé Laustibia no mundo do espetáculo, é natural de Braga e é uma referência no mundo da animação online e ao vivo. Agora com 37 anos, tendo começado aos 27, com dois projetos que lhe deram bastante projeção na área do entretenimento em portugal. A sua personagem de nome Zé Laustibia é referencia no mundo dos casamentos, e como Nelson no projeto do Youtube “NãoQueresNada”, ambos os projetos marcaram o humor em Portugal em áreas diferentes, mas tudo começou online.

Em setembro de 2011 era criada uma personagem no Facebook no qual se atribuiu o nome de Zé Laustibia, ainda sem uma ideia definida de qual seria o papel dessa personagem, já se sabia que era algo direcionado com piada. Mas em conversa com mais três amigos sobre o assunto, criou-se uma segunda ideia já com algo definido, os “NãoQueresnada”, que acabaram por criar analises a vídeos cómicos e paródias musicais. Poucos vídeos depois a personagem Zé Laustibia começou a criar vídeos de dança que atingiram bastante sucesso em Portugal e no Brasil.

E pouco a pouco os dois projetos ganharam visibilidade, ambos na área na comédia, mas sem nenhum de nós ser comediante na altura, eramos 4 amigos, o João o Filipe o Jorge e Eu que tinham uma boa interação e eramos naturais a falar entre nós nos vídeos, parecendo “conversas de café”.

Até que em 2017 criamos o primeiro episódio da “Batalha das Piadas Secas” no canal Youtube dos NãoQueresNada, logo aí foi um tremendo sucesso a nível nacional, toda a gente via e devorava os nossos episódios, semanalmente lançávamos um episódio entre 5 a 10 minutos que atingia milhares de visualizações instantâneas. E mesmo sem grande parte da equipa ter grande experiência em contar piadas ou ser humorista, a ideia vingou.

E a meu ver porque é que a ideia foi um sucesso que se auto sustentou por dois anos e meio?

Vivemos numa era cada vez mais digital, e em que as redes sociais tem um grande papel, e praticamente toda a gente tem um telemóvel e vê conteúdos em todo o lado. E para isso os conteúdos têm que ser curtos e diretos. E o humor por cá em Portugal era feito por verdadeiros artistas de standup na altura, que criavam também conteúdo para a internet, mas que eram “engolidos” pelas dezenas de youtubers que produziam conteúdo não tão completo a nível de humor, mas que eram apelativos visualmente e eram interativos. Penso que viemos um pouco unir as duas partes com as nossas piadas secas.

Primeiro porque toda a gente conhece uma piada seca, ou tem uma piada favorita que guarda para contar em um jantar ou convívio, que de ser tão seca, consegue colocar todos a rir, mesmo não tendo piada nenhuma. Ou seja, o publico gosta destas piadas porque são curtas e a maior parte fáceis de decorar e contar, sem ter grande experiência no assunto.

O segundo ponto foi a edição dos vídeos, mesmo não tendo uma resolução e uma qualidade de imagem ao nível dos youtubers portugueses, era sem dúvida apelativa, colocávamos zoom em partes que eram importantes, efeitos de vídeo a saltar na imagem consoante o que se passava. E como gravamos em estúdio, o som, era claro limpo e com qualidade, se calhar o que tinha mais qualidade no vídeo. Não parece, mas perceber a piada logo ajuda na fluidez no vídeo. E uma característica na edição que era trabalhosa e que era a “cereja no topo do bolo” da parte da edição de vídeo era as legendas, podiam ver os nossos vídeos mesmo sem som, ou tendo algum problema auditivo, algo que na altura era raro se fazer cá em Portugal, legendar os conteúdos do Youtube. Chegamos a receber elogios de pessoas sobre o trabalho que tínhamos a legendar os vídeos, e que como eram surdo-mudas, tinham conteúdo português de Portugal legendado.

E o por último o que resultou mesmo, e que é a base, sermos quatro amigos que contam piadas e reagem as mesmas piadas de um modo natural.
Acho que este é o ponto que revolucionou na altura a maneira de ver as piadas secas. Porque grande parte das piadas eram retiradas da internet, algumas eram alteradas para caber no tema dos episódios e também tínhamos algumas criadas por nós. Mas muitas eram já conhecidas, mas as nossas reações ao entender ou a não entender as piadas eram extremamente engraçadas. Porque o frente a frente que usávamos nas piadas obrigava a olhar olhos nos olhos, e a reação saia naturalmente. E depois cada um de nós tinha gostos diferentes das piadas, e o que acontecia era que um se ria muito, outro não se ria outro colocava as mãos na cabeça e até ia as lagrimas.

A combinação de isto tudo fez com tivéssemos criado mais de 50 episódios, e todos acima das 100 mil visualizações. Viemos de 900 subscritores até aos 150 mil subscritores no Youtube em menos de um ano. E acabamos por lançar dois livros de piadas secas nos últimos 3 anos.

E o Zé Laustibia?

O Zé Laustibia durante os últimos 10 anos esteve em paralelo com os NãoQueresNada, mas saiu do Youtube e foi mais para as atuações ao vivo. Passei pela rádio onde aprendi a comunicar, festas populares onde contava umas piadas e acabei nos eventos, nomeadamente os casamentos. Vivo da animação desde 2017 e aprendi muito com as pessoas nos últimos 10 anos, porque não tive formação para o efeito, mas usei partes que já usava no projeto da batalha das piadas secas. A naturalidade no humor que faço, com piadas pequenas e muito improviso. Apesar de não ser artista de standup, uso o humor de forma diferente, de uma forma faseada e muito improvisada, por isso a área dos casamentos é a que gosto mais de trabalhar, pois as pessoas estão prontas para se divertir, mas também não querem ser incomodadas, por isso sempre que tenho um evento, vejo as pessoas com quem estou a interagir, tento perceber até que ponto posso contar piadas e o tipo de piadas que uso. E tento muita das vezes fazer com que a pessoa com quem falo ou conto, faça parte da piada.

Divertir sem chatear!

Em ponto de resumo nesta parte do humor seja online, seja offline. O que resulta para mim e que vejo que é cada vez mais utilizado é o que sai natural e direto. Para isso é preciso fazer uma análise para quem nos queremos dirigir e ir adaptando o conteúdo  mediante com quem estamos a lidar, e tentar não forçar, pois a quem nos dirigimos pode se sentir incomodado e isso não é de todo o pretendido.

Por: Nelson Ferreira

Visão do Empreendedorismo

Outubro 1, 2021 em Atualidade, Concelho, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Daniela Vieira

Daniela Vieira, natural de Barcelos, recém licenciada em Organização e Gestão Empresariais pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo, com o sonho de empreender e tornar sonhos de infância realidade, é a convidada a escrever o artigo do mês de outubro no espaço da Intensify World.

Recentemente venceu o prémio regional do Poliempreende e tem como objetivo continuar este projeto que reúne sonhos e muito trabalho. Com vinte anos reúne toda a ambição para lutar por aquilo que acredita e força para qualquer obstáculo que tentar interferir com os seus objetivos.

Visão do Empreendedorismo:

O empreendimento é visto, por muitos, como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento de um país e, com a situação vivida atualmente, este conceito ganha dimensões cada vez maiores.

Com o intuito de valorizar o empreendimento, apoiar a inovação e a capacidade de adaptação às necessidades de mercado, foi criado o Poliempreende, em 2003 – uma atividade que reúne diversas instituições de ensino superior e premia projetos desenvolvidos e apresentados por alunos que integram ou integraram as instituições integradas nesta iniciativa. Assim sendo, o assunto a abordar foi a minha participação na primeira fase do concurso – fase regional – e, por surpresa, a passagem à fase nacional, realizada no Politécnico de Santarém.

No que diz respeito ao empreendedorismo, tive a sorte de fazer parte de uma instituição (Instituto Politécnico de Viana do Castelo – Escola Superior de Ciências Empresariais) que procura trabalhá-lo ao longo do percurso académico e que cria oportunidades para os alunos levarem a cabo as sua ideias. A minha ideia de projeto surgiu da necessidade de criar uma empresa fictícia para desenvolver ao longo da licenciatura em Organização e Gestão Empresariais, tarefa incluída numa unidade curricular do curso.

A ideia consiste na criação de uma empresa que desenvolve o design, a produção e a venda de jóias de luxo, com uma vertente sustentável, através da utilização de ouro reciclado e, quando utilizados diamantes, este serão de origem laboratorial. Foi a necessidade de criar um projeto e o meu gosto pelas joias, que deram origem a este projeto que pretendo trazer à realidade. Um dos objetivos que este projeto tem é dar enfase no trabalho feito por artesãos joalheiros, que dedicam o seu tempo a transformar metais preciosos em autênticas obras de arte que podem ser utilizadas por todos.

O processo de criação deste projeto foi exigente no melhor sentido, uma vez que permitiu perspetivar ao pormenor os fatores que influenciam a criação de uma empresa e ter uma noção dos entraves a diferentes níveis.

No meu ponto de vista, as gerações mais jovens, deveriam ter contacto com disciplinas de empreendimento e de gestão uma vez que, com o aumento da exigência do mercado de trabalho, é preciso, muitas vezes, procurar alternativas inovadoras.

O maior desafio deste projeto foi sem dúvida entender todo o processo produtivo desde o design à produção das jóias, o que se tornou extremamente gratificante e o meu fascínio pelo tema aumentou ainda mais.

Depois de encerrado todo o concurso, tanto a nível regional como nacional, posso concluir que toda esta iniciativa de implementar o empreendedorismo nas gerações futuras é magnifica e necessária, para além de permitir que haja um brainstorming com um impacto gigante, criando sinergias nunca antes previstas.

Foi imensamente compensador passar por esta experiência e irei levar para toda a minha vida o lema de que apesar da competição, o que realmente conta é a capacidade que temos de nos adaptar e as pessoas que nos ajudam a lutar pelos nossos objetivos.

Por: Daniela Vieira

Erasmus + 2021-2027, enriquecer vidas, alargar horizontes.

Setembro 1, 2021 em Atualidade, Concelho, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Nuno Varajão Barbosa

Nuno Varajão Barbosa é o convidado a partilhar a sua opinião no mês de setembro no nosso espaço. Licenciado em Gestão no Instituto Superior de Gestão – Lisboa, é Docente e Formador nas áreas da Economia, Gestão e Marketing nos últimos 27 anos, tem conhecimento das necessidades educativas e da formação em contexto de trabalho em Portugal e nos países da União Europeia. Criou três Clubes Europeus em diferentes Instituições de Ensino e é Presidente da Mobility Friends desde a sua fundação. A participação e coordenação de vários projetos internacionais no âmbito do Erasmus +, permitiu construir uma extensa rede de contatos a nível local e internacional.

Criado em 1987, o programa foi buscar o nome ao filósofo, teólogo e humanista Erasmo de Roterdão, que apesar do nome ligado à cidade holandesa, foi muito mais alma itinerante do que homem de um lugar só. Erasmus funciona também como acrónimo para ‘European Community Action Scheme for the Mobility of University Students’, ou, em português, Plano de Ação da Comunidade Europeia para a Mobilidade dos Estudantes Universitários.

No dia 25 de março de 2021, a Comissão Europeia apresentou oficialmente o novo programa Erasmus+ para o período de 2021-2027, dotado de 26,2 mil milhões de euros. Comparando com os 14,7 mil milhões de euros do período de 2014-2020, o novo e reformulado programa, financiará projetos de mobilidade para fins de aprendizagem e de cooperação transfronteiras abrangendo dez milhões de europeus de todas as idades e de todas as origens.

O programa vai tentar ser ainda mais inclusivo e apoiar as transições ecológica e digital, como previsto no Espaço Europeu da Educação, e apoiará igualmente a resiliência dos sistemas de educação e formação face à pandemia.

O novo Erasmus+ oferece oportunidades para períodos de estudo no estrangeiro, estágios, aprendizagens e intercâmbios de pessoal em todos os domínios da educação, formação, juventude e desporto.

O esforço de resiliência do Erasmus+ no contexto da pandemia mobilizará centenas de milhares de escolas, instituições de ensino superior, institutos de formação profissional, professores, jovens, organizações de juventude e desportivas, sociedade civil e outras partes interessadas.

O Programa contribuirá para acelerar novas práticas que melhoram a qualidade e a pertinência dos sistemas de educação, formação e juventude na Europa, a nível nacional, regional e local.

Como a pandemia de Covid-19 aumentou as desigualdades, sobretudo entre os jovens,   o princípio de solidariedade tem que ser a razão de ser da acção do Erasmus + 2021-2027. E importante que as organizações que trabalham com pessoas que têm menos oportunidades de acesso ao programa Erasmus+, consigam expandir a participação de pessoa provenientes de meio socioeconómicos desfavorecidos, pessoas que vivem em meios rurais ou isolados, ou ainda pessoas com necessidades educativas especiais.

A Mobility Friends no período de 2021-2027, continuará a abrir horizontes para milhares de jovens e adultos, proporcionando todas as condições para que realizem as suas mobilidades com sucesso, em Portugal ou no estrangeiro.

Como entidade de acolhimento, recebemos mais de 20.500 participantes, nas cidades de Barcelos, Braga, Esposende, Póvoa de Varzim, Lisboa, Portimão e Funchal, desde o mês de maio de 2012, contribuindo para o enriquecimento cultural, profissional e pessoal de pessoas provenientes dos seguintes continentes: Europa, Ásia, África e América.

Os projetos no âmbito do Erasmus Capacity Building, permitem à Mobility Friends ou a qualquer outra organização de aumentar a capacidade de trabalhar e cooperar globalmente. É uma das poucas ações Erasmus + que têm como alvo países fora da UE.

Como entidade de envio, a Mobility Friends proporcionou no ano de 2019, uma formação em contexto de trabalho (estágio) durante 3 semanas na Polónia, a 60 alunos e 6 professores da Escola Secundária Rocha Peixoto, Escola Secundária de Barcelinhos e Escola Secundária Alceides de Faria. No ano de 2021,  45 alunos e 6 professores da Escola Secundária Rocha Peixoto, Escola Secundária de Barcelinhos e Escola Profissional de Esposende, vão participar também numa mobilidade de três semanas na Bulgária.

A Mobility Friends durante os últimos nove anos tem criado sonhos e contribuído para uma “Geração Erasmus”, enriquecendo vidas e alargando horizontes.

Os parceiros locais privados e públicos têm tido um papel muito importante no suporte de todas as atividades dos participantes da Mobility Friends, participando também com os seus colaboradores, nas mobilidade no exterior, no âmbito dos nossos projetos de parceria com inumeras organizações estrangeiras.

Agradecemos também aos parceiros locais que acolhem os participantes da Mobility Friends com necessidades educativas especiais, contribuindo assim para a inclusão de todos no Erasmus +.

Vamos continuar a divulgar as marcas “Barcelos” e “Portugal”, no papel de embaixadores dos Barcelenses, levando a todos os cantos do mundo a Lenda do Galo, o Figurado, a Cerâmica, a Feira Semanal, a Festa das Cruzes, o Caminho de Santiago, a história, a cultura, a gastronomia,  e a hospitalidade das gentes de Barcelos, porque Barcelos foi, é, e será, território com Identidade Europeia.

Se é Jovem ou adulto, deve aproveitar as oportunidades do Erasmus + 2021-2027, saia da sua zona de conforto, pois mais do que um programa, “o Erasmus é uma atitude”.

Por: Nuno Varajão Barbosa – Licenciado em Gestão, Professor e Presidente da Mobility Friends.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Ir Para Cima