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Karol Brozek

Karol Brozek: «Adoro Portugal e sei, com toda a certeza, que voltarei!»

Setembro 5, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Educação, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Karol Brozek

Olá! O meu nome é Karol. Sou da Polónia e sou voluntário. Trabalho na SOPRO, uma organização de solidariedade, vivo em Portugal há quase um ano e estou aqui num projeto de SVE (Serviço Voluntário Europeu).



A decisão de ser um participante neste tipo de projetos foi tomada depois de um grave acidente. Após este acontecimento, senti que tinha ganho uma nova oportunidade na vida e cresceu em mim a vontade de fazer algo bom por outras pessoas sem pensar em benefícios próprios. E no fim, esta decisão deu-me muito mais do que esperava. Deu-me muitos amigos incríveis, autoconfiança e um bocadinho de responsabilidade (não muita, porque sou uma pessoa que opera mais em sentimentos e emoções do que em trabalhos que necessitem de organização e racionalização). Neste artigo gostaria de vos contar um pouco sobre as minhas experiências, aventuras e o que senti em Barcelos e em Portugal.

Escolhi Portugal, maioritariamente, por uma única razão: vocês têm o melhor jogador do mundo de futebol e eu sou um fanático por este desporto em especial. Um dos primeiros grandes torneios foi o Euro 2004. Lembro-me dos primeiros jogos do vosso ídolo, Cristiano Ronaldo, e lembro-me também da final infeliz contra a Grécia. Após 15 anos, senti a necessidade de ver os mesmos estádios e cidades que vi na televisão quando era criança. Algo que me surpreendeu bastante e pelo qual não esperava era que, aqui, todos fossem grandes entusiastas em relação ao futebol, até as mulheres! Gostei muito disso. Para mim, é realmente espetacular poder falar com todos sobre futebol. O meu clube favorito é o Gil Vicente e acredito que nesta época eles consigam jogar com o Benfica ou com o FC Porto e até ganhar, e quem sabe, até ser campeão português.

Gosto mesmo muito dos portugueses por serem muito amáveis e ajudarem sempre que podem. Posso descrever isto que acabei de referir com um exemplo muito simples. Se estiveres na rua, na Polónia, e vires outras pessoas, se continuares a sorrir, provavelmente vais reparar que a pessoa para quem sorrias desviou o olhar para o chão com alguma vergonha. Aqui em Portugal, na mesma situação e após alguns instantes, são amigos. Respeito muito isto pois apesar de Portugal não ser o país mais rico do mundo, todos vivem com um sorriso na cara.

Portugal tem também doces e pratos muito bons! O pastel de nata, para mim, é já um clássico português que adoro. A francesinha é muito boa também! Eu adoro peixe, por isso, também aprecio bacalhau, mas para ser honesto, não percebo o seu fenómeno. Talvez tenha vivido pouco tempo em Portugal para o compreender. Relativamente à língua portuguesa, esta é bastante complicada, mas com a ajuda que fui recebendo, já compreendo algumas coisas. No início, não conseguia reconhecer quando uma palavra terminava e outra começava. Para mim, era algo como “eszzszszszeszszszczszzse”. Agora, está bastante melhor!

Outra coisa que apreciei muito em Portugal é o facto de os portugueses viverem com pessoas de diversos países, como por exemplo, Brasil, Venezuela e Cabo Verde, sem conflitos supérfluos e desnecessários. Na Polónia, penso que uma vivência semelhante traria situações bastante diferentes.

Algo que me surpreendeu muito foi o facto de Portugal não apresentar temperaturas de -20 °C, como na Polónia, e, mesmo assim, eu podia ter congelado durante o inverno! Não esperava isto. Achava que seria sempre um tempo incrível e ameno.

Em Barcelos, o que mais gosto é da bonita ponte velha e da pequena e encantadora biblioteca. O dono teve uma ideia de génio. O espaço de leitura com ar fresco e vista incrível fascinam-me.

Relativamente ao meu projeto de SVE, no início, tive algumas tarefas na Ludoteca do Colégio La Salle. Eu e um amigo meu da Polónia preenchíamos o tempo livre dos alunos do Colégio. Esta foi uma experiência nova para mim, que me permitiu conhecer melhor os alunos e partilhar experiências com eles. Trabalhei na ludoteca durante 2 meses e após esse período, o meu amigo da Polónia decidiu voltar para a terra natal. Na mesma altura em que o meu amigo partiu, chegou um novo voluntário à SOPRO, vindo da Turquia. Juntos, fomos trabalhar para a Loja Social de Esposende. Adorei o conceito desta loja! Aqui, não existe dinheiro, mas sim, créditos. As pessoas podem doar alimentos e roupa e receber em troca outro tipo de bens. Isto quer dizer que alguém que necessite, por exemplo, de uma camisola para o inverno, pode ir à loja, trocar t-shirts de verão por créditos e, com esses créditos, levar a camisola de inverno. Após este tempo na loja social, ocorreu o enorme tornado em Moçambique. Nessa altura, todos os membros da SOPRO focaram-se em ajudar as pessoas de lá. Fiquei bastante surpreendido quando vi muitos portugueses a doar produtos úteis, que enviámos para Moçambique. Às vezes penso que os portugueses nasceram para uma coisa: ajudar os outros.

Vi muitos locais bonitos em Portugal, mas o meu preferido é a cidade do Porto. Decidi que outra forma de conhecer Portugal, e também Espanha e as suas pessoas, seria ao realizar o Caminho de Santiago a pé. A viagem demorou 6 dias e trouxe algumas dificuldades (a principal foi ter de fazer parte do caminho com apenas uma perna). Esta foi uma ótima experiência que me fez sentir confiante e poderoso. Este foi o início dos meus treinos. Após esta viagem, decidi participar numa maratona. A 3 de novembro de 2019, em Istambul, irei participar na minha primeira maratona, por isso, cruzem os dedos por mim.

Calma, calma, calma – é a palavra que mais vezes ouvi. Eu gosto deste estilo de vida calmo. Como se estivéssemos em férias constantes. Talvez no supermercado seja ligeiramente problemático, mas não posso reclamar.

Para resumir, adoro Portugal e sei, com toda a certeza, que voltarei!

Adeus!

Por: Karol Brozek*.


**Note-se que esta notícia foi escrita em inglês pelo voluntário Karol Brozek e traduzida pela voluntária da SOPRO, Margarida Pereira.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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