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Nuno Dantas

Tradição homofóbica em Barcelos ainda é o que era

Julho 24, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Entrevistas, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

MP e Bárbara lutam pelos direitos das pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo 

Nuno Dantas

Portugal continua a ser um país homofóbico. A denúncia é feita pela ILGA Portugal, num relatório apresentado no mês passado, segundo o qual o país precisa de outra lei antidiscriminação, recolha de dados oficiais, outro sistema de registo de denúncias e formação para os funcionários públicos.



Apesar de reconhecer que a realidade dos direitos das pessoas LGBTI (Lésbicas, Gay, Bissexuais, Trans e Intersexo) melhorou em Portugal, a associação aproveitou o Dia Internacional contra a Homofobia e a Transfobia – assinalado a 17 de maio – para divulgar o segundo relatório de acompanhamento à recomendação do Conselho da Europa para a adoção de medidas de combate à discriminação em razão da orientação sexual ou da identidade de género.

A recomendação é já de 2010, mas, passados estes anos, a ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo) lembra que as sugestões feitas na altura continuam a ser as mesmas de agora, já que, neste período, não foram acatadas.

Em Barcelos, a realidade não é muito diferente e agrava-se quando comparada com as grandes cidades, como Porto ou Lisboa. A orientação sexual continua a ser um tabu e alvo de críticas e de comportamentos discriminatórios. Por isso, o medo de assumir a homossexualidade ainda impera. No entanto, há quem não se esconda e há quem “dê o peito às balas” pela comunidade LGBTI. É o caso de MP e Bárbara, como gostam de ser conhecidas, um casal homossexual que há muito se assumiu como tal e que luta diariamente contra o preconceito. A marcha do orgulho LGBT+ de Barcelos, realizada no passado dia 13 de julho, foi um passo importante, mas ainda insuficiente para quebrar barreiras.

MP e Bárbara

MP tem 26 anos e é natural de Barcelos. Tinha apenas 11 anos quando percebeu que gostava de pessoas do mesmo sexo. “Para mim, foi uma coisa natural e achava isso uma coisa extremamente normal até me dizerem o contrário”, começa por contar a barcelense. Cedo se assumiu como homossexual, mas a família não aceitou bem. “A única pessoa que me apoiou foi a minha tia, que é como uma mãe para mim”, revela.

Bárbara é mais nova. Tem 24 anos e é natural do Porto. Conheceram-se via Facebook, já que na altura procuravam formar uma banda de música – MP toca bateria e Bárbara canta e toca guitarra. Nunca contou aos pais que gostava de mulheres, porque sabia que a reação não ia ser a melhor. “Os meus pais só descobriram que eu era homossexual quando eu já estava com a MP. Nunca lhes disse, sempre escondi isso, porque sabia a mentalidade que eles tinham. Eu era menor de idade e tinha medo que os meus pais me pusessem fora da porta”, conta a portuense. E, de facto, os pais não aceitaram a sua relação com MP, ao ponto de quererem que ela se tratasse. “Os meus pais apanharam-nos juntas no shopping e confrontaram-nos. O meu pai queria internar-me porque não achava normal. Nós aproveitamos que eles iam sair e fomos a minha casa, metemos as minhas roupas à pressa num saco, metemo-nos num comboio e só paramos em Barcelos, na casa da tia dela”, salienta Bárbara. “Só ela nos apoiou”, completa a namorada.

Vivem juntas quase há quatro anos. Quando moravam no Porto, não evitavam o contacto na rua porque se sentiam mais à vontade para o fazer. O mesmo não acontece por cá. “Nós aqui evitamos ter muito contacto físico na rua. Principalmente porque sei que está muito difícil arranjar emprego. Eu estive uns anos fora de Barcelos e, quando regressei, senti que não evoluiu nada, que é uma cidade estagnada. É uma cidade preconceituosa para com tudo o que é diferente”, afirma MP, enquanto Bárbara completa: “Para mim, vir do Porto para aqui foi um choque. Ela falava-me de Barcelos e das pessoas de cá. Eu achava que era exagero, que não era possível as pessoas serem assim tão conservadoras, mas, quando para cá vim, percebi que eram mesmo”.

Apesar de se sentirem melhor numa cidade como o Porto, também lá foram vítimas de comentários homofóbicos, de insultos e até ameaças físicas. “Uma vez, estava a despedir-me da Bárbara, ela ia trabalhar, e demos um beijo. De repente, vejo um homem a vir na minha direção aos berros. ‘Suas porcas, estão a ver esta mão? Levam uma chapada!’, disse ele aos gritos. Estava tanta gente a ver e ninguém fez nada. As pessoas conformam-se e têm medo de se meter, têm medo de dizer que o que ele estava a fazer não era certo”, analisa MP.

Homofobia na escola

Já foram assediadas, já foram maltratadas, mas nunca apresentaram queixa. “O que vamos fazer? Vamos começar a gritar? Nós é que somos vistas como as ‘loucas’, alguém vai acreditar em nós?”, questiona a barcelense.

Essa é, aliás, umas das conclusões do relatório da ILGA. Uma das responsáveis pela associação, Marta Ramos, em declarações à agência Lusa, referiu que as denúncias às autoridades continuam a ser residuais, comparativamente às que a própria ILGA recebe, explicando que as pessoas “muitas vezes não denunciam por questões que lhes escapam a si próprias, porque esse é o status quo em termos de perceção social”.

Já um estudo nacional sobre ambiente escolar, realizado no ano passado e que reuniu respostas de 663 jovens entre os 14 e os 20 anos de idade, revela que cerca de um terço dos jovens LGBTI sentem insegurança na escola por causa da sua orientação sexual, e 27,9% por causa da sua “expressão de género”. MP sofreu bullying e apenas teve o apoio de algumas amigas: “Na escola, não há a abordagem desses temas, as pessoas parecem ter receio falar nesses temas”.

O mesmo estudo mostra que a maioria dos inquiridos (61,1%) afirma ouvir comentários homofóbicos na escola “de forma regular ou frequente” e que, nas situações em que estavam presentes professores ou funcionários da escola, em mais de metade dos casos os profissionais não intervieram. Já no caso de comentários negativos sobre a “expressão de género” dos estudantes, um em cada três alunos diz que os comentários partiram dos próprios professores ou funcionários.

Expressão de género

É MP quem sente mais na pele o preconceito e a discriminação. “Ela não segue os padrões do que as pessoas aqui acham que é uma mulher”, diz Bárbara. “Uma mulher é muito mais do que o que temos por fora. Uma mulher é a forma como nos sentimos por dentro. Não é o que temos aqui em baixo que define o que é o homem ou a mulher”, continua MP. “Todos nós temos um lado masculino e feminino. A minha expressão de género é mais masculina, mas nem tinha que me identificar com nada, há pessoas que se considerem neutras. Isso não é importante, o mais importante é nós aceitarmo-nos uns aos outros, apoiarmo-nos e vivermos com respeito”, refere antes de concluir: “O importante é sermos felizes. Será que essas pessoas que seguem os padrões são realmente felizes? Elas sabem o que é o amor? Eu acho que não, porque se soubessem o que é o amor, elas não nos iam discriminar”.

Novo projeto

MP & Bárbara. É assim que se apresentam no Facebook (https://www.facebook.com/MP.and.Barbara/) onde, na fotografia de capa, têm uma frase simples, mas que diz muito: “A única coisa capaz de nos transformar é o amor”. Têm também um canal no Youtube (https://www.youtube.com/user/MPandBarbara), onde, recentemente, criaram um novo projeto chamado “Não me calas”. “Consiste em passar para o público a discriminação que sentimos enquanto comunidade LGBT, através de frases que já nos foram ditas. O primeiro vídeo foi sobre a homofobia na família, onde mostramos algumas frases que nos foram ditas por familiares. Vamos fazer isto sobre muitos outros temas”, conclui MP.

Por: Nuno Dantas. * (Jornalista)

Fotos: Nuno Dantas.

(* A redação do artigo é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Joaquim Sousa vence 1º Mini-Trail e Caminhada Cultural Solidária das Jornadas Culturais de Lama

Julho 25, 2017 em Atualidade, Concelho, Desporto port barcelosnahorabarcelosnahora

Realizou-se, no passado domingo, de manhã, na Lama o 1º Mini-Trail e Caminhada Cultural Solidária, inseridos nas XIV Jornadas Culturais.

O mini-trail, numa distância de 10km foi vencido pelo atleta de Galegos Santa Maria, Joaquim Sousa, numa prova que concluiu com o tempo de 52m26s. Em 2º lugar posicionou-se Pedro Vale Moreira, com 54m38s de prova, e a fechar o pódio ficou Nuno Dantas, com 56m24s.

Os dois “pódios”

No setor feminino, a vitória sorriu a Carla Vilas Boas, com 1h12m32s, seguida de Paula Ferreira, com 1h19m31s, e no 3º lugar do pódio ficou Ana Pinto, com 1h20m12s.

De salientar que o trail teve como objetivo angariar fundos para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, sendo que o valor da inscrição – facultativo – revertia na sua totalidade para a Liga.

Tal como “prometido” pelo programa, a prova teve início no escadório da igreja de Lama e, depois de percorrer algumas ruas da freguesia, os participantes tiveram que subir o Monte do Facho, descendo-o para concluir o trail novamente em frente do referido escadório.




Numa declaração ao Barcelos na Hora, Joaquim Sousa salientou que “é sempre bom ter organizações com estas iniciativas pois além de ajudarmos a Liga Portuguesa contra o Cancro, aproveitamos para conhecer e dar a conhecer o melhor que temos, que é a nossa terra”.

Fotos: XIVJCL.

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