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Olhar Barcelos

Direito de Associação

Janeiro 5, 2020 em Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião, Política Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Soares de Sousa

Caros leitores,

Durante o mês de novembro, iniciámos dois espaços de opinião da responsabilidade do Rotary Club de Barcelos e do Lions Clube de Barcelos, duas grandes instituições locais, nacionais e internacionais que nos honram com a sua presença neste projeto.



Tendo este facto em conta, decidi escrever um pouco sobre estas e outras instituições, agremiações, associações, grupos, entre outros, principalmente, por ser um tema que me desperta interesse.

Segundo a INFOPÉDIA da PORTO EDITORA, uma associação é: «1 – ato ou efeito de associar ou associar-se; aliança; união; 2 – grupo de pessoas assim reunidas; 3 – ato de associar alguém a algo; colaboração; 4 – união de esforços de várias pessoas para prosseguir um fim comum; 5 – pessoa coletiva sem fim lucrativo (…)». Já o da PRIBERAM (online) refere que Associação é: «1 – reunião de pessoas para um fim comum. = AGREMIAÇÃO, CONSOCIAÇÃO, SOCIEDADE; 2 – sociedade; 3 – comunidade; 4 – conexão».

Associativismo, segundo a INFOPÉDIA, é: «1 – movimento partidário da criação de associações (cívicas, laborais, culturais, etc.) para defesa de interesses ou para obtenção de objetivos comuns; (…)», sendo que no da PRIBERAM, associativismo é: «movimento organizado ou prática de associação de grupos sociais, nomeadamente de grupos laborais e sectoriais».

Se consultarmos a Constituição da República Portuguesa, encontramos, no Artigo 46º, “Liberdade de associação”, que afirma:

«1. Os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover a violência e os respetivos fins não sejam contrários à lei penal.

2. As associações prosseguem livremente os seus fins sem interferência das autoridades públicas e não podem ser dissolvidas pelo Estado ou suspensas as suas atividades senão nos casos previstos na lei e mediante decisão judicial.

3. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação nem coagido por qualquer meio a permanecer nela.

4. Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista».

O Artigo 51º, “Associações e partidos políticos”, também refere algo, a meu ver, que importa muito a este assunto. Senão, vejamos: «1. A liberdade de associação compreende o direito de constituir ou participar em associações e partidos políticos e de através deles concorrer democraticamente para a formação da vontade popular e a organização do poder político».

Neste concelho, tal como por este nosso país afora, e mesmo pelo mundo, há milhares e milhares de associações, agremiações, sociedades, comunidades, clubes, grupos, partidos, sindicatos, federações, confederações, entre outras entidades que reúnem pessoas em volta de objetivos comuns e em prol dos mesmos. Sejam solidários, partidários, associativos, corporativos, federativos, comunitários, cívicos e muito mais.

Em relação a estes dois novos espaços, falando do Rotary International, e usando informação consultada online, sabemos que foi fundado em 1905 e tem cerca de 1,22 milhões de membros, sendo uma “rede global de líderes comunitários, amigos e vizinhos que veem um mundo onde as pessoas se unem e entram em ação para causar mudanças duradouras entre si mesmas, nas suas comunidades e no mundo todo”, tendo como missão “servir ao próximo, difundir a integridade e promover a boa vontade, paz e compreensão mundial por meio da consolidação de boas relações entre líderes profissionais, empresariais e comunitários”, sendo dirigidos por Governadores e Presidentes. (in: https://www.rotary.org/pt )

Por seu turno, os Lions foram fundados em 1917 e “servem”. Segundo nova consulta, ficamos a saber que “é bem simples assim e tem sido” desde que começaram nesse ano. “Os clubes são lugares onde as pessoas se reúnem para doar o seu precioso tempo e trabalho para melhorar as comunidades e o mundo”, tendo como missão “empoderar os voluntários para que sirvam às suas comunidades e atendam às necessidades humanas, fomentam a paz e promovam a compreensão mundial por meio dos Lions clubes”, sendo a sua visão “ser o líder global em serviços comunitários e humanitários”. À imagem da instituição anterior, os Lions também são dirigidos por Governadores e Presidentes. (in: https://www.lionsclubs.org/pt)

Estas duas instituições têm associadas a si a ideia de elitismo e de que, para se ser rotário ou lion, é preciso pertencer-se a estratos mais altos da sociedade, com capacidade financeira alta e é difícil conseguir pertencer/entrar nelas. No entanto, do que conheço, e das pessoas com quem interajo, não tenho nada essa ideia. É a minha perceção, das experiências que vou tendo, principalmente, desde que o Rotary Club de Barcelos e o Lions Clube de Barcelos decidiram colaborar com este vosso projeto que é o “Barcelos na Hora”.



Ainda tendo em conta o direito de associação plasmado na Constituição Portuguesa e, presumo, na maioria das legislações da esmagadora maioria dos países, as pessoas têm o direito de associar-se, entrar, aderir, fazer parte de outro tipo de instituições – li, no SOL online, uma denominação que considero muito curiosa: “organizações de caráter discreto”, em sequência de proposta de Projeto-lei do PAN sobre estas organizações [NdA: se se interessa por este tema/assunto, consulte a referida notícia e conheça algumas das posições e opiniões em relação a esta proposta, em: https://sol.sapo.pt/artigo/681376/igreja-com-opus-rejeita-revisao-da-concordata]. Organizações essas, também com fortes traços rituais e hierárquicos, em que os seus membros podem optar pelo anonimato (algo a que, a meu ver, têm direito) e em que os objetivos podem ir além da solidariedade, sendo até mais para apoio e desenvolvimento espiritual de seus membros, sejam homens, sejam mulheres. Não posso esconder que, quiçá, a maioria das pessoas desdém essas instituições e seus membros (também por culpa de algumas ações realizadas por certas pessoas que a elas pertencem ou pertenceram), mas elas existem, têm história, já influíram na história de muitos países e terras, e devem ser, a meu ver, igualmente respeitadas pois, se não for para «promover a violência e os respetivos fins não sejam contrários à lei penal», então, as pessoas devem ser livres de a elas pertencerem ou pretenderem pertencer.

Uma delas é a Maçonaria, fundada em 1717. Segundo uma das muitas páginas dedicadas ao tema, e mesmo pertencentes, presumo, a Obediências ou Lojas, a Maçonaria «É uma Ordem iniciática e ritualística, universal e fraterna, filosófica e progressista, baseada no livre-pensamento e na tolerância, que tem por objetivo o desenvolvimento espiritual do homem com vista à edificação de uma sociedade mais livre, justa e igualitária.

A Maçonaria não aceita dogmas, combate todas as formas de opressão, luta contra o terror, a miséria, o sectarismo e a ignorância, combate a corrupção, enaltece o mérito, procura a união de todos os homens pela prática de uma Moral Universal e pelo respeito da personalidade de cada um. Considera o trabalho como um direito e um dever, valorizando igualmente o trabalho intelectual e o trabalho manual.

A Maçonaria é uma Ordem de duplo sentido: de instituição perpétua e de associação de pessoas ligadas por determinados valores, que perseguem determinados fins e que estão vinculadas a certas regras.

É Iniciática, porque só pode nela ingressar quem se submeta à cerimónia de iniciação, verdadeiro “batismo” maçónico, que significa literalmente o começo, e simboliza a passagem das trevas à “Luz”». (in: https://grandelojasimbolicaportugal.com/ [Grande Loja Simbólica de Portugal])

Em Portugal, consta-se que tenha iniciado em 1727, sendo que teve interregnos ou manteve-se de tal forma “adormecida” que poderá ter sido dada como “extinta”, principalmente na época sob regime salazarista e marcelista. Com a “Revolução dos Cravos”, começou a sua “reconstrução”.

Hoje em dia, ainda de acordo com a mesma página, existem seis Obediências Maçónicas portuguesas com reconhecimentos internacionais: O Grande Oriente Lusitano, A Grande Loja Simbólica de Portugal, A Grande Loja Simbólica da Lusitânia (mista), A Grande Loja Legal de Portugal/Grande Loja Regular de Portugal, A Federação Portuguesa «O Direito Humano» e A Grande Loja Feminina de Portugal.

O ano de 2019 marcou o início da primeira Pós-Graduação em “Maçonaria e Sociedades Iniciáticas”, na Universidade Autónoma de Lisboa, com alguns Grão-Mestres a pertencerem ao quadro docente da pós-graduação.

Mesmo não sendo “bem-vista” pela esmagadora maioria das pessoas, a Maçonaria também tem objetivos e projetos solidários, conforme se pode constatar nesta reportagem do Jornal I, de 27.02.2015:

https://ionline.sapo.pt/artigo/264296/macons-da-caridade-discreta-as-influ-ncias-indesejadas?seccao=Portugal.

Ou nesta entrevista a Pedro Rangel, antigo Grão-Mestre da Grande Loja Simbólica de Portugal, de 14.04.2019: https://infocul.pt/actualidade/pedro-rangel-um-macon-e-um-homem-livre-e-de-bons-costumes/ (basta clicarem nos links para acederem).

Outra destas Instituições é o Opus Dei, cujo Prelado atual é o Monsenhor Fernando Ocáriz, sendo constituída por Clubes, centros e locais de atividades.

O Opus Dei foi fundado em 1928, em Espanha, e está presente em 61 países. A 2 de outubro desse ano, São Josemaria Escrivá de Balaguer, durante um retiro espiritual em Madrid, funda, “por inspiração divina”, o Opus Dei, que “entra” em Portugal em 1945.

É «constituído por um prelado, por um presbitério ou clero próprio e por leigos, mulheres e homens. No Opus Dei não há diferentes categorias de membros. Há, sim, diversos modos de viver a mesma vocação cristã, de acordo com as circunstâncias pessoais de cada um: solteiros ou casados, sãos ou doentes, etc.» (in: https://www.opusdei.org/pt-pt/article/cristaos-no-meio-do-mundo/ [Opus Dei Portugal]).

Para além destas, mais conhecidas e difundidas (há uma miríade delas), em minha opinião, poderíamos abordar a Carbonária – julgo que já inexistente em Portugal e de que ouvi falar pela primeira vez nas aulas de História de Portugal, do Professor Manuel Prata, aquando do meu curso superior para me tornar professor – que ficou mais conhecida, para nós, portugueses, pelo regicídio de 1908, em que elementos desta organização planearam e levaram a cabo o assassinato do Rei D. Carlos e seu filho, Príncipe Luís Filipe; ou a Ordem “Rosacruz”, popularizada na Europa no início do século XVII, com Lojas, Capítulos ou “Átrium” (in: https://www.amorc.org.pt/ [AMORC – Ordem Rosacruz]); ou mesmo os Illuminati, nome dado a vários grupos, quer reais, quer fictícios – “personagens” de muitos livros e filmes, por exemplo – , cujos objetivos eram (ou são) fazer oposição à superstição, obscurantismo, influência religiosa sobre a vida pública e abuso de poder do estado.

Concluindo, na minha opinião, quer se goste ou desgoste, se ache legal ou ilegal, sejam mais abertas ou mais secretas, elitistas ou não, sejam mais solidárias ou apenas sirvam interesses, todas estas entidades são (ou eram) legítimas, e quem pertence (ou pertenceu) a elas, à partida, não está (ou não esteve) lá forçado e, por isso, está (ou estava) a usufruir do seu direito de associação plasmado na Constituição da República Portuguesa, sendo o direito à reserva da vida privada um dos direitos, liberdades e garantias consagrados nessa mesma Constituição.

Teríamos aqui “pano para mangas”, principalmente para alguém como eu, que gosta deste tipo de sociedades, instituições, ordens, organizações, grupos…

No fundo, apenas quero expressar a minha alegria e agradecimento pelo facto dos dois clubes barcelenses (Rotary e Lions) terem aceite o nosso desafio e decidido participar, e enobrecer, ainda mais, este nosso projeto que é o Barcelos na Hora. Muito obrigado!

Por: Pedro Soares de Sousa*. (Professor e Diretor do Barcelos na Hora)

Fontes:

https://dicionario.priberam.org/associativismo

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/associativismo

https://dicionario.priberam.org/associa%C3%A7%C3%A3o

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/associa%C3%A7%C3%A3o

https://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Foto: DR.

Falta de civismo: deposição ilegal de lixo

Março 3, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Educação, Mundo, Opinião, Política Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Sousa

Caros leitores,

O tema que me traz hoje aqui é relacionado com algo que me diz muito e revolta imenso. Estou certo de que muitos de vocês também pensarão da mesma forma.



Falo da deposição de monos, eletrodomésticos em desuso, resíduos de obras, entre outros, em matas, terrenos baldios e, mesmo, em terrenos particulares. Mas, igualmente, do largar lixo nas vias públicas, bermas, passeios e jardins das nossas cidades e vilas, das nossas freguesias.

Este comportamento não é exclusivo de Barcelos, como é óbvio. Infelizmente, é um comportamento que grassa por este nosso país fora. Quem já não teve a triste experiência de ir caminhar, quer por vias, quer por matas, e deparou-se com monos, colchões, eletrodomésticos, tijolos, telhas, vidros…enfim, uma imensa panóplia de lixo e resíduos depositados nos locais mais inusitados, mas, também, em locais perfeitamente à vista de todos.

Como aficionado da corrida em trail ou caminhadas, já encontrei de tudo por terrenos barcelenses. Desculpem-me…mas isso enoja-me! Só penso nos “porcos” (desculpem o coloquialismo e a rudeza da palavra) que se lembraram de fazer isso, mesmo havendo um serviço de recolha desse tipo de lixo, camarário e gratuito. Até este nosso jornal já noticiou esse serviço. Se entrar na página online do Município irá encontrar estes dois parágrafos, que passo a citar:

«No caso dos proprietários não possuírem meios para a sua entrega, podem solicitar o serviço de recolha à Câmara Municipal, através do e-mail geral@cm-barcelos.pt ou através da página do Município, no link “A minha rua”.

Quanto aos “monstros domésticos” de particulares, e por forma a facilitar a sua correta gestão, o Município de Barcelos dispõe de um local situado no Parque de Viaturas – Rua do Faial, n.º 106 – 4750-783 em Vila Boa, onde podem ser depositados, todos os dias úteis.» (in: https://www.cm-barcelos.pt/2018/03/camara-de-barcelos-promove-recolha-de-201cmonstros201d-domesticos/)

Muitos devem ficar a pensar que ir a Vila Boa é longe. Pois…mas, se calhar, para irem para o meio do Monte da Franqueira, com o intuito de deixar lá um colchão velho, já não são assim tantos quilómetros que têm que fazer! Enviar, ou pedir a alguém para enviar, um e-mail para o Município e esperar que este envie alguém a casa levantar esses monos e afins, não é menos trabalhoso? Não é menos oneroso? Não é mais cívico? Não é mais civilizado? E, sim, colchões na Franqueira. Num dos meus “treinos”, na descida entre a igreja e Góios, vi um deixado no meio dos fetos e outro deixado mesmo na berma da estrada, num dos locais de estacionamento! Vergonhoso! Lastimoso! De enojar! Alertei, obviamente, os serviços camarários. Confesso que não sei se ainda estão lá. Mais, há dias, ao passar na rotunda “dos Andorinhas” deparei-me com um colchão depositado em plena berma da rotunda, pousado em cima do rail de proteção! Sim, leu bem! Rail de proteção!! Ali, depositado. Talvez quem o depositou tenha pensado nos imensos motards que por lá passam e fazem a rotunda “deitados”…é para eles dormirem nesse colchão?! Já agora, e essa zona? Parece-lhe limpa ou está pejada de lixo??! Ah…neste caso, contactei telefonicamente o Município, solicitando a recolha do colchão. Do lado de lá disseram-me que era a primeira pessoa a fazer um telefonema desse tipo! Acredito que tenha sido para essa pessoa em concreto. Não acredito que mais ninguém tenha “doado” um minuto da sua vida a ligar para a Câmara Municipal a solicitar recolha de lixo depositado em locais indevidos! E acrescento: não sendo o ideal, as pessoas sempre podem deixar os colchões e/ou monos ao lado dos contentores comuns de lixo. Mais cedo ou mais tarde, os serviços procedem à recolha. Não é o ideal…mas é bem melhor do que deixar isso no meio das matas e bouças.

Caminhos de Santiago. Já percorri alguns troços e deixa-me agastado ver o lixo que se encontra lá! É essa a imagem que querem deixar a esses caminhantes peregrinos?! De uma sociedade repleta de pessoas sem sentido algum de civismo?!

Na minha opinião, estes comportamentos não desaparecerão “a bem” ou “a mal”. Já entramos na perspetiva sociológica, civilizacional. De que adianta tentar incutir-se nas crianças e jovens, nas escolas, por exemplo, que estes tipos de comportamentos não são aceitáveis se, depois, em casa, eles deparam-se com esta falta de civismo? Os seus pais (pai e mãe) são os seus heróis, os seus exemplos. E ainda bem que o são, pois merecem sê-lo. Mas a ter este tipo de atitudes, a meu ver, não estão a ajudar essa criança, esse jovem, a desenvolver-se e a tornar-se num adulto respeitador do bem comum, da Natureza, do que é cívico. Como professor, como pedagogo, deixo aqui o meu alerta.

Aliás, hoje em dia nota-se bem o comportamento desviante de imensos jovens (mas também adultos), que jogam lixo para o chão, quando, na maioria dos casos, têm contentores para esse efeito a poucos metros de distância. Como é o caso da foto que se segue. Tirada a uma segunda-feira de manhã, junto a um parque que tem contentores a poucos metros! É isto que queremos para o nosso país? É isto que queremos para as nossas terras? Os valores como o respeito pelo bem público, pelo zelo pelas zonas públicas, estão ausentes de demasiadas pessoas, infelizmente! Quem me conhece, sempre me ouviu dizer que a linha que separa a irreverência da arruaça e da criminalidade é muito ténue por vezes. Os jovens, e “menos jovens”, querem ser irreverentes, “fazer figura”…mas esquecem-se que os seus pais e avós passaram, na maioria dos casos, por uma ditadura, onde não tinham a liberdade de acharem que podiam fazer tudo sem arquearem com as consequências. Há sociólogos que defendem que depois de um momento da história onde houve privação da liberdade, não se pode passar para outro onde esta existe em excesso, pois pode dar-se o risco dessa sociedade implodir e voltar a optar pela privação das liberdades. Se calhar, o crescimento das extremas-direitas por este mundo afora já poderá ser reflexo disso. Mas é apenas a minha humilde opinião. E a privação da liberdade não é exclusiva da extrema direita, como, infelizmente, se pode constatar pela atualidade.

Termino com dois pontos (e peço desculpa pela delonga, mas este assunto revolta-me). Primeiro, e porque a minha honestidade intelectual a isso obriga, o local retratado pelas fotos (com os monos) já não se encontra assim como se vê…encontra-se pior!!

Segundo: por favor, passem a palavra, deem o exemplo, chamem à atenção, alertem, sensibilizem, não adotem essas atitudes! Vamos limpar Barcelos (também participei nessa iniciativa nacional e local)! Vamos fazer do nosso país um melhor país. Um país desenvolvido, um país ao nível dos mais civilizados (muitos dos quais, com emigrantes nossos lá…que podem ajudar também, cá na sua terra)! Todos a remarmos para o mesmo lado…conseguimos alcançar o objetivo. Muito obrigado a todos!

Por: Pedro Sousa* (Professor e Diretor do Barcelos na Hora).

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Muito obrigado e Bom Ano!

Dezembro 31, 2018 em Atualidade, Concelho, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora

Caros leitores,

Termino o ano com um artigo pequeno, mas grande em sentimento.

Quero agradecer a todos aqueles que estão comigo/connosco desde o início deste projeto. Aqueles que ajudaram a nomeá-lo, a registá-lo, a idealizá-lo,…a todos sem exceção.



Mas também quero agradecer a todas, mesmo todas, as pessoas que têm navegado connosco nesta viagem que ainda é curta, mas já com frutos dos quais nos podemos, sem falsas modéstias, orgulhar.

Foi mais um ano de extrema dedicação, por vezes, abnegação, sempre por carolice, sempre em prol do objetivo principal deste projeto: noticiar/divulgar o máximo possível, num paradigma diferente do existente neste concelho, mesmo admitindo, com toda a franqueza, que os outros meios e órgãos já existentes em Barcelos também vinham – e vêm – fazendo um grande trabalho no âmbito do que a que todos nos propomos: noticiar e divulgar, o mais possível, os acontecimentos deste concelho. Julgo que todos, sem exceção, estamos de parabéns.

Por fim, resta-me pedir desculpa por não termos podido fazer mais. Mas preciso que compreendam que este não é o nosso emprego. Todos, e ainda bem, temos os nossos empregos e este Barcelos na Hora, mesmo sendo para nós o “nosso menino”, não é a nossa principal ocupação. Nem o poderia ser, se tivermos em conta que não auferimos qualquer tipo de remuneração. Sendo assim, é compreensível – acredito – que, necessitando de dinheiro para pagarmos as nossas contas pessoais e familiares, este projeto não possa ocupar a totalidade do nosso tempo diário. Dessa forma, muita coisa ficou por noticiar e acompanhar, mas acreditem quando vos digo que fizemos o humanamente possível para vos dar o máximo de informação.

Termino com a renovação do meu sentido, pessoal e enorme agradecimento a todos os que compõem este projeto, a todos os nossos leitores e seguidores e, por fim, mas não por somenos, a todas as instituições e pessoas que têm colaborado connosco e nos têm ajudado a crescer.

O que hoje somos…a todos vós o devemos!

Muito, mas mesmo muito, obrigado a todos.

Votos de um excelente Ano Novo de 2019, repleto de saúde, amor, concretizações e sucessos!

Por: Pedro Sousa*. (Professor e Diretor do Barcelos na Hora)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

O associativismo e espírito comunitário no Concelho de Barcelos

Novembro 22, 2018 em Atualidade, Concelho, Cultura, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora

Pedro Sousa

Caro leitor,

Quando iniciei esta empreitada de ser o diretor deste singelo e humilde jornal online, fazendo parte do conjunto de pessoas que o fundou, não me passava pela cabeça o tamanho das “fundações” que tinha que ajudar a criar.



Vamos por partes. Primeiro, quando digo “singelo”, estou, obviamente, a usar de comicidade para nos divertirmos um pouco! Segundo, “humilde” porque é um projeto em que nenhum dos seus participantes aufere qualquer tipo de remuneração e/ou ajudas de custo. Sim, nenhum! Nem o diretor – eu –, nem os editores, os colaboradores e, mesmo, os nossos colunistas, a quem aproveito o ensejo para agradecer imenso pela dedicação. Por isso, é usual e compreensível que alguns deles não escrevam de quando em vez, porque a vida pessoal e profissional deles a isso “obriga”…e quem sou eu para os “censurar”?!

É por isso, também, que ainda não conseguimos ter um corpo jornalístico que nos permita cobrir o máximo de eventos possível, jogos, campeonatos, festas, entre outros. Ou cobrir acidentes, assuntos de política e outros casos. Por tal, tenho vindo, de quando em vez, a fazer a nossa “contrição” por não conseguirmos mesmo noticiar e/ou fazer o que desejaríamos. Mas isso são problemas nossos com os quais temos que lidar e tentar, com tempo e sustentabilidade – sim, porque não daremos “passos maiores do que as nossas pernas”, hipotecando o futuro do projeto e, até, o nosso pessoal –, menorizar estes problemas e, mesmo, transpô-los.

Depois deste grande “desabafo”, intercalado entre o preâmbulo e o corpo do artigo, reentro no tema que me traz aqui: o associativismo e espírito comunitário barcelense.

Ao iniciar funções, decidimos enviar um e-mail de apresentação do jornal, com solicitação de colaboração, ao máximo de associações, clubes, instituições, grupos, entre outros. Muitos aceitaram…infelizmente, muitos ainda não o fizeram. “No que me fui meter”, pensei logo eu! São tantos, mas tantos os e-mails que ainda hoje não consegui terminar essa parte da “empreitada” (obviamente que tenho o meu emprego e não passo todo o dia a enviar!). Aliás, eu confesso: não conheço todas as associações, todos os clubes, todas as instituições, todos os grupos, todas as comissões…de Barcelos! Não me levem a mal, mas tenho quase a certeza de que nenhum barcelense conhece! Isso é, para mim, sinal do grande espírito associativo, clubístico e comunitário dos barcelenses, que aqui louvo e destaco. Mesmo que isso signifique que um dos meus objetivos enquanto diretor fique muitíssimo difícil de concretizar: dar a conhecer o nosso “Barcelos na Hora” a todas essas instituições! Acho que não vou conseguir…

Escrevi sobre as dificuldades com que nos deparamos (nós, “Barcelos na Hora”) e sobre o facto de ninguém dos que colabora e participa neste projeto auferir qualquer tipo de ganho financeiro porque, tal como no nosso caso, são imensas aquelas pessoas que, de uma forma, muitas vezes, abnegada e gratuita, lutam pelo melhor para associações/ clubes/ instituições/ grupos/ IPSS/ comissões…de que fazem parte, quer como dirigentes, quer como associados/simpatizantes. Por vezes, as coisas correm menos bem; por outras, os sucessos são mais do que os insucessos. Há dias em que chegam a casa de “coração cheio”; há outros em que chegam de espírito em baixo! Enfim, é o “dia a dia” destas pessoas, que escolheram esse caminho para a sua vida…

Não escrevo muito mais!

Termino com um muito obrigado a todos vocês, que tornam enorme o associativismo e o espírito comunitário barcelense! Mesmo que isso – reitero – dificulte imenso a concretização de um dos meus objetivos enquanto diretor deste jornal!

PS: Tinha muitas imagens para escolher para foto de destaque, mas senti que era impossível encontrar uma que retratasse todas as instituições barcelenses de que falei! Escolhi esta por representar um evento – Festa das Cruzes – onde muito do espírito retratado se evidencia.

Por: Pedro Sousa* (Professor e Diretor do Barcelos na Hora)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Falta de civismo: abandono de viaturas na via pública

Novembro 4, 2018 em Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora

Pedro Sousa

Caros leitores,

Antes de mais, quero agradecer por estarem a gastar um pouco do vosso tempo para lerem estas minhas palavras.

No meu último artigo, onde me apresentei um pouco, como “neobarcelense”, abordei algo de que todos os barcelenses – habitantes do concelho – se podiam orgulhar: as 89(!) Paróquias e suas festas religiosas/populares.



Desta feita, vou generalizar, particularizando com exemplos de Barcelos. Passo a explicar – se bem que o título já diz um pouco (ou tudo):

Na nossa sociedade – não há como negar – há uma espécie de “culto do carro”! É quase como se o carro estabelecesse um estatuto social…o que acontece na maioria das vezes. – “Se tem um Porsche ou um Jaguar é porque é rico…é porque tem dinheiro para o manter!”, damos por nós a pensar.

A rede de transportes públicos, à exceção das existentes nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, é – com todo o respeito pelas demais – quase residual. Isso faz com que um número considerável de portugueses eleja a sua viatura própria como meio de transporte preferencial para se deslocar para o emprego ou para viagens de lazer.

Nas cidades, a escassez de garagens para aparcar as viaturas e o défice de lugares de estacionamento faz com que muitas zonas residenciais, comerciais e industriais fiquem pejadas de veículos nas suas vias e espaços públicos, muitas vezes, mal-estacionados e em infração. Mesmo sendo um comportamento revelador de alguma falta de civismo, nalguns casos até relevamos, tal deve ser o “desespero” das pessoas para estacionar.

Sendo nós – portugueses – “aduladores” do carro, por vezes, é-nos extremamente difícil separarmo-nos dele. E há quem opte por deixá-lo “plantado” num qualquer lugar destas nossas terras, em vez de, simplesmente, enviá-lo para abate. Quando ainda se recebia algum “dinheirinho” por essa ação, isto ainda andava! Mas agora…agora é vê-los a “brotar” pelas vias e espaços públicos, a apodrecer, à mercê dos elementos e do vandalismo, a servirem de habitat para bichos e ervas (Tão fácil ver quando se trata de um veículo abandonado, não é? Tem erva alta por baixo e em volta…está abandonado!) e, claro, a ocuparem lugares preciosos de estacionamento! Estou a usar da ironia e do metafórico porque este “flagelo” apenas dá para isso (no que me diz respeito), porque se fosse a escrever o que penso, era logo censurado!

Obviamente, muitos desses veículos abandonados são resultado de furto e posterior abandono. Obviamente, as autoridades judiciais e autárquicas têm que cumprir os trâmites legais e não podem rebocá-los imediatamente (há prazos). Também se “esquecem” ou “viram o olhar” imensas vezes! Mas que é de lamentar este “flagelo” de veículos abandonados, lá isso é! Eu lamento!

Focando-me na nossa Barcelos, a nossa cidade também não é imune a este problema. Por exemplo, há zonas residenciais, mormente em Arcozelo e na União de Freguesias de Barcelos, Vila Boa e Vila Frescaínha (S. Martinho e S. Pedro) onde o número de veículos abandonados, a ocuparem lugares de estacionamento ou, até, em locais não permitidos pela lei, já começa a ser preocupante. E a nós, meros cidadãos, compete-nos denunciar essas situações junto das autoridades competentes, para a resolução desse “flagelo”. Sinto-me à vontade para o dizer (escrever, neste caso) pois já o fiz algumas vezes, faço e continuarei a fazer. Você também pode e – permita-me – deve fazê-lo. A falta de civismo de uns (e aqui incluo a criminalidade) só pode ser compensada pelo senso cívico de muitos! Juntos, conseguimos – conseguiremos – mudar estes aspetos menos bons deste nosso adorado país.

Termino com uma informação, que se exige. Na foto de destaque, o veículo do meio não está abandonado. Já o da esquerda (abandonado) foi, nestes dias, retirado do local. Boa notícia! Falta o da direita. Haja esperança!

Até breve e obrigado pela atenção!

Por: Pedro Sousa* (Professor e Diretor do Barcelos na Hora)

Fotos: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

89 (!) Paróquias de Barcelos

Outubro 21, 2018 em Atualidade, Concelho, Cultura, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora

Pedro Sousa

Inicio hoje uma nova “empreitada” na minha vida, que me levará a abordar, não só, assuntos/eventos divulgados aqui, no Barcelos na Hora, como outros da atualidade do nosso Concelho. Espero conseguir. Já agora, nomeei este espaço de “Olhar Barcelos”!

Sendo um “neobarcelense”, pois resido cá apenas desde 2013, já conheço o concelho desde 2008 – uma “migalha” para quem já vive cá durante toda a sua vida –, quando iniciei o ensino de Inglês por dezenas de freguesias de Barcelos. E foi assim que comecei a conhecer, para além dessas freguesias, os seus habitantes.

O que me traz hoje aqui são as 89 (!) Paróquias do arciprestado de Barcelos! Oitenta e nove! (Confesso que, por extenso, o número não me parece tão grande…mas é!!) Quando falo disto a amigos “não barcelenses”, o pasmo é o resultado mais evidente.

Com a implementação (polémica!) da reorganização administrativa das freguesias, o concelho de Barcelos passou a ter “só” 61 freguesias e uniões de freguesias. “Só”! Mas as Paróquias mantiveram-se e continuaram a ser 89 (!). Cada uma com o seu orago e com veneração de mais Santos e Santas para além deste.

Agora que a fase de maior incidência de festas religiosas e populares já passou, atrevo-me a analisar, levemente, este aspeto da cultura religiosa – e não só – de Barcelos. Aliás, como Diretor deste jornal online, sinto bem “na pele” o facto deste concelho ter esta magnitude tal que torna hercúlea a tarefa de divulgar e /ou cobrir todas as festas. Simplesmente – e aqui faço a minha penitência – não conseguimos. Peço desculpa por todas aquelas que não ajudámos a divulgar, mesmo que nos possamos escusar no facto de nem sempre recebermos nota ou sermos alertados para a festa em questão.

As festas em Barcelos unem famílias e amigos. E sei bem do que falo, por experiência pessoal. Nos dias das festas, há filhos e filhas da terra que voltam, que a visitam, que visitam os seus. Há dezenas e dezenas de espetáculos musicais e de atos religiosos, muitos dos quais, quase exclusivos dessa freguesia e/ou do concelho. E o fogo de artifício?! (cada vez mais, infelizmente, colocado em causa pelo flagelo dos fogos florestais) Admito que acho admirável o esplendor que a maioria dos habitantes do concelho tem pelo fogo de artifício. Na hora deste, é vê-los de olhar colocado no céu para admirarem a miríade de luzes e cores que o pintam. Sabem que mais? Eu também já o faço!

As procissões são sempre tradições fortes nestas festas, quer sejam as de Velas, quer sejam as “Majestosas”. As fanfarras a abrir, os figurantes, os andores, as autoridades eclesiásticas e civis, os estandartes, os pálios, as bandas a fechar e os fiéis. Tudo isto faz com que as festas nas 89 (!) Paróquias de Barcelos sejam ainda mais esplêndidas!

Sem qualquer tipo de desprimor para com as demais, a Festa das Cruzes é o expoente máximo das festas de Barcelos. Milhares e milhares de pessoas visitam a cidade; dezenas de eventos religiosos e não só; os arcos, os tapetes de flores, os concertos, o fogo de artifício (lá está!), os carrocéis e zona de diversões, a “Batalha das Flores” e a procissão das Cruzes, entre outros. Nesta última, podemos constatar a tal magnitude das 89 (!) Paróquias e das suas Cruzes. Mesmo os ateus e agnósticos – que saibam, claro, respeitar as tradições religiosas seculares – não conseguem ficar indiferentes a este ato religioso. Sempre que assisto a esta procissão, dou por mim a maravilhar-me com a exuberância das 89 (!) Cruzes; a tentar reconhecer alguém que nela vá a desfilar (e vejo alguns antigos alunos, por exemplo); ou, mesmo, a admirar os pormenores de cada uma delas.

Não me delongo mais. Deixo apenas um pedido aos barcelenses (saído de um “neobarcelense”): tenham orgulho nas vossas 89 (!) Paróquias, nas vossas tradições religiosas e continuem a mantê-las bem vivas na nossa memória. (Louvo aqui os milhares de paroquianos que, todos os anos, fazem parte das comissões de festas por esse concelho fora) Eu, enquanto alguém que gosta de observar, “estudar” e vivenciar as tradições e costumes, as histórias e estórias, e o dia a dia de uma comunidade, agradeço-vos imenso.

Até breve!

Por: Pedro Sousa*. (Professor e Diretor do Barcelos na Hora)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Fotos: DR.

 

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