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Pedro Soares de Sousa

Reciclagem: Barcelos no bom caminho, mas consegue ainda mais!

Julho 4, 2020 em Atualidade, Concelho, Economia, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Soares de Sousa

Caros leitores,

Antes de mais, espero que se encontrem bem ou, pelo menos, o melhor possível.

O artigo que hoje partilho convosco aborda a reciclagem, algo de que sou seguidor convicto, por vezes, quiçá, até em exagero. Mas sou-o com todo o gosto e isso faz-me sentir bem.



No início de junho, tive o prazer de ser recebido pelo Eng.º Rui Fernando Silva (Administrador Delegado) e pela Eng.ª Joana Cunha (Responsável pela Comunicação e Sensibilização) na sede da RESULIMA, em Vila Fria (Viana do Castelo), onde fiquei a conhecer melhor a empresa, assim como a central de separação e transferência. Desde já, agradeço por toda a atenção e amabilidade.

Esta empresa iniciou a atividade em 1998, com capital privado (51% – Grupo EGF) e público (6 municípios servidos pela empresa, sendo Barcelos, com 17,7%, o concelho com maior percentagem de capital). Serve uma área geográfica de 1.743 km2; 309,5 mil habitantes de população média anual residente; tem 99 colaboradores; e, em 2019, tratou 141 mil toneladas de resíduos. Encaminhou 14.506 toneladas de resíduos para valorização e reciclagem, resultando num crescimento da recolha seletiva de 16,9%. De 2018 para 2019, a retoma de recicláveis de vidro aumentou 11%, de papel/cartão 17%, de plásticos 7%, metais 18% e outros 14%. São dados que, certamente, nos agradam a todos!

Do aterro sanitário, que se encontra ao lado da referida central, resultou uma valorização energética de biogás, sendo vendidos 12 GWh de eletricidade à rede elétrica nacional. O valor da venda deste biogás, somado ao da venda (retoma) dos materiais para reciclar, ajuda a que a tarifa do lixo possa baixar, desde que permitido pelas entidades superiores que regulam, e bem, a RESULIMA, nomeadamente, o Governo e a ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, assim como, pelos acionistas.

A nível pessoal, gostei imenso de ver os profissionais a separarem o lixo, principalmente, chegado dos ecopontos amarelos, onde se deposita uma maior gama de produtos. A “máquina” estava muito bem “oleada” e a cadência de produtos a cair nos cestos correspondentes era impressionante! Tal como a quantidade de fardos de material a ser reencaminhado para as empresas que tratarão do seu aproveitamento. De salientar, que, devido à pandemia, a empresa viu-se forçada a ter que deixar os resíduos recolhidos 72 horas em quarentena, antes de os colocar nas cintas para a sua separação e enfardamento.

O aterro sanitário é mesmo ao lado e posso garantir-vos que não se sentia, no ar, aquele mau odor a lixeira (e eu sei bem do que falo, por causa de algumas atividades que tive de realizar em emprego anterior…já lá vão uns bons anos). E estava um dia ventoso!

Os responsáveis que me receberam, nomeadamente, o Eng.º Rui Fernando Silva, fizeram questão de salientar que Barcelos melhorou na recolha e aumentou a quantidade (toneladas) de lixo enviado para separação e reciclagem. Este responsável fez questão, mesmo, de destacar que estavam muito agradados com estas melhorias por parte do concelho barcelense, ressalvando que esperam que melhore ainda mais, pois veem Barcelos como um concelho com imensas potencialidades e com grande margem de crescimento.

Também os empresários e comerciantes foram alvo de atenção, com o Administrador da RESULIMA a salientar que o serviço de recolha “porta a porta” do comércio barcelense tem atingido números muito bons, tão bons que, em breve, haverão novidades em relação ao reforço desse serviço. Algo que agradou, igualmente, foi a informação de que haverá um reforço de ecopontos no concelho de Barcelos, com a instalação de mais 139, sob responsabilidade da Câmara Municipal de Barcelos e da RESULIMA.

Em suma, estamos a melhorar, mas podemos – claro está – melhorar ainda mais.  Eu julgo que, com dedicação e empenho, Barcelos vai conseguir ainda mais e melhor. O carácter dos barcelenses diz-me que sim, que é possível!

Algumas dicas:

. As embalagens de leite (e similares) continuam a ser alvo de confusão por parte de muita gente, disseram esses responsáveis. Fiquei a saber que ainda chegam muitas nos lotes de papel/cartão, ou seja, do ecoponto azul. Estas embalagens devem ser depositadas no ecoponto amarelo.

. As cuvetes de alumínio, assim como os aerossóis (sprays) podem ser tratados e reciclados. Devem ser depositados no ecoponto amarelo, onde se depositam, também, as latas de refrigerantes e conservas, por exemplo.

. Infelizmente, os tubos vazios de pasta de dentes ainda não são alvo de separação e retoma.

. Cartão e papel que esteja um pouco sujo (mesmo com gordura – por exemplo, de pizas e comida) pode, e deve, ser depositado no ecoponto azul. É reciclável, tal como o papel e cartão com fita-cola, agrafos e pequenos vestígios de plástico.

. O óleo depositado nos oleões também é direcionado para o Centro de Vila Fria, de onde é direcionado para empresas que o reutilizam. Assim como o que escorre das embalagens de óleo e azeite que são separadas para retoma.

. O esferovite é passível de tratamento e reciclagem. Deve ser depositado no ecoponto amarelo.

. O vidro continua a ser depositado nos ecopontos em muita quantidade, talvez por questões sociológicas, já que este material foi o primeiro a ser alvo de separação. Quem não se lembra dos primeiros vidrões brancos, verdes e castanhos?

. Quase todo o material separado é prensado em fardos e enviado para as empresas responsáveis pelo seu reaproveitamento/reciclagem.

UCPT Paradela traz a reciclagem para o Século XXI

Segue-se o futuro. Muito se tem falado sobre a nova Central de triagem automatizada, mais concretamente, UCPT – Unidade de Confinamento, Preparação e Tratamento de resíduos urbanos, já em construção na freguesia de Paradela – Barcelos.

Esta Unidade vai trazer a recolha, tratamento, separação e reciclagem dos concelhos abrangidos pela RESULIMA para o século XXI, já que a existente é ainda de finais do século passado!

Aliás, com ela, a empresa, os concelhos abrangidos e suas populações, poderão atingir as metas PERSU 2020 (Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos), estabelecidas pela Associação Portuguesa do Ambiente e pelo Governo.

Vai ser uma Unidade de alta tecnologia! Todo o lixo passará por uma máquina, numa cinta, que terá a capacidade, de uma forma automatizada, de separar o lixo por tipologia (plásticos, metais, papéis, cartões…). O lixo passível de compostagem será direcionado, igualmente, para um local onde essa será realizada, com o produto resultante a servir para, por exemplo, fertilizante. Apenas aqueles resíduos que não têm mesmo hipótese de serem tratados é que serão direcionados para aterro (espaços quadrados à direita na imagem que se segue), onde serão acondicionados e alvo de tratamento para prevenção de cheiros. Se já no atual aterro não se sentem cheiros (acreditem, estive lá ao lado e não senti, mesmo tendo sido num dia ventoso!), nesta Unidade, esses cheiros serão ainda mais difíceis de sentir. Para quem pensa que será igual à Unidade que “nasceu” na fronteira Laúndos – Barqueiros, desengane-se. Vai ser algo muito, mas mesmo, muito melhor, mais avançado e mais completo!

Compreendo que para as populações das zonas envolventes haja receios, que julgo serem quase todos infundados. Mas para mim, que ouvi as explicações destes responsáveis, esta Unidade deixou-me deveras agradado – também porque sou defensor acérrimo da reciclagem e tratamento do lixo e frontalmente contra os velhos aterros e as velhas lixeiras –, mais tranquilo e desejoso para que entre em funcionamento o quanto antes. Temos que entrar, finalmente, no século XXI!

Curiosidades:

Sabia que a RESULIMA “subcontrata” uma ave de rapina para afugentar outras aves, principalmente, as gaivotas, da zona do aterro para evitar que retirem lixo de lá e provoquem problemas sanitários? Eu não sabia e fiquei pasmo ao vê-la, quiçá, na sua hora de descanso, imponente, pousada no seu local de repouso!

Sabia que os funcionários da recolha, separação e tratamento de lixo, quer da RESULIMA, quer camarários, mantiveram-se sempre “na linha da frente”, não parando e continuando a ser dos profissionais que mais são expostos ao COVID-19? Mas a empresa garante que, por ora, ainda não teve um infetado sequer! Muito bem!!

Concluindo, deixo o apelo para que todos, quer barcelenses, quer de outras localidades, façam a separação do lixo e a sua correspondente deposição nos ecopontos, ilhas ecológicas ou outros locais destinados a isso. Vamos, todos juntos, lutar por um Ambiente melhor!

Por: Pedro Soares de Sousa* (Professor e Diretor do jornal Barcelos na Hora).

A “Tribo”

Maio 1, 2020 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Soares de Sousa

Caros leitores,

Devido ao confinamento caseiro e ao excessivo ócio que este provoca, as pessoas veem-se forçadas a encontrar novas formas de combater a pausa em demasia, com todos os malefícios que isso traz para o seu corpo e saúde.



No entanto, enquadrado no Decreto nº 2-A/2020, de 20 de março, que executava a declaração do estado de emergência efetuada pelo Decreto do Presidente da República nº 14-A/2020, de 18 de março, e sem alteração nas subsequentes renovações, eram permitidas aos cidadãos “Deslocações de curta duração para efeitos de atividade física, sendo proibido o exercício de atividade física coletiva” (in: https://covid19estamoson.gov.pt/estado-de-emergencia-nacional/pacote-de-medidas/), se bem que essa atividade física não podia ser realizada por mais do que duas pessoas em conjunto. Muito se falou sobre este pormenor, muito se criticou, muito se aconselhou. Notava-se muito receio nas pessoas, muito abuso por parte de quem aproveitava, então, para andar a correr pelos passeios e matas, quando antes não o fazia ou fazia pouco. Notava-se muito moralismo e alguma hipocrisia. Enfim, havia de tudo um pouco! Agora, com a declaração de Estado de Calamidade de ontem, a situação tende a normalizar, pelo menos no que concerne às “corridinhas” com mais algumas (não muitas) pessoas.

Mas o intuito deste artigo não é o de nos debruçarmos sobre estas atividades, mas sim, o de falar das saudades de fazermos exercício, como o atletismo, o running (street, trail, entre outros), as caminhadas, as simples corridinhas para aquecer e “desenferrujar os músculos”, o BTT, a Orientação, entre outras novas “modas” que nos levam a percorrer vias, passeios, tracks e caminhos por estas nossas terras.

Há um par de anos, comecei a correr e a fazer uns treininhos de final de tarde, início de noite. Já costumava correr anteriormente, mas por essa altura comecei a fazê-lo mais frequentemente, sempre em boa companhia. Por isso, as “saudades” a que me refiro, eu também as sinto!

Tal como eu, os aficionados destas modalidades devem estar, por esta altura, cheios de saudades do burburinho do início das provas, dos speakers a incentivarem, dos relógios e programas de treino, do aquecimento ou da conversa antes da partida. Mas também das paisagens e pormenores que se veem ao passar nos trilhos, dos abastecimentos durante as provas, da bifaninha e do fininho no final, do convívio com aquelas pessoas das quais, na esmagadora maioria das vezes, nem sabemos os nomes, mas já conhecemos “de vista”, dos tracks, dos obstáculos ou da aglomeração na meta. Até do “esquerda…direita”, para deixar passar os mais rápidos e desejosos de vitória!

A esmagadora maioria das pessoas que participam nestas provas tem como objetivo concluí-las, ultrapassar os seus limites, exceder as suas expectativas. Poder chegar ao final e receber um prémio de finisher (por norma, uma medalha). Não para se vangloriar, mas como recordação de que conseguiu chegar ao fim, conseguiu terminar aquela prova. É verdade que durante a mesma, os trail runners ou mesmo os betetistas, passam por momentos de maior tensão, principalmente quando têm obstáculos difíceis de ultrapassar e transpor, quando se encontram presos em lama, em riachos ou a lutarem contra cãibras, cansaço e intempéries tais que lhes entra na mente que não irão conseguir e a luta passa a não ser apenas física, para ser, igualmente, psicológica.

É a estas pessoas, quando isoladas ou em grupo, que gosto de chamar – carinhosamente –  de “A Tribo”!

Agora que a “vida” vai recomeçando a normalizar, dentro do que se poderá considerar “normal” nesta altura de pandemia, as pessoas também vão recomeçando a praticar o seu desporto, que se aconselha, possa ser da forma o mais segura e protegida possível.

Em breve, tudo terá passado e estaremos de volta aos trails, às caminhadas, ao BTT, Orientação, ciclismo, futebol…enfim, à nossa “rotina” desportiva! E que bom será…

Não posso terminar sem deixar as minhas palavras de apreço e dedicar este meu artigo a um amigo de longa data, o Paulo Costa (Alvarelhos – Trofa), que, soube-o há dias, voltou a correr depois de 13 meses de inatividade devido a lesão e outras complicações! Também ele aficionado dos trails longos!!  Caro Paulo, a Vida pode colocar-nos obstáculos e podemos achar que não conseguimos transpô-los, mas, com força e esperança, o “Sol” volta a “sorrir-nos” (sabes do que falo)! Sê bem-vindo (mesmo que ainda limitadamente) à “rotina”…sê bem-vindo de volta à “Tribo”!!

Por: Pedro Soares de Sousa* (Professor e Diretor do Barcelos na Hora)

Fotos: Eugénia Faria-Faria Joaquim (alterada) e DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

“O Mundo livre da COVID-19”: A notícia que todos desejaríamos que não fosse mentira!

Abril 1, 2020 em Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Soares de Sousa

Hoje é o dia 01 de abril! O “Dia das Mentiras”, como é conhecido popularmente!

Desde o início deste projeto do “Barcelos na Hora”, sempre optámos por lançar umas notícias fictícias, de mentira, para nos divertirmos e, principalmente, divertirmos os nossos leitores. Umas correram bem, outras nem por isso…mas contou a intenção!



No entanto, este ano…e não querendo ser acusados de ajudarmos ao alarmismo e de sermos catastrofistas, não vamos lançar qualquer notícia de “brincadeirinha”. Este ano vamos lançar uma notícia que, infelizmente, ainda é mentira, mas que todo o mundo deseja que se torne, o quanto antes, verdade: que nos vimos livres da COVID-19. Como já não dá para evitar que esta pandemia não apareça, pelo menos, podemos desejar que desapareça o quanto antes.

E que desapareça para que possamos respirar de alívio, para que possamos visitar a nossa família e amigos, sair para beber um simples cafezinho e comer num restaurante, para começarmos, também, a ajudar uma área de negócio que está a ser “massacrada” por esta pandemia. Mas também vamos voltar ao trabalho, à labuta e, gostemos ou não, as férias deste ano não serão a mesma coisa…ou nem serão mesmo!

A nossa notícia fictícia teria como título: “A 1 de abril, o Mundo livrou-se da pandemia”!

“Finalmente o Mundo viu-se livre da pandemia COVID-19. Os últimos infetados receberam alta e foram para casa, para junto das suas famílias. A Humanidade venceu a luta contra o Coronavírus. Mas não sem que este não desse luta, levando consigo milhares e milhares de pessoas, de quem não nos conseguimos despedir, nem mesmo de quem partiu sem ter sido atingido pela pandemia…

As nossas indústrias e atividades estão a voltar à normalidade e as encomendas recomeçam a surgir. Quem esteve em lay-off, está a ser chamado para o seu posto e as empresas recomeçam a contratar. As escolas estão abertas de novo, como sempre estiveram…mas com mais “vida”. Os profissionais de saúde voltaram a sua casa para descansar e estar, finalmente, com as suas famílias, assim como os das forças de segurança e proteção civil. Terminaram os cercos sanitários, o estado de emergência, o confinamento obrigatório, a perda de alguns direitos, liberdades e garantias. A beira-mar está de volta como local de encontro e lazer, local de prática desportiva. E por falar em desporto, as modalidades estão a normalizar, com competições a voltar e atletas a poderem dar o melhor de si. As festas populares, religiosas, os concertos, o teatro, o cinema, a arte, enfim, a cultura está de volta.

A partir deste dia, as pessoas deixaram de ter medo de se abraçar e cumprimentar com um aperto de mão ou um beijo…continuam desconfiadas, mas o medo está muito mais reduzido. As pessoas podem juntar-se de novo. Enfim…temos a normalidade de volta à nossa vida!

Pelo lado negativo, as coisas más que a Humanidade vinha fazendo poderão, infelizmente, acabar por voltar…

Mas hoje, hoje é dia de celebrarmos a Vida, é dia de celebrarmos a vitória nesta guerra contra o Coronavírus! Não ficou tudo bem…principalmente para aqueles que perderam a batalha e suas famílias e amigos, que tiveram que sofrer e chorar essa perda. Mas, no fim, a Humanidade venceu e, em honra “dos caídos”, vai rever a forma de estar neste Mundo…para que nunca mais tenhamos que passar por privações como esta.”

Terminava assim a nossa notícia.

Vamos esperar que, em breve, todos possamos gritar, a viva voz, com todo o ar exalado dos pulmões: VENCEMOS! VENCEMOS! ESTAMOS LIVRES!!

Por favor, cuidem-se, sigam o que vos é pedido, protejam-se e protejam os vossos. Não saiam de casa por banalidades…Fiquem a salvo!!

Por: Pedro Soares de Sousa*. (Professor e Diretor do Barcelos na Hora)

Foto: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

COVID-19: O antes, durante e o depois

Março 22, 2020 em Atualidade, Concelho, Economia, Mundo, Opinião, Política Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Soares de Sousa

Caros leitores,

O tema que me traz de volta à opinião escrita é o malfadado COVID-19, ou Coronavírus, como é mais propalado. Infelizmente, e pelas piores razões, é já um tema/assunto cliché.



Enquanto fico por casa (#EuFicoEmCasa), escrevo estas linhas para que, em conjunto, todos possamos fazer uma espécie de brainstorming sobre o assunto principal da nossa “Ordem do Dia”.

O país até iniciava bem o ano, com crescimento da economia, se bem que, na minha opinião, sustentado, em demasia, no consumo privado e, não, nas exportações. Falava-se do boom da construção e recuperação dos edifícios; do perigo de uma bolha imobiliária, com a especulação e os preços exorbitantes das habitações; da aprovação da eutanásia – e, agora, estamos todos com medo da morte! –; o Turismo seguia pujante, com as principais cidades já a discutirem “taxas e taxinhas” por causa do turismo desenfreado;  do orçamento de estado e cativações; do Centeno que estaria por dias enquanto Ministro das Finanças; da extrema-esquerda a aliar-se à direita para aprovar algumas medidas, como o baixar do IVA na eletricidade, “furando” a “geringonça”; do Ventura à Joacine, passando pelo “Chicão” e os putativos candidatos às Presidenciais, entre mais uma miríade de assuntos que iam cativando os portugueses e agarrando, muitos deles, às TV’s e às redes sociais. Já não falando, sequer, do desporto, com o futebol no “centro do terreno”, para não inflamar, já, os mais fanáticos adeptos!

Lá por fora, falava-se das negociações do Brexit que nunca mais chegavam, sequer, a “bom porto” (nem mesmo o de Calais!); das “imbecilidades” de alguns líderes mundiais; da catástrofe humanitária dos refugiados – nem quero imaginar como estarão aquelas pessoas, agora com mais um grande medo na sua vida, o de serem também contagiados –; a guerra comercial entre EUA e China começava a amornecer, com a UE a assistir “na poltrona” e a ser ultrapassada, a meu ver, em imensos dossiês, principalmente, os económicos e comerciais, entre muito mais.

Aqui pelo burgo, o partido à frente dos desígnios da Câmara Municipal de Barcelos entrava numa guerra fratricida, com as eleições internas, ficando mais evidentes as forças bipolarizadas; no maior partido da oposição ainda não tinha havido eleições internas – que deverão ser adiadas por causa da pandemia –, mas tinha havido eleições nacionais e congresso, com surgimento de “alianças imprevistas” e de novas figuras, inclusivamente, eleitas para o referido congresso; o IPCA continuava com o seu crescimento; iniciavam-se algumas obras e construções que têm levantado alguma celeuma; no Desporto, o Gil Vicente FC estava a fazer uma boa época, tendo em conta todas as nuances; o Óquei de Barcelos igualmente, tendo andado, mesmo, pelo 1º lugar e tornando a “catedral” quase intransponível; o Basquete de Barcelos terminava em 1º lugar na primeira fase e iniciava a segunda com nova vitória, sendo que as seniores femininas também estavam com boas performances; nos campeonatos distritais de futebol, as equipas barcelenses estavam a fazer, na sua generalidade, bons trajetos (vide o caso da Série A da 1ª divisão, com três equipas barcelenses a ocupar o pódio e o Ucha a liderar, sendo que todas as participantes de Barcelos estavam no top-10); no Futebol Popular, na 1ª havia grande disputa pelo campeonato e na 2ª havia líder destacado; o ciclismo começava as suas provas; o calendário de trails e provas de BTT começava a crescer, o Teatro e a Dança marcava pontos e levava o nome de Barcelos aos píncaros mediáticos…enfim, a Vida começava a “ir de vento em popa”!

E eis que, na mega populosa China, na mega industrializada e poluidora China, na “totalitária” China, surge um mega problema sanitário e de saúde, com nome de Coronavírus, que, depois, evoluiu para COVID-19. O Mundo pasmou, ficou a assistir como se o problema tivesse sido criado pelos chineses e por lá se mantivesse, com eles a terem que se amanhar com isso e a terem que solucionar a – agora – pandemia. Ou seja, o Mundo “marimbou-se” para algo que estava a caminho, como se de um asteroide em rota de colisão com a Terra se tratasse, só que, neste caso, o “rochedo” ia em rota de colisão com a China e, não, com os EUA, como se vê na maioria dos filmes “hollywoodescos”, onde tudo parece acontecer, bom ou mau, lá por “terras do Tio Sam”! Só que o vírus transportava-se muito facilmente e, muito facilmente, começou a chegar aos demais países, principalmente àqueles que – e muito bem – têm economias abertas e de mercado (as viagens dos players foram o mote). Infelizmente, a Europa tornou-se o maior foco da pandemia, com Itália à cabeça. Viam-se imagens de miúdos, muitos ainda imberbes, a furarem quarentenas para irem ter com umas garinas e beberem umas colas; viam-se jantaradas e esplanadas cheias na mesma; jogos de futebol a acontecerem na mesma, mesmo aqueles que se realizavam “no olho do furacão”…e as coisas, infelizmente, pioraram.

Por cá, mais uma vez, as redes sociais funcionavam ao contrário, com os “tugas” a escreverem, todos garbosos e, muitas vezes, jocosos, de que “em Portugal, 0 infetados” e a vida continuava. Até uma tal de Ministra da Agricultura dizia que o país poderia sair a ganhar com a crise sanitária na China, exportando mais produtos hortícolas (e ainda se mantém no cargo!!), fazendo lembrar o Turismo, em período anterior, que se andou a “vangloriar” de andar a conquistar mercados, aproveitando as crises e a falta de segurança resultantes da “Primavera Árabe”, da luta contra o DAESH ou das crises humanitárias. O problema entrou-nos país adentro, mas as noitadas e as praias continuavam “na berra”! Até que acordámos para a realidade, as redes sociais deixaram o “vangloriar” e, muitas vezes, o “chacotear”…para, e agora bem, alertarem, sensibilizarem e criticarem a falta de cuidados e de comportamento cívico e coletivo, enquanto povo, enquanto nação. Os profissionais de saúde deixaram de ser agredidos sempre que alguém, tresloucado, se sentia melhor a bater e a insultar, e passaram a ser os heróis; os encarregados de educação, que tanto reclamavam – e bem – pela abertura das escolas, agora pediam para que as mesmas fechassem, como veio a acontecer. O país está assustado, as pessoas estão assustadas (nem todas, como se vê – não sendo em Portugal, acho “execrável” o que se passou em Valência há uns dias atrás, com as filas de carros a quererem passar numa via que estava fechada e era suposto estarem de quarentena! Nem mesmo com figuras mediáticas, como futebolistas da equipa Che, a serem infetados, as pessoas “ganharam juízo”!) –, as atividades estão a parar – julgo que, daqui por 15 dias, mais terão que o fazer –, a sociedade está a enfrentar algo que nunca enfrentou. Pelo menos, as gerações mais novas, precisamente aquelas que, por norma, têm uma maior capacidade corporal e imunitária para aguentar a infeção. Os nossos anciãos, aqueles que nos receberam cá, aqueles que já passaram por guerras, ditaduras, privação de direitos, liberdades e garantias, veem-se, agora, a passar pelo mesmo, com o handicap de, agora, terem menos defesas e menos força para suplantar as dificuldades. E isso entristece-me imenso, porque fui educado, e formei a minha personalidade, a saber respeitar os mais velhos e a fazer por protegê-los. Mas sinto-me impotente, neste momento e nesse desígnio. Apenas posso pedir e sensibilizar para que tenham cuidado e para que todos nós os possamos ajudar! Aliás, TODOS NÓS devemos ter cuidado, TODOS NÓS devemos tomar medidas de precaução, TODOS NÓS devemos lutar contra esta maléfica pandemia.

Sei e tenho fé, tal como – espero – todos nós o tenhamos, que esta situação vai passar. De uma forma um pouco melhor, só depende de nós. Infelizmente, prevejo muitas dificuldades, que surgirão a jusante. Penso que as empresas vão demorar a recuperar encomendas, mesmo que, como sabemos, os stocks irão estar muito debilitados; as linhas de crédito lançadas pelo Governo, ainda deficitárias, a meu ver, não deverão ajudar muito porque é crédito e as empresas terão, mais cedo, ou mais tarde, que o pagar; o Turismo, que vinha pujante e desenfreado, vai demorar a recuperar, com o receio de novas pandemias e recaídas – prevejo que aqueles que, antes, pretendiam frear o turismo, principalmente, com taxas e afins, irão, futuramente, “rezar” para que o turismo volte ao caminho que vinha tendo –; os tais profissionais de saúde “heróis”, as escolas e os professores vão voltar a ser o alvo das fúrias momentâneas e de expiações de frustrações; a “limpeza” e despoluição momentânea do nosso planeta vai ser, bem depressa, esquecida e, até, esmagada por uma economia sedenta de crescimento que se vai marimbar para a Natureza e os níveis de CO2, importando-lhe, apenas, recuperar encomendas, lucros e, só depois, postos de trabalho…Em suma, julgo que vai ser uma espécie de “desmame” de toda uma civilização, que sai de um período de extrema privação e passa para outro onde a liberdade será o elixir da sua existência, um pouco à imagem daqueles povos e civilizações que viveram e experienciaram ditaduras e, depois, se viram envoltos em liberdade, que, em extremo, os fez “explodir” numa “freima” que acabou por prejudicar muitos pilares da sua sociedade e civilização.  

Porque este meu artigo já vai muito longo, e porque sinto que poderia dizer muito mais, decidi conter os meus sentimentos e pensamentos, numa espécie de “quarentena sentimental” porque não quero estar a preocupar e assustar, ainda mais, as pessoas que me estão a honrar com a leitura deste texto que escrevo. Também porque, como tudo isto anda, o que hoje escrevo aqui, amanhã já estará descontextualizado e desatualizado. Por ora, ainda não temos notícias de pessoas infetadas em Barcelos, mas os números que surgem, por exemplo, em Braga, poderão corresponder a alguém aqui do concelho. Já em Portugal, os números não param de subir e tendo em conta o que os especialistas dizem, com a Ministra da Saúde à cabeça, o pico será por 14 de abril. Ora, se analisarmos as contas, mesmo não sendo ases na matemática, compreendemos que os próximos dias/semanas vão ser cruciais, vitais mesmo. Julgo que o Governo, tendo em conta essas previsões, já deveria ter enrijecido as medidas para estes próximos dias/semanas, no sentido de se evitarem as tristes – e, igualmente, “execráveis” – imagens que pululam, ainda hoje – 22.03.2020 –, nas redes sociais e órgãos de comunicação social (que precisa “por os olhos” na reportagem da SKY NEWS em Itália e começar a mostrar certos aspetos que possam fazer “assustar”, A SÉRIO, os portugueses), de várias pessoas, mesmo em grupos superiores a dois indivíduos, a passearem, como se nada fosse, nos calçadões à beira-mar (julgo que algumas fotos são de Vila do Conde e Póvoa de Varzim, local onde, pasme-se, até surgiram alguns dos primeiros infetados! Luís Sepúlveda diz-vos algo??!!)! Como português, sei que, infelizmente, isto só “vai a mal”! Infelizmente…

Termino com um agradecimento a todos os profissionais que continuam “na linha da frente” a realizar as suas tarefas para que todos possamos sentir um menor impacto desta pandemia na nossa vida. Da saúde, do comércio, agricultura, recolha de lixo, agentes de segurança e socorro, da solidariedade, enfim…toda uma panóplia de pessoas e profissões que, neste momento mais negro, estão na luta – e na labuta – para que todos sintamos “uma pancada” menor! Muito, mas mesmo muito, OBRIGADO!



Estamos juntos, vamos conseguir ultrapassar isto! “Vai ficar tudo bem”! Tenham cuidado, previnam-se, não baixem as defesas…VAMOS PORTUGAL!! VAMOS MUNDO!! VAMOS HUMANIDADE!!

Por: Pedro Soares de Sousa* (Professor e Diretor do Barcelos na Hora).

Imagens: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Rotary de Barcelos recebe Governador do Distrito 1970

Janeiro 24, 2020 em Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo Por barcelosnahorabarcelosnahora

Foi numa sala cheia do Hotel Bagoeira, que o Rotary Club de Barcelos, e demais convidados, receberam José Carvalhido da Ponte, Governador do Distrito 1970 do Rotary Portugal, no passado dia 22 de janeiro, pelas 20h00.



O evento contou com a presença de vários Clubes dos distritos de Braga, Viana do Castelo, Porto e Aveiro, assim como, com a da Vice-Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Armandina Saleiro, entidades convidadas, entre elas, o nosso jornal, representado pelo nosso Diretor, Pedro Soares de Sousa.

Após a saudação das bandeiras, um dos primeiros atos cerimoniais foi a admissão de Isaque Ferreira, Presidente da Junta de Freguesia de Cristelo e responsável pela Delegação de Barcelos da Liga Portuguesa Contra o Cancro, como membro do Rotary Club de Barcelos.

Findos os discursos das demais personalidades, nomeadamente, da Presidente do Rotary Club de Barcelos, Cláudia Santos, do representante do Club padrinho – Guimarães – do de Barcelos, e de Armandina Saleiro, foi a vez de José Carvalhido da Ponte discursar, fazendo-o de uma forma “fora das normas”, não ficando estático num local, mas, pelo contrário, percorrendo os espaços por entre mesas e participantes. Abordou as virtudes dos rotários, os caminhos que devem percorrer, o trabalho e obras do Rotary, projetos levados a cabo, o seu livro de poesia, alegorias e conselhos, entre outros temas e assuntos.

Por falar em projetos, deteve-se um pouco mais no de Cachéu, nomeadamente, da “Casa das Mães”, projetos esses que mereceram, por parte do Club de Barcelos, uma doação para ajudar na concretização dos mesmos.

Por entre as trocas de lembranças – por exemplo, o Governador entregou um livro de poesia de sua autoria –, o Rotary de Barcelos entregou a José Carvalhido da Ponte um Galo de Barcelos particularizado com temas alusivos ao Rotary e a Viana do Castelo, de autoria da artesã barcelense Sílvia Barbosa, conhecida, local e afetivamente, como “Sílvia dos Galos”.

Ao Barcelos na Hora, José Carvalhido da Ponte salientou que tem visto um “Distrito entusiasmado, que procura, a todo o custo, rejuvenescer e construir projetos transformadores da comunidade”, realçando que “o trabalho, pelo menos durante as VOG’s, é muito intenso, mas compensatório pelas experiências que nos são proporcionadas”.

Um dos momentos da noite foi o visionamento de um vídeo promocional da Conferência Distrital, que “é sempre um momento e balanço do ano rotário e de reflexão sobre um ou outro tema mais pertinente”, referiu o Governador do Distrito 1970. Esta Conferência irá ter um relato de Boas Práticas, quer dos clubes, quer das equipas distritais, tempos de convívio e degustação gastronómica (por exemplo, no Santoínho), visitas guiadas à cidade, “Baile do Governador” e muita música.

Instado a avaliar o trabalho desenvolvido pelo Club de Barcelos, José Carvalhido da Ponte disse que viu “um clube com muito entusiasmo e bons projetos, com uma líder (Cláudia Santos) firme, mas próxima dos companheiros pelos afetos, pela simpatia, pelo sorriso. Percebi que a Presidente se acompanha de um Conselho Diretor empenhado. É um clube de referência”, concluiu.

Já Cláudia Santos, a referida Presidente do Rotary Club de Barcelos, salientou que, para ela, este jantar superou todas as suas expectativas. “Uma sala repleta de amigos. Entrada de um novo companheiro, Senhor Isaque Ferreira, fundador da empresa Frutas do Cávado, que muito nos honra com o seu Sim ao nosso movimento, tendo sido apadrinhado pelo nosso companheiro Francisco Pereira. Um serviço de excelência pela parte do Restaurante Bagoeira. A alegria e companheirismo de todos os presentes. A presença da Vice-Presidente da Câmara Municipal, Dr.ª Armandina Saleiro. As presenças das Corporações dos Bombeiros de Barcelos, Barcelinhos e Viatodos. E a incrível formação Rotária e apresentação do projeto Girassol do nosso Amigo Governador, José Luís Carvalhido da Ponte. É impossível não ficar apaixonado por este movimento, quando existe tanto entusiasmo envolvido”.

Esta Visita Oficial do Governador não se restringiu apenas ao jantar. O dia teve uma receção na Câmara Municipal de Barcelos, pelas 15h00, com a Vice-Presidente como cicerone. “Foi um encontro ‘mágico’. Se este ano o lema é a conexão ‘Rotary Conecta o Mundo, nada melhor do que sentir a conexão da amizade. Quando através do olhar se sente harmonia, não é necessário mais nada para que tudo corra bem. Dialogámos sobre o nosso percurso em Barcelos, sobre o Lema de entrega nas ações dos rotários. Foi um discurso aberto e amigo”, referiu a Presidente rotária.

Uma hora mais tarde, visitaram a AMAR 21 – Associação de Apoio às Crianças com Trissomia 21 e outras perturbações do neuro-desenvolvimento, em Vila Boa, onde esta IPSS está a produzir o Doce de Barcelos. “Sentimos o entusiamo e perfeição que estas crianças colocam neste projeto. É nestas alturas que vemos que os sonhos são possíveis de realizar e que vale a pena a nossa entrega”, revela Cláudia Santos. Seguiu-se a visita à nova sede desta IPSS, localizada na antiga escola primária de Vilar do Monte, onde conheceram o espaço entregue à AMAR 21. “É incrível ouvir as suas ideias, que nos tocam o coração e nos dão vontade de fazer parte dos seus projetos. Fomos cativados e daremos o nosso melhor”, salienta.

A tarde terminou com uma reunião de trabalho entre o Conselho Diretor do Club e o Governador, onde fizeram o balanço, fizeram um check-up “à saúde do clube”, tendo projetado os próximos seis meses.

Sobre esta Visita Oficial do Governador, Cláudia Santas refere que o clube barcelense “é grato pela amável visita do nosso Governador. Sendo professor e poeta, tem uma forma apaixonada de encarar a vida e os desafios. É impossível não sentir as suas vontades. Foi assim que nos unimos à sua causa e da sua esposa, Professora Maria Adelaide Ponte, que caminha a seu lado com muito amor. Essa causa é o Projeto Girassol – Construção de um jardim de infância em Cachéu, na Guiné-Bissau, jardim este, pensado para ser sustentável e perdurável no tempo. Podem contar connosco e nós podemos contar com eles. Juntámos sinergias com muita amizade”.

Sobre os primeiros seis meses de mandato, seu e do Conselho Diretor, a Presidente do Club de Barcelos salienta que “foram 6 meses de trabalho, focados na conexão com a comunidade Barcelense e com os companheiros dos outros clubes”, sendo que, para futuro, têm muitos desejos, sendo um deles “conseguir apoiar a Amar 21, que é uma IPSS jovem, com sonhos que encantam”, assim como, “continuar a conectar com a comunidade, promovendo eventos de interesse para a evolução social. Acima de tudo, manter o nosso companheirismo e projetá-lo para o bem da sociedade. ‘CONECTAR’”, concluiu.

Fotos: BnH e RCB.

[Ndr: notícia atualizada a 24.01.2020, pelas 16h00]

Direito de Associação

Janeiro 5, 2020 em Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião, Política Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Soares de Sousa

Caros leitores,

Durante o mês de novembro, iniciámos dois espaços de opinião da responsabilidade do Rotary Club de Barcelos e do Lions Clube de Barcelos, duas grandes instituições locais, nacionais e internacionais que nos honram com a sua presença neste projeto.



Tendo este facto em conta, decidi escrever um pouco sobre estas e outras instituições, agremiações, associações, grupos, entre outros, principalmente, por ser um tema que me desperta interesse.

Segundo a INFOPÉDIA da PORTO EDITORA, uma associação é: «1 – ato ou efeito de associar ou associar-se; aliança; união; 2 – grupo de pessoas assim reunidas; 3 – ato de associar alguém a algo; colaboração; 4 – união de esforços de várias pessoas para prosseguir um fim comum; 5 – pessoa coletiva sem fim lucrativo (…)». Já o da PRIBERAM (online) refere que Associação é: «1 – reunião de pessoas para um fim comum. = AGREMIAÇÃO, CONSOCIAÇÃO, SOCIEDADE; 2 – sociedade; 3 – comunidade; 4 – conexão».

Associativismo, segundo a INFOPÉDIA, é: «1 – movimento partidário da criação de associações (cívicas, laborais, culturais, etc.) para defesa de interesses ou para obtenção de objetivos comuns; (…)», sendo que no da PRIBERAM, associativismo é: «movimento organizado ou prática de associação de grupos sociais, nomeadamente de grupos laborais e sectoriais».

Se consultarmos a Constituição da República Portuguesa, encontramos, no Artigo 46º, “Liberdade de associação”, que afirma:

«1. Os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover a violência e os respetivos fins não sejam contrários à lei penal.

2. As associações prosseguem livremente os seus fins sem interferência das autoridades públicas e não podem ser dissolvidas pelo Estado ou suspensas as suas atividades senão nos casos previstos na lei e mediante decisão judicial.

3. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação nem coagido por qualquer meio a permanecer nela.

4. Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista».

O Artigo 51º, “Associações e partidos políticos”, também refere algo, a meu ver, que importa muito a este assunto. Senão, vejamos: «1. A liberdade de associação compreende o direito de constituir ou participar em associações e partidos políticos e de através deles concorrer democraticamente para a formação da vontade popular e a organização do poder político».

Neste concelho, tal como por este nosso país afora, e mesmo pelo mundo, há milhares e milhares de associações, agremiações, sociedades, comunidades, clubes, grupos, partidos, sindicatos, federações, confederações, entre outras entidades que reúnem pessoas em volta de objetivos comuns e em prol dos mesmos. Sejam solidários, partidários, associativos, corporativos, federativos, comunitários, cívicos e muito mais.

Em relação a estes dois novos espaços, falando do Rotary International, e usando informação consultada online, sabemos que foi fundado em 1905 e tem cerca de 1,22 milhões de membros, sendo uma “rede global de líderes comunitários, amigos e vizinhos que veem um mundo onde as pessoas se unem e entram em ação para causar mudanças duradouras entre si mesmas, nas suas comunidades e no mundo todo”, tendo como missão “servir ao próximo, difundir a integridade e promover a boa vontade, paz e compreensão mundial por meio da consolidação de boas relações entre líderes profissionais, empresariais e comunitários”, sendo dirigidos por Governadores e Presidentes. (in: https://www.rotary.org/pt )

Por seu turno, os Lions foram fundados em 1917 e “servem”. Segundo nova consulta, ficamos a saber que “é bem simples assim e tem sido” desde que começaram nesse ano. “Os clubes são lugares onde as pessoas se reúnem para doar o seu precioso tempo e trabalho para melhorar as comunidades e o mundo”, tendo como missão “empoderar os voluntários para que sirvam às suas comunidades e atendam às necessidades humanas, fomentam a paz e promovam a compreensão mundial por meio dos Lions clubes”, sendo a sua visão “ser o líder global em serviços comunitários e humanitários”. À imagem da instituição anterior, os Lions também são dirigidos por Governadores e Presidentes. (in: https://www.lionsclubs.org/pt)

Estas duas instituições têm associadas a si a ideia de elitismo e de que, para se ser rotário ou lion, é preciso pertencer-se a estratos mais altos da sociedade, com capacidade financeira alta e é difícil conseguir pertencer/entrar nelas. No entanto, do que conheço, e das pessoas com quem interajo, não tenho nada essa ideia. É a minha perceção, das experiências que vou tendo, principalmente, desde que o Rotary Club de Barcelos e o Lions Clube de Barcelos decidiram colaborar com este vosso projeto que é o “Barcelos na Hora”.



Ainda tendo em conta o direito de associação plasmado na Constituição Portuguesa e, presumo, na maioria das legislações da esmagadora maioria dos países, as pessoas têm o direito de associar-se, entrar, aderir, fazer parte de outro tipo de instituições – li, no SOL online, uma denominação que considero muito curiosa: “organizações de caráter discreto”, em sequência de proposta de Projeto-lei do PAN sobre estas organizações [NdA: se se interessa por este tema/assunto, consulte a referida notícia e conheça algumas das posições e opiniões em relação a esta proposta, em: https://sol.sapo.pt/artigo/681376/igreja-com-opus-rejeita-revisao-da-concordata]. Organizações essas, também com fortes traços rituais e hierárquicos, em que os seus membros podem optar pelo anonimato (algo a que, a meu ver, têm direito) e em que os objetivos podem ir além da solidariedade, sendo até mais para apoio e desenvolvimento espiritual de seus membros, sejam homens, sejam mulheres. Não posso esconder que, quiçá, a maioria das pessoas desdém essas instituições e seus membros (também por culpa de algumas ações realizadas por certas pessoas que a elas pertencem ou pertenceram), mas elas existem, têm história, já influíram na história de muitos países e terras, e devem ser, a meu ver, igualmente respeitadas pois, se não for para «promover a violência e os respetivos fins não sejam contrários à lei penal», então, as pessoas devem ser livres de a elas pertencerem ou pretenderem pertencer.

Uma delas é a Maçonaria, fundada em 1717. Segundo uma das muitas páginas dedicadas ao tema, e mesmo pertencentes, presumo, a Obediências ou Lojas, a Maçonaria «É uma Ordem iniciática e ritualística, universal e fraterna, filosófica e progressista, baseada no livre-pensamento e na tolerância, que tem por objetivo o desenvolvimento espiritual do homem com vista à edificação de uma sociedade mais livre, justa e igualitária.

A Maçonaria não aceita dogmas, combate todas as formas de opressão, luta contra o terror, a miséria, o sectarismo e a ignorância, combate a corrupção, enaltece o mérito, procura a união de todos os homens pela prática de uma Moral Universal e pelo respeito da personalidade de cada um. Considera o trabalho como um direito e um dever, valorizando igualmente o trabalho intelectual e o trabalho manual.

A Maçonaria é uma Ordem de duplo sentido: de instituição perpétua e de associação de pessoas ligadas por determinados valores, que perseguem determinados fins e que estão vinculadas a certas regras.

É Iniciática, porque só pode nela ingressar quem se submeta à cerimónia de iniciação, verdadeiro “batismo” maçónico, que significa literalmente o começo, e simboliza a passagem das trevas à “Luz”». (in: https://grandelojasimbolicaportugal.com/ [Grande Loja Simbólica de Portugal])

Em Portugal, consta-se que tenha iniciado em 1727, sendo que teve interregnos ou manteve-se de tal forma “adormecida” que poderá ter sido dada como “extinta”, principalmente na época sob regime salazarista e marcelista. Com a “Revolução dos Cravos”, começou a sua “reconstrução”.

Hoje em dia, ainda de acordo com a mesma página, existem seis Obediências Maçónicas portuguesas com reconhecimentos internacionais: O Grande Oriente Lusitano, A Grande Loja Simbólica de Portugal, A Grande Loja Simbólica da Lusitânia (mista), A Grande Loja Legal de Portugal/Grande Loja Regular de Portugal, A Federação Portuguesa «O Direito Humano» e A Grande Loja Feminina de Portugal.

O ano de 2019 marcou o início da primeira Pós-Graduação em “Maçonaria e Sociedades Iniciáticas”, na Universidade Autónoma de Lisboa, com alguns Grão-Mestres a pertencerem ao quadro docente da pós-graduação.

Mesmo não sendo “bem-vista” pela esmagadora maioria das pessoas, a Maçonaria também tem objetivos e projetos solidários, conforme se pode constatar nesta reportagem do Jornal I, de 27.02.2015:

https://ionline.sapo.pt/artigo/264296/macons-da-caridade-discreta-as-influ-ncias-indesejadas?seccao=Portugal.

Ou nesta entrevista a Pedro Rangel, antigo Grão-Mestre da Grande Loja Simbólica de Portugal, de 14.04.2019: https://infocul.pt/actualidade/pedro-rangel-um-macon-e-um-homem-livre-e-de-bons-costumes/ (basta clicarem nos links para acederem).

Outra destas Instituições é o Opus Dei, cujo Prelado atual é o Monsenhor Fernando Ocáriz, sendo constituída por Clubes, centros e locais de atividades.

O Opus Dei foi fundado em 1928, em Espanha, e está presente em 61 países. A 2 de outubro desse ano, São Josemaria Escrivá de Balaguer, durante um retiro espiritual em Madrid, funda, “por inspiração divina”, o Opus Dei, que “entra” em Portugal em 1945.

É «constituído por um prelado, por um presbitério ou clero próprio e por leigos, mulheres e homens. No Opus Dei não há diferentes categorias de membros. Há, sim, diversos modos de viver a mesma vocação cristã, de acordo com as circunstâncias pessoais de cada um: solteiros ou casados, sãos ou doentes, etc.» (in: https://www.opusdei.org/pt-pt/article/cristaos-no-meio-do-mundo/ [Opus Dei Portugal]).

Para além destas, mais conhecidas e difundidas (há uma miríade delas), em minha opinião, poderíamos abordar a Carbonária – julgo que já inexistente em Portugal e de que ouvi falar pela primeira vez nas aulas de História de Portugal, do Professor Manuel Prata, aquando do meu curso superior para me tornar professor – que ficou mais conhecida, para nós, portugueses, pelo regicídio de 1908, em que elementos desta organização planearam e levaram a cabo o assassinato do Rei D. Carlos e seu filho, Príncipe Luís Filipe; ou a Ordem “Rosacruz”, popularizada na Europa no início do século XVII, com Lojas, Capítulos ou “Átrium” (in: https://www.amorc.org.pt/ [AMORC – Ordem Rosacruz]); ou mesmo os Illuminati, nome dado a vários grupos, quer reais, quer fictícios – “personagens” de muitos livros e filmes, por exemplo – , cujos objetivos eram (ou são) fazer oposição à superstição, obscurantismo, influência religiosa sobre a vida pública e abuso de poder do estado.

Concluindo, na minha opinião, quer se goste ou desgoste, se ache legal ou ilegal, sejam mais abertas ou mais secretas, elitistas ou não, sejam mais solidárias ou apenas sirvam interesses, todas estas entidades são (ou eram) legítimas, e quem pertence (ou pertenceu) a elas, à partida, não está (ou não esteve) lá forçado e, por isso, está (ou estava) a usufruir do seu direito de associação plasmado na Constituição da República Portuguesa, sendo o direito à reserva da vida privada um dos direitos, liberdades e garantias consagrados nessa mesma Constituição.

Teríamos aqui “pano para mangas”, principalmente para alguém como eu, que gosta deste tipo de sociedades, instituições, ordens, organizações, grupos…

No fundo, apenas quero expressar a minha alegria e agradecimento pelo facto dos dois clubes barcelenses (Rotary e Lions) terem aceite o nosso desafio e decidido participar, e enobrecer, ainda mais, este nosso projeto que é o Barcelos na Hora. Muito obrigado!

Por: Pedro Soares de Sousa*. (Professor e Diretor do Barcelos na Hora)

Fontes:

https://dicionario.priberam.org/associativismo

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/associativismo

https://dicionario.priberam.org/associa%C3%A7%C3%A3o

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/associa%C3%A7%C3%A3o

https://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Foto: DR.

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