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Pensar Barcelos

Reciclagem: Barcelos no bom caminho, mas consegue ainda mais!

Julho 4, 2020 em Atualidade, Concelho, Economia, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Soares de Sousa

Caros leitores,

Antes de mais, espero que se encontrem bem ou, pelo menos, o melhor possível.

O artigo que hoje partilho convosco aborda a reciclagem, algo de que sou seguidor convicto, por vezes, quiçá, até em exagero. Mas sou-o com todo o gosto e isso faz-me sentir bem.



No início de junho, tive o prazer de ser recebido pelo Eng.º Rui Fernando Silva (Administrador Delegado) e pela Eng.ª Joana Cunha (Responsável pela Comunicação e Sensibilização) na sede da RESULIMA, em Vila Fria (Viana do Castelo), onde fiquei a conhecer melhor a empresa, assim como a central de separação e transferência. Desde já, agradeço por toda a atenção e amabilidade.

Esta empresa iniciou a atividade em 1998, com capital privado (51% – Grupo EGF) e público (6 municípios servidos pela empresa, sendo Barcelos, com 17,7%, o concelho com maior percentagem de capital). Serve uma área geográfica de 1.743 km2; 309,5 mil habitantes de população média anual residente; tem 99 colaboradores; e, em 2019, tratou 141 mil toneladas de resíduos. Encaminhou 14.506 toneladas de resíduos para valorização e reciclagem, resultando num crescimento da recolha seletiva de 16,9%. De 2018 para 2019, a retoma de recicláveis de vidro aumentou 11%, de papel/cartão 17%, de plásticos 7%, metais 18% e outros 14%. São dados que, certamente, nos agradam a todos!

Do aterro sanitário, que se encontra ao lado da referida central, resultou uma valorização energética de biogás, sendo vendidos 12 GWh de eletricidade à rede elétrica nacional. O valor da venda deste biogás, somado ao da venda (retoma) dos materiais para reciclar, ajuda a que a tarifa do lixo possa baixar, desde que permitido pelas entidades superiores que regulam, e bem, a RESULIMA, nomeadamente, o Governo e a ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, assim como, pelos acionistas.

A nível pessoal, gostei imenso de ver os profissionais a separarem o lixo, principalmente, chegado dos ecopontos amarelos, onde se deposita uma maior gama de produtos. A “máquina” estava muito bem “oleada” e a cadência de produtos a cair nos cestos correspondentes era impressionante! Tal como a quantidade de fardos de material a ser reencaminhado para as empresas que tratarão do seu aproveitamento. De salientar, que, devido à pandemia, a empresa viu-se forçada a ter que deixar os resíduos recolhidos 72 horas em quarentena, antes de os colocar nas cintas para a sua separação e enfardamento.

O aterro sanitário é mesmo ao lado e posso garantir-vos que não se sentia, no ar, aquele mau odor a lixeira (e eu sei bem do que falo, por causa de algumas atividades que tive de realizar em emprego anterior…já lá vão uns bons anos). E estava um dia ventoso!

Os responsáveis que me receberam, nomeadamente, o Eng.º Rui Fernando Silva, fizeram questão de salientar que Barcelos melhorou na recolha e aumentou a quantidade (toneladas) de lixo enviado para separação e reciclagem. Este responsável fez questão, mesmo, de destacar que estavam muito agradados com estas melhorias por parte do concelho barcelense, ressalvando que esperam que melhore ainda mais, pois veem Barcelos como um concelho com imensas potencialidades e com grande margem de crescimento.

Também os empresários e comerciantes foram alvo de atenção, com o Administrador da RESULIMA a salientar que o serviço de recolha “porta a porta” do comércio barcelense tem atingido números muito bons, tão bons que, em breve, haverão novidades em relação ao reforço desse serviço. Algo que agradou, igualmente, foi a informação de que haverá um reforço de ecopontos no concelho de Barcelos, com a instalação de mais 139, sob responsabilidade da Câmara Municipal de Barcelos e da RESULIMA.

Em suma, estamos a melhorar, mas podemos – claro está – melhorar ainda mais.  Eu julgo que, com dedicação e empenho, Barcelos vai conseguir ainda mais e melhor. O carácter dos barcelenses diz-me que sim, que é possível!

Algumas dicas:

. As embalagens de leite (e similares) continuam a ser alvo de confusão por parte de muita gente, disseram esses responsáveis. Fiquei a saber que ainda chegam muitas nos lotes de papel/cartão, ou seja, do ecoponto azul. Estas embalagens devem ser depositadas no ecoponto amarelo.

. As cuvetes de alumínio, assim como os aerossóis (sprays) podem ser tratados e reciclados. Devem ser depositados no ecoponto amarelo, onde se depositam, também, as latas de refrigerantes e conservas, por exemplo.

. Infelizmente, os tubos vazios de pasta de dentes ainda não são alvo de separação e retoma.

. Cartão e papel que esteja um pouco sujo (mesmo com gordura – por exemplo, de pizas e comida) pode, e deve, ser depositado no ecoponto azul. É reciclável, tal como o papel e cartão com fita-cola, agrafos e pequenos vestígios de plástico.

. O óleo depositado nos oleões também é direcionado para o Centro de Vila Fria, de onde é direcionado para empresas que o reutilizam. Assim como o que escorre das embalagens de óleo e azeite que são separadas para retoma.

. O esferovite é passível de tratamento e reciclagem. Deve ser depositado no ecoponto amarelo.

. O vidro continua a ser depositado nos ecopontos em muita quantidade, talvez por questões sociológicas, já que este material foi o primeiro a ser alvo de separação. Quem não se lembra dos primeiros vidrões brancos, verdes e castanhos?

. Quase todo o material separado é prensado em fardos e enviado para as empresas responsáveis pelo seu reaproveitamento/reciclagem.

UCPT Paradela traz a reciclagem para o Século XXI

Segue-se o futuro. Muito se tem falado sobre a nova Central de triagem automatizada, mais concretamente, UCPT – Unidade de Confinamento, Preparação e Tratamento de resíduos urbanos, já em construção na freguesia de Paradela – Barcelos.

Esta Unidade vai trazer a recolha, tratamento, separação e reciclagem dos concelhos abrangidos pela RESULIMA para o século XXI, já que a existente é ainda de finais do século passado!

Aliás, com ela, a empresa, os concelhos abrangidos e suas populações, poderão atingir as metas PERSU 2020 (Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos), estabelecidas pela Associação Portuguesa do Ambiente e pelo Governo.

Vai ser uma Unidade de alta tecnologia! Todo o lixo passará por uma máquina, numa cinta, que terá a capacidade, de uma forma automatizada, de separar o lixo por tipologia (plásticos, metais, papéis, cartões…). O lixo passível de compostagem será direcionado, igualmente, para um local onde essa será realizada, com o produto resultante a servir para, por exemplo, fertilizante. Apenas aqueles resíduos que não têm mesmo hipótese de serem tratados é que serão direcionados para aterro (espaços quadrados à direita na imagem que se segue), onde serão acondicionados e alvo de tratamento para prevenção de cheiros. Se já no atual aterro não se sentem cheiros (acreditem, estive lá ao lado e não senti, mesmo tendo sido num dia ventoso!), nesta Unidade, esses cheiros serão ainda mais difíceis de sentir. Para quem pensa que será igual à Unidade que “nasceu” na fronteira Laúndos – Barqueiros, desengane-se. Vai ser algo muito, mas mesmo, muito melhor, mais avançado e mais completo!

Compreendo que para as populações das zonas envolventes haja receios, que julgo serem quase todos infundados. Mas para mim, que ouvi as explicações destes responsáveis, esta Unidade deixou-me deveras agradado – também porque sou defensor acérrimo da reciclagem e tratamento do lixo e frontalmente contra os velhos aterros e as velhas lixeiras –, mais tranquilo e desejoso para que entre em funcionamento o quanto antes. Temos que entrar, finalmente, no século XXI!

Curiosidades:

Sabia que a RESULIMA “subcontrata” uma ave de rapina para afugentar outras aves, principalmente, as gaivotas, da zona do aterro para evitar que retirem lixo de lá e provoquem problemas sanitários? Eu não sabia e fiquei pasmo ao vê-la, quiçá, na sua hora de descanso, imponente, pousada no seu local de repouso!

Sabia que os funcionários da recolha, separação e tratamento de lixo, quer da RESULIMA, quer camarários, mantiveram-se sempre “na linha da frente”, não parando e continuando a ser dos profissionais que mais são expostos ao COVID-19? Mas a empresa garante que, por ora, ainda não teve um infetado sequer! Muito bem!!

Concluindo, deixo o apelo para que todos, quer barcelenses, quer de outras localidades, façam a separação do lixo e a sua correspondente deposição nos ecopontos, ilhas ecológicas ou outros locais destinados a isso. Vamos, todos juntos, lutar por um Ambiente melhor!

Por: Pedro Soares de Sousa* (Professor e Diretor do jornal Barcelos na Hora).

A “Tribo”

Maio 1, 2020 em Atualidade, Concelho, Desporto, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Soares de Sousa

Caros leitores,

Devido ao confinamento caseiro e ao excessivo ócio que este provoca, as pessoas veem-se forçadas a encontrar novas formas de combater a pausa em demasia, com todos os malefícios que isso traz para o seu corpo e saúde.



No entanto, enquadrado no Decreto nº 2-A/2020, de 20 de março, que executava a declaração do estado de emergência efetuada pelo Decreto do Presidente da República nº 14-A/2020, de 18 de março, e sem alteração nas subsequentes renovações, eram permitidas aos cidadãos “Deslocações de curta duração para efeitos de atividade física, sendo proibido o exercício de atividade física coletiva” (in: https://covid19estamoson.gov.pt/estado-de-emergencia-nacional/pacote-de-medidas/), se bem que essa atividade física não podia ser realizada por mais do que duas pessoas em conjunto. Muito se falou sobre este pormenor, muito se criticou, muito se aconselhou. Notava-se muito receio nas pessoas, muito abuso por parte de quem aproveitava, então, para andar a correr pelos passeios e matas, quando antes não o fazia ou fazia pouco. Notava-se muito moralismo e alguma hipocrisia. Enfim, havia de tudo um pouco! Agora, com a declaração de Estado de Calamidade de ontem, a situação tende a normalizar, pelo menos no que concerne às “corridinhas” com mais algumas (não muitas) pessoas.

Mas o intuito deste artigo não é o de nos debruçarmos sobre estas atividades, mas sim, o de falar das saudades de fazermos exercício, como o atletismo, o running (street, trail, entre outros), as caminhadas, as simples corridinhas para aquecer e “desenferrujar os músculos”, o BTT, a Orientação, entre outras novas “modas” que nos levam a percorrer vias, passeios, tracks e caminhos por estas nossas terras.

Há um par de anos, comecei a correr e a fazer uns treininhos de final de tarde, início de noite. Já costumava correr anteriormente, mas por essa altura comecei a fazê-lo mais frequentemente, sempre em boa companhia. Por isso, as “saudades” a que me refiro, eu também as sinto!

Tal como eu, os aficionados destas modalidades devem estar, por esta altura, cheios de saudades do burburinho do início das provas, dos speakers a incentivarem, dos relógios e programas de treino, do aquecimento ou da conversa antes da partida. Mas também das paisagens e pormenores que se veem ao passar nos trilhos, dos abastecimentos durante as provas, da bifaninha e do fininho no final, do convívio com aquelas pessoas das quais, na esmagadora maioria das vezes, nem sabemos os nomes, mas já conhecemos “de vista”, dos tracks, dos obstáculos ou da aglomeração na meta. Até do “esquerda…direita”, para deixar passar os mais rápidos e desejosos de vitória!

A esmagadora maioria das pessoas que participam nestas provas tem como objetivo concluí-las, ultrapassar os seus limites, exceder as suas expectativas. Poder chegar ao final e receber um prémio de finisher (por norma, uma medalha). Não para se vangloriar, mas como recordação de que conseguiu chegar ao fim, conseguiu terminar aquela prova. É verdade que durante a mesma, os trail runners ou mesmo os betetistas, passam por momentos de maior tensão, principalmente quando têm obstáculos difíceis de ultrapassar e transpor, quando se encontram presos em lama, em riachos ou a lutarem contra cãibras, cansaço e intempéries tais que lhes entra na mente que não irão conseguir e a luta passa a não ser apenas física, para ser, igualmente, psicológica.

É a estas pessoas, quando isoladas ou em grupo, que gosto de chamar – carinhosamente –  de “A Tribo”!

Agora que a “vida” vai recomeçando a normalizar, dentro do que se poderá considerar “normal” nesta altura de pandemia, as pessoas também vão recomeçando a praticar o seu desporto, que se aconselha, possa ser da forma o mais segura e protegida possível.

Em breve, tudo terá passado e estaremos de volta aos trails, às caminhadas, ao BTT, Orientação, ciclismo, futebol…enfim, à nossa “rotina” desportiva! E que bom será…

Não posso terminar sem deixar as minhas palavras de apreço e dedicar este meu artigo a um amigo de longa data, o Paulo Costa (Alvarelhos – Trofa), que, soube-o há dias, voltou a correr depois de 13 meses de inatividade devido a lesão e outras complicações! Também ele aficionado dos trails longos!!  Caro Paulo, a Vida pode colocar-nos obstáculos e podemos achar que não conseguimos transpô-los, mas, com força e esperança, o “Sol” volta a “sorrir-nos” (sabes do que falo)! Sê bem-vindo (mesmo que ainda limitadamente) à “rotina”…sê bem-vindo de volta à “Tribo”!!

Por: Pedro Soares de Sousa* (Professor e Diretor do Barcelos na Hora)

Fotos: Eugénia Faria-Faria Joaquim (alterada) e DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

COVID-19: O antes, durante e o depois

Março 22, 2020 em Atualidade, Concelho, Economia, Mundo, Opinião, Política Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Soares de Sousa

Caros leitores,

O tema que me traz de volta à opinião escrita é o malfadado COVID-19, ou Coronavírus, como é mais propalado. Infelizmente, e pelas piores razões, é já um tema/assunto cliché.



Enquanto fico por casa (#EuFicoEmCasa), escrevo estas linhas para que, em conjunto, todos possamos fazer uma espécie de brainstorming sobre o assunto principal da nossa “Ordem do Dia”.

O país até iniciava bem o ano, com crescimento da economia, se bem que, na minha opinião, sustentado, em demasia, no consumo privado e, não, nas exportações. Falava-se do boom da construção e recuperação dos edifícios; do perigo de uma bolha imobiliária, com a especulação e os preços exorbitantes das habitações; da aprovação da eutanásia – e, agora, estamos todos com medo da morte! –; o Turismo seguia pujante, com as principais cidades já a discutirem “taxas e taxinhas” por causa do turismo desenfreado;  do orçamento de estado e cativações; do Centeno que estaria por dias enquanto Ministro das Finanças; da extrema-esquerda a aliar-se à direita para aprovar algumas medidas, como o baixar do IVA na eletricidade, “furando” a “geringonça”; do Ventura à Joacine, passando pelo “Chicão” e os putativos candidatos às Presidenciais, entre mais uma miríade de assuntos que iam cativando os portugueses e agarrando, muitos deles, às TV’s e às redes sociais. Já não falando, sequer, do desporto, com o futebol no “centro do terreno”, para não inflamar, já, os mais fanáticos adeptos!

Lá por fora, falava-se das negociações do Brexit que nunca mais chegavam, sequer, a “bom porto” (nem mesmo o de Calais!); das “imbecilidades” de alguns líderes mundiais; da catástrofe humanitária dos refugiados – nem quero imaginar como estarão aquelas pessoas, agora com mais um grande medo na sua vida, o de serem também contagiados –; a guerra comercial entre EUA e China começava a amornecer, com a UE a assistir “na poltrona” e a ser ultrapassada, a meu ver, em imensos dossiês, principalmente, os económicos e comerciais, entre muito mais.

Aqui pelo burgo, o partido à frente dos desígnios da Câmara Municipal de Barcelos entrava numa guerra fratricida, com as eleições internas, ficando mais evidentes as forças bipolarizadas; no maior partido da oposição ainda não tinha havido eleições internas – que deverão ser adiadas por causa da pandemia –, mas tinha havido eleições nacionais e congresso, com surgimento de “alianças imprevistas” e de novas figuras, inclusivamente, eleitas para o referido congresso; o IPCA continuava com o seu crescimento; iniciavam-se algumas obras e construções que têm levantado alguma celeuma; no Desporto, o Gil Vicente FC estava a fazer uma boa época, tendo em conta todas as nuances; o Óquei de Barcelos igualmente, tendo andado, mesmo, pelo 1º lugar e tornando a “catedral” quase intransponível; o Basquete de Barcelos terminava em 1º lugar na primeira fase e iniciava a segunda com nova vitória, sendo que as seniores femininas também estavam com boas performances; nos campeonatos distritais de futebol, as equipas barcelenses estavam a fazer, na sua generalidade, bons trajetos (vide o caso da Série A da 1ª divisão, com três equipas barcelenses a ocupar o pódio e o Ucha a liderar, sendo que todas as participantes de Barcelos estavam no top-10); no Futebol Popular, na 1ª havia grande disputa pelo campeonato e na 2ª havia líder destacado; o ciclismo começava as suas provas; o calendário de trails e provas de BTT começava a crescer, o Teatro e a Dança marcava pontos e levava o nome de Barcelos aos píncaros mediáticos…enfim, a Vida começava a “ir de vento em popa”!

E eis que, na mega populosa China, na mega industrializada e poluidora China, na “totalitária” China, surge um mega problema sanitário e de saúde, com nome de Coronavírus, que, depois, evoluiu para COVID-19. O Mundo pasmou, ficou a assistir como se o problema tivesse sido criado pelos chineses e por lá se mantivesse, com eles a terem que se amanhar com isso e a terem que solucionar a – agora – pandemia. Ou seja, o Mundo “marimbou-se” para algo que estava a caminho, como se de um asteroide em rota de colisão com a Terra se tratasse, só que, neste caso, o “rochedo” ia em rota de colisão com a China e, não, com os EUA, como se vê na maioria dos filmes “hollywoodescos”, onde tudo parece acontecer, bom ou mau, lá por “terras do Tio Sam”! Só que o vírus transportava-se muito facilmente e, muito facilmente, começou a chegar aos demais países, principalmente àqueles que – e muito bem – têm economias abertas e de mercado (as viagens dos players foram o mote). Infelizmente, a Europa tornou-se o maior foco da pandemia, com Itália à cabeça. Viam-se imagens de miúdos, muitos ainda imberbes, a furarem quarentenas para irem ter com umas garinas e beberem umas colas; viam-se jantaradas e esplanadas cheias na mesma; jogos de futebol a acontecerem na mesma, mesmo aqueles que se realizavam “no olho do furacão”…e as coisas, infelizmente, pioraram.

Por cá, mais uma vez, as redes sociais funcionavam ao contrário, com os “tugas” a escreverem, todos garbosos e, muitas vezes, jocosos, de que “em Portugal, 0 infetados” e a vida continuava. Até uma tal de Ministra da Agricultura dizia que o país poderia sair a ganhar com a crise sanitária na China, exportando mais produtos hortícolas (e ainda se mantém no cargo!!), fazendo lembrar o Turismo, em período anterior, que se andou a “vangloriar” de andar a conquistar mercados, aproveitando as crises e a falta de segurança resultantes da “Primavera Árabe”, da luta contra o DAESH ou das crises humanitárias. O problema entrou-nos país adentro, mas as noitadas e as praias continuavam “na berra”! Até que acordámos para a realidade, as redes sociais deixaram o “vangloriar” e, muitas vezes, o “chacotear”…para, e agora bem, alertarem, sensibilizarem e criticarem a falta de cuidados e de comportamento cívico e coletivo, enquanto povo, enquanto nação. Os profissionais de saúde deixaram de ser agredidos sempre que alguém, tresloucado, se sentia melhor a bater e a insultar, e passaram a ser os heróis; os encarregados de educação, que tanto reclamavam – e bem – pela abertura das escolas, agora pediam para que as mesmas fechassem, como veio a acontecer. O país está assustado, as pessoas estão assustadas (nem todas, como se vê – não sendo em Portugal, acho “execrável” o que se passou em Valência há uns dias atrás, com as filas de carros a quererem passar numa via que estava fechada e era suposto estarem de quarentena! Nem mesmo com figuras mediáticas, como futebolistas da equipa Che, a serem infetados, as pessoas “ganharam juízo”!) –, as atividades estão a parar – julgo que, daqui por 15 dias, mais terão que o fazer –, a sociedade está a enfrentar algo que nunca enfrentou. Pelo menos, as gerações mais novas, precisamente aquelas que, por norma, têm uma maior capacidade corporal e imunitária para aguentar a infeção. Os nossos anciãos, aqueles que nos receberam cá, aqueles que já passaram por guerras, ditaduras, privação de direitos, liberdades e garantias, veem-se, agora, a passar pelo mesmo, com o handicap de, agora, terem menos defesas e menos força para suplantar as dificuldades. E isso entristece-me imenso, porque fui educado, e formei a minha personalidade, a saber respeitar os mais velhos e a fazer por protegê-los. Mas sinto-me impotente, neste momento e nesse desígnio. Apenas posso pedir e sensibilizar para que tenham cuidado e para que todos nós os possamos ajudar! Aliás, TODOS NÓS devemos ter cuidado, TODOS NÓS devemos tomar medidas de precaução, TODOS NÓS devemos lutar contra esta maléfica pandemia.

Sei e tenho fé, tal como – espero – todos nós o tenhamos, que esta situação vai passar. De uma forma um pouco melhor, só depende de nós. Infelizmente, prevejo muitas dificuldades, que surgirão a jusante. Penso que as empresas vão demorar a recuperar encomendas, mesmo que, como sabemos, os stocks irão estar muito debilitados; as linhas de crédito lançadas pelo Governo, ainda deficitárias, a meu ver, não deverão ajudar muito porque é crédito e as empresas terão, mais cedo, ou mais tarde, que o pagar; o Turismo, que vinha pujante e desenfreado, vai demorar a recuperar, com o receio de novas pandemias e recaídas – prevejo que aqueles que, antes, pretendiam frear o turismo, principalmente, com taxas e afins, irão, futuramente, “rezar” para que o turismo volte ao caminho que vinha tendo –; os tais profissionais de saúde “heróis”, as escolas e os professores vão voltar a ser o alvo das fúrias momentâneas e de expiações de frustrações; a “limpeza” e despoluição momentânea do nosso planeta vai ser, bem depressa, esquecida e, até, esmagada por uma economia sedenta de crescimento que se vai marimbar para a Natureza e os níveis de CO2, importando-lhe, apenas, recuperar encomendas, lucros e, só depois, postos de trabalho…Em suma, julgo que vai ser uma espécie de “desmame” de toda uma civilização, que sai de um período de extrema privação e passa para outro onde a liberdade será o elixir da sua existência, um pouco à imagem daqueles povos e civilizações que viveram e experienciaram ditaduras e, depois, se viram envoltos em liberdade, que, em extremo, os fez “explodir” numa “freima” que acabou por prejudicar muitos pilares da sua sociedade e civilização.  

Porque este meu artigo já vai muito longo, e porque sinto que poderia dizer muito mais, decidi conter os meus sentimentos e pensamentos, numa espécie de “quarentena sentimental” porque não quero estar a preocupar e assustar, ainda mais, as pessoas que me estão a honrar com a leitura deste texto que escrevo. Também porque, como tudo isto anda, o que hoje escrevo aqui, amanhã já estará descontextualizado e desatualizado. Por ora, ainda não temos notícias de pessoas infetadas em Barcelos, mas os números que surgem, por exemplo, em Braga, poderão corresponder a alguém aqui do concelho. Já em Portugal, os números não param de subir e tendo em conta o que os especialistas dizem, com a Ministra da Saúde à cabeça, o pico será por 14 de abril. Ora, se analisarmos as contas, mesmo não sendo ases na matemática, compreendemos que os próximos dias/semanas vão ser cruciais, vitais mesmo. Julgo que o Governo, tendo em conta essas previsões, já deveria ter enrijecido as medidas para estes próximos dias/semanas, no sentido de se evitarem as tristes – e, igualmente, “execráveis” – imagens que pululam, ainda hoje – 22.03.2020 –, nas redes sociais e órgãos de comunicação social (que precisa “por os olhos” na reportagem da SKY NEWS em Itália e começar a mostrar certos aspetos que possam fazer “assustar”, A SÉRIO, os portugueses), de várias pessoas, mesmo em grupos superiores a dois indivíduos, a passearem, como se nada fosse, nos calçadões à beira-mar (julgo que algumas fotos são de Vila do Conde e Póvoa de Varzim, local onde, pasme-se, até surgiram alguns dos primeiros infetados! Luís Sepúlveda diz-vos algo??!!)! Como português, sei que, infelizmente, isto só “vai a mal”! Infelizmente…

Termino com um agradecimento a todos os profissionais que continuam “na linha da frente” a realizar as suas tarefas para que todos possamos sentir um menor impacto desta pandemia na nossa vida. Da saúde, do comércio, agricultura, recolha de lixo, agentes de segurança e socorro, da solidariedade, enfim…toda uma panóplia de pessoas e profissões que, neste momento mais negro, estão na luta – e na labuta – para que todos sintamos “uma pancada” menor! Muito, mas mesmo muito, OBRIGADO!



Estamos juntos, vamos conseguir ultrapassar isto! “Vai ficar tudo bem”! Tenham cuidado, previnam-se, não baixem as defesas…VAMOS PORTUGAL!! VAMOS MUNDO!! VAMOS HUMANIDADE!!

Por: Pedro Soares de Sousa* (Professor e Diretor do Barcelos na Hora).

Imagens: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Esse Cancro maldito!

Outubro 30, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Sousa

Caros leitores,

Decidi não deixar terminar este mês de outubro, mês da “Onda Rosa”, inspirada no movimento “Outubro Rosa” (nascido nos EUA na década de 90 do século passado), e criada pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, que procura incentivar a prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama.



De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde e da sua Agência para a Investigação do Cancro, citados pelo Observador, no ano passado, registaram-se a nível mundial, 18 milhões de novos casos, sendo 23,4% desses casos na Europa. Em todo o planeta, morreram 10 milhões de pessoas vítimas desta patologia. Os tipos de cancro com maior incidência são o do pulmão (11,6%), da mama (11, 6%), do colón (10,2%) e da próstata (7,1%).

Já em Portugal, esta é a segunda causa de morte e, por ano, essa incidência aumenta cerca de 3%, em média. Só em 2018 houve 50 000 novos casos. Os estudos indicam que um quarto da população portuguesa corre o risco de desenvolver cancro até aos 75 anos e 10% poderão morrer desta doença. Atualmente, 25% dos óbitos em Portugal são causados por cancros. Os mais frequentes são o do colorretal (10 000 novos casos), da mama (7 000 mulheres) e da próstata (6 600 homens).

São, realmente, números preocupantes e, mesmo, assustadores, com tendência a aumentarem, sendo que, por outro lado, surgem cada vez mais formas de luta contra esta “maldita doença” (peço desculpa se choco com esta terminologia tão forte), assim como mais formas de prevenção (por ex.: não fumar, não beber em demasia, praticar desporto, ter uma alimentação natural e fresca, ter momentos de lazer – sim, leu bem! –, proteger-se do sol, entre outras).

Mas o intuito deste meu artigo passa além dos números e das estatísticas ou das causas e formas de combate…este meu artigo terá, para mim, muito mais de intrínseco, visceral e sentimental.

Tenho quase a certeza de que não há família, infelizmente, que se possa “dar ao luxo” de poder dizer que nenhum dos seus membros já sofreu, ou sofre, de algum tipo de cancro. A minha não é exceção. O meu pai teve a “fortuna” e “sorte” de se ter livrado de um cancro do colorretal, detetado prematuramente – os rastreios e exames são muito importantes – não se livrando, nem nós, de um valente susto e uma lição para a vida. Mas houve, e há, outros exemplos na minha família, infelizmente. No entanto, em relação aos atuais (os que já partiram já não “têm como dar a volta”), estou confiante que consigam sair deste momento menos bom da sua saúde. Basta não desistirem e lutarem com todas as forças, para combaterem essa “doença maldita”.

Sendo o movimento “Onda Rosa” dedicado à prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama, não posso deixar de pensar na minha amiga Inês, que lutou contra um cancro da mama enquanto estava grávida e pouco depois de ter “dado à luz” uma linda menina, acabou por não resistir, deixando-nos, a todos, destroçados. Mas muitos mais casos poderia referir…eu e qualquer um de vocês, infelizmente.

Permitam-me que aproveite este artigo para um momento de maior intimidade, para falar de um grande amigo, amigo de infância, amigo de muitas aventuras (em crianças, em jovens e já adultos), amigo-vizinho e meu homónimo. Recentemente, também ele não conseguiu resistir a esta doença, no caso, cancro do estômago. Vi-o debilitado e desanimado. Tentei animá-lo, mas compreendê-lo também, quando dizia que custava, que a quimioterapia o deixava fraco, que a doença o fez emagrecer, fazer o cabelo grisalhar e, depois, cair. Sempre achei que ultrapassaria esta…por considerar que ainda somos novos e estes “sustos” não nos venceriam. Infelizmente, isso não aconteceu. E eu fiquei a duvidar. Comecei a pensar que, afinal, até não somos “imbatíveis” e “infalíveis”, mental e fisicamente. Preciso de falar dele porque não pude despedir-me! No dia e na hora do seu funeral, o máximo que consegui fazer (devido à distância a que estava do local) foi ficar no meu carro, à porta de uma das escolas em que lecionava. Desliguei o rádio, fiquei em silêncio por uns minutos, em introspeção, a pensar naquele amigo que já não veria mais. E saí…para mais uma aula, onde tive que esconder a tristeza…porque os alunos mereciam isso de mim. Quero deixar aqui a minha homenagem a esta grande pessoa, de quem não me pude despedir e, por tal, lhe peço desculpa! Fica, também, a minha homenagem e lembrança a todas aquelas pessoas que, de igual forma, não conseguiram resistir a esta “doença maldita”. A todos, um “até já e que estejam bem, aí onde estiverem”!

Obrigado pela atenção.

Por: Pedro Sousa (Professor e Diretor do Barcelos na Hora) *.

Fontes: https://www.ligacontracancro.pt/paginas/detalhe/url/onda-rosa

Foto: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Porque devemos votar

Outubro 5, 2019 em Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião, Política Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Sousa

Caros leitores,

Desengane-se quem pensa que venho aqui escrever uma ode aos benefícios da Democracia, com dados, resultados e percentagens. Acho que todos sabemos bem e temos a consciência de como é bom viver numa Democracia. Felizmente, nunca tive de coexistir com uma ditadura, mas os meus antecessores sim e bem que os ouço contar tudo aquilo de que eram privados. Mas também não venho aqui atacar o nosso sistema político. Quantas vezes ouvimos dizer (mais “da boca para fora”): “Era colocar uma bomba na Assembleia da República e com eles todos lá dentro!”? Seria essa a solução? Iríamos conseguir viver numa anarquia? Conseguiríamos passar de um regime de isenção de direitos para outro sem qualquer regulação dos mesmos? Como asseguraríamos uma das pedras basilares, para mim, da Democracia: a minha liberdade acaba quando começa a do meu vizinho (sendo o “vizinho”, a outra pessoa, o outro concidadão)?



Também é verdade que a política e, nomeada e principalmente, os políticos, não têm ajudado muito ao aproximar dos seus cidadãos às decisões políticas (eleições, referendos) ou, até, à participação ativa e cívica. Corrupção, compadrios, interesses, decisões mal pesadas e tomadas, no mínimo, de “ânimo leve”, contribuem para este afastamento, cada vez maior, dos cidadãos em relação à política e às instâncias democráticas (e nem vamos entrar pela Justiça!). Receio que um dia, os populismos tomem conta dos nossos desígnios, das nossas sociedades, sejam eles de extrema esquerda ou extrema direita.

Por tal, eu opto por votar. Sempre o fiz. Mesmo que para isso tivesse que fazer uma viagem de cerca de 230km, de autocarro, precisamente no exato dia de ir a votos, para conseguir votar (Presidenciais de 2001). Mesmo tendo que ir duas vezes votar (ou escolher a resposta pretendida) no mesmo ano (Referendo à despenalização do aborto – junho de 1998 – e Referendo à regionalização – novembro de 1998). Mesmo estando afastado da minha terra (ensino superior e, depois, emprego) durante 10 anos, votei sempre. Fi-lo porque queria ter a minha voz, mesmo sentindo que ela não seria “ouvida”. Fi-lo porque não queria ter que ouvir: foste votar? Não? Então não tens moral para criticar!

Aliás, usei esta mesma frase, poucos anos após o primeiro referendo sobre a despenalização do aborto, em 1998, que ditou um “Não”, por uma “unha negra” [“Não” = 50,9%; “Sim” = 49,1%], num dia solarengo (28 de junho), em que muita juventude, por exemplo, optou pela praia e pelo lazer, “marimbando-se” para o Referendo, pensando, quiçá, que “estava no papo” e o “Sim” ganharia ou que alguém faria a função de escolher por sua vez. Mas não o fez! E aquilo que parecia óbvio (a vitória do “Sim”), afinal não o foi. Usei-a (essa frase) quando, em conversa de café com um amigo, este atirou um “Somos mesmo um país de retrógrados! Onde já se viu o aborto não ser despenalizado?!” Ao que retorqui, sem ser de uma forma retórica (acreditem!): “Foste votar?” “Não”, disse ele! “Então que moral tens tu para criticar quem foi? Mesmo que tivesse ido mal e escolhido o oposto à tua opinião?!”. Resta claro que ninguém, provavelmente, gostaria de ouvir uma tirada destas. Mas, infelizmente, há ainda quem não se importe…há quem não ligue! Modéstia à parte, eu não sou assim…E você? É? Vai deixar os outros escolherem por si? Vai abster-se de um direito seu para, depois, por exemplo, passar mais uns anos a criticar o sistema, os políticos, os partidos, a Democracia, nomeadamente, nas redes sociais? Por favor, não faça isso! Vote, escolha, tenha voz, decida (mesmo que a vitória recaia no oposto ao que votou), diga “presente”.

As gerações que nos receberam e nos deram a Liberdade e a Democracia, merecem isso de nós! As gerações a quem deixaremos este nosso “cantinho à beira-mar plantado”, merecem isso de nós! Vamos todos votar amanhã?

Termino com umas citações, que reconhecerá certamente:

Artigo 10.º

Sufrágio universal e partidos políticos

1. O povo exerce o poder político através do sufrágio universal, igual, direto, secreto e periódico, do referendo e das demais formas previstas na Constituição.

2. Os partidos políticos concorrem para a organização e para a expressão da vontade popular, no respeito pelos princípios da independência nacional, da unidade do Estado e da democracia política.

(…)

Artigo 48.º

Participação na vida pública

1. Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direção dos assuntos públicos do país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos.

2. Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objetivamente sobre atos do Estado e demais entidades públicas e de ser informados pelo Governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos.

(…)

Artigo 49.º

Direito de sufrágio

1. Têm direito de sufrágio todos os cidadãos maiores de dezoito anos, ressalvadas as incapacidades previstas na lei geral.

2. O exercício do direito de sufrágio é pessoal e constitui um dever cívico.

(…)

Artigo 121.º

Eleição

(…)

3. O direito de voto no território nacional é exercido presencialmente.

(in: Constituição da República Portuguesa – VII Revisão Constitucional, 2005).

Obrigado pela atenção. Vemo-nos nas urnas?!

Por: Pedro Sousa* (Professor e Diretor do Barcelos na Hora)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do/a autor/a)

Foto: DR.

Até para o ano…

Setembro 22, 2019 em Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Pedro Sousa

Não, caros leitores…não nos estamos a despedir de vós!

Com o surgimento do tempo chuvoso, que se vai tornando mais perene, e com a noite a cair cada vez mais cedo, as nossas mentes e, até, o nosso corpo, começam a despedir-se do verão, da sensação de férias, do poder “abusar” mais um pouco na comida, na bebida, nas horas de folia.



As festas populares e religiosas invadiram as nossas terras, com as suas cores, a sua música, animação e atos religiosos, unindo comunidades e promovendo reencontros familiares e de amizades. Este jornal divulgou dezenas e outras tantas ficaram por divulgar, precisamente por serem tantas e porque a informação nem sempre nos chega. Se está a ler este artigo e fará parte de alguma comissão de festas para o ano, então, se faz favor, não hesite em propor que nos enviem, pelo menos, o cartaz da festa, para que, humildemente, vos possamos ajudar. Para os barcelenses, e visitantes assíduos, a sensação de verão inicia aquando da “Festa da Cruzes”, entre finais de abril e início de maio. Até a retirada dos arcos do Campo da Feira indicia que está a chegar o outono…e depois o inverno!

Mas o tempo de verão é também aquele em que os emigrantes voltam à sua terra e ao âmago das suas famílias, trazendo mais alegria, mais cor, mais festa a muitas das nossas freguesias e paróquias. Quem anda por estas estradas afora, habitua-se a ver muitos carros com matrícula estrangeira; as feiras semanais (quinta-feira) costumam trazer muito mais pessoas a Barcelos, com os carros estacionados a chegarem a locais bem longe do recinto da feira e as vendas a aumentarem. Saindo um pouco do concelho, indo para os vizinhos com praias – Esposende à cabeça –, nota-se bem a presença de emigrantes, quer pelos veículos, quer pelas línguas faladas (infelizmente, nem sempre falam a nossa!). Agora, já voltaram às suas casinhas, ao conforto dos seus lares, que criaram por essas terras fora, aos seus empregos, ao seu quotidiano e às suas lides…ansiando por novo retorno a terras lusitanas, e barcelenses, ou pelo Natal, ou apenas pelo verão. Que tenham tido uma boa viagem de regresso e que este novo período que medeia a sua volta corra pelo melhor. Até ao regresso!…

Neste verão vimos menos fogos florestais, o que é sempre bom, mas continuámos a ver lixo depositado nas matas, bouças e bermas. Os fogos tendem a diminuir com o apertar da malha legislativa e penal…se calhar, essas mudanças sociológicas (não depositar lixo em locais indevidos) têm que ser feitas através da punição, pois parece que através da sensibilização não se está a chegar àquilo que é mais correto. Bem gostaria que assim não fosse…

Agora que entramos no outono, vem o trabalho (e que venha para o máximo de pessoas possível, sendo isso, uma boa notícia); os campeonatos e provas de vários desportos estão de volta (sendo que o ciclismo se manteve ao longo do verão, com muitos bons resultados para os barcelenses, assim como, as atividades de corridas, trails e afins); os gilistas estão de volta à Primeira Liga (e com a “barriga cheia”…de carne de porco no espeto oferecida para festejar essa recolocação do Gil Vicente FC no local certo), há clubes e atletas barcelenses a iniciarem as suas competições e alguns já com bons resultados a registar. Vêm as eleições, pedindo eu, humildemente, que todos exerçam o seu direito de voto; vêm as aulas para os estudantes (o IPCA, por exemplo, continua a demonstrar grande vitalidade e números de relevo); vem o “tempinho” de querer ficar mais tempo na cama ao fim de semana e de acender a lareira para se sentir o aconchego do calor…enfim, vem o “tempo de inverno”!

Agora é esperar, agora é viver o dia a dia, ansiando pelo melhor, ansiando por que tudo corra conforme o planeado e desejado…e que os objetivos se alcancem, esperando pelo próximo verão, para voltarmos a repetir tudo aquilo de bom que repetimos, sempre que essa época está de volta. E, porque não, fazermos algo de novo que nos faça sentir bem…Fica a ideia!

Até para o ano (eu voltarei antes, claro está!)…e que tenham tudo aquilo que merecem! Este é o meu desejo!

Por: Pedro Sousa.* (Professor e Diretor do Barcelos na Hora)

Nota: Escolhi a foto de destaque, que faz parte do nosso acervo (mesmo não conhecendo o autor), porque dá a entender, a meu ver, a alegria e festa, mas, igualmente, uma ideia de “final de festa”, de “queimar os últimos cartuchos”, de “lavar dos cestos”.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

JSD leva a cabo iniciativa “Pensar Barcelos”

Junho 17, 2017 em Atualidade, Concelho, Política Por barcelosnahorabarcelosnahora

Desde o último dia 13, e até às 19h00 de dia 27 de junho, a Juventude Social-democrata (JSD) de Barcelos, leva a cabo uma iniciativa – “Pensar Barcelos” –, com o intuito de “ouvir” os jovens barcelenses, através de um questionário online.

A estrutura jovem, presidida por Ricardo Silva, pretende, assim, saber o que os jovens pensam sobre o “estado atual do nosso concelho”. Deseja, igualmente, “pensar em conjunto um futuro para ele”.

O questionário garante anonimidade e confidencialidade. Sendo possível a participação de pessoas com idade superior, a estrutura dá preferência aos jovens do concelho, com idades compreendidas entre os 14 e os 34 anos.

Para aceder ao questionário, basta clicar no link:

www.pensarbarcelos.pt

Para qualquer esclarecimento, a JSD Barcelos disponibiliza um contacto para mais esclarecimentos: jsdbarcelos@pensarbarcelos.pt.




Fonte e imagem: JSD B.

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