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Psicologia

Ansiedade, as crianças e a escola …

Maio 4, 2022 em Atualidade, Concelho, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora

Ansiedade, as crianças e a escola …

Alguma ansiedade é normal, mas esta não perturba o funcionamento das crianças. Saiba ajudar e também quando deve procurar ajuda.

A ansiedade é uma emoção e um mecanismo de defesa que acontece por antecipação de estímulos ou situações desagradáveis ou de perigo. Quando a ansiedade é dirigida a um estímulo específico é referida como receio ou medo. A emoção protege-nos e é normal, quando está enquadrada no contexto correto. Por exemplo, olhamos para os lados antes de atravessar numa passadeira, por receio de sermos atropelados.

A ansiedade passa a ser um problema e, portanto, uma perturbação de ansiedade, quando um estímulo neutro ou inofensivo é entendido como potencialmente perigoso e as reações que provoca interferem com o dia-a-dia. A ansiedade normativa, ou seja, aquela que não afeta o funcionamento e é de curta duração, pode ocorrer em contexto de avaliações ou mudanças na nossa vida.

Embora uma maior ansiedade seja normal em momentos de avaliação, mudança de escola ou de turma, entre outras situações relacionadas com o contexto escolar, cerca de 5% das crianças têm perturbações de ansiedade que devem ser avaliadas e acompanhadas.

A perturbação de ansiedade social é um dos subtipos das perturbações da ansiedade. Caracteriza-se por uma ansiedade ou receio marcados em situações em que alguém é exposto ao possível escrutínio por parte de terceiros. É esta a perturbação de ansiedade que muitas vezes está subjacente ao stress no momento das avaliações escolares.

Neste caso, as crianças têm medo e evitam interações que avaliem o seu desempenho, porque acreditam que os outros as vão avaliar negativamente. As mudanças de escola ou de turma também podem provocar sintomatologia ansiosa.

Neste caso são sobretudo quadros de ansiedade generalizada, que se manifestam em crianças que têm tendência para preocupação, com uma ampla variedade de possibilidades negativas, de que algo de mau vai acontecer.

Além de evitarem os testes ou até de se recusarem em frequentar a escola, as crianças com perturbações da ansiedade manifestam muitas vezes sinais físicos, por exemplo:

  • Dor de cabeça;
  • Dor de barriga;
  • Perda de apetite;
  • Dificuldade em engolir;
  • Dificuldade em respirar;
  • Insónia.

Como devem os pais ajudar?

As perturbações de ansiedade podem ser hereditárias. Costuma até dizer-se que, quer através dos genes quer do comportamento, a ansiedade circula nas famílias.

A atitude dos pais e o que transmitem às crianças é muito importante:

  • Salientem que o seu amor por elas não depende dos seus resultados escolares;
  • Evitem comparar resultados escolares com o de irmãos/colegas;
  • Salientem que valor das crianças como pessoas não depende dos seus resultados escolares;
  • Evitem expressões como “assim nunca vais chegar a lado nenhum”;
  • Refiram que os testes e outras avaliações são a forma de se perceber se estão a reter a informação transmitida na escola, que é importante para crescerem saudáveis e equilibrados;
  • Salientem que o erro permite a evolução, referindo, por exemplo “hoje correu mal, não faz mal… faz parte do processo, aprendemos e amanhã correrá melhor”;
  • Elogiem o processo, e não apenas o resultado final;
  • Ensinem que a mudança faz parte da vida (as estações do ano mudam, os dias da semana mudam, o dia e a noite, o ser humano evolui desde bebé até velho), as mudanças são naturais e acarretam aspetos positivos e negativos aos quais todos temos de nos adaptar;
  • Salientem que a mudança pode trazer novas pessoas, novos contextos, novas possibilidades de crescimento.
  • Refiram que não temos de gostar de toda a gente, nem toda a gente tem de gostar de nós.

Quando é necessário procurar ajuda profissional?

Contudo por vezes a ajuda dos pais não é o suficiente, sendo necessário ajuda diferenciada.

Quando os sintomas de ansiedade alteram o funcionamento da criança, por exemplo com recusa em ir à escola, sintomas exagerados para a situação, sofrimento emocional e/ou físico, deve ser procurada ajuda profissional.

A psicoterapia constitui o tratamento de primeira linha nestas situações, podendo ser necessária a associação com psicofarmacologia.

É preciso romper o silêncio: suicídio na infância e na adolescência!

Fevereiro 5, 2022 em Atualidade, Concelho, Opinião, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora

Comportamento suicida é uma ação autolesiva, inclui gestos suicidas, tentativas de suicídio e o suicídio consumado. É importante realçar que a ideação suicida compreende pensamentos e planos de ação sobre suicídio e a tentativa de suicídio são atos de automutilação que podem resultar na própria morte. Sendo o suicídio “um ato de violência autoinfligido”

No entanto é importante salientar que o suicídio não deve ser avaliado como sendo o desejo de morrer, ma sim de acabar com tudo aquilo que está a provocar um sofrimento intenso que parece não ter solução.
Atualmente, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é um problema de saúde pública a nível mundial, sendo responsável por 1 morte a cada 40 segundos no mundo, dado que se trata de um fenómeno complexo e multifacetado que resulta da interação de fatores de natureza filosófica, antropológica, psicológica, biológica e social.

Segundo a Direção Geral de Saúde na nossa população a maior prevalência do comportamento suicida encontra-se entre a idade adulta e a adolescência. Contudo nos últimos anos tem sido visível um aumento significativo deste comportamento em faixas etárias mais baixas, inclusive, com suicídios a partir dos 5 anos de idade.
Entre 2002 a 2012 houve um aumento de 40% na taxa de suicídio entre crianças e adolescentes (10 e 14 anos) e de 33,5% na faixa etária de 15 a 19 anos, no entanto com a situação pandémica foi visível novamente um aumento substancial nestes valores. Estes dados são a nossa maior preocupação enquanto profissionais de saúde mental e nos levam a questionar o que faz uma criança ou adolescente pensar ou acabar com a própria vida?

O suicídio é a segunda causa de morte entre as crianças e os adolescentes, como resultado da presença de perturbação mental, muitas vezes desconhecidas e/ou desvalorizadas. Por norma as crianças com risco de suicídio poderão apresentar-se: deprimidas ou ansiosas, apáticas e sem energia para atividades que anteriormente seriam prazerosas, alteração súbita de comportamentos, conversas sobre assuntos relacionados com a morte. Pelo que é extremamente importante começar-se a estar alerta e dar a devida atenção e acompanhamento à saúde mental desde os primeiros anos de vida.

Fatores de risco

A ideação suicida nem sempre termina em suicídio consumado, mas é um fator de risco para o mesmo e são diversos os fatores que normalmente interagem antes de a ideação se tornar comportamento suicida. Tais como:


• Morte de um ente querido


• Suicídio na escola ou entre pares


• Perda de um(a) namorado(a)


• Mudança de um ambiente familiar (como da escola ou da vizinhança) ou de amigos


• Humilhação por familiares ou amigos


• Situações de bullying


• Insucesso na escola

Tais acontecimentos stressantes por si só não levam a que as crianças e adolescentes tenham este tipo de comportamentos, contudo quando existem problemas subjacentes, mesmo não sendo justificativo é mais provável que aconteça, como perturbação de humor ou ansiedade, perturbação de controlo ou comportamento, abuso de substâncias, esquizofrenia, traumatismo craniano, PSPT, entre outros.

Um outro lado preocupante para os Psicólogos é que o comportamento suicida nas crianças acontece muitas vezes como sendo imitação de outros, como no caso de celebridades e as informações expostas pelos midia e redes sociais. Da mesma forma acontece quando episódios idênticos acontecem nas escolas e/ou com os seus pares.
Bem como a sua componente hereditária, em que o suicídio é mais provável em famílias com predisposição para as perturbações de humor, especialmente caso haja um histórico familiar de suicídio ou outros comportamentos violentos.

Diagnóstico

Pais, médicos, professores e amigos podem estar numa posição que lhes permita identificar as crianças que podem tentar o suicídio, em particular aquelas que tiveram uma recente mudança de comportamento. As crianças e adolescentes que exprimem abertamente pensamentos de suicídio (como “quem me dera nunca ter nascido” ou “gostaria de dormir e nunca mais acordar”) estão sob risco, tal como as crianças com sinais mais sutis, como retraimento social, retrocesso escolar, perda de prazer em atividades do dia-a-dia anteriormente prazerosas.

Nestes casos os profissionais de saúde têm duas funções principais:


• Avaliar a segurança e a necessidade de hospitalização da criança suicida


• Intervir nas perturbações subjacentes, como a depressão, ansiedades, problemas familiares, abuso de substâncias, entre outros.

Apoio médico é essencial. O encaminhamento da criança ou adolescente com tendências suicidas a profissionais qualificados como pediatras, psicólogos e psiquiatras pode salvar uma vida!

Tratamento

Qualquer tipo de tentativa de suicídio deve valorizada e mobilizando todos os recursos para a situação, porque um terço das crianças com comportamentos suicidas acabam por consumar o ato. Por norma começa por alguns pequenos ferimentos, como alguns arranhões superficiais no pulso, mas com o passar do tempo estes atos tornam-se cada vez mais intensos e autolesivos.

O tratamento pode envolver hospitalização caso o risco seja elevado, farmacoterapia e terapia individual e familiar.
A decisão de hospitalização depende do grau de risco, dado que é o modo mais garantido de proteger a criança e é geralmente indicada quando existe algum diagnóstico de perturbação mais severa, como a depressão. Em casos de a hospitalização não ser necessária, as famílias das crianças deverão ser apoiadas de forma a eliminarem todos os fatores de risco que a criança e adolescente possam ter para manterem os comportamentos suicidas. No caso da criança e/ou adolescente deverá ser encaminhado para psiquiatria e psicologia para devido tratamento, farmacológico e psicoterapêutico.
O tratamento é mais eficaz e eficiente quando existe a envolvência de toda a equipa médica (médico de família/ pediatra, psiquiatra e psicólogo).

Dicas para familiares

Sinais possíveis de ideação suicida em crianças e adolescentes:


• Humor deprimido


• Diminuição do rendimento escolar


• Aumento do isolamento social


• Perda de interesse em atividades anteriormente prazerosas


• Mudança na aparência (negligência ou desleixo nos cuidados pessoais)


• Aumento do interesse em temas relacionados à morte


• Aumento da irritabilidade, crises impulsividade e agressividade


• Alterações no comportamento


• Uso de álcool ou drogas


• Mudança no padrão do sono e/ou apetite


• Uso de expressões verbais “auto-destrutivas” – “Queria morrer”

Por: Drª Marisa Marques

A família e o desenvolvimento Psicológico

Dezembro 18, 2021 em Atualidade, Concelho, Mundo, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora

Não obstante à emergência de saúde pública sentida, e todos os riscos inerentes ao COVID-19, é importante relembrar que, por norma, é na quadra Natalícia que existe em família uma maior intimidade, interação, partilha de experiências e emoções.  Sendo de salientar que é importante frisar que estar em família é englobar todos os momentos do ano, apesar de o impacto nefasto que o COVID-19 tem exercido no seio familiar pode ser o “comprimido” acarretou bastantes problemas na saúde mental na família, bem como diversos desequilíbrios.

Atualmente é complexo atribuir uma definição de família. Mas independentemente da composição, sabe-se que a família é um lugar exclusivo, que representa a intimidade, um lugar repleto de felicidade e amor. A família é mesmo isso: é a nossa fonte de abrigo, é saber que está sempre alguém à nossa espera em casa, com quem se possa partilhar as experiências e vivências do dia-a-dia. Pesa embora, que por vezes estas relações sofrem alguma agitação e confusão. Pelo que nem sempre é possível encontrar esse lugar seguro quando se fala de famílias pautadas pelo desequilíbrio e tensão

Toda relação humana é complexa. Mas mesmo sendo complexa a interação familiar, é de salientar que a importância da família na sociedade é expressiva, principalmente na infância, onde a família é a base de tudo. Boas experiências afetivas na infância têm influência positiva no desenvolvimento que se reflete na fase adulta.

Os primeiros anos de vida são importantes porque o que ocorre na primeira infância faz diferença por toda a vida.

A família é vista como o primeiro espaço psicossocial, modelo das relações a serem estabelecidas com o mundo que permite o desenvolvimento da personalidade de cada ser humano. É através das primeiras experiências sociais e de construção de vínculos que a criança desenvolve os seus valores e personalidade, além de serem a base do seu desenvolvimento psicológico e emocional.

São inúmeros os estudos que têm mostrado que investimentos na primeira infância têm retorno bastante positivo para as crianças e para a sociedade como um todo (Jack P. Shonkoff e Julius B. Richmond, 2009; Britto, Yoshikawa and Boller 2011; Center on the Developing Child, Harvard University 2013; OMS e UNICEF, 2018). Em que crianças que não experienciaram exemplos positivos e valores, como por exemplo suporte, carinho, dedicação, esforço e disciplina, podem desenvolver traumas que, se não tratados, têm grandes probabilidades de evoluírem para perturbações psicológicas mais preocupantes, como depressão, ansiedade, ataques de pânico ou outros perturbações graves

Desde a gravidez e ao longo da primeira infância, todos os ambientes em que a criança vive e se desenvolve, assim como a qualidade dos seus relacionamentos com adultos e cuidadores, têm impacto significativo no seu desenvolvimento físico e cognitivo.

Neste sentido, a família, se for “saudável”, constitui numa fonte de ajuda ativa. Um grupo familiar bem organizado e estável, em que se verifique um sistema de autoridade claro e aceitável, uma comunicação aberta baseada em controlo e apoio, torna-se fundamental no bom desenvolvimento de crianças mentalmente saudáveis, assertivas, autónomas e seguras de si.

Quando a família não é “saudável”, os padrões de autoridade modificam-se, sendo a comunicação e a distribuição de papéis funcionais deteriorados, o que dificulta o controlo dos sentimentos negativos, levando ao aumento da angústia, hostilidade e violência. Por vezes, a falta de respeito dos diversos elementos da família, como a intolerância, a agressividade, o desinteresse ou a superproteção, marcam a personalidade do indivíduo.

Porém, além da angústia provocada pela doença misteriosa e devastadora – Covid-19, as medidas de distanciamento social adotadas para diminuir o número de mortes, trouxeram uma série de desafios para as famílias e primeira infância: criação de laços familiares tóxicos, dependência e proteção excessiva, tornando os ambientes familiares pautados pela ansiedade e instabilidade.  Pelo que, nos dias de hoje, mais que nunca, torna-se imprescindível ter em atenção que as famílias e as crianças submetidas a fatores de stress tóxico ou relações familiares tóxicas, necessitam de intervenções especializadas, o mais cedo possível, para romper com a causa do stress e protegê-las das consequências.

O valor de uma família saudável é imensurável, pois é a base para que o indivíduo construa a sua inteligência emocional, valores, atitudes e bons exemplos.

Se a sua família, as suas crianças e/ou você sentem-se afetados pelo impacto do covid, se sentem que a sua família está instável e/ou desajustada, procure ajuda. A Psicologia trabalha a família focando-se nas emoções, pensamentos e comportamentos do contexto familiar. Assim a Terapia Familiar é importante em casos de conflitos, traumas ou mesmo a necessidade e interesse de se aproximar, reaproximar e conviver bem com os membros desse grupo social.    

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Ansiedade ou depressão: como reconhecer cada uma

Novembro 16, 2021 em Atualidade, Concelho, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora

Têm alguns aspetos em comum e podem até ocorrer em simultâneo. Mas, para tratá-las da melhor forma, é importante aprender a distinguir: ansiedade ou depressão.

É fácil confundir ansiedade com depressão. Existem situações, no âmbito das perturbações mentais, em que ambas se parecem sobrepor ou até mesmo coexistir. Noutros casos, uma pode ser produto de outra – muitas vezes a depressão surge de casos graves de ansiedade crónica. Ainda assim, são problemas de saúde mental diferentes. O diagnóstico correto é essencial de forma a poder proceder-se ao tratamento e à recuperação adequada.

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O que é a ansiedade?

A ansiedade pode manifestar-se através de sintomas físicos e psicológicos. É normalmente caracterizada por uma preocupação excessiva face a uma situação futura. Não se vive bem o presente, sempre com inquietação pelo futuro. Quando controlada, é uma reação natural do organismo a possíveis ameaças, que permite que nos mantenhamos alerta para qualquer perigo que possa surgir.

No entanto, por vezes a ansiedade apresenta-se de forma intensa, prolongada e sem causa aparente. Nestes casos, as pessoas tendem a isolar-se e a evitar quaisquer situações que considerem perigosas, mesmo quando não o são.

A ansiedade pode ser generalizada ou manifestar-se em situações específicas, como:

  • Ataques de pânico
  • Perturbações obsessivo-compulsivas
  • Agorafobia
  • Ansiedade social
  • Stress pós-traumático

E o que é a depressão?

A tristeza, tal como a ansiedade, é uma reação natural a certas experiências, tendendo a ser ultrapassada após um determinado período de tempo. O sentimento de tristeza pode, contudo, prolongar-se mais tempo do que o habitual, tornando-se um problema crónico e incapacitante que afeta as várias esferas da vida da pessoa que dela sofre.

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Diferente de preocupação ou receio de situações futuras, a depressão é caracterizada por este sentimento de tristeza crónica. Existem vários fatores que podem contribuir para o seu desenvolvimento:

  • Predisposição familiar
  • Acontecimentos desagradáveis ou traumáticos (situações de perda, separação, luto ou tragédia)
  • Personalidades mais introvertidas

As mulheres, assim como os indivíduos com excesso de peso, baixa autoestima, vítimas de violência ou de outros acontecimentos perturbadores, têm também uma maior predisposição para desenvolver depressão. No entanto, esta também pode surgir sem motivo aparente ou no decorrer de um problema prévio de ansiedade.

Sinais de alarme

Tanto a ansiedade como a depressão apresentam vários sintomas a nível físico e psicológico. No entanto, por serem doenças do foro psiquiátrico e se desenvolverem de uma forma gradual, podem ser de difícil diagnóstico.

Algumas manifestações possíveis de ansiedade:

  • Sensação injustificada de medo ou pânico
  • Problemas de concentração
  • Irritabilidade
  • Insónias
  • Dificuldade em respirar
  • Palpitações
  • Boca seca
  • Náuseas
  • Tensão muscular
  • Tonturas

 A depressão, por sua vez, tende a provocar menos sintomas físicos. Eis alguns dos clássicos sinais de depressão:

  • Sensação persistente de tristeza
  • Menor interesse por atividades do quotidiano, mesmo que antes fossem prazerosas
  • Sensação de culpa ou falta de esperança para o futuro
  • Fadiga crónica
  • Insónias ou hipersónia (dormir em demasia)
  • Variações abruptas de peso
  • Alterações ao nível da cognição (memória, concentração e raciocínio)
  • Diminuição da autoestima e da autoconfiança

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Atenção! Tanto a ansiedade como a depressão podem fragilizar e afetar severamente a qualidade de vida. Caso reconheça em si ou em alguém que lhe seja próximo alguns dos sintomas mencionados, procure ajuda.

Por: Drª Marisa Marques

Quando devo levar o meu filho ao psicólogo

Julho 21, 2021 em Atualidade, Concelho, Opinião, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora

São muitos os mitos existentes acerca do acompanhamento psicológico com crianças e adolescentes, especialmente nas faixas etárias mais tenras. Os pais, preocupados com o bem-estar e ajustamento psicológico dos seus filhos, temem frequentemente solicitar o apoio psicológico.

Quando nossos filhos tem febre, dor ou algum outro sintoma físico, imediatamente agendamos uma consulta com o pediatra. Mas, quando eles estão com algum problema que afeta a saúde mental e bem-estar psicológico, nem sempre conseguimos identificar os sinais assim, de primeira. Em outras situações existe o receio de reconhecer que se precisa de ajuda com o medo de os pais serem classificados como não sendo competentes ou sendo os culpados pela condição atual da criança.

Reconhecer a difícil missão de ser pai e enfrentar este desafio recorrendo ao apoio psicológico é um ato que manifesta um profundo sentido de responsabilidade e respeito. Tal decisão não revela incapacidade ou fraqueza dos pais, mas antes um forte sentido de pertença e entrega pelos seus filhos, devendo por isso ser aplaudida.

Há inúmeros motivos que podem levar pais e responsáveis a procurar um psicólogo.

Quando devo recorrer ao Psicólogo Infantil?

O psicólogo infantil é um profissional especializado que pode ser um forte aliado na promoção do desenvolvimento harmonioso das crianças.

A criança evidencia algum comportamento prejudicial à sua qualidade de vida como por exemplo

• Dificuldades:

Comportamentais: agressividade;
Emocionais tais como ansiedade, fobia, isolamento social e depressão;
Relacionais com pais, professores, colegas ou outros;
Atenção e concentração;
Aprendizagem
Autismo
Sono.

• Perturbações:

De eliminação: enurese (dificuldade de controlo da urina, sobretudo durante o sono) e ecoprese (dificuldades de controlo das fezes);
Sono.

• Situações familiares impactantes como adoção, divórcio, maus-tratos.
• Processo de luto.
• Alterações ou distúrbios alimentares tais como recusa alimentar, anorexia e bulimia

A partir de que idade as crianças podem passar no psicólogo?

O psicólogo infantil começa atender crianças por volta de 1 ano e meio de idade.

Em que consiste o acompanhamento de Psicologia Infantil?

O apoio psicológico é feito numa perspectiva de intervenção breve e com fases distintas.

O psicólogo infantil tem uma formação que lhe permite estabelecer com a criança uma relação que lhe forneça segurança para encarar o espaço proporcionado enquanto momento de partilha e validação emocional. A forma de falar, o tom, a postura que usa criam um ambiente de acolhimento e confiança.

Antes do início da psicoterapia, o psicólogo realiza entrevistas iniciais com os pais para reunir informações sobre a história da criança e da família. Só após esse contacto inicial, é que o psicólogo tem condições para avaliar a condição psicológica e, posteriormente, o número de sessões que necessitará, assim como a periodicidade das mesmas.

Habitualmente as sessões têm um carácter semanal numa fase inicial, passando depois para quinzenais até a fase do follow up (por ex: monitorização de 3 em 3 meses ou 6 em 6 meses que pode ser realizada presencialmente ou pelo telefone). A duração média das sessões é de 30-40 minutos.

Como é realizado o acompanhamento de Psicologia Infantil?

Durante a psicoterapia, o psicólogo utiliza essencialmente recursos lúdicos para compreender os sentimentos, pensamentos e angústias das crianças através das brincadeiras. É de salientar que cada criança, cada faixa etária exigi recursos específicos para a sessão fluir.

Por sentir-se aceite e compreendida no contexto que lhe é proporcionado, a par das estratégias utilizadas por estes profissionais, verificam-se melhorias significativas no comportamento das crianças em casa e na escola.

A saúde mental e psicológica das crianças e adolescentes jamais deverá ser ignorada.

Não desvalorize os sinais que as crianças e os adolescentes nos vão apresentando porque todos os sintomas são reais.

Lembre-se que não é possível “carregar num interruptor e desligar os sintomas”. Os problemas de Saúde Psicológica não dependem da “força de vontade” , é natural que, por muito que a criança ou adolescente queira sentir-se melhor e comportar-se de forma diferente, não o consiga fazer.


Procurar ajuda é um sinal de força e não de fraqueza.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Dia Mundial da criança: A Importância do Brincar

Junho 1, 2021 em Atualidade, Concelho, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora

Cada vez mais se reconhecem os benefícios do Brincar para o crescimento harmonioso das crianças. Brincar é uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento em quase todas as áreas.

Um dos benefícios que mais rapidamente associamos ao Brincar é o seu contributo para o desenvolvimento motor das crianças: quando o seu filho salta, corre, pedala, desenha, pinta, empilha cubos, etc. está a desenvolver as suas capacidades físicas.

Mas os seus benefícios não se extinguem aqui. O jogo ajuda também no desenvolvimento emocional do seu filho: através da brincadeira pode exprimir as suas emoções, pode comunicar sentimentos, pensamentos, necessidades e problemas. O jogo do “faz de conta” pode ajudar a reduzir sentimentos de medo, raiva, e proporcionar experiências de diversão, controlo e sucesso. No jogo o seu filho pode experimentar outros papéis, como por exemplo, ser mãe, pai, filho, médico, professor… O jogo permite-lhe ver o mundo de outros pontos de vista, ajudando-o a ser menos egocêntrico.

Pelo jogo as crianças podem aprender quem são, o que podem fazer e como se relacionar com o mundo que a rodeia; podem descobrir, explorar, usar a sua imaginação, resolver problemas e testar novas ideias. Através destas experiências exploram o ambiente que as rodeia de forma mais confiante. No jogo podem errar e explorar as suas capacidades ao limite; são livres de experimentar a sua imaginação, explorar o impossível, desenvolver a confiança nos seus pensamentos e ideias. Durante o jogo caixas, cubos ou blocos de madeira podem se transformar em casas ou palácios; as bonecas podem se transformar em mães, bebés ou até monstros.

O jogo ajuda também ao desenvolvimento das competências básicas de socialização. As crianças aprendem a partilhar e cooperar, a serem sensíveis com os sentimentos dos outros durante o jogo.

Brincar ajuda o seu filho a crescer de forma saudável e muito importante também fortalece a vossa união. Dedique um tempo especial diário para as vossas brincadeiras.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Foto:@daen_2chinda|unsplash

Ser mãe, uma missão para a vida, que começa no momento exato da notícia da gravidez

Maio 2, 2021 em Atualidade, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora

O conceito de maternidade surge muitas vezes confundido com o de gravidez. No entanto, os dois conceitos referem-se a realidades distintas. A maternidade vai para além da gravidez, fazendo desta transição um dos acontecimentos de vida mais marcantes em termos de desenvolvimento e que se estende ao longo da vida da mulher.

A maternidade é vista como sendo o processo de adaptação constante entre expectativas e realidades, uma vez que a mulher não carrega o bebé somente no seu ventre, mas também o carrega mentalmente.

Neste sentido, a maternidade é considerada um período de especial vulnerabilidade psicológica, uma vez que todas as mudanças envolventes conduzem frequentemente ao aparecimento de “novas” patologias psíquicas, ou então, agravamento de perturbações previamente existentes que, caso não sejam intervencionadas corretamente, tornam-se um obstáculo no processo de vinculação entre a mãe e o bebé, com repercussões no desenvolvimento da criança bem como na saúde mental materna. 

Esta transição de mulher para mulher-mãe exige grandes mudanças e adaptações ao nível biológico, psicológico, social e relacional, principalmente quando se trata do primeiro filho. É impactante quer  na vida pessoal como familiar, modificando irreversivelmente a identidade, os papéis e as funções da mãe, bem como do pai e de toda a família. Todas estas mudanças provocam stress no seio familiar, dado que estas envolvem ganhos e perdas (associados às representações de gravidez e maternidade que cada mulher possui) e por requererem respostas cognitivas, emocionais e comportamentais que normalmente não integram o repertório comportamental da mulher, exigindo uma adaptação peculiar. Torna-se, assim, fundamental assegurar o bem-estar psicológico da mulher.

A promoção da saúde mental nestas fases é imprescindível, no sentido de determinar o melhor ajustamento ao período que a mulher atravessa, bem como auxiliar no desenvolvimento de recursos e competências que possam facilitar o estabelecimento de uma relação individual e familiar saudável.         

Neste turbilhão de emoções é muito frequente ouvirmos as mulheres dizerem que “é fácil esquecermo-nos de nós”, “é muito fácil esquecermo-nos que a vida não se resume a ser mãe”, pelo que voltar a ser Mulher depois de ser Mãe nem sempre é um processo simples de alcançar, principalmente quando não existe o devido apoio especializado.

A mulher encontra-se de tal forma envolvida e dependente do novo ser, que por vezes os papéis encontram-se invertidos; as mães ficam mais dependentes dos filhos do que os filhos das mães, tornando-se quase impossível que a “Mulher” se enquadre na sua nova rotina de vida. E consequentemente esta situação torna-se nefasta para o processo de vinculação mãe-bebé, influenciando o desenvolvimento intelectual, emocional e social.

Muitas vezes, com a maternidade, as mulheres vivem apenas o papel de mãe, esquecendo-se que também são seres individuais e que precisam do seu tempo para se cuidarem e nutrir, de forma a evitar que cheguem à exaustão. A mulher sente que deixa de ter tempo para si, enquanto empreendedora, enquanto mulher independente, enquanto amante, e deixa de viver um relacionamento harmonioso e prazeroso.

A Mulher colocando-se em segundo plano levará consigo também a relação com o marido/companheiro, uma vez que se não tem tempo para cuidar de si, muito menos terá para cuidar e mimar o marido/companheiro e consequentemente, a relação ressente-se.

No meio desta nova dinâmica familiar, é difícil a mulher sentir-se bem consigo própria, sente que está sempre a falhar em alguma esfera e que não consegue atender a todas as necessidades.                

O mito de que “é possível ser-se a mãe, esposa, familiar e amiga perfeita”, não passa de uma utopia perpetuada por mulheres frustradas que levam a que outras mulheres se sintam ainda mais frustradas por acreditarem neste mito. Porém é muito fácil deixar-nos tomar pela culpa e pela angústia, e é nesta fase crítica que o mau-estar leva a que os problemas psicológicos se revelem com mais frequência, sendo ainda mais provável quando a mulher tem problemas já desde a gravidez e pós-parto (ex: Depressão pós-parto).

Caso se encontrem nesta situação é urgente que procurem ajuda; a maternidade tem muito de belo, mas é uma transição para um mundo novo, muito atribulado, povoado de incertezas e inseguranças.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Mês de Março: o mês do pai. “A importância do pai no desenvolvimento dos filhos”

Março 13, 2021 em Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora

Sempre se ouviu falar da vinculação mãe-bebé, principalmente, nos primeiros tempos de vida da criança, como sendo um dos fatores mais importantes para o seu desenvolvimento saudável. A figura paternal é sempre vista como secundária e menos relevante no desenvolvimento das crianças. No entanto, o papel do pai é tão importante como o da mãe. Vou explicar o porquê.

A figura paterna continua a ser vista como uma figura de vinculação secundária, algo que é importante desmistificar.

A relação de vinculação é definida como um laço emocional forte que se estabelece por volta dos 7/8 meses de idade da criança e que permite criar uma relação privilegiada entre a criança e uma ou mais figuras estáveis na sua vida. Esta relação vai sendo construída ao longo do desenvolvimento da criança e, consequentemente, quando criadas num ambiente estável, sensível e responsivo, irá desenvolver uma vinculação segura.

Neste sentido, entende-se que as crianças ficam vinculadas tanto aos pais como às mães, desde que nascem.

O papel de Pai é distinto e complementar ao papel da mãe. Ambos contribuem para uma maior flexibilidade mental e adaptativa no desenvolvimento da criança. Por norma, as mães estão mais associadas à prestação de cuidados básicos e os pais a interações lúdicas, o que é uma mais valia para a criança, que acaba por ser estimulada de formas diferentes.

Contudo, ao longo do tempo tem-se observado cada vez mais à cessação desta distinção, devido às alterações sociais e da forma como os papeis parentais são representados e vividos atualmente. No entanto, apesar desta reestruturação do papel dos pais, hoje e sempre, a importância da figura paterna na vida de uma criança mantém-se. Neste sentido, o envolvimento do pai, a sua participação ativa e a afetividade na vida da criança, influenciam o desenvolvimento intelectual, emocional e social, promovendo a segurança, autoestima, resistência às frustrações e autonomia. Esta criança tornar-se-á assim um adulto resiliente, seguro, prudente e mais feliz.

Pelo que é importante ressaltar aqui que a presença do pai jamais poderá ser delegada ou compensada por bens materiais (brinquedos, roupas, viagens ou outros). Se por algum motivo o pai biológico não puder estar presente na vida da criança, é importante que outra figura masculina ocupe este lugar (avô, tio ou outro adulto).

MAIS TARDE, NA FASE DA ADOLESCÊNCIA, OS FILHOS VÊM A FIGURA PARENTAL COMO UM MODELO PARA SE IDENTIFICAR E, NO CASO DAS MENINAS, PARA SUA AUTOESTIMA E SEGURANÇA.

Algumas dicas para os pais:

– Desde o nascimento do bebé, seja proativo e partilhe os cuidados básicos com a mãe: dê banho, troque fraldas, coloque para dormir;

– Converse com os pediatras, professores e profissionais que acompanham o seu filho;

– Mantenha-se presente nas rotinas dos seus filhos;

– Proporcione momentos de aprendizagem e de estímulos de qualidade;

– Mantenha uma boa comunicação: partilhe os seus sentimentos, questione acerca das suas necessidades físicas, emocionais, escolares, entre outras.  

PARTE DE CADA UM DESCONSTRUIR A IDEIA ERRADA DE QUE APENAS A MÃE É IMPORTANTE PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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O processo do luto – Como viver o luto?

Dezembro 17, 2020 em Atualidade, Concelho, Opinião, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora
Marisa Marques

Hoje, em que Portugal está de Luto, por solidariedade devido a todas as mortes por COVID-19, bem como a notícia avassaladora da jovem Sara Carreira, de 21 anos, filha do tanto admirável Tony Carreira.

O luto é o processo pelo qual todos passam ao perder algo ou alguém que amamos. A perda de vidas, empregos e até perda da rotina devido à Covid-19. O processo de luto de certa forma é algo comum nas nossas vidas.

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                Todos nós vivemos ao longo da nossa vida numerosas perdas, todas elas de natureza diferente. Ruturas afetivas, morte de entes queridos, abdicação de ideais a nível pessoal ou profissional, perda de capacidades físicas e/ou mentais ou até mesmo a perda da nossa vida como a conhecíamos, são alguns dos acontecimentos de vida que nos levam a vivenciar o luto que todas eles requerem.

                Apesar de não haver maneiras certas ou erradas de sofrer, há maneiras saudáveis de lidar com a dor, que, com o tempo, podem amenizar a tristeza e ajudar-nos a aceitar a perda, a encontrar um novo sentido para a vida e seguir em frente.

                Por vezes ouvimos tanta coisa que nem sempre sabemos se é mesmo verdade. Muitos são os “conselhos” que ouvimos por aí… Mas, nem todos são realmente a melhor opção, sendo a maioria deles mitos criados acerca do processo de luto. Neste sentido enquanto profissionais, temos a necessidade de ajudar a sociedade a entenderem o que de facto é verdadeiro acerca do luto.

Mito 1: “Uma pessoa não deve falar sobre o assunto”

É necessário que a pessoa fala sobre o assunto, de forma a entra em contacto com a sua dor e expor os seus pontos de vista e emoções.

Mito 2: “Uma pessoa tem que ser forte”

Estar triste, vulnerável ou em sofrimento NUNCA foi sinal de fraqueza!

Fingir que está tudo bem é muito mais difícil e doloroso. O momento deve ser sentindo tal qual como é, de forma a não suprimir e bloquear os sentimentos e emoções.

Mito 3: “A pessoa que está em luto tem depressão”

Luto e Depressão são condições distintas e incomparáveis, apesar de algumas manifestações do luto e da depressão serem semelhantes, como choro, tristeza, apatia, insónia…

O luto é uma reação normal e esperada após a perda de algo ou alguém significativo.  

Mito 4: “A pessoa que vive o luto tem de ser medicada”

ATENÇÃO!

O luto não é uma doença que precisa medicação para ser curada. Nos casos de Luto patológico ou duradouro, sim, os medicamentos podem ser indicados (pelos médicos). O sofrimento psíquico não precisa ser sempre medicado (a medicação não a solução é um remedeio). Nestes casos a avaliação do profissional- Psicólogo ou Psiquiatra- é muito importante.

Mito 5: “A pessoa precisa voltar à rotina imediatamente”

Apesar da licença por luto ser reduzido, por vezes o voltar de imediato à rotina poderá ter o resultado oposto ao desejável, uma vez que irá impedir o contacto com o sofrimento e a dor, prejudicando a elaboração saudável do luto. É necessário um tempo para refletir, vivenciar e assimilar a perda e assim processar o que se sente.

 Mito 6: “As crianças não percebem o que é a morte e o luto, por isso é melhor protegê-las e não deixa-las viver o momento de luto”

A negação dos acontecimentos, fingindo que está tudo bem NUNCA protegeu as crianças.

As crianças, facilmente, apercebem-se dos comportamentos e reações emocionais das pessoas à sua volta e podem criar fantasias em relação aos factos, como por exemplo sentirem culpa de algo que não fizeram. Elas também precisam passar pelo processo de luto junto com a família.

COMO LIDAR COM A PERDA?

O Luto é um acontecimento de vida muito stressante, uma vez que requer mais ajustamentos do que outros eventos. Muitas pessoas experimentam a dor física, bem como dor emocional e comportamental.

Quando um determinado acontecimento gera stress, como é o caso do luto, automaticamente ativamos todas as nossas estratégias de coping, que nos ajudam a lidar com a perda. Estas estratégias alteram a nossa atenção sobre a fonte de stress (por exemplo, distanciamo-nos ou aproximamamo-nos da situação que nos gera dor), promovem a construção de significado para a situação (por exemplo, tentamos reavaliar as nossas memórias) ou conduzem a alteração de comportamentos (por exemplo, enfrentar a situação e procurar apoio social).

ENTÃO QUAL A MELHOR FORMA PARA LIDAR COM A PERDA?

O primeiro passo, e o mais importante, é sempre reconhecermos o que pensamos, sentimos (emocionalmente e fisicamente, sinais que o nosso corpo nos envia através de diferentes sensações físicas) e fazemos(comportamentos adotados) perante esta situação.

No entanto se sentes que não consegues lidar com esta situação? Pede ajuda!

Por: Marisa Marques* (OPP. 21210) – Psicóloga Clínica e da Saúde

(Consultório Privado Arcozelo-Barcelos, Hospital Trofa Barcelos, Hospital Trofa Braga Norte)

Imagens: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Dia Mundial da Saúde Mental

Outubro 10, 2020 em Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora
Marisa Marques

10 de outubro, celebra-se o Dia Mundial da Saúde Mental, sendo este um importante momento de reflexão e de análise no que às questões na saúde mental em Portugal dizem respeito

Dia Mundial da Saúde Mental (Imagem: WFMH)

Nunca se falou tanto em saúde mental como nos dias de hoje, mas estamos perto de acabar com um estigma que está já enraizado na sociedade? Ainda não. Mas a complexidade do nosso cérebro merece bem mais atenção do que aquela que lhe damos. Temos de cuidar daquela que é a base da saúde.



“Uma constipação é uma coisa que todos podemos ter, não há estigma algum em ter uma constipação, todos os anos temos problemas de constipações, mas, agora, a depressão, por exemplo, que é considerada a constipação da saúde mental, que é também uma coisa comum e que todas as pessoas podem ter, está associada um estigma e, na verdade, as pessoas não vão procurar tratamentos para essa constipação da saúde mental”. Apesar de nos dias de hoje falar-se cada vez mais abertamente de depressão e ansiedade, é um facto de que ainda há um estigma associado a estes estados mentais, sendo vistos como sinal de fraqueza.

O estigma na Saúde Mental (Imagem: OPP)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que existem 300 milhões de pessoas com depressão em todo o mundo, sendo esta doença mental a primeira causa de doenças e deficiências. O tema é sério e grave o suficiente, mas continua envolto uma nuvem que dificulta a procura de ajuda, o diagnóstico e o tratamento.

Atualmente, Portugal é o quinto país da OCDE que mais consome ansiolíticos e antidepressivos, atingindo já uma taxa que duplica a de países como Holanda, Itália e Eslováquia. Não se sabe se a pandemia veio agravar esta situação, mas nos primeiros três meses do ano foram vendidas mais 400 mil embalagens do que no mesmo período em 2019.

Entre março e junho de 2020 foram vendidas mais de 5 milhões de embalagens de ansiolíticos e antidepressivos do que em 2019, pelo que atualmente, este valor já foi duplicado e a saúde mental dos Portugueses está deteriorada e “abandonada”.

No entanto, sabemos que no que diz respeito ao tratamento, sabe-se que os antidepressivos são vistos como o “elixir” contra a depressão. Anualmente, em Portugal, o consumo deste tipo de fármaco duplica, triplica e a tendência é de aumentar cada vez mais, segundo dados recentes do Infarmed. Isto mostra-nos que andamos a “adormecer” ou “esconder” uma doença que, por si só, nos mata lentamente, adormecendo à boleia dos seus sintomas muitas vezes mascarados e camuflados.

Mesmo que os portugueses estejam cada vez mais informados sobre os problemas psicológicos e as suas consequências, pouco se fala e não há muita divulgação acerca dos tratamentos. Por exemplo, quando falamos em depressão, associamos automaticamente à intervenção medicamentosa. Mas apesar de os medicamentos melhorarem [a qualidade de vida do paciente], mas não resolvem o problema, apenas o “adormecem”, aumenta o risco de o problema psicológico se tornar crónico e recorrente, dado que, apesar de o paciente se sentir melhor, será sempre doente, porque a causa da patologia não foi tratada. Sendo que além da medicação é importante e imprescindível o Acompanhamento Psicológico de forma a tratar a real causa da patologia de foro psicológico e não só os sintomas que a patologia provoca.

O que podem os portugueses esperar do apoio psicológico? (Imagem: DR)

Caso não exista uma intervenção psicológica atempada e contínua “as consequências ao nível da saúde física e mental são graves, podendo haver o desenvolvimento de uma psicose ou outras perturbações mais graves e irreversíveis. É necessário ter em conta que na maioria dos casos, os problemas psicológicos manifestam-se de forma gradual e silenciosa, ao ponto de a pessoa não assumir que tem um problema para resolver, sendo, muitas vezes, os familiares, companheiro/a ou amigos a darem o primeiro sinal de alerta ao paciente, muitas das vezes, encontrando-se este já afastado das suas responsabilidades familiares, laborais e no meio social por incapacidade em gerir as emoções e a vida em geral.

O que andam a sentir os portugueses? (Imagem: DR)

A realidade que vivemos hoje leva-nos a tomar cuidados, medidas reforçadas de cuidados médicos, no entanto, não podemos descurar dos cuidados de saúde mental. Não se esqueça de que é essencial que Não se descuide da sua Saúde! Neste sentido, deixo-lhe “3 regras de sobrevivência”:

  1. Peça ajuda, nomeadamente, psicológica. Lembre-se que o primeiro passo para que possa melhorar a sua condição, é aceitá-la, olhá-la de frente e erguer-se perante ela.
  2. Procurar manter sempre a calma e, por muito difícil que seja, substituir os seus pensamentos negativos por pensamentos positivos.
  3. Não se isole!

Estamos aqui para ajudar, marque a sua consulta!

Imagem: DR

Por: Marisa Marques* (OPP. 21210) – Psicóloga Clínica e da Saúde

(Consultório Privado Arcozelo-Barcelos, Hospital Trofa Barcelos, Hospital Trofa Braga Norte)

Imagens: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

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