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Psicologia

Quando devo levar o meu filho ao psicólogo

Julho 21, 2021 em Atualidade, Concelho, Opinião, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora

São muitos os mitos existentes acerca do acompanhamento psicológico com crianças e adolescentes, especialmente nas faixas etárias mais tenras. Os pais, preocupados com o bem-estar e ajustamento psicológico dos seus filhos, temem frequentemente solicitar o apoio psicológico.

Quando nossos filhos tem febre, dor ou algum outro sintoma físico, imediatamente agendamos uma consulta com o pediatra. Mas, quando eles estão com algum problema que afeta a saúde mental e bem-estar psicológico, nem sempre conseguimos identificar os sinais assim, de primeira. Em outras situações existe o receio de reconhecer que se precisa de ajuda com o medo de os pais serem classificados como não sendo competentes ou sendo os culpados pela condição atual da criança.

Reconhecer a difícil missão de ser pai e enfrentar este desafio recorrendo ao apoio psicológico é um ato que manifesta um profundo sentido de responsabilidade e respeito. Tal decisão não revela incapacidade ou fraqueza dos pais, mas antes um forte sentido de pertença e entrega pelos seus filhos, devendo por isso ser aplaudida.

Há inúmeros motivos que podem levar pais e responsáveis a procurar um psicólogo.

Quando devo recorrer ao Psicólogo Infantil?

O psicólogo infantil é um profissional especializado que pode ser um forte aliado na promoção do desenvolvimento harmonioso das crianças.

A criança evidencia algum comportamento prejudicial à sua qualidade de vida como por exemplo

• Dificuldades:

Comportamentais: agressividade;
Emocionais tais como ansiedade, fobia, isolamento social e depressão;
Relacionais com pais, professores, colegas ou outros;
Atenção e concentração;
Aprendizagem
Autismo
Sono.

• Perturbações:

De eliminação: enurese (dificuldade de controlo da urina, sobretudo durante o sono) e ecoprese (dificuldades de controlo das fezes);
Sono.

• Situações familiares impactantes como adoção, divórcio, maus-tratos.
• Processo de luto.
• Alterações ou distúrbios alimentares tais como recusa alimentar, anorexia e bulimia

A partir de que idade as crianças podem passar no psicólogo?

O psicólogo infantil começa atender crianças por volta de 1 ano e meio de idade.

Em que consiste o acompanhamento de Psicologia Infantil?

O apoio psicológico é feito numa perspectiva de intervenção breve e com fases distintas.

O psicólogo infantil tem uma formação que lhe permite estabelecer com a criança uma relação que lhe forneça segurança para encarar o espaço proporcionado enquanto momento de partilha e validação emocional. A forma de falar, o tom, a postura que usa criam um ambiente de acolhimento e confiança.

Antes do início da psicoterapia, o psicólogo realiza entrevistas iniciais com os pais para reunir informações sobre a história da criança e da família. Só após esse contacto inicial, é que o psicólogo tem condições para avaliar a condição psicológica e, posteriormente, o número de sessões que necessitará, assim como a periodicidade das mesmas.

Habitualmente as sessões têm um carácter semanal numa fase inicial, passando depois para quinzenais até a fase do follow up (por ex: monitorização de 3 em 3 meses ou 6 em 6 meses que pode ser realizada presencialmente ou pelo telefone). A duração média das sessões é de 30-40 minutos.

Como é realizado o acompanhamento de Psicologia Infantil?

Durante a psicoterapia, o psicólogo utiliza essencialmente recursos lúdicos para compreender os sentimentos, pensamentos e angústias das crianças através das brincadeiras. É de salientar que cada criança, cada faixa etária exigi recursos específicos para a sessão fluir.

Por sentir-se aceite e compreendida no contexto que lhe é proporcionado, a par das estratégias utilizadas por estes profissionais, verificam-se melhorias significativas no comportamento das crianças em casa e na escola.

A saúde mental e psicológica das crianças e adolescentes jamais deverá ser ignorada.

Não desvalorize os sinais que as crianças e os adolescentes nos vão apresentando porque todos os sintomas são reais.

Lembre-se que não é possível “carregar num interruptor e desligar os sintomas”. Os problemas de Saúde Psicológica não dependem da “força de vontade” , é natural que, por muito que a criança ou adolescente queira sentir-se melhor e comportar-se de forma diferente, não o consiga fazer.


Procurar ajuda é um sinal de força e não de fraqueza.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Dia Mundial da criança: A Importância do Brincar

Junho 1, 2021 em Atualidade, Concelho, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora

Cada vez mais se reconhecem os benefícios do Brincar para o crescimento harmonioso das crianças. Brincar é uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento em quase todas as áreas.

Um dos benefícios que mais rapidamente associamos ao Brincar é o seu contributo para o desenvolvimento motor das crianças: quando o seu filho salta, corre, pedala, desenha, pinta, empilha cubos, etc. está a desenvolver as suas capacidades físicas.

Mas os seus benefícios não se extinguem aqui. O jogo ajuda também no desenvolvimento emocional do seu filho: através da brincadeira pode exprimir as suas emoções, pode comunicar sentimentos, pensamentos, necessidades e problemas. O jogo do “faz de conta” pode ajudar a reduzir sentimentos de medo, raiva, e proporcionar experiências de diversão, controlo e sucesso. No jogo o seu filho pode experimentar outros papéis, como por exemplo, ser mãe, pai, filho, médico, professor… O jogo permite-lhe ver o mundo de outros pontos de vista, ajudando-o a ser menos egocêntrico.

Pelo jogo as crianças podem aprender quem são, o que podem fazer e como se relacionar com o mundo que a rodeia; podem descobrir, explorar, usar a sua imaginação, resolver problemas e testar novas ideias. Através destas experiências exploram o ambiente que as rodeia de forma mais confiante. No jogo podem errar e explorar as suas capacidades ao limite; são livres de experimentar a sua imaginação, explorar o impossível, desenvolver a confiança nos seus pensamentos e ideias. Durante o jogo caixas, cubos ou blocos de madeira podem se transformar em casas ou palácios; as bonecas podem se transformar em mães, bebés ou até monstros.

O jogo ajuda também ao desenvolvimento das competências básicas de socialização. As crianças aprendem a partilhar e cooperar, a serem sensíveis com os sentimentos dos outros durante o jogo.

Brincar ajuda o seu filho a crescer de forma saudável e muito importante também fortalece a vossa união. Dedique um tempo especial diário para as vossas brincadeiras.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Foto:@daen_2chinda|unsplash

Ser mãe, uma missão para a vida, que começa no momento exato da notícia da gravidez

Maio 2, 2021 em Atualidade, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora

O conceito de maternidade surge muitas vezes confundido com o de gravidez. No entanto, os dois conceitos referem-se a realidades distintas. A maternidade vai para além da gravidez, fazendo desta transição um dos acontecimentos de vida mais marcantes em termos de desenvolvimento e que se estende ao longo da vida da mulher.

A maternidade é vista como sendo o processo de adaptação constante entre expectativas e realidades, uma vez que a mulher não carrega o bebé somente no seu ventre, mas também o carrega mentalmente.

Neste sentido, a maternidade é considerada um período de especial vulnerabilidade psicológica, uma vez que todas as mudanças envolventes conduzem frequentemente ao aparecimento de “novas” patologias psíquicas, ou então, agravamento de perturbações previamente existentes que, caso não sejam intervencionadas corretamente, tornam-se um obstáculo no processo de vinculação entre a mãe e o bebé, com repercussões no desenvolvimento da criança bem como na saúde mental materna. 

Esta transição de mulher para mulher-mãe exige grandes mudanças e adaptações ao nível biológico, psicológico, social e relacional, principalmente quando se trata do primeiro filho. É impactante quer  na vida pessoal como familiar, modificando irreversivelmente a identidade, os papéis e as funções da mãe, bem como do pai e de toda a família. Todas estas mudanças provocam stress no seio familiar, dado que estas envolvem ganhos e perdas (associados às representações de gravidez e maternidade que cada mulher possui) e por requererem respostas cognitivas, emocionais e comportamentais que normalmente não integram o repertório comportamental da mulher, exigindo uma adaptação peculiar. Torna-se, assim, fundamental assegurar o bem-estar psicológico da mulher.

A promoção da saúde mental nestas fases é imprescindível, no sentido de determinar o melhor ajustamento ao período que a mulher atravessa, bem como auxiliar no desenvolvimento de recursos e competências que possam facilitar o estabelecimento de uma relação individual e familiar saudável.         

Neste turbilhão de emoções é muito frequente ouvirmos as mulheres dizerem que “é fácil esquecermo-nos de nós”, “é muito fácil esquecermo-nos que a vida não se resume a ser mãe”, pelo que voltar a ser Mulher depois de ser Mãe nem sempre é um processo simples de alcançar, principalmente quando não existe o devido apoio especializado.

A mulher encontra-se de tal forma envolvida e dependente do novo ser, que por vezes os papéis encontram-se invertidos; as mães ficam mais dependentes dos filhos do que os filhos das mães, tornando-se quase impossível que a “Mulher” se enquadre na sua nova rotina de vida. E consequentemente esta situação torna-se nefasta para o processo de vinculação mãe-bebé, influenciando o desenvolvimento intelectual, emocional e social.

Muitas vezes, com a maternidade, as mulheres vivem apenas o papel de mãe, esquecendo-se que também são seres individuais e que precisam do seu tempo para se cuidarem e nutrir, de forma a evitar que cheguem à exaustão. A mulher sente que deixa de ter tempo para si, enquanto empreendedora, enquanto mulher independente, enquanto amante, e deixa de viver um relacionamento harmonioso e prazeroso.

A Mulher colocando-se em segundo plano levará consigo também a relação com o marido/companheiro, uma vez que se não tem tempo para cuidar de si, muito menos terá para cuidar e mimar o marido/companheiro e consequentemente, a relação ressente-se.

No meio desta nova dinâmica familiar, é difícil a mulher sentir-se bem consigo própria, sente que está sempre a falhar em alguma esfera e que não consegue atender a todas as necessidades.                

O mito de que “é possível ser-se a mãe, esposa, familiar e amiga perfeita”, não passa de uma utopia perpetuada por mulheres frustradas que levam a que outras mulheres se sintam ainda mais frustradas por acreditarem neste mito. Porém é muito fácil deixar-nos tomar pela culpa e pela angústia, e é nesta fase crítica que o mau-estar leva a que os problemas psicológicos se revelem com mais frequência, sendo ainda mais provável quando a mulher tem problemas já desde a gravidez e pós-parto (ex: Depressão pós-parto).

Caso se encontrem nesta situação é urgente que procurem ajuda; a maternidade tem muito de belo, mas é uma transição para um mundo novo, muito atribulado, povoado de incertezas e inseguranças.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Mês de Março: o mês do pai. “A importância do pai no desenvolvimento dos filhos”

Março 13, 2021 em Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora

Sempre se ouviu falar da vinculação mãe-bebé, principalmente, nos primeiros tempos de vida da criança, como sendo um dos fatores mais importantes para o seu desenvolvimento saudável. A figura paternal é sempre vista como secundária e menos relevante no desenvolvimento das crianças. No entanto, o papel do pai é tão importante como o da mãe. Vou explicar o porquê.

A figura paterna continua a ser vista como uma figura de vinculação secundária, algo que é importante desmistificar.

A relação de vinculação é definida como um laço emocional forte que se estabelece por volta dos 7/8 meses de idade da criança e que permite criar uma relação privilegiada entre a criança e uma ou mais figuras estáveis na sua vida. Esta relação vai sendo construída ao longo do desenvolvimento da criança e, consequentemente, quando criadas num ambiente estável, sensível e responsivo, irá desenvolver uma vinculação segura.

Neste sentido, entende-se que as crianças ficam vinculadas tanto aos pais como às mães, desde que nascem.

O papel de Pai é distinto e complementar ao papel da mãe. Ambos contribuem para uma maior flexibilidade mental e adaptativa no desenvolvimento da criança. Por norma, as mães estão mais associadas à prestação de cuidados básicos e os pais a interações lúdicas, o que é uma mais valia para a criança, que acaba por ser estimulada de formas diferentes.

Contudo, ao longo do tempo tem-se observado cada vez mais à cessação desta distinção, devido às alterações sociais e da forma como os papeis parentais são representados e vividos atualmente. No entanto, apesar desta reestruturação do papel dos pais, hoje e sempre, a importância da figura paterna na vida de uma criança mantém-se. Neste sentido, o envolvimento do pai, a sua participação ativa e a afetividade na vida da criança, influenciam o desenvolvimento intelectual, emocional e social, promovendo a segurança, autoestima, resistência às frustrações e autonomia. Esta criança tornar-se-á assim um adulto resiliente, seguro, prudente e mais feliz.

Pelo que é importante ressaltar aqui que a presença do pai jamais poderá ser delegada ou compensada por bens materiais (brinquedos, roupas, viagens ou outros). Se por algum motivo o pai biológico não puder estar presente na vida da criança, é importante que outra figura masculina ocupe este lugar (avô, tio ou outro adulto).

MAIS TARDE, NA FASE DA ADOLESCÊNCIA, OS FILHOS VÊM A FIGURA PARENTAL COMO UM MODELO PARA SE IDENTIFICAR E, NO CASO DAS MENINAS, PARA SUA AUTOESTIMA E SEGURANÇA.

Algumas dicas para os pais:

– Desde o nascimento do bebé, seja proativo e partilhe os cuidados básicos com a mãe: dê banho, troque fraldas, coloque para dormir;

– Converse com os pediatras, professores e profissionais que acompanham o seu filho;

– Mantenha-se presente nas rotinas dos seus filhos;

– Proporcione momentos de aprendizagem e de estímulos de qualidade;

– Mantenha uma boa comunicação: partilhe os seus sentimentos, questione acerca das suas necessidades físicas, emocionais, escolares, entre outras.  

PARTE DE CADA UM DESCONSTRUIR A IDEIA ERRADA DE QUE APENAS A MÃE É IMPORTANTE PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

Foto: @jule_42|unsplash

O processo do luto – Como viver o luto?

Dezembro 17, 2020 em Atualidade, Concelho, Opinião, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora
Marisa Marques

Hoje, em que Portugal está de Luto, por solidariedade devido a todas as mortes por COVID-19, bem como a notícia avassaladora da jovem Sara Carreira, de 21 anos, filha do tanto admirável Tony Carreira.

O luto é o processo pelo qual todos passam ao perder algo ou alguém que amamos. A perda de vidas, empregos e até perda da rotina devido à Covid-19. O processo de luto de certa forma é algo comum nas nossas vidas.

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                Todos nós vivemos ao longo da nossa vida numerosas perdas, todas elas de natureza diferente. Ruturas afetivas, morte de entes queridos, abdicação de ideais a nível pessoal ou profissional, perda de capacidades físicas e/ou mentais ou até mesmo a perda da nossa vida como a conhecíamos, são alguns dos acontecimentos de vida que nos levam a vivenciar o luto que todas eles requerem.

                Apesar de não haver maneiras certas ou erradas de sofrer, há maneiras saudáveis de lidar com a dor, que, com o tempo, podem amenizar a tristeza e ajudar-nos a aceitar a perda, a encontrar um novo sentido para a vida e seguir em frente.

                Por vezes ouvimos tanta coisa que nem sempre sabemos se é mesmo verdade. Muitos são os “conselhos” que ouvimos por aí… Mas, nem todos são realmente a melhor opção, sendo a maioria deles mitos criados acerca do processo de luto. Neste sentido enquanto profissionais, temos a necessidade de ajudar a sociedade a entenderem o que de facto é verdadeiro acerca do luto.

Mito 1: “Uma pessoa não deve falar sobre o assunto”

É necessário que a pessoa fala sobre o assunto, de forma a entra em contacto com a sua dor e expor os seus pontos de vista e emoções.

Mito 2: “Uma pessoa tem que ser forte”

Estar triste, vulnerável ou em sofrimento NUNCA foi sinal de fraqueza!

Fingir que está tudo bem é muito mais difícil e doloroso. O momento deve ser sentindo tal qual como é, de forma a não suprimir e bloquear os sentimentos e emoções.

Mito 3: “A pessoa que está em luto tem depressão”

Luto e Depressão são condições distintas e incomparáveis, apesar de algumas manifestações do luto e da depressão serem semelhantes, como choro, tristeza, apatia, insónia…

O luto é uma reação normal e esperada após a perda de algo ou alguém significativo.  

Mito 4: “A pessoa que vive o luto tem de ser medicada”

ATENÇÃO!

O luto não é uma doença que precisa medicação para ser curada. Nos casos de Luto patológico ou duradouro, sim, os medicamentos podem ser indicados (pelos médicos). O sofrimento psíquico não precisa ser sempre medicado (a medicação não a solução é um remedeio). Nestes casos a avaliação do profissional- Psicólogo ou Psiquiatra- é muito importante.

Mito 5: “A pessoa precisa voltar à rotina imediatamente”

Apesar da licença por luto ser reduzido, por vezes o voltar de imediato à rotina poderá ter o resultado oposto ao desejável, uma vez que irá impedir o contacto com o sofrimento e a dor, prejudicando a elaboração saudável do luto. É necessário um tempo para refletir, vivenciar e assimilar a perda e assim processar o que se sente.

 Mito 6: “As crianças não percebem o que é a morte e o luto, por isso é melhor protegê-las e não deixa-las viver o momento de luto”

A negação dos acontecimentos, fingindo que está tudo bem NUNCA protegeu as crianças.

As crianças, facilmente, apercebem-se dos comportamentos e reações emocionais das pessoas à sua volta e podem criar fantasias em relação aos factos, como por exemplo sentirem culpa de algo que não fizeram. Elas também precisam passar pelo processo de luto junto com a família.

COMO LIDAR COM A PERDA?

O Luto é um acontecimento de vida muito stressante, uma vez que requer mais ajustamentos do que outros eventos. Muitas pessoas experimentam a dor física, bem como dor emocional e comportamental.

Quando um determinado acontecimento gera stress, como é o caso do luto, automaticamente ativamos todas as nossas estratégias de coping, que nos ajudam a lidar com a perda. Estas estratégias alteram a nossa atenção sobre a fonte de stress (por exemplo, distanciamo-nos ou aproximamamo-nos da situação que nos gera dor), promovem a construção de significado para a situação (por exemplo, tentamos reavaliar as nossas memórias) ou conduzem a alteração de comportamentos (por exemplo, enfrentar a situação e procurar apoio social).

ENTÃO QUAL A MELHOR FORMA PARA LIDAR COM A PERDA?

O primeiro passo, e o mais importante, é sempre reconhecermos o que pensamos, sentimos (emocionalmente e fisicamente, sinais que o nosso corpo nos envia através de diferentes sensações físicas) e fazemos(comportamentos adotados) perante esta situação.

No entanto se sentes que não consegues lidar com esta situação? Pede ajuda!

Por: Marisa Marques* (OPP. 21210) – Psicóloga Clínica e da Saúde

(Consultório Privado Arcozelo-Barcelos, Hospital Trofa Barcelos, Hospital Trofa Braga Norte)

Imagens: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Dia Mundial da Saúde Mental

Outubro 10, 2020 em Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora
Marisa Marques

10 de outubro, celebra-se o Dia Mundial da Saúde Mental, sendo este um importante momento de reflexão e de análise no que às questões na saúde mental em Portugal dizem respeito

Dia Mundial da Saúde Mental (Imagem: WFMH)

Nunca se falou tanto em saúde mental como nos dias de hoje, mas estamos perto de acabar com um estigma que está já enraizado na sociedade? Ainda não. Mas a complexidade do nosso cérebro merece bem mais atenção do que aquela que lhe damos. Temos de cuidar daquela que é a base da saúde.



“Uma constipação é uma coisa que todos podemos ter, não há estigma algum em ter uma constipação, todos os anos temos problemas de constipações, mas, agora, a depressão, por exemplo, que é considerada a constipação da saúde mental, que é também uma coisa comum e que todas as pessoas podem ter, está associada um estigma e, na verdade, as pessoas não vão procurar tratamentos para essa constipação da saúde mental”. Apesar de nos dias de hoje falar-se cada vez mais abertamente de depressão e ansiedade, é um facto de que ainda há um estigma associado a estes estados mentais, sendo vistos como sinal de fraqueza.

O estigma na Saúde Mental (Imagem: OPP)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que existem 300 milhões de pessoas com depressão em todo o mundo, sendo esta doença mental a primeira causa de doenças e deficiências. O tema é sério e grave o suficiente, mas continua envolto uma nuvem que dificulta a procura de ajuda, o diagnóstico e o tratamento.

Atualmente, Portugal é o quinto país da OCDE que mais consome ansiolíticos e antidepressivos, atingindo já uma taxa que duplica a de países como Holanda, Itália e Eslováquia. Não se sabe se a pandemia veio agravar esta situação, mas nos primeiros três meses do ano foram vendidas mais 400 mil embalagens do que no mesmo período em 2019.

Entre março e junho de 2020 foram vendidas mais de 5 milhões de embalagens de ansiolíticos e antidepressivos do que em 2019, pelo que atualmente, este valor já foi duplicado e a saúde mental dos Portugueses está deteriorada e “abandonada”.

No entanto, sabemos que no que diz respeito ao tratamento, sabe-se que os antidepressivos são vistos como o “elixir” contra a depressão. Anualmente, em Portugal, o consumo deste tipo de fármaco duplica, triplica e a tendência é de aumentar cada vez mais, segundo dados recentes do Infarmed. Isto mostra-nos que andamos a “adormecer” ou “esconder” uma doença que, por si só, nos mata lentamente, adormecendo à boleia dos seus sintomas muitas vezes mascarados e camuflados.

Mesmo que os portugueses estejam cada vez mais informados sobre os problemas psicológicos e as suas consequências, pouco se fala e não há muita divulgação acerca dos tratamentos. Por exemplo, quando falamos em depressão, associamos automaticamente à intervenção medicamentosa. Mas apesar de os medicamentos melhorarem [a qualidade de vida do paciente], mas não resolvem o problema, apenas o “adormecem”, aumenta o risco de o problema psicológico se tornar crónico e recorrente, dado que, apesar de o paciente se sentir melhor, será sempre doente, porque a causa da patologia não foi tratada. Sendo que além da medicação é importante e imprescindível o Acompanhamento Psicológico de forma a tratar a real causa da patologia de foro psicológico e não só os sintomas que a patologia provoca.

O que podem os portugueses esperar do apoio psicológico? (Imagem: DR)

Caso não exista uma intervenção psicológica atempada e contínua “as consequências ao nível da saúde física e mental são graves, podendo haver o desenvolvimento de uma psicose ou outras perturbações mais graves e irreversíveis. É necessário ter em conta que na maioria dos casos, os problemas psicológicos manifestam-se de forma gradual e silenciosa, ao ponto de a pessoa não assumir que tem um problema para resolver, sendo, muitas vezes, os familiares, companheiro/a ou amigos a darem o primeiro sinal de alerta ao paciente, muitas das vezes, encontrando-se este já afastado das suas responsabilidades familiares, laborais e no meio social por incapacidade em gerir as emoções e a vida em geral.

O que andam a sentir os portugueses? (Imagem: DR)

A realidade que vivemos hoje leva-nos a tomar cuidados, medidas reforçadas de cuidados médicos, no entanto, não podemos descurar dos cuidados de saúde mental. Não se esqueça de que é essencial que Não se descuide da sua Saúde! Neste sentido, deixo-lhe “3 regras de sobrevivência”:

  1. Peça ajuda, nomeadamente, psicológica. Lembre-se que o primeiro passo para que possa melhorar a sua condição, é aceitá-la, olhá-la de frente e erguer-se perante ela.
  2. Procurar manter sempre a calma e, por muito difícil que seja, substituir os seus pensamentos negativos por pensamentos positivos.
  3. Não se isole!

Estamos aqui para ajudar, marque a sua consulta!

Imagem: DR

Por: Marisa Marques* (OPP. 21210) – Psicóloga Clínica e da Saúde

(Consultório Privado Arcozelo-Barcelos, Hospital Trofa Barcelos, Hospital Trofa Braga Norte)

Imagens: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Aleitamento materno e saúde mental

Agosto 6, 2020 em Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora
Marisa Marques

Atualmente, sabemos que gravidez constitui um período que é geralmente vivido com grande emoção, contudo, os sentimentos podem tornar-se ambivalentes e contraditórios: por um lado, o encantamento e as expectativas positivas, e, por outro lado, a insegurança e o medo. Desta forma, a gravidez constitui, muitas vezes, uma fase crítica e vulnerável para a saúde psicológica da grávida, do bebé e do casal parental.



De acordo com o Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG), entre 14 a 23% das mulheres demonstram sintomas de depressão durante a gravidez, e esta perturbação tem uma elevada probabilidade de persistir após o parto, caso não seja prontamente diagnosticada e tratada. A Depressão na gravidez e/ou no pós-parto é uma doença que pode e deve ser tratada. A procura de ajuda e apoio constitui o primeiro passo para que a depressão seja tratada eficazmente.

Agosto é o Mês Nacional de Amamentação. Este mês também inclui a Semana Mundial da Amamentação, de 1 a 7 de agosto. Os especialistas compartilham informações sobre aleitamento materno e saúde mental.

Com o parto e o nascimento do bebé surge um conjunto de novas transformações e mudanças físicas, psicológicas e sociais na mãe e no bebé. Todas estas novas transformações podem interferir com o bem-estar emocional da mãe, influenciando a sua relação com o bebé.

Por sua vez, a necessidade de adaptação aos ritmos do bebé, como por exemplo a AMAMENTAÇÃO, pode conduzir ao aumento dos níveis de fadiga e de desgaste emocional em ambos os pais, exigindo ao casal parental constantes reorganizações e adaptações, assim como uma preparação psicológica para as novas experiências que surgem agora.

Pelo que para as recém-mamãs, uma decisão importante é a de amamentar ou não. O que muitas mães não sabem é o impacto que a amamentação pode ter na saúde mental, bem como na saúde física da mãe e do bebê.

Em que uma mãe cansada (e talvez propensa a depressão pós-parto) não precisa de pressão extra. Para algumas mulheres, a amamentação é um momento exaustivo e doloroso. Onde a alimentação do bebé pode não ser um tempo de ligação e afeto. E sim, um período em que o filho a mantém acordada a noite toda e onde a mãe pode se sentir sufocada. Ao estabelecer esse tipo de relacionamento com o bebê é mais provável que crie uma ligação nociva ao invés do que seria esperado.

A amamentação tem um impacto na saúde mental de uma mulher. Amamentar e cuidar de um recém-nascido geralmente exige muita energia e dedicação. Absorvendo recursos físicos e mentais, muitas vezes até o ponto de deixar a mulher mais sensível e irritada, bem como a privação de sono, mudanças hormonais, criando o cenário perfeito para o aparecimento e desenvolvimento da depressão pós-parto.

Embora a amamentação seja idealmente a melhor opção, alguns especialistas concordam que podem haver desvantagens ao cobrar da mãe uma obrigatoriedade com relação ao aleitamento materno.

No entanto, nesta situação pandémica e como nas Crianças, Adolescentes e Adultos, também nas grávidas e recém-mamãs, e respetivos bebés, o impacto da COVID-19 na saúde mental é bastante preocupante. Uma em cada cinco mulheres sofre de perturbações mentais na gravidez ou durante o primeiro ano de vida do bebé.  Pelo que alerto para a importância, apoio e a ajuda dos profissionais de saúde, psicólogos e pediatras são essenciais para que as mães consigam ultrapassar esta etapa.

Em caso de dúvidas, a orientação de um psicólogo especializado em mães, puerpério e bebés pode ser importante. Se você está triste e sentindo-se culpada por não conseguir amamentar, agende a sua Consulta de Grávida ou a sua consulta de Acompanhamento Psicológico no Período Pós-Parto e cuide do seu lado emocional.

Serviços de Psicologia Clínica e da Saúde para Grávidas, Pais e Bebés/Crianças

Por: Dr.ª Marisa Marques* (OPP. 21210) – Psicóloga Clínica e da Saúde

(Consultório Privado Arcozelo-Barcelos, Hospital Trofa Barcelos, Hospital Trofa Braga Norte)

Fotos: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Depressão: uma doença silenciosa e fatal

Julho 10, 2020 em Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião, Saúde Por barcelosnahorabarcelosnahora
Marisa Marques

A depressão consiste numa perturbação mental muito comum no ser humano e caracteriza-se por ser uma perturbação emocional persistente que afeta negativamente a forma como a pessoa se sente, pensa e age. Provocando, por sua vez, sentimentos de tristeza e/ou perda de interesse, nomeadamente, nas atividades habituais do quotidiano e diminui de forma significativa a capacidade funcional da pessoa, quer ao nível profissional, quer ao nível social.



No contexto atual, a existência do vírus COVID-19 constituiu uma ameaça para a saúde, quer a nível físico como psicológico, considerando-se urgente e emergente, uma atitude.

De fato, estamos a viver uma situação de instabilidade emocional significativa, em que os sentimentos de angústia, tristeza, depressão, raiva, medo, bem como, outras alterações, dominarão o nosso dia a dia. Como consequência, prevê-se que haverá uma forte tendência a desvalorizar a sintomatologia depressiva, uma vez que a mesma poderá uma forte tendência a ser confundida com a tristeza e esgotamento, o que dificultará que a depressão seja diagnosticada.

A depressão é o “trilho” doloroso que induz a um sofrimento intenso, conduzindo, em casos extremos, ao suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2015, cerca de 300 milhões de pessoas tinham diagnóstico de depressão, sendo, por isso, classificada como uma das principais causas de morte. Em Portugal, a realidade não é diferente da restante situação mundial, estima-se que haja cerca de um quinto da população (22,9%) com sintomatologia depressiva.

Atualmente sabe-se que a depressão é considerada a doença que mais contribui para as mortes por suicídio, com um índice bastante elevado, falamos de 800 mil situações por ano em todo o mundo. Apesar de ainda ser um assunto tabu da nossa sociedade, o suicídio encontra-se entre as 10 principais causas de morte em Portugal e em todo o mundo. No nosso país, anualmente, suicidam-se cerca de 1000 pessoas, no entanto, desde o início da pandemia, o número de suicídios tem aumentado drasticamente, assunto que está nas primeiras páginas dos noticiários, tal como os números de infetados por COVID-19.

No entanto, é mais fácil olhar para o lado e mascarar esta realidade, do que nos comprometermos.

Todos temos o dever de estar alertados e informados sobre a depressão e as suas consequências para unir esforços e ajudar quem se encontra em sofrimento, por isso, todas as atitudes são preciosas quando se suspeita que alguém possa estar depressivo e com pensamentos suicidas.

O importante, numa primeira fase, é tentar entender o que está a acontecer e quais os sentimentos associados. Não tenha medo de perguntar à pessoa porque se sente triste, deprimida e se está a pensar em suicídio (desistir de algo). Sendo que é improvável, para não dizer impossível, que a depressão passe por si só, torna-se fundamental que o primeiro passo seja aceitar que precisamos de ajuda e, consequentemente, procurar ajuda dos profissionais de saúde mental (Psicólogos e Psiquiatras).

A depressão, tal como as doenças físicas, precisa de ser tratada. Em todos os casos, o recurso à psicoterapia é fundamental e, em casos mais específicos, deve-se complementar o tratamento com a utilização de psicotrópicos.

Lembre-se que a grande maioria das pessoas deprimidas melhora substancialmente com um tratamento apropriado. De uma forma geral, os quadros depressivos de intensidade moderada a grave são tratáveis com a conjugação da Psicoterapia Cognitivo-Comportamental e a Medicação. Sendo que em casos ligeiros serão intervencionados com Psicoterapia Cognitivo-Comportamental.

Reforço o alerta: se conhecerem alguém que possa ter uma perturbação de humor, o mais importante a ser feito é aconselhar-lhe a procurar ajuda. Não devemos minimizar a depressão, antes pelo contrário, devemos ser ativos na procura de uma resposta.

A Saúde Mental é um assunto sério: Sem Saúde Mental Não Há Saúde.

Por: Marisa Marques* (Psicóloga Clínica e da Saúde).

Imagens: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

“A saúde mental faz parte da resposta da saúde pública à COVID-19”

Maio 8, 2020 em Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora

Saúde mental em tempos de pandemia

Marisa Marques

À medida que o COVID-19 “varre o mundo”, este causa uma ampla preocupação, ansiedade, medo, tristeza…Reações estas que são inatas ao ser humano quando está perante mudanças repentinas e incertezas, bem como situações de ameaça ao seu bem-estar, tal como vivemos nos dias de hoje.



A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020) alertou para consequências psicológicas e mentais do novo coronavírus, uma vez que o vírus gerou, e continua a gerar, stress na população, devido ao risco de contaminação, incerteza, isolamento social e desemprego entre outros motivos provocados pela pandemia, levando ao aparecimento e agravamento de problemas psicológicos e doença mental.

O cenário em que vivemos é especialmente perigosos por 3 grandes razões: (a) porque obrigou a uma súbita eliminação das nossas rotinas diárias, levando à retração social e perda da estrutura quotidiana; (b) porque as atuais notícias catastróficas são uma espécie de “trampolim” para pensamentos negativos e cíclicos, de tristeza e irritabilidade; e, por último, (c) porque os apelos permanentes à higiene manual meticulosa são solo fértil para manias de limpeza e controlo, reforçando comportamentos obsessivos e compulsivos.

Portanto cabe a cada um de nós compreender que esta situação de pandemia, requer o cumprimento das medidas de prevenção e de contenção, não só definidas pela OMS e pela DGS (Direção-Geral da Saúde), como também uma consciencialização da influência do mesmo na nossa Saúde Mental.

Os últimos meses têm sido difíceis para todos nós. De um momento para o outro, tivemos de alterar rotinas, adotar novas formas de vida e, diria até, enfrentar uma nova realidade.

Atualmente familiares, amigos e até mesmo a sociedade em geral começam a evidenciar o reforço nos cuidados de saúde, através da sua alimentação e suplementos e, até da atividade física, de força a fortificar o seu sistema imunitário. Esta é de facto uma postura crucial a manter e a adotar nesta altura, mas…E a Saúde Mental? As emoções? Os sentimentos? Raramente nos lembramos delas e o quão importante são para a nossa saúde.

É importante que tomemos consciência que os desequilíbrios emocionais acarretam alterações fisiológicas, nomeadamente a nível do aumento de hormonas de stress como a adrenalina e o cortisol, afetando diretamente o nosso sistema imunitário. Assim sendo, é muito importante que olhemos para a nossa saúde com um olhar alargado que inclua o cuidar da nossa saúde física, mas também psíquica, mental e emocional. A partir desta ressignificação estaremos muito melhor preparados para enfrentar este vírus e as suas variadas consequências, com vista à saúde e ao bem-estar pleno.

Torna-se agora fundamental definir prioridades e começar a voltar as nossas prioridades para o nosso Bem-estar psicológico e a Saúde Mental. Mesmo sabendo que não é fácil, uma vez que quando tudo corre mal ou não correr como desejado, a última coisa em que pensamos é no nosso equilíbrio emocional. O SNS e a OPP têm desenvolvido um trabalho fenomenal na promoção e prevenção da saúde mental criando as linhas de apoio psicológico que visam ajudar a uma melhor gestão de emoções como o stress, a ansiedade, angústia, medo; promover a resiliência psicológica; reforçar o sentimento de segurança da população e dos cuidadores, encaminhado para entidades de apoio emergente em caso de necessidade.

Contudo temos de começar a pensar num plano de atuação mais específico, de avaliação e intervenção na doença mental e mal-estar psicológico, não só nos doentes infetados, casos suspeitos e aos profissionais de saúde, mas sim a toda a população que foi vítima de uma forma ou de outra do COVID-19. Uma vez que “em períodos de catástrofe natural, vemos que as taxas de suicídio tendem a cair temporariamente. A coisa pode ficar crítica quando o evento passa, quando não se trata mais de uma questão de sobrevivência, mas de como prosseguir a existência a partir daí. É nesse momento que se percebe tudo o que foi destruído durante a situação de crise. Sendo bem possível que a tendência ao suicídio cresça de novo.” (Sociedade Alemã de Prevenção do Suicídio, 2020)

O medo de ficar doente, que algum familiar fique doente, medo de perder o trabalho, o aumento dos conflitos em casa, o teletrabalho e a escola online dos filhos, a mudança de rotinas e a difícil gestão do tempo. Estar longe de quem se ama” todas estas preocupações são naturais. Mas quando começam a afetar o nosso dia e a nossa noite e a causar sofrimento, ansiedade, tristeza, irritabilidade…poderemos estar a desenvolver um quadro de Ansiedade e /ou Depressão associada ao COVID-19. Como em outros casos, devido à exposição do cenário de COVID-19, podemos desenvolver Traumas Emocionais em – Perturbação de Stress Pós-Traumática (PSPT).

Relatos de palpitação, suores, aumento da pressão arterial, perda de apetite, dificuldade em respirar, problemas de concentração e sono, tristeza, raiva e culpa serão mencionados por grande parte da população portuguesa. E em quadros extremamente severos poderão desenvolver ideações suicidas.

Espera-se que a população em geral experiencie quadros de depressão e ansiedade, enquanto que as vítimas de infeção COVID-19, profissionais de saúde e outros profissionais de 1º linha experienciem em grande número a PSPT. Porém receio que não vá ser possível dar apoio psicológico a todos.

Não se esqueça de que é essencial que NÃO descuide da sua Saúde! Se se encontra nesta situação, deixo-lhe “3 regras de sobrevivência”:

1. Peça ajuda, nomeadamente, psicológica. Lembre-se que o primeiro passo para que possa melhorar a sua condição, é aceitá-la, olhá-la de frente e erguer-se perante ela.

2. Procurar manter sempre a calma e, por muito difícil que seja, substituir os seus pensamentos negativos por pensamentos positivos.

3. Não se isole!

Por: Marisa Marques * (Psicóloga Clínica e da Saúde).

Fotos: ROMANEWS | Enric Fontcuberta – EPA | DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

COVID-19: Ansiedade e depressão são cenários reais em casos de emergência pública

Abril 17, 2020 em Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Marisa Marques

Os coronavírus são um grupo de vírus que provocam infeções, variando a gravidade, nas pessoas. Normalmente estas infeções estão associadas ao sistema respiratório, podendo ser parecidas a uma gripe comum ou evoluir para uma patologia mais grave, como pneumonia. A Organização Mundial da Saúde atribuiu o nome, COVID-19, por ser o nome da doença que resulta das palavras “Corona”, “Vírus” e “Doença” com indicação do ano em que surgiu (2019).



Doença de coronavírus 2019 (COVID-19), anteriormente conhecida como coronavírus 2 de síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2) e 2019 novo coronavírus (2019-nCoV), foi identificado pela primeira vez em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, no centro da China (WHO, 2019; CDC, 2019). A 31 de janeiro de 2020 a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma emergência de saúde pública como o aparecimento de casos no Japão, Tailândia, Estados Unidos da América, Austrália e França (OMS,2020).

Esta emergência que o mundo enfrenta atualmente apresenta semelhanças com o surto de SARS, que vivemos entre 2002 e 2003 e vitimou mais de 800 pessoas (a COVID-19 já matou mais de 5.000 pessoas desde dezembro do ano passado). Apesar das diferentes apresentações clínicas, o rápido padrão de transmissão e a falta de preparação das autoridades de saúde são dois pontos semelhantes entre os surtos. Pelo que se sabe que quase metade dos sobreviventes do último coronavírus — o SARS — desenvolveram perturbações mentais após o surto, como a ansiedade, depressão e stress pós-traumático (PSPT) (Wu, Chan, Ma (2005), Hawryluck, Gold, Robinson et al. (2004)). Um estudo publicado em 2014 na revista especializada East Asian Arch Psychiatry mostrou que 54,5% dos sobreviventes desenvolveram ansiedade por stress pós-traumático, enquanto 39% teve depressão. O que nos leva a acreditar que esta crise de saúde pública provocada pelo COVID-19 poderá trazer como consequências, cenários de depressão, ansiedade e stress pós-traumático (PSPT).

Por: Marisa Marques * (Psicóloga Clínica e da Saúde).

Imagem: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

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