Tag archive

Serviço Voluntário Europeu

Karol Brozek: «Adoro Portugal e sei, com toda a certeza, que voltarei!»

Setembro 5, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Educação, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Karol Brozek

Olá! O meu nome é Karol. Sou da Polónia e sou voluntário. Trabalho na SOPRO, uma organização de solidariedade, vivo em Portugal há quase um ano e estou aqui num projeto de SVE (Serviço Voluntário Europeu).



A decisão de ser um participante neste tipo de projetos foi tomada depois de um grave acidente. Após este acontecimento, senti que tinha ganho uma nova oportunidade na vida e cresceu em mim a vontade de fazer algo bom por outras pessoas sem pensar em benefícios próprios. E no fim, esta decisão deu-me muito mais do que esperava. Deu-me muitos amigos incríveis, autoconfiança e um bocadinho de responsabilidade (não muita, porque sou uma pessoa que opera mais em sentimentos e emoções do que em trabalhos que necessitem de organização e racionalização). Neste artigo gostaria de vos contar um pouco sobre as minhas experiências, aventuras e o que senti em Barcelos e em Portugal.

Escolhi Portugal, maioritariamente, por uma única razão: vocês têm o melhor jogador do mundo de futebol e eu sou um fanático por este desporto em especial. Um dos primeiros grandes torneios foi o Euro 2004. Lembro-me dos primeiros jogos do vosso ídolo, Cristiano Ronaldo, e lembro-me também da final infeliz contra a Grécia. Após 15 anos, senti a necessidade de ver os mesmos estádios e cidades que vi na televisão quando era criança. Algo que me surpreendeu bastante e pelo qual não esperava era que, aqui, todos fossem grandes entusiastas em relação ao futebol, até as mulheres! Gostei muito disso. Para mim, é realmente espetacular poder falar com todos sobre futebol. O meu clube favorito é o Gil Vicente e acredito que nesta época eles consigam jogar com o Benfica ou com o FC Porto e até ganhar, e quem sabe, até ser campeão português.

Gosto mesmo muito dos portugueses por serem muito amáveis e ajudarem sempre que podem. Posso descrever isto que acabei de referir com um exemplo muito simples. Se estiveres na rua, na Polónia, e vires outras pessoas, se continuares a sorrir, provavelmente vais reparar que a pessoa para quem sorrias desviou o olhar para o chão com alguma vergonha. Aqui em Portugal, na mesma situação e após alguns instantes, são amigos. Respeito muito isto pois apesar de Portugal não ser o país mais rico do mundo, todos vivem com um sorriso na cara.

Portugal tem também doces e pratos muito bons! O pastel de nata, para mim, é já um clássico português que adoro. A francesinha é muito boa também! Eu adoro peixe, por isso, também aprecio bacalhau, mas para ser honesto, não percebo o seu fenómeno. Talvez tenha vivido pouco tempo em Portugal para o compreender. Relativamente à língua portuguesa, esta é bastante complicada, mas com a ajuda que fui recebendo, já compreendo algumas coisas. No início, não conseguia reconhecer quando uma palavra terminava e outra começava. Para mim, era algo como “eszzszszszeszszszczszzse”. Agora, está bastante melhor!

Outra coisa que apreciei muito em Portugal é o facto de os portugueses viverem com pessoas de diversos países, como por exemplo, Brasil, Venezuela e Cabo Verde, sem conflitos supérfluos e desnecessários. Na Polónia, penso que uma vivência semelhante traria situações bastante diferentes.

Algo que me surpreendeu muito foi o facto de Portugal não apresentar temperaturas de -20 °C, como na Polónia, e, mesmo assim, eu podia ter congelado durante o inverno! Não esperava isto. Achava que seria sempre um tempo incrível e ameno.

Em Barcelos, o que mais gosto é da bonita ponte velha e da pequena e encantadora biblioteca. O dono teve uma ideia de génio. O espaço de leitura com ar fresco e vista incrível fascinam-me.

Relativamente ao meu projeto de SVE, no início, tive algumas tarefas na Ludoteca do Colégio La Salle. Eu e um amigo meu da Polónia preenchíamos o tempo livre dos alunos do Colégio. Esta foi uma experiência nova para mim, que me permitiu conhecer melhor os alunos e partilhar experiências com eles. Trabalhei na ludoteca durante 2 meses e após esse período, o meu amigo da Polónia decidiu voltar para a terra natal. Na mesma altura em que o meu amigo partiu, chegou um novo voluntário à SOPRO, vindo da Turquia. Juntos, fomos trabalhar para a Loja Social de Esposende. Adorei o conceito desta loja! Aqui, não existe dinheiro, mas sim, créditos. As pessoas podem doar alimentos e roupa e receber em troca outro tipo de bens. Isto quer dizer que alguém que necessite, por exemplo, de uma camisola para o inverno, pode ir à loja, trocar t-shirts de verão por créditos e, com esses créditos, levar a camisola de inverno. Após este tempo na loja social, ocorreu o enorme tornado em Moçambique. Nessa altura, todos os membros da SOPRO focaram-se em ajudar as pessoas de lá. Fiquei bastante surpreendido quando vi muitos portugueses a doar produtos úteis, que enviámos para Moçambique. Às vezes penso que os portugueses nasceram para uma coisa: ajudar os outros.

Vi muitos locais bonitos em Portugal, mas o meu preferido é a cidade do Porto. Decidi que outra forma de conhecer Portugal, e também Espanha e as suas pessoas, seria ao realizar o Caminho de Santiago a pé. A viagem demorou 6 dias e trouxe algumas dificuldades (a principal foi ter de fazer parte do caminho com apenas uma perna). Esta foi uma ótima experiência que me fez sentir confiante e poderoso. Este foi o início dos meus treinos. Após esta viagem, decidi participar numa maratona. A 3 de novembro de 2019, em Istambul, irei participar na minha primeira maratona, por isso, cruzem os dedos por mim.

Calma, calma, calma – é a palavra que mais vezes ouvi. Eu gosto deste estilo de vida calmo. Como se estivéssemos em férias constantes. Talvez no supermercado seja ligeiramente problemático, mas não posso reclamar.

Para resumir, adoro Portugal e sei, com toda a certeza, que voltarei!

Adeus!

Por: Karol Brozek*.


**Note-se que esta notícia foi escrita em inglês pelo voluntário Karol Brozek e traduzida pela voluntária da SOPRO, Margarida Pereira.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

‘Kasia’ Limanówka: «Em Barcelos encontrei os pores do sol mais bonitos que alguma vez vi!»

Julho 31, 2019 em Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora
Katarzyna Limanówka

Em Barcelos encontrei os pores do sol mais bonitos que alguma vez vi! O sol foi a melhor surpresa que encontrei durante toda a minha estadia em Portugal.



Cheguei a Barcelos no início de novembro do ano passado e fui recebida por chuva intensa e tempo tempestuoso. Fiquei duplamente surpresa porque saí da Polónia com um outono ensolarado e caloroso e imaginava, com toda a certeza, que em Portugal ainda seria tempo de verão. Infelizmente, não era.

Durante a primeira noite, ventos fortes partiram uma pequena janela na minha cozinha, pelo que fiquei ligeiramente assustada. Além disso, a minha mãe ligou-me a descrever como os dias estavam incomuns e quentes na Polónia. Fiquei com ciúmes, mas depois, ouvi a lenda de São Martinho. Depois do 11 de novembro, em Portugal, vem o “segundo verão”. Diz-se que isto acontece devido a São Martinho. De acordo com a lenda, São Martinho ajudou um homem pobre e nu que conheceu num dia chuvoso e frio, dando-lhe o seu casaco. Depois disso, o sol voltou para Portugal. O mesmo aconteceu no ano passado, após a minha chegada. Felicidade e pura alegria apareceram na minha vida. E o sol nunca mais me deixou sozinha. Claro que tive dias chuvosos, mas não tantos como esperava. Li que o inverno em Portugal era bastante chuvoso, mas este ano não o foi. Até os portugueses ficaram espantados. Assim, passei um Natal ensolarado em Portugal, recebi o Ano Novo também com muito sol, e estes momentos, nunca esquecerei.

Mas permitam-me começar de novo… Cześć! Mam na imię Kasia (Olá! Chamo-me Kasia) e vim para Barcelos para integrar um projeto SVE. Sou voluntária e a minha organização de acolhimento é a SOPRO ONGD.

Antes de vir para Portugal, trabalhava no Museu Municipal de Engenharia, em Kraków, e estudava antropologia da cultura na Universidade Jagiellonian. Mas desisti de tudo e decidi tornar-me numa voluntária.

Ouvi falar do SVE pela primeira vez quando tinha 22 anos. Esta é uma história bastante engraçada. Eu estava numa fila de espera enorme para obter um quarto numa residência de estudantes. Estava um pouco nervosa porque haviam poucas vagas, muitas outras pessoas nessa mesma fila e faltavam poucos dias para o início de outro ano letivo. Naquela fila enorme, conheci uma pessoa incrível que tinha voltado da Roménia após o seu projeto SVE e falou da sua experiência. Fiquei espantada com a sua história e rapidamente decidi que, no futuro próximo, iria participar num projeto SVE. Então, aqui estou eu, no ensolarado Portugal, 5 anos depois daquele encontro com o rapaz misterioso, na longa fila de espera.

E estás provavelmente a questionar-te o que estou aqui a fazer.

Nos primeiros 5 meses, estive a trabalhar no centro social Abel Varzim, em Cristelo, onde ajudei crianças com o seu Inglês, organizei oficinas e atividades de artesanato. Ali, encontrei imensas crianças incríveis e fantásticas, cheias de paixão e energia positiva. Irei sentir muitas saudades delas, e já sinto, na verdade porque, desde o início de abril comecei a trabalhar diretamente com a SOPRO.

Depois da enorme tragédia em Moçambique, quando o Ciclone Idai destruiu tantas cidades e matou imensas pessoas, todos os voluntários da SOPRO começaram a ajudar na campanha de Moçambique. A partir desse momento, na maior parte do tempo, ajudei a separar, preparar e embalar caixas com alimentos, roupas e material escolar para as vítimas do Ciclone Idai. Dia após dia, observo o quão generosas são as pessoas que formam a Comunidade de Barcelos e que estão envolvidas em todas as ações organizadas pela SOPRO.

Mas o SVE não é, unicamente, sobre fazer voluntariado. É também uma oportunidade incrível pra descobrir outras culturas, tradições, estilos de vida e conhecer novas pessoas. Durante a minha estadia em Portugal, apaixonei-me pelo Porto. É uma cidade maravilhosa e mágica, que me surpreendeu em cada canto, com todas as porções de arte de rua e parques verdes que lá descobri. Amo passar lá todos os meus fins de semana porque, para mim, vale mesmo a pena e não me surpreende que tantos turistas visitem esta cidade. Não poderiam ter escolhido melhor.

Por fim, gostaria de dizer que sou apreciadora de inúmeras delícias portuguesas, como frutas e vegetais. Poderia passar o resto da minha vida a comer unicamente laranjas do Algarve. A sério! É muito triste que o meu projeto vá terminar em breve pois irei sentir falta de todos estes pores do sol, das laranjas, de Barcelos, do Porto e das pessoas que aqui conheci.

Por: Katarzyna Limanówka.*

Voluntária da SOPRO – Solidariedade e Promoção

Em projeto de voluntariado desde novembro de 2018 até setembro 2019.

Fotos: DR.

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade da autora)

Sobre a mobilidade internacional

Julho 25, 2018 em Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

A União Europeia (UE) nasceu no dia 25 de março 1957, com o nome de Comunidade Económica Europeia (CEE), por um projeto dos líderes europeus, que esperavam criar um contexto de paz e compreensão no território após as grandes guerras da primeira metade do século XX.

Desde aí, esta instituição cresceu e o seu âmbito de ação já inclui muitos contextos diferentes: âmbito da economia e da política monetária; relações internacionais com outros países e entidades; política agrícola; proteção dos direitos humanos; proteção do meio ambiente; educação; cooperação; proteção civil; cultura; saúde humana e social…e muito mais!



Na União Europeia, cada cidadão faz parte de uma comunidade enorme, tem direitos e obrigações e dispõe de possibilidades irrepetíveis. É por isso que as instituições da UE trabalham para a chamada integração europeia, que quer criar uma comunidade de cidadãos conscientes e informados, que se sintam representados pelos princípios dessa entidade.

É assim que a UE oferece tantas oportunidades aos jovens, que são o futuro da comunidade europeia e mundial, aqueles que determinarão a paz e a guerra, o meio ambiente saudável ou poluído, os direitos para todos ou para poucos. Conhecermo-nos um com o outro, ver outras culturas, outras sociedades e aprendê-las, percebê-las…É essa a estrada para um futuro melhor.

Portanto, a União Europeia criou projetos de intercâmbio para jovens e educadores, como o Erasmus, o SVE, o Erasmus Traineeship, o European Solidarity Corps e muitos mais. Existem entidades com função de Eurodesk (como a SOPRO), que podem reunir todas as informações necessárias sobre as possibilidades de mobilidade para jovens. Recomendamos consultar o site www.eurodesk.eu para mais informações e acompanhar as últimas notícias em tema de mobilidade internacional.

Há alguns aspetos a considerar para entender a importância e os benefícios de participar nestes projetos. Além das questões teóricas a aprender nos manuais, digamos, é essencial perceber que há outra maneira de chegar à igualdade, ao pluralismo, à não discriminação, ao respeito, que é a aprendizagem não-formal e informal. Resumido, simplesmente, na fórmula “aprender fazendo”. Por isso, não é preciso livros nem teorias, cada indivíduo terá o seu livro a preencher, a tirar ou acrescentar palavras, a pôr um ponto ou mudar de linha, aliás o seu olhar, o seu ouvido, pois serão as suas teorias.

A componente que não deve faltar nesse processo natural é a comunicação e mesmo uma comunicação clara e certa, até porque já sabemos que os mal-entendidos existem também entre pessoas falantes da mesma língua! E no sentido de língua como meio de comunicação, dentro de um contexto internacional, ter apenas uma língua veícular é extraordinário! Apesar de ter sido escolhido o inglês para assumir este papel (não o italiano, português, espanhol, francês, alemão, etc, etc), temos sorte por ser uma língua bastante fácil e acessível a todos: basta pensar nos filmes e cursos disponíveis on-line, a possibilidade de estudá-lo na escola ou de fazer uma troca das línguas com falantes nativos. Logo, tudo torna-se mais fácil, de perceber e integrar-se num país, sentir-se em casa, fazer a sua própria vivência, conhecer mais pessoas, partilhar a própria cultura.

Não será isso uma das coisas que nos faz sentir melhor: compreender e ser compreendido? Sejamos sinceros!

Por: Anete Tambaka, Laura Truffarelli e Gabriella Riglia*.

(Voluntárias do Serviço Voluntário Europeu em ação no Colégio La Salle e na SOPRO)

* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras.

Barcelos na visão de três voluntárias

Junho 27, 2018 em Atualidade, Concelho, Cultura, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

Já há muitos meses que moramos aqui, na linda “cidadezinha” de Barcelos. Observamos muitas coisas: as pessoas, a vida urbana, a cultura, os hábitos populares…Eis aqui a nossa opinião sobre algumas características dos barcelenses!



Anete: Todas as vezes que vejo os pares idosos dançar no centro de Barcelos, isso faz-me sorrir e dá-me a sensação que o amor está no ar. Estava à espera de que também os jovens fossem dançar ativamente aos bares, à noite. Mas quando fomos ao Concilium Bar, onde o DJ toca boa música, o local estava cheio de gente e todos estavam de pé, parados, na frente do DJ! Só umas mulheres estavam mover-se um bocado! Eu senti-me como um extraterrestre numa floresta cheia de “homens-árvores”, que não se podiam mover! Por que não dançam?! Por que não se sentem livres de se expressar?! Esta é um síndrome da cidade pequena, onde todos se conhecem e ninguém quer parecer estúpido à frente dos outros? É muito comum, em todos os lados, que os homens sejam mais tímidos para dançar. Ou estarão eles a guardar as energias para o próximo festival ou celebração? Os Portugueses celebram muito aqui! E aquilo de ficar lá parados e mover os olhos já é muito! Só encontrei um rapaz que dançava breakdance e fez uma “batalha de dança” comigo. Eu, pessoalmente, prefiro cooperar com as pessoas que estão a dançar, não fazer uma competição. É tão lindo quando estamos a gostar da música e do movimento do nosso corpo à nossa maneira pessoal.

Apesar disso, os pares idosos inspiram-me muito. Podemos aprender muito com eles. Aquela é a maneira linda de se conhecer um ao outro. Eu vi, também, que os Portugueses expressam-se mesmo através das palavras. Às vezes, falamos muito mas dizemos muito pouco. Um toque pequeno pode ser tudo o que precisamos para demonstrar o que queremos dos outros e resolver os problemas no ar. Com uma dança, articulamos muito mais sentimentos do que o que pode ser colocado em palavras.

Tenho um projeto na cabeça, onde um par, que dançou uma dança de casamento na cerimónia do seu casamento, vai partilhar as suas memórias daquela dança numa entrevista e vai tentar recriá-la uma vez mais. Melhor cenário possível: o par vai poder ser documentado enquanto dançar uma vez por ano.

Se é par casado e gostaria de dançar a vossa dança de casamento, uma vez mais, não perca esta oportunidade e contactem-me pelo e-mail: anete.tambaka@gmail.com.

Gabriella: Até os 19 anos de idade, vivi na minha pequena comuna. Chama-se Monasterace, no sul de Itália, e logo mudei-me para Roma, com uma pausa de 3 meses em Barcelona, e agora estou Barcelos, desde de outubro passado. Depois de tantos anos numa grande cidade, a primeira reflexão que tive foi: “Então, tenho demasiado tempo livre e não estou acostumada. E agora, como é que vou lidar com isso?” Depois, passo a passo, tudo começou a tomar forma. A cidade acabou por ser familiar ao meu olhar, até sentir-me em casa. O tempo é todo necessário, não sobra! É para aprofundar o conhecimento de mim mesma, até fazê-lo devagar, com o meu tempo. Isso é algo que nunca tinha feito, por causa do ritmo rápido da grande cidade, onde, sem querer, acabei por ser contagiada. E, da mesma forma, uma vida mais calma foi essencial para entrar em contacto com Barcelos, a sua gente, as atividades que oferece.

Há uma coisa que sempre adorei: o rio! Acho que é uma das coisas mais lindas e positivas de Barcelos! É um lugar íntimo, calmo, de extrema beleza, um lugar mágico, natural! Aliás, é o lugar perfeito para fugir da cidade e, ao mesmo tempo, ficar e conetar-se a ela. Para já, obrigada Barcelos!

Laura: Quando cheguei a Barcelos, estava cansada das grandes cidades e feliz por morar numa cidade pequena, mas ainda bastante perto de uma linda cidade como o Porto. Morar numa grande cidade, como Milão ou Roma, significa que sair do ponto A e chegar ao ponto B vai demorar, no mínimo, uma meia hora. Significa que as pessoas ao teu redor andam depressa e têm tantas coisas na cabeça, que ser simpático com quem está à beira deles é ainda mais um esforço no dia. Para não falar dos preços das coisas da vida quotidiana.

Em Barcelos, tudo me parece fácil: a cidade é pequena, limpa e linda; posso chegar a qualquer lugar em pouco tempo; encontrei atividades que adoro e consigo fazer, a um preço normal; e consigo, facilmente, decidir o que fazer à noite, porque não há muitas opções entre as quais escolher…

…E é aqui que o sonho da cidade pequenina começa a ser um bocado menos sonho. Eventos culturais e concertos há, mas não acontecem todos os dias. Sem carro, ver um filme no cinema fica um “bocado impossível”. E, a coisa pior, ser vegetariana numa cidade que tem uma cultura culinária muito “carnívora”, não é nada de fácil!

Realmente, ser vegetariana em Portugal não é nada fácil: cada vez que pedes para comer algo sem carne, a maioria das pessoas olha para ti como se fosses uma pessoa “meia louca”, que não tem a consciência das coisas boas da vida. Mas, pelo menos, há restaurantes vegetarianos e vegan em muitas cidades! A opção vegetariana “tristinha” que têm muitos restaurantes aqui em Barcelos não nos dá muita variedade entre a qual escolher! E quando vais a um bar ou ao padeiro, nunca encontras uma “coisinha” salgada que não tem carne, nem peixe (se não queres mais um pão com queijo, que é muito bom mas, depois de um certo tempo, já chega)!

Portanto, querida Barcelos, abre um restaurante vegetariano para todos os turistas e voluntários “meio loucos” que vêm visitar-te!

Por: Anete Tambaka, Laura Truffarelli e Gabriella Riglia*.

(Voluntárias do Serviço Voluntário Europeu em ação no Colégio La Salle e na SOPRO)

* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras

Porquê fazer um SVE?

Maio 30, 2018 em Atualidade, Concelho, Cultura, Educação, Mundo, Opinião port barcelosnahorabarcelosnahora

The BeSOPRO Van girls: Anete, Gabriella, Laura!

Somos três raparigas que vêm de países diferentes e têm diferentes histórias de vida. Anete, 29 anos, bailarina e coreógrafa contemporânea da Letónia. Gabriella, 30 anos, de Itália, formada em Turismo mas, em primeiro lugar, interessada nos diferentes aspetos da vida quotidiana das pessoas. Laura, 24 anos de idade, estudante de Cooperação Internacional que deseja trabalhar no mundo das ONG’s.



Estamos aqui em Barcelos para fazer um projeto – SVE- Serviço Voluntário Europeu – com a SOPRO. Um SVE é um projeto financiado pela União Europeia, direcionado aos jovens da Europa e dos países parceiros, entre os 18 e os 30 anos, convidando-os para fazer um intercâmbio num país diferente. Os objetivos mais importantes do projeto são: a promoção dos valores europeus; a promoção da mobilidade entre a União; a aprendizagem não formal; e a aprendizagem linguística.

Porquê fazer um SVE? Estas são as nossas razões:

Anete: “Vivia na Suécia, no passado inverno, frio e escuro. Estava a escrever a minha tese de mestrado. No meu ecrã havia uma bela foto de três meninas deitadas com as pranchas de surf no teto de uma carrinha. Elas estão ao lado do oceano e há muito sol na foto. Fiquei a pensar nisso: o próximo inverno ia passá-lo em algum lugar onde há mais sol e for mais quente. E então, inesperadamente, a oferta chegou até mim! A oferta era como voluntária para eventos culturais e desportivos em Portugal, em Barcelos. A ideia principal é ensinar a dança aqui. Estou muito curiosa no como, quando e onde os portugueses compartilham a sua verdadeira felicidade através da dança. Que tipo de dança eles gostam? A dança está disponível para todas as idades e sexos? Os portugueses gostam de dançar em casais, sozinhos ou em grupos? Que tipo de estilos de dança eles preferem? Como é que com a dança podemos melhorar a qualidade de vida? A ligação entre Portugal e a dança é o que me faz curiosa.”

Gabriella: “No meu entender, acredito que a vida é um conjunto de vivências nas quais tu estás sozinho mas, ao mesmo tempo, andas estabelecendo ligações com as pessoas e as situações ao teu redor. É nesses momentos que tu acabas por não estares sozinho e perceber quanto é essencial partilhar os teus conhecimentos, pois receber e beneficiar dos outros, uma troca natural e saudável, diria eu! Foi por isso que no ano passado fui à procura de um projeto de voluntariado na Europa, e achei que a SOPRO era o ideal para acrescer, enriquecer a minha vida, num país diferente, a aprender uma nova língua e cultura. Conhecer e crescer são as minhas palavras-chave e ser voluntário incorpora tudo isso, de uma maneira profunda e forte.”

Laura: “Em setembro, estava a iniciar o meu segundo ano de mestrado/ magistral em Roma e sentia a necessidade de ter mais experiência no âmbito da cooperação internacional. Foi assim que comecei a ver as possibilidades para adquirir essa experiência, numa maneira certificável e reconhecida no mundo cooperativo. O SVE é mesmo uma ótima oportunidade para enriquecer o curriculum de um jovem cooperante e foi assim que encontrei no Facebook a call para o projeto BeSOPRO. A ideia de aprender o Português e trabalhar numa ONG internacional foi muito atrativa e duas semanas depois já estava com as malas nas mãos, pronta para esta nova aventura.”

O projeto BeSOPRO, promovido pela ONGd barcelense SOPRO, abraça as áreas da educação, da cultura, da sensibilização social e cooperação internacional. Nós, voluntárias, trabalhamos no Colégio La Salle, dando aulas de línguas e apoio aos estudantes; e na própria associação, participando nas atividades e organizando projetos culturais.

Vamos publicar, uma vez a cada mês, um artigo de opinião sobre a Europa e os seus valores, diferenças culturais, as nossas impressões sobre Portugal, e muito mais.

Podem acompanhar-nos aqui e também na nossa página Facebook “The beSOPRO Van”.

Por: Anete Tambaka, Laura Truffarelli e Gabriella Riglia*.

(Voluntárias do SVE – Serviço Voluntário Europeu no projeto Be SOPRO)


* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade das autoras

Ir Para Cima