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Teletrabalho

Trabalhe menos, teletrabalhe mais

Setembro 13, 2020 em Atualidade, Concelho, Economia, Mundo, Opinião Por barcelosnahorabarcelosnahora
Alexandrino Ribeiro

A pandemia do COVID-19 provocou alterações profundas na economia e na sociedade em múltiplas vertentes. Em muitas delas podemos mesmo falar no Antes COVID e no Pós COVID, dada a elevada amplitude da mudança, como é exemplo, a área da gestão dos recursos humanos. Nesta área, merece realce a temática do teletrabalho que, se antes da pandemia era uma forma de trabalho muito residual, massificou-se a nível Mundial com a quarentena imposta pela pandemia. Esse recurso mais massivo ao teletrabalho foi mesmo fundamental para manter uma parte da economia Mundial em funcionamento, minorando os efeitos económicos negativos da quarentena e, simultaneamente, contendo uma maior disseminação do vírus.



Após anos de discussão não consensual sobre as vantagens do teletrabalho para o empregador e para o empregado, com muita relutância das partes em darem passos significativos nesse sentido, a quarentena tornou o recurso ao mesmo uma inevitabilidade em diversas profissões. Hoje parece já não existirem muitas dúvidas que o teletrabalho veio para ficar em várias áreas profissionais, existindo, porém, outras áreas em que, pela natureza das suas funções, tal não será muito plausível. Contudo, com o desconfinamento, não será expectável que o recurso ao teletrabalho seja efetuado por períodos temporais tão prolongados como os vividos durante a quarentena, mas sim, num regime em que se alterne trabalho presencial com teletrabalho.

Plataformas de trabalho online (Foto: DR)

A evolução tecnológica que se registou na última década foi um fator primordial para o sucesso do teletrabalho. Por outro lado, acredito que um dos efeitos da pandemia que atravessamos será o acelerar a evolução científica e tecnológica em diversas áreas, permitindo-nos atingir, em dois ou três anos, patamares de desenvolvimento que, normalmente, demorariam uma década.

Focando a análise nas vantagens e desvantagens do teletrabalho para o empregador, destacaria a poupança de custos com energia elétrica, água e espaço físico nos escritórios como as principais vantagens. Contudo, surgem as dificuldades de supervisão, os riscos de segurança e confidencialidade, assim como o enfraquecimento do espírito de equipa entre os colaboradores como principais desvantagens do teletrabalho para o empregador.

Também ao nível dos colaboradores é possível identificarmos vantagens e desvantagens do recurso ao teletrabalho. A poupança de custos e tempo com as deslocações de e para o local de trabalho e a possibilidade de se autocontrolar o ritmo de trabalho são apontadas como as principais vantagens. Por outro lado, a dificuldade em separar a vida profissional da vida pessoal, a falta de socialização, a maior dificuldade de progressão na carreira e o aumento dos custos com energia elétrica e água surgem como aspetos negativos do teletrabalho para os colaboradores.

Teletrabalho e família (Foto: DR)

A problemática do teletrabalho entronca ainda em dois potencias níveis de problemas. Um, relativo à elevada dificuldade de ser implementado em alguns setores de atividade, fruto do tipo de funções inerentes ao setor. Outro, mais ao nível da filosofia tradicional de gestão de recursos humanos, em virtude de algumas empresas e organismos públicos ainda não aceitarem a prática de uma gestão e acompanhamento de colaboradores e equipas sem controlo presencial, com enfoque nos resultados finais obtidos e não no horário de trabalho. É, assim, premente uma mudança de paradigma na gestão de recursos humanos, assim como o ajustamento na legislação laboral, nomeadamente no normativo específico ao teletrabalho, para se ultrapassar barreiras.

De notar ainda, que para o recurso ao teletrabalho funcionar de uma forma eficiente e eficaz devem estar reunidos alguns ingredientes. Entre eles, destacaria o nível das ferramentas de gestão, a evolução dos equipamentos informáticos e tecnológicos utilizados, o nível de formação dos colaboradores e o seu alinhamento com os objetivos e missão da organização. Nos casos em que se verificou a junção de todos estes ingredientes de uma forma equilibrada, o velho estigma de que o recurso ao teletrabalho diminui a produtividade caiu por terra, tendo até, não raras vezes, aumentado a produtividade. Uma ameaça transformada em oportunidade. O teletrabalho ficará, assim, para a história como mais uma notável capacidade de adaptação da sociedade, com ganhos ao nível económico e financeiro para um número alargado de organizações.

Imagem: BnH

Por: Alexandrino Ribeiro* (Professor no IPCA).

PAN leva a debate no Parlamento importância da regulamentação do teletrabalho

Junho 30, 2020 em Atualidade, Concelho, Economia, Mundo, Política Por barcelosnahorabarcelosnahora

A Assembleia da República discute, nesta sexta-feira, dia 3 de julho, a partir das 10h00, o Teletrabalho, por proposta do Grupo Parlamentar do PAN – Pessoas–Animais–Natureza. O PAN “pretende, desta forma, promover o debate sobre as vantagens do trabalho à distância, bem como, em particular, as necessidades de ajustamento ao nível de regulamentação existentes no panorama nacional sobre esta matéria”, refere em nota.



Com os constrangimentos decorrentes das medidas de combate ao surto do novo coronavírus, Portugal, que há cerca de um ano era um dos três países europeus com menor taxa de implementação do teletrabalho, viu, nestes últimos meses, ser adotada esta modalidade por 96% das empresas. “Desta forma, pôs-se, não só, fim a uma espécie de estigma quanto ao teletrabalho, como também ficaram por demais evidentes as lacunas que a nossa legislação laboral ainda apresenta nesta matéria”, afirma a líder parlamentar e deputada do PAN, Inês de Sousa Real. Ora, acrescenta, “é justamente para gerar o necessário debate na sociedade que levamos o tema ao Parlamento, com vista a que, aproveitando o conhecimento sobre as vantagens e fragilidades evidenciadas durante esta crise sanitária em matéria laboral, possamos trazer para a mesa a identificação e a apresentação de soluções para questões que o trabalho à distância sem a adequada regulamentação veio levantar”.

Não obstante os dados de vários estudos, que apontam nomeadamente para um aumento da produtividade em regime de teletrabalho ou uma maior conciliação entre a vida familiar e laboral, outros indicadores vão no sentido de que se verificou também um aumento do volume de trabalho ou o não cumprimento de benefícios contratualmente previstos, como é o caso do subsídio de alimentação. “Neste sentido, importa igualmente fazer uma reflexão sobre as competências e os meios ao alcance da entidade fiscalizadora, a Autoridade para as Condições do Trabalho, de forma a garantir um eficaz acompanhamento destas situações. Acreditamos que o caminho da regulamentação ajudará a mitigar algumas das fragilidades que se verificaram nos últimos meses no recurso ao teletrabalho e que irá contribuir para uma maior proteção dos interesses quer dos trabalhadores, quer da entidade patronal.”, acrescenta Inês de Sousa Real.

Fonte: PAN.

Foto: DR.

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