Um argumento pela liberdade de escolha

Fevereiro 14, 2021 Atualidade, Concelho, Mundo, Opinião

Cooperar com os privados para permitir liberdade de escolha sobre os serviços públicos não deveria ser visto como vender o Estado ao privado e ao lucro. Mas sim como uma maneira de emancipar os serviços públicos. A dinamização destes através de entidades estabelecidas no mercado garantiria a qualidade e a resposta imediata, mantendo o foco naqueles que mais interessam, os utentes. 

Neste momento vivemos num país onde não temos direito de escolha sobre os serviços públicos que consideramos essenciais e para os quais contribuímos com os nossos impostos. Temos o que o estado dá, se for bom, ainda bem, se for mau, paciência. Estamos dependentes e subservientes da boa vontade e sentido de responsabilidade daqueles que nos servem. Resumindo a saúde humana a uma mera questão de sorte. Em caso de inexistência de resposta, aqueles que tem capacidade económica e financeira socorrem-se dos privados, acabando por ser a classe mais baixa da sociedade a mais afetada. Isto acontece porque a qualidade de serviços prestada pouco afeta o setor público. Quem não tem possibilidades para ir ao mercado privado não tem outra escolha. Argumentam que não pode ser de outra maneira, que é imoral ir ao mercado privado e pagar aos capitalistas que só ambicionam o lucro pelos serviços que prestam. É preferível ter serviços públicos ineficientes do que colaborar com tal gente. 

A falta de responsabilização no setor público leva a que este se preocupe mais consigo próprio do que com os que serve. Aliado aos sindicatos, o seu foco é conquistar cada vez mais direitos e regalias. O povo, que paga impostos para financiar isto tudo, fica de fora da equação. A função pública continua a reclamar por condições e direitos que o resto da população portuguesa raramente tem. Argumentam que os funcionários públicos são uma classe muito oprimida e explorada por não ter direitos que mais ninguém tem. Custa-me a perceber!

Liberdade de escolha permite-nos exigir mais. Porque quando se tem a liberdade de escolher por quem e como queremos que os nossos direitos sejam satisfeitos, tem-se poder sobre esses direitos. 

Na compra de um carro, o consumidor tem uma variedade de opções de escolha. Nessa escolha avaliam-se as prioridades de cada um, tal como preço, espaço, qualidade, estilo, etc. Isto coloca pressão nos produtores de carros para que o seu produto satisfaça os clientes da melhor maneira possível, porque se o cliente não estiver satisfeito para próxima vai a outro. O cliente tem escolha, e essa escolha dá-lhe poder. 

Este conceito é a base da democracia, temos o direito de escolher quem nos representa. Escolhemos quem achamos que melhor representa os nossos interesses, e por isso temos neste momento dez partidos na assembleia da república a competir pela nossa aprovação na expectativa de serem eleitos outra vez. Esforçam-se para nos agradar porque estão dependentes disso para continuarem a fazer o que fazem. Foi por isso que lutamos no 25 de Abril, para dar poder ao povo sobre quem nos governa. 

Porque é que podemos ter poder sobre o que consumimos ou quem nos representa, mas não podemos ter esse poder sobre os nossos direitos básicos de educação e saúde? Porque aparentemente corremos o risco de algum capitalista ter lucro por prestar um serviço de qualidade. Mas esquecem-se que é por causa desse mesmo lucro que o capitalista se interessa sobre a nossa satisfação, e é essa falta de motivação que torna o público ineficiente. 

E assim acabamos nós, neste canto à beira mar, com tanto medo de ser explorados pelos capitalistas que acabamos todos oprimidos por um serviço público que só se interessa por si. Mas da próxima vez que tiverem na fila de espera do hospital ou que os vossos filhos não tirem proveito da escola, podem sempre encontrar conforto no fato que nenhum capitalista está a lucrar com isso.

Por: João Cardoso* (Membro da Iniciativa Liberal)

(* A redação do artigo de opinião é única e exclusivamente da responsabilidade do autor)

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